Será mesmo o feminino mais dócil?

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Há pouco, quando escrevi sobre o possível domínio das mulheres no mundo, houve quem se manifestasse satisfatoriamente alegando que o mundo feminino seria mais pacífico. A justificativa para tal, seria a comum associação da docilidade, compreensão, maternidade, maleabilidade às mulheres.

Há também os que atribuem às mulheres o carinho para com as crianças e o desejo de ser mãe. Evidentemente, não há duvidas de que, seja por questões históricas ou não, a predominância feminina em várias esferas da vida é um fato. Mas questiono se isso tornaria o mundo mais dócil, mais amável, mais humano.

Afinal, em muitas posições hoje ocupadas por mulheres o que vemos é um comportamento tão agressivo, competitivo e violento quanto veríamos se fosse um homem a ocupar aquela posição. Talvez, por uma questão de sobrevivência ou de adaptação, a regra de que o “feminino” é mais amoroso não se aplique.

O mesmo ocorre quando uma mulher afirma que não tem vontade de ser mãe. A primeira reação é de choque, pois muitos atribuem à mulher – principalmente se ela for doce e gentil – o desejo intrínseco de ser mãe. Será que essa é uma regra do feminino, ou se olharmos em volta veremos que mais do que padrões pré-determinados de comportamento, as pessoas se comportam a partir de suas experiências, seus objetivos, anseios e até traumas?

“Na França, até a Revolução Francesa, as fidalgas consideravam a maternidade uma das mais desagradáveis incumbências. Sem o menor respeito ou amor pelas crianças, era moda abandonarem seus filhos, em lugares distantes, de preferência no campo, na companhia de empregados e amas. Lá, vivendo sem conforto e sem as regalias que seriam de esperar da riqueza dos pais, essas crianças ficavam até a idade de seis a oito anos, quando então iam conhecer sua mãe. Conta-se mesmo que os filhos de reis não fugiam às regras, e que o próprio Luiz XIV, em criança dormia numa velha cama de lençõis rasgados que mal o podiam cobrir.

Já os maometanos têm em tão alta conta a maternidade, que a mulher que morre de parto está dispensada de receber a extrema-unção. Para eles, a própria maternidade vale como uma santificação da mulher.” Clarice Lispector – Correio Feminino

Apenas uma reflexão…

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2 Respostas to “Será mesmo o feminino mais dócil?”

  1. Ana Casanova Says:

    Olá Cristhiane,
    Em relação ao aspecto de pensar que o mundo seria melhor governado se o fosse feito por mulheres não tenho tanta certeza.Certeza tenho sim de que temos as mesmas capacidades que os homens, o mesmo nível intelectual e todas as suas faculdades.Hoje e cada vez mais, vemos mulheres em cargos que até há bem pouco tempo apenas estavam destinados aos homens.A mulher era considerado o “sexo fraco”!Caídas por terra todas estas ideias infundadas o que verificamos é que graças ao nosso lado tão especial e condição de mulher, somos bem mais perspicazes e temos uma forma bem peculiar de resolver as coisas.Cada vez mais as mulheres assumem lugares preponderantes e cimeiros não pondo de parte a nossa condição de mulher-mãe, feminina, dócil etc.
    Quanto à questão da maternidade temos que ter em atenção muitos factores, tanto sociais como económicos ou muito importante que se prendem com as diversas culturas e formas de estar no mundo.
    Para mim pessoalmente a maternidade é das coisas mais belas que existe.Senti-me a mulher mais linda e feliz do mundo durante os meses que “carreguei” os meus filhos dentro do meu ventre.Sinto-me plenamente realizada no meu papel de mulher-mãe.
    Beijinhos minha querida e adoro o teu blog.Obrigada pela tua visita.Fiquei muito feliz!

  2. Vários conceitos no mesmo post…

    Sobre a maternidade, após ter tido filhos – meus – e criando os filhos de minha esposa, e vejo as coisas de um ponto de vista muito diferente. Ter filhos encara muito mais do que a simples maternidade, e acho que na maioria dos casos, a gente limita a visão de ter filhos à este aspecto inicial, mulheres inclusivas.

    Não vou fazer a apologia de não ter filhos, mas acho que a coisa maravilhosa do início se estompe com o passar do tempo para deixar o lugar a todos os problemas decorrentes… Guardo lembranças maravilhosas do nascimento de meu filhos, ajudando minha ex-mulher com palavras de reconforto, segurança e motivação no momento do parto, a vista do nenem saindo, abrindo os olhos e chorando… mas depois… tudo se complica… risos…

    A mulher tem que se lembrar também de que a vida não é uma flor, e muitos casamentos acabam em divórcios ou separações… Na maioria dos casos, a mulher é quem tem a guarda das crianças, o trabalho associado, e tem também que assumir os dois papéis: o do amor e o da autoridade. De experiência, isso raramente dá certo e a criança faltará um ou o outro… Mas isso é outro assunto!

    Um beijo, querida, e obrigado pelo reconforto 😉
    Matt.

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