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Simone e Sartre

Posted in Comportamento, Relacionamento, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 1, 2014 by Psiquê

Este post foi inspirado no excelente texto de Amanda Maciel Antunes para o site Obvious sobre o casal mais interessante e brilhante da literatura, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Simone é conhecida por suas contribuições para a difusão dos valores feministas no mundo, tem várias obras neste tema, mas a matéria de Amanda traz um novo olhar sobre o tema, que foge um pouco ao viés romanceado que permeia muito do que é dito sobre o casal. Porém, muito mais coerente com a bandeira que ambos levantaram ao longo da vida.  

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 Uma história de vida fascinante e enlouquecida. Mentes brilhantes explorando o jogo dos sexos, confrontando a mentalidade hipócrita dos mortais e a oposição entre masculino e feminino.

 

“Encontrar um marido é uma arte; Manter é um trabalho.” Simone de Beauvoir

“Ambos foram umas das mentes mais brilhantes que já existiram. Com inúmeros livros e sabedorias que nos ensinam até hoje. Ela, sua companheira ao longo da vida, pioneira do feminismo. Ele, um mito filosófico, um verdadeiro gênio.

Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir foram, talvez, o casal mais influente do século 20. Eles nunca se casaram, mas juraram devoção mútua um ao outro com total liberdade, uma tentativa de derrubar a hipocrisia sufocante que, por tanto tempo, tinha ditado a vida das pessoas. Sempre empurrando novas fronteiras, eles exploraram os seus pensamentos em romances, peças de teatro e obras filosóficas. Ele ganhou o maior prêmio literário do mundo, o Prêmio Nobel. No entanto, ele se recusou a aceitá-lo porque pensou que faria dele uma figura estabelecida e, portanto, silenciar sua mente inquiridora.

Suas vidas privadas eram totalmente experimentais. Simone de Beauvoir teve casos com homens e mulheres, enquanto Sartre, apesar de sua estatura atrofiada e vesgo, sempre foi cercado por musas adoradores, felizes por cuidar de seu gênio. Quando morreu, em 1980, mais de cinquenta mil pessoas saíram às ruas de Paris. Mas isso não foi o fim da história. Sua influência continua até hoje, nos livros e sabedoria duradoura.

Por outro lado, de Beauvoir se tornou uma figura emblemática do feminismo e da luta pela igualdade entre os sexos. Ela pregava seu ideal de independência feminista e da igualdade, evitando tais ‘burgueses’ conceitos como casamento e filhos, e reivindicando que as mulheres devem se comportar exatamente como os homens, a verdade é que tal estilo de vida a deixou amargamente infeliz e ela tornou-se obsessivamente ciumenta de incontáveis ​conquistas de Sartre.

Não pensem que escrevo este artigo a favor do estilo de vida, um assunto a parte. Apenas observo uma história de vida fascinante e enlouquecida. Mentes brilhantes explorando o jogo dos sexos, confrontando a mentalidade hipócrita dos mortais e a oposição entre masculino e feminino.

Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir se conheceram como estudantes em Paris, em 1929. Simone havia decidido se formar professora do ensino médio, uma posição apenas para as mulheres. Ela foi uma das primeiras mulheres a fazer os exames na Universidade Sorbonne de Paris. Sartre, três anos mais velho e impulsionado por um ódio de seu padrasto, era um ladrão e um adolescente rebelde, até que ele percebeu que os seus resultados escolares brilhantes o tornaram um ímã para as mulheres. Na Sorbonne, Sartre gostava de chocar seus colegas. Em um baile, ele apareceu nu, em outras ocasiões, ele desfilou uma prostituta em um vestido vermelho. Mas quando conheceu a bela e jovem Simone estava em transe. Ela era tão inteligente quanto qualquer homem e, também desencantado com sua família burguesa, ela compartilhou o seu fascínio com o submundo de Paris. No último teste da universidade, em que ele passou em primeiro lugar, e ela em segundo lugar, Sartre propôs casamento. Simone se recusou, não por qualquer razão filosófica, mas porque ela estava dormindo com um de seus melhores amigos. E assim, em 1 de outubro de 1929, Sartre sugeriu seu pacto: eles teriam um amor permanente “essencial”. Eles juraram fidelidade um ao outro, mas teriam casos, um relacionamento aberto.

