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Influência política de amantes e cortesãs

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 16, 2015 by Psiquê

Vários líderes da história tiveram relações extraconjugais e deram a suas amantes poder e influência sobre suas decisões e sobre o cenário político. Este texto que compartilho com vocês, traz um pouco destes casos em que amantes e cortesãs atuavam como figuras fundamentais na condução de tarefas políticas e até estratégicas.

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“Henrique VIII deixou a Igreja Católica para que a Inglaterra tivesse sua própria religião. Napoleão Bonaparte pôs a Europa de joelhos perante a França. Pedro I foi desafiado a transformar uma colônia no Império brasileiro. Homens de importância incontestável na trajetória de seus países, eles foram motivados a cumprir seus feitos não apenas por razões de Estado, mas também por quem dividiam a cama — e não em seus relacionamentos formais. Durante séculos, amantes e cortesãs eram figuras fáceis ao lado de monarcas de diversos países, relegando as rainhas à sombra e assumindo tarefas como a recepção de embaixadores e o patrocínio de artistas. Ganhavam castelos, joias e garantiam títulos de nobreza aos filhos bastardos.

A busca por outros rabos de saia era vista como uma consequência natural de como ocorriam os matrimônios reais. Os noivos eram escolhidos para assegurar a prosperidade e a paz entre seus impérios. Depois da troca de alianças, os reis sentiam-se à vontade para correr atrás de seus desejos.

— No casamento, as princesas eram simples moedas de troca usadas para fins políticos — conta a historiadora espanhola María Pilar Quesalt del Hierro, autora do livro recém-lançado “Rainhas na sombra” (Versal Editores). — Os monarcas, então, buscavam o amor fora do leito conjugal.

Alguns soberanos tomaram atitudes extremas para se livrarem das rainhas. No século XIV, por exemplo, o rei português Fernando I recorreu ao Papa para anular seu casamento com Constança de Castela. Alegou que ambos eram parentes. Era difícil comprovar o argumento, mas a compra de sacerdotes viabilizou o seu pedido. Solteiro, uniu-se oficialmente a Leonor de Meneses, que já frequentava seus lençóis. Mesmo sob a oposição da Corte, capitaneada por seu meio-irmão, Leonor posou como verdadeira governante, aproveitando-se da saúde frágil do marido.

Na Inglaterra dos anos 1500, Henrique VIII caiu de amores por Ana Bolena, que inicialmente fingiu não ter interesse no monarca. O rei absolutista estava tão apaixonado que ignorava um defeito grave de sua musa — tinha seis dedos na mão esquerda, o que era encarado como um sinal de bruxaria. O maior empecilho, no entanto, atendia por Catarina de Aragão. A mulher de Henrique recusou a anulação do casamento. Apoiado pelo povo, Henrique expulsou a Igreja Católica de seus domínios — e Catarina, por extensão.

A posição de amante do rei trazia uma série de privilégios — lembra a historiadora Mary del Priore, autora de mais de 40 livros sobre comportamento e sexualidade, entre eles “História do amor no Brasil” (editora Contexto). — Até o século XVIII, ter uma “favorita” era fundamental para construir a imagem viril do monarca.

Mas nem sempre a história terminava bem. O próprio Henrique VIII irritou-se com a dificuldade de Ana Bolena para dar à luz um varão. Já envolvido com outra jovem, o rei acusou sua mulher de adultério. Depois de um rápido julgamento, terminou decapitada.

A lista de affairs decepcionantes inclui outro rei conhecido por seu autoritarismo. Em 1667, o francês Luís XIV trocou a amante oficial, Madame de la Vaillère, por uma amiga íntima, Madame de Montespan. O “Rei Sol” acolheu seus sete filhos e lhes cedeu privilégios e títulos — um deles, por exemplo, já era coronel aos 5 anos. A relação ardente derreteu 12 anos depois, quando a polícia prendeu uma suposta vidente da amada, um tipo que anunciava publicamente seus dons para livrar os clientes de inimigos. No fim da investigação, conhecida como “caso dos venenos”, foram descobertas dezenas de pessoas que se apresentavam como magos, feiticeiros, alquimistas e envenenadores no submundo do Palácio de Versalhes.

Luís XIV queimou documentos que comprovariam o envolvimento de Madame de Montespan com a laia. A amante continuou hospedada na sede oficial do governo, mas foi deslocada para apartamentos menores e afastados do rei, que não lhe dirigia mais a palavra.

