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Feminismo branco versus Feminismo negro

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 7, 2015 by Psiquê
By Michael Burke

By Michael Burke

(Algumas) Diferenças Entre Feminismo Branco e Feminismo Negro

VIOLÊNCIA

Feministas brancas lutam para terem a segurança de saírem às ruas sem sofrerem assédio e contra a violência doméstica. Feministas negras, especialmente as periféricas, sabem que seu corpo está duplamente objetificado, especialmente por conta da imagem de “mulata exportação” que sempre foi construída atribuindo à mulher negra a imagem de fêmea (no sentido bestial) sempre disposta a relações sexuais e sempre à disposição dos homens. Além disso, negras são vítimas de cerca de 60% dos assassinatos de mulheres no país. Dado que está ligado aos índices de pobreza.

ESTÉTICA

Mulheres brancas lutam pelo direito de saírem sem maquiagem sem serem julgadas. Mulheres negras ainda estão lutando pelo direito de serem vistas pelas marcas. Uma das faces do racismo está no fato de que as marcas de cosméticos simplesmente ignoram a mulher negra. Por exemplo, enquanto a MAC apresenta quase 30 tons de base, uma Avon da vida tem no máximo 5. Isto é exclusão. Parte do princípio de que mulher negra não merece atenção enquanto consumidora. Além da hierarquia de textura capilar e a ideia de que cabelo bom é cabelo liso. As mulheres brancas querem liberdade pra não usarem maquiagem. Mulheres negras querem o direito de decidir sobre sua própria imagem. A indústria cosmética dita o feio e o belo, e usa a imagem da mulher branca como exemplo para o belo.

GRAVIDEZ E MATERNIDADE

Mulheres brancas lutam pelo direito ao aborto seguro e sua descriminalização. Mulheres brancas lutam para poderem cuidar de seus filhos e lutam contra opressão da tripla jornada (filho-casa-trabalho). Mulheres negras morrem em açougues porque não podem pagar as clínicas “menos perigosas”. Mulheres negras lutam para que seus filhos não sejam mortos na mão do Estado por serem negros e pobres. Mulheres negras não tem babás ou qualquer outra pessoa de confiança, ou acesso a creches pra cuidarem de seus filhos enquanto elas vão trabalhar.

AMOR E RELACIONAMENTOS

Mulheres brancas lutam contra a opressão da monogamia. Mulheres negras ainda são preteridas e objetificadas por homens brancos e negros e até um relacionamento monogâmico respeitoso é difícil. Poliamor e Relações Livres ainda passam longe, mas MUITO longe da realidade de mulheres negras.
Mulheres brancas e negras lutam contra relações abusivas, mas mulheres negras além disso ainda precisam lutar contra a opressão de serem vendidas como fantoches sexuais. Mulheres negras ainda vivem muitas relações às escondidas por conta de homens que não as assumem.

ESTUDOS E MERCADO DE TRABALHO

Mulheres brancas lutam contra o machismo na universidade e para terem salários iguais aos de colegas homens que ocupam os mesmos cargos que elas nas empresas. Mulheres negras lutam para conseguir terminar o ensino médio e entrar na faculdade, geralmente cumprindo uma jornada dupla de trabalho + estudo. Mulheres negras lutam para terem mais opções de trabalho além do emprego doméstico onde servirá a mulher branca, e onde não raro sofrem abusos morais e muita violência psicológica. Mulheres negras ainda são minoria nas universidades e empresas.

Por que essa breve explicação?

Porque eu tô até hoje engasgada com um post de uma página feminista que dizia: “Preciso do feminismo pra jogar vídeo game sem ouvir dizerem que jogo feito uma mocinha.”
Prioridades, prioridades.

Este texto foi escrito por Gabriela Moura e originalmente publicado no blog Não me Kahlo

Eternamente, Frida Kahlo

Posted in Cultura e Arte, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 16, 2015 by Psiquê

“No tengo dolores. Solamente cansancio… y como es natural muchas veces desesperación. Una desesperación que ninguna palabra puede describir. Sin embargo tengo ganas de vivir.” Frida Kahlo

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Frida Kahlo é, para mim e para muitos, uma inspiração…um exemplo de superação, de luta pessoal e política. Deixou sua marca em várias gerações. Recentemente o Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, recebeu uma exposição com imagens dela, lamentavelmente não pude testemunhar, mas existem vários meios de reencontrar um pouco de sua história hoje. Se puderem assistir ao filme Frida, de 2002, parte de sua trajetória é retratada. Um pouco das tragédias pelas quais passou e superou, o relacionamento com Diego Rivera, o caso com Leon Trotsky, etc.

Eu declaro aqui minha enorme admiração por Frida.

