Estamos perdendo a capacidade de amar?

by Steffen Martin Moller

Neste sábado (19/07) o caderno Ela, d’ O Globo publicou uma entrevista com o filósofo espanhol José Antonio Marina em que ele trata da sexualidade, sexo e amor. O autor lançou recentemente o livro: “O Quebra-cabeça da sexualidade” ( Editora Guarda-Chuva). Ainda não o li, mas diante dos temas que discute na entrevista parece ser interessante.

O autor, que não troca as salas de aulas em colégios, pelas das universidades protesta “nossa sociedade hiper sexualizada é muito nociva às meninas”

Quando indagado sobre a proposição de uma segunda revolução sexual Marina responde: que a nova revolução sexual será tentar reintegrar o afeto dentro do campo da sexualidade . O sexo é um acontecimento fisiológico e biológico e a sexualidade é todo um mundo simbólico, metafórico, afetivo, moral, que vai sendo construído ao redor do sexo. Durante muitos séculos, em todo o âmbito da cultura ocidental, houve uma sobrecarga de moralidade na sexualidade. E a primeira revolução sexual tentou eliminar todos os significados repressivos e excessivamente moralizantes que tinham sido relacionados com o sexo. Mas, ao tentar purificar ou tornar as relações sexuais mais naturais, acabou excluindo a afetividade, que era uma parte muito positiva da sexualidade.”

Marina ainda destaca que estamos perdendo a capacidade de amar, uma vez que separamos o campo da satisfação sexual do campo da satisfação amorosa. Segundo o autor, os gregos já tinham passado por isso, ao tentarem distinguir eros – o impulso sexual- da filia – o amor -, digamos de amizade. “ A questão era unificar o amor-erótico ao amor-amigo. Este é o nosso problema atual”, explica. Na entrevista, Marina também é questionado se é essa desconexão que causa instabilidade entre os casais.

E ao responder, destaca que “tentamos inventar os sentimentos necessários para que as relações de casal se mantenham com certa estabilidade. Mais de 93% das mulheres e dos homens gostariam de ter companheiro (a) estável, mas o que acontece é que não acreditam que possam consegui-lo. Ou seja, há um sentimento de fracasso pré tentativa.

O autor também defende que a sentimentalização sexual, incluindo o erotismo é um invento feminino. “O sentimento amoroso é muito inovador porque, nele, a minha felicidade, que é egoísta, depende da felicidade de outra pessoa, e por isso, é generosa. E então perguntamos, é egoísta ou é generosa? Porque teoricamente não poderia ser ambas as coisas. Mas na relação amorosa a felicidade é egoísta e é generosa. A primeira manifestação deste tipo de sentimento se produz com a maternidade. Nenhuma mãe gosta de acordar de madrugada, mas se é para atender seu filho isso não significa uma infelicidade, embora não seja cômodo. Seu projeto de felicidade está vinculado a outra pessoa, pela qual sente ternura. A grande invenção feminina foi trasladar a ternura para a sexualidade. O homem, de fato, é mais elementar.

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3 Respostas to “Estamos perdendo a capacidade de amar?”

  1. Não preciso nem expressar o quanto concordo com essa matéria não, Chris?
    Eu, que sou meio psicóloga de bar com os amigos e amigas, canso de perceber o quanto as pessoas nessa ânsia de sexo para conhecimento, para interação esquecem-se que é o contrário, que primeiro se conhece, se interage e depois vem o sexo. Com todos os prazeres que a intimidade, a amizade e o companheirismo podem trazer de benefícios a esse momento.

    Abraços,

    Ju

  2. Paula - Intimidades Says:

    eu nao gosto de pensar, nem de racionalizar o amor e o sexo, apenas gosto de me deixar levar por eles

    Jokas

    Paula

  3. Julie Maria Says:

    Olá, achei super interessante a matéria. Estou terminando minha tese no mestrado “Ciências da Família” e me dedico exatamente a estes temas.

    Gostaria de indicar um texto que fala exatamente sobre a questão da “generosidade e egoísmo” que você tratou seguindo o filósofo.

    É um texto que me diz muito… espero que goste!

    http://juliemaria.wordpress.com/2009/04/14/amor-e-responsabilidade/

    Acho que se não passarmos por uma nova revolução sexual autêntica perderemos sim a capacidade de amar e ser amado… e isso é o que nor dignifica como homem e mulher!

    Obrigada pelo post.

    Julie Maria

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