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Até que durante a Segunda Guerra Mundial, quando Sartre foi chamado e seus jogos de sexo continuaram através de cartas, deixada para trás em Paris, Simone continuou a seduzir homens e mulheres, escrevendo as descrições excitantes de suas atividades para Sartre, que revelam sua crueldade e a vulnerabilidade de suas conquistas. Quando ele finalmente voltou a Paris, ele a ignorou completamente e foi morar com sua mãe. Simone jogou-se no trabalho e, depois de uma visita pela América em 1947, escreveu seu livro mais importante, O Segundo Sexo.

Os americanos não gostavam dela beber, zombavam de suas roupas e eles perceberam que ela não gostava das faces insípidas de mulheres americanas que faziam de tudo para agradar seus homens. Porém, a mulher americana que ela realmente não gostava era, naturalmente, a sua rival: Dolores Vanetti. E foi para se vingar de Dolores e Sartre que ela caiu na cama com o escritor Nelson Algren Chicago. Os dois tinham muito em comum. Algren era um boêmio, um rebelde, um esquerdista e bebia tanto quanto Simone. Quando Simone descobriu a união de Sartre e Dolores, atordoada pela sua rejeição, se deixou levar por Algren. Ela tinha 39 anos, sem um amante durante muitos meses, e agora, pela primeira vez em sua vida, ela se apaixonou. Algren lhe comprou um anel de prata barata que ela usaria pelo resto de sua vida. Mas ele não estava preparado para a fidelidade de Simone a Sartre. Embora tenha professado em muitas cartas que ela o amava apaixonadamente, ela não deixaria Jean-Paul. Simone e Sartre continuaram a se comunicar por cartas, encontros, escapadas. Eles nunca se abandonaram. Mesmo ambos tendo relações sólidas e passageiras, a amizade e a admiração pela mente os uniam.

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“Eu sou muito gulosa”, escreveu ela. “Eu quero tudo da vida, eu quero ser uma mulher e ser homem.”

Após sua morte, Sartre foi deixado sozinho com Simone no hospital, e ela se se deitou sob o lençol para passar uma última noite com ele. Foi então que ela escreveu o seu epitáfio para o túmulo niilista que acabaria por partilhar, desolada – “Sua morte nos separa, minha morte não nos reunirá”.

Finalmente, ela seguiu seu próprio caminho, mas em seu coração, sabia que seguia sozinha apenas por ter vivido além dele.”

Autoria: Amanda Maciel Antunes – Uma estrangeira em terra de estrangeiros. Contadora de histórias. Artista. Figurinista. E cheia de vida. De esperança. De um monte de bobagens também.

 

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Amor, admiração e inveja

Posted in Comportamento, Relacionamento with tags , , , , , , , , , , on janeiro 26, 2013 by Psiquê

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Sou admiradora de muitas reflexões do Dr. Flávio Gikovate, médico-psiquiatra, psicoterapeuta, conferencista e escritor. Atualmente apresentador  do programa “No Divã do Gikovate”, na rádio CBN, que dedica a maior parte do tempo à clínica.

Hoje tive contato com um breve texto, em sua página no Facebook, em que ele refletia sobre amo, admiração e inveja. Vale a pena conferir, veja abaixo.

A admiração é parte do ingrediente racional do amor, que é constituído também do componente erótico, além de variáveis difíceis de avaliar.

A admiração também é ingrediente fundamental da inveja, fenômeno complexo, mas que, indiscutivelmente, possui um relevante componente racional.

Apesar do discurso depreciativo próprio dos invejosos, não há como não detectar o elemento de admiração: “ninguém bate em cachorro morto”!

O invejoso é aquele que gostaria de ser, ter ou fazer como o invejado faz: pode ajudar no seu crescimento, funcionando como forte estímulo.

Nas pessoas mais frágeis e intolerantes a frustrações, surge a vertente destrutiva da inveja: as maledicências e grosserias bem pouco sutis.

Sendo amor e inveja derivadas da admiração, não é raro que coexistam nas relações afetivas: geram agressões gratuitas direcionadas ao amado!

Quando as diferenças entre os que se amam é grande, cresce o componente invejoso: admiramos e invejamos o que não somos e gostaríamos de ser.”

Liberdade e equilíbrio!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , on julho 2, 2012 by Psiquê

A liberdade é uma ferramenta indescritível. Na minha concepção, quanto mais compromisso e fidelidade você quer, mais liberdade deve dar. A confiança é indispensável para qualquer relação seja amizade, namoro, casamento, rolo, parentesco, etc. Todas as relações requerem, para sua saúde, uma parcela mínima de confiança. Quando as relações são pautadas em desconfiança, elas não se sustentam, se desgastam e resultam em brigas constantes.