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“Única e intensa, Frida Kahlo pode ser considerada uma mulher a frente de seu tempo e cheia de vida – mesmo com todas as dificuldades que precisou enfrentar, desde doenças a traições – e se tornou, ao longo dos anos e até depois de sua morte, um ícone das artes e do universo feminino. Veja a seguir algumas razões para admirar Frida:

1. Viu beleza nas tragédias – irremediáveis – da vida

A inspiração de Frida para suas pinturas e fotografias, vieram de suas angústias e dificuldades em lidar com sua própria condição. Quando criança, Frida contraiu poliomielite que deixou uma lesão no seu pé esquerdo, e ganhou o apelido de ‘Frida perna de pau’. Mais tarde, em 1925, a artista sofreu um acidente em que teve múltiplas fraturas e precisou fazer 35 cirurgias. Foi nesse período, em que ficou presa à sua cama e com problemas na coluna, que começou a pintar e retratar suas angústias e frustrações em suas criações. A biógrafa Hayden Herrera, no livro “Frida – A Biografia”, cita uma fala da artista que demonstra a vontade de viver:

“Por eu ser jovem”, ela disse, “o infortúnio não assumiu o caráter de tragédia: eu sentia que tinha energias suficientes para fazer qualquer coisa em vez de estudar para virar médica. E, sem prestar muita atenção, comecei a pintar.”

2.Transformou suas deficiências em estilo

Cheias de cores e ricas em elementos florais, as roupas de Frida Kahlo viraram tendência e ícones de estilo e até ganharam exposição e livro só para elas. Enquanto, na verdade, sua autenticidade era uma forma de esconder suas deficiências provocadas pelo acidente, em 1925, e pela poliomielite que teve quando pequena, que deixou sequelas em seu pé esquerdo. Seus sapatos, inclusive, eram adaptados exclusivamente para ela, com um salto maior do que o outro para nivelar sua altura. Seus ‘corpetes’, na verdade, eram coletes ortopédicos.

3. Escolheu viver com intensidade um amor cheio de defeitos

Na maioria de suas obras, Frida se autorretratou: as angústias, as vivências, os medos e principalmente o amor incondicional que sentia pelo marido, o pintor e muralista mexicano mais importante do século 20 Diego Rivera, com quem se casou em 1929. Mesmo com uma relação complicada enquanto casal e rodeada de traições de ambas as partes, foi ele que ajudou Frida a revelar-se como artista.

4. Sofreu três abortos

Após muitos altos e baixos na carreira e na vida com Diego Rivera, Frida sofreu três abortos, enquanto tinha a esperança de ser mãe e constituir uma família completa ao lado do marido.

5. Teve uma perna amputada

Com o tempo, Frida foi ficando mais sensível e seu estado de saúde também. Em 1950, em decorrência da poliomielite que teve na infância, os médicos diagnosticaram a amputação da de sua perna esquerda, o que a fez entrar em depressão. Mesmo assim, a artista continuou a pintar: uma de suas últimas obras foi “Natureza Morta (Viva a Vida)”.

6. Viveu um romance escondido com Leon Trotsky

Amigos de revolucionários da época, Frida e Diego chegaram a abrigar um dos ícones da revolução russa em casa: Leon Trotsky, sua mulher e netos foram acolhidos pelo casal. O que é menos sabido é que Trotsky e Frida tiveram um romance que durou quase um ano e havia recém terminado quando Rivera o descobriu.

7. Era para ter se formado médica

Frida tinha um destino traçado: antes de começar sua carreira nas artes, ela cursava faculdade de medicina no México. Mas sua relação com as artes vinha desde pequena, quando, seu pai, Guillermo Kahlo, fazia pinturas autorais para passar o tempo.

8. Morreu aos 47 anos

Na madrugada do dia 13 de julho de 1954, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon foi encontrada morta dentro de casa. Ela tinha 47 anos. As últimas palavras foram encontradas em seu diário: “Espero alegre a minha partida – e espero não retornar nunca mais”. O caderno com diversas anotações secretas da artista virou livro.

9. Foi capa da revista Vogue

Em 2012, A Vogue México deixou de lado as modelos para sua capa de novembro e estampou a publicação com ninguém menos que a pintora Frida Kahlo (1907-1954). Quase 60 anos após a morte da artista mexicana, com imagem feita pelo fotógrafo Nickolas Muray, Frida estampa pela primeira vez a capa de uma revista de moda.

10.Mexer nos pertences de Diego e Frida era proibido

Após a morte da pintora, Diego Rivera exigiu 15 anos de segredo para os pertences do casal. No entanto, ele morreu três anos depois e deixou Dolores Olmedo, uma colecionadora de arte, como administradora de seu acervo e ela se recusou a dar acesso às peças até para o Museu Frida Kahlo. Somente após sua morte, em 2004, os objetos foram desbloqueados e formaram a exposição sobre as roupas e pertences de Frida nunca antes vistos pelo público.

Este texto foi escrito com base no original de divulgação da exposição no museu Niemeyer, veja aqui.

Um beijo e boa leitura.