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Dedos do silêncio

Posted in Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 6, 2013 by Psiquê

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Dedos do silêncio

Vem…
Me toma à beira da noite,
caminha por mim
com seus passos molhados,
despeja seu rio no meu cálice
– pois minha emoção é só água.

Vem…
Que eu lhe dou um trago
deste meu vinho guardado,
destas minhas uvas
frescas de inverno…
Que eu derramo em gotas meu perfume
pelos quatro cantos do seu corpo,
vestindo sua pele com a camurça
da nudez e do silêncio.

Vem…
Deita e me canta,
sente meu desejo
se esgueirando pelos seus dedos,
veleja sem bússola
pelos meus sentidos,
me olha como quem pede lua…

Deixa eu sussurrar minhas folhas,
soprar minhas pétalas
pelo seu peito de relva,
pelo seu solo macio.
Vem… Não volta,
esquece a hora morta
do cotidiano de sempre.
Me toca feito música
e deixa eu cantar meu bolero
pelas suas curvas de carne…

Sinto-me inocência
passeando por suas alturas,
por seus andares cheios
da mais noturna noite densa.

Desvenda essa face molhada
e me mostra a sua vertente original
de emoção-fêmea pura…
Que eu o espero na branca paz
do meu ventre adormecido,
dos meus braços plenos
de fogueiras e cantigas.

Vem…
Que eu desfolho
toda essa sua vontade nua,
que eu desperto
todo esse seu lado cigano…
pois o meu leite é morno
e é rosa franca meu sorriso.
Deixa seu barco
navegar pelo meu leito,
que eu carrego no peito a ânsia
de hastear a bandeira do infinito…

Vem…
Deita… Me namora…
Me afoga no espelho de luz
dessa madrugada afora,
me diz que no nosso tempo
não há tempo nem hora,
que eu não agüento
a flor do sexo que arde
nas entranhas de mim…

Deixa que eu amanheça
na espuma dessa sua onda quente,
deixa sua emoção fluir
da garganta num repente…
Que eu carrego nos olhos de relento
a voz que lhe pede a terra
e que lhe entrega o mar.

Autoria de Rosy Feros

Aprendizagem

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 7, 2011 by Psiquê

Jeito de Mato – Paula Fernandes

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita
Do regalo de terra que o teu dorso ajeita
E dorme serena, no sereno sonha

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita
Do mato, do medo, da perda tristonha
Mas, que o sol resgata, arde e deleita

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda
É teu destino, é tua senda, onde nascem tuas canções
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória e acende os corações

Sim, dos teus pés na terra nascem flores
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar
Ah..Ah…Ah…
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras
Sete lagoas, mel e brincadeiras
Espumas ondas, águas do teu mar
Ah..Ah…Ah…
êeh laiá ..

Essa música me inspirou, não apenas por ter a letra linda e sua sonoridade e melodia apaixonantes, mas porque esta ter sido uma semana por um lado calma, por outro atribulada pelo acúmulo de obrigações e,…

…mais uma vez, desafiadora. Uma semana em que parece difícil lidar com o ser humano, com suas fraquezas, vaidades, medos e inseguranças. Dificuldade de entender a resistência de semelhantes em contar com a ajuda do outro, por puro temor em não se sentir mais útil ou perder espaço. Confesso estar bem cansada dessas situações, apesar de consciente de que são importantes para o amadurecimento. A meu ver todas as pessoas tem seu espaço e suas virtudes podem ser mostradas, sem que a presença do novo ofusque o seu brilho.

Paciência, serenidade, fé…virtudes necessárias para enfrentar tais desafios…

O fogo que na branda cera ardia

Posted in Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 25, 2008 by Psiquê

Via Amante das Imagens

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dous ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista de que o mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.