É preciso que tenhamos consciência de que nós somos responsáveis pelas relações que construímos e que ninguém é obrigado a ficar junto e/ou se relacionar, mas uma vez optando pela relação, é preciso construir um ambiente de confiança, admiração, respeito e carinho, do contrário, não há razão para se manter em relações que só resultam em tristezas e desconfianças.

Pense nisso! Um beijo carinhoso.

Essa é a vida!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , on março 18, 2012 by Psiquê

Depois de um período ausente por falta de tempo e por motivo de viagem, volto a escrever para os meus amados leitores do Espartilho!

Esta semana andei refletindo sobre vida, carreira, expectativas, escolhas, decisões. Algumas vezes me pego refletindo sobre minhas expectativas em relação à vida e ao futuro. Nesses momentos , apesar de sempre manter uma tendência positiva em relação ao futuro, me pergunto se as minhas escolhas até aqui são realmente as certas…

…se todas as experiências vividas, são realmente necessárias e se minha atitude diante dessas inúmeras experiências são as que deveriam ser…

…muitas destas perguntas, nunca terão respostas…outras terão respostas nem sempre esperadas…

O mais importante disso tudo e ter certeza de que todas as experiências pelas quais passamos, seja por nossa própria vontade ou não, são oportunidades de aprendizado. O que tento fazer é me permitir experimentar as oportunidades, desde que elas não me firam…

De alguma maneira gostar das escolhas que faz e se sentir bem com elas, é uma forma muito interessante de se permitir evoluir. Entender que nem sempre essas escolhas nos permitiram estar satisfeitas o tempo todo, pode ser a saída para o amadurecimento.

Abra-se as oportunidades e às escolhas que te façam feliz, mesmo que nem sempre possa controlar seu resultado.

 

Amizade entre mulheres. Existe?

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 19, 2007 by Psiquê

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Há quem diga que amizade entre mulheres não existe, que elas na verdade estão sempre tentando apunhalar a outra pelas costas. Outros defendem que a cumplicidade entre mulheres é inigualável. Radicalismos de lado, qualquer relação de amizade pode envolver uma série de sentimentos. E mulheres, como homens, podem sim oferecer fidelidade e amizade entre si, como o contrário, apenas ameaças, inveja e cobiça. Cabe avaliar cada caso em questão, mas estar aberto a uma visão mais crítica dos relacionamentos.

Hoje conseguir assistir, depois de alguns meses, ao filme Notas sobre um Escândalo, com Cate Blanchett e  Jude Dench (ambas excepcionais em suas interpretações). O filme impressionou por sua qualidade e roteiro fantásticos. A trama conta a história de duas mulheres que excercem a função de professoras. Seus destinos se cruzam quando a jovem Sheba Hart (Blanchett) começa a trabalhar na escola St. George, onde a rígida Barbara é uma professora temida e respeitada pelos alunos.

Apesar da trama girar em torno do envolvimento que a jovem Hart tem com um de seus alunos, o relacionamento entre as duas é o que conduz a história e responde pelos desfechos que a mesma vai levar o espectador. O filme chama atenção pelos vários extremos que um relacionamento entre duas mulheres pode levar. Evidentemente que apesar dos diversos sentimentos envolvidos alcançarem seus picos de intensidade, nem sempre reunidos em apenas uma relação de amizade, trata-se de uma oportunidade única de reflexão.

Bárbara consegue vivenciar ao longo do filme: inveja, desejo, admiração, ira, cobiça, paixão, etc. A experiência de Bárbara chama atenção para a variedade de sentimentos que envolvem as amizades femininas. Não são poucas as pessoas que relatam experiências incômodas no que diz respeito ao comportamento de “amigas mulheres” em relação a sua vida.

A autora do livro, Zoe Heller comenta que resolveu abordar a relação entre duas mulheres com o realismo dos sentimentos que envolvem as amizades masculinas, dado que normalmente não se considera essa vertente do relacionamento entre mulheres, o que implica em uma visão distorcida das emoções que envolvem a mesma. Agressividade, inveja, cobiça, amor, admiração, amizade, desejo, ira, entre outros são alguns dos elementos que compõem a trama e as amizades, claro que em doses diferentes. Vale a pena assistir e refletir. Quero agora ler o livro.