— Se a amante se mostrava ambiciosa e intrigante, capaz de prejudicar os interesses do reino, a rejeição do povo era total — ressalta María Pilar. — No entanto, em outras ocasiões, quando se acreditava que ela exerceria uma influência favorável, poderia ser tolerada e inclusive admirada. Foi o caso da Madame de Pompadour, amante do francês Luís XV, que atuou como mecenas de Voltaire e Diderot.

Além das aristocratas, algumas mulheres que chegaram aos aposentos reais vieram das classes baixas. Em Veneza, a mais famosa delas era Verônica Franco. O nome da cortesã consta na edição de 1572 do catálogo “Tarriffa delle putane”, uma lista com o nome das 215 prostitutas mais prestigiadas da cidade. Estudante aplicada dos costumes sociais, recebeu em 1574 uma importante missão. Foi oferecida pelo governo por uma noite a Henrique III, futuro rei da França, que visitaria a cidade, ansiosa por uma aliança com os gauleses. Teve uma excelente performance — conseguiu agradar a um rei que preferia viajar com rapazes vestidos de mulheres.

Muitas pobres e famintas tinham de recorrer à prostituição. Tornar-se uma cortesã era como ganhar na loteria — compara a americana Susan Griffin, autora de “O livro das cortesãs: um catálogo das suas virtudes” (editora Rocco). — Eram mulheres excepcionais. Elas não tinham como apelo apenas a beleza física, mas também a sensualidade e a cultura. Precisavam aprender dotes como arrumar o cabelo e tocar piano, que faziam parte da educação das aristocratas. Elas precisavam ser muito diferentes do meio em que foram criadas.

CIÚME E CUMPLICIDADE

Segundo María Pilar, cada rainha reagia de uma forma à presença das “favoritas”.

— Algumas rainhas, para se sentirem livres, procuravam “distrações” para o marido. Foi o caso de Elisabeth II da Áustria, que propiciou a relação de seu marido, Francisco José I, com a atriz Katharina Schratt — destaca. — Outras eram terrivelmente ciumentas, como Catarina de Médici. Quando morreu seu marido, o rei francês Henrique II, ela apreendeu todas as posses de sua amante, Diana de Poitiers.

No Brasil, o imperador D. Pedro I e Domitila de Castro Canto e Melo protagonizaram o maior escândalo de infidelidade conjugal da monarquia.

Domitila tinha uma astúcia extraordinária — assinala Mary. — Pedro foi profundamente apaixonado por ela. Deu-lhe o título de marquesa e prometeu uma vida na Corte. Por influência de um professor do imperador, leram um livro sobre as amantes de Luís XIV. O imperador, então, tentou recriar a imagem da monarquia com as “favoritas”, o que era uma humilhação à imperatriz Leopoldina.

Segundo Mary, hoje, a história na monarquia é outra: ninguém fica casado se está infeliz. E a rede de alianças entre impérios e amores clandestinos ficou para trás.

Este texto foi escrito por Renato Grandelle e originalmente publicado em O Globo

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8 de março: conquistas na luta e no luto…

Posted in Comportamento, Curiosidades, Desrespeito with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 8, 2014 by Psiquê

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Todas as vezes que sou parabenizada pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março, sinto um misto de gratidão com lamento. Fico pensando se temos consciência do real significado deste dia e das injustiças que ocorreram no passado e ainda ocorrem no presente que justificam a necessidade de se marcar a necessidade de defesa dos direitos das mulheres…

O texto a seguir foi retirado do portal da revista História Viva e nos chama atenção para alguns pontos bastante importantes.

Conquistas na luta e no luto

Ao contrário do que ressalta o imaginário feminista, o 8 de março não surgiu a partir de um incêndio nos Estados Unidos, mas foi fruto do acúmulo de mobilizações no começo do século passado

por Maíra Kubík Mano

Se as operárias russas do início do século XX recebessem bombons e flores em comemoração ao Dia da Mulher, talvez se sentissem ofendidas. Afinal, quando os protestos do dia 8 de março foram deflagrados, o que elas queriam mesmo eram melhores condições de trabalho. Não agüentavam mais as jornadas de 14 horas e os salários até três vezes menores que os dos homens.

Na época, as fábricas dos países desenvolvidos, que fazia pouco mais de um século haviam passado pela Revolução Industrial, estavam atulhadas de homens, mulheres e crianças. O movimento operário reagia à exploração desenfreada organizando protestos, muitos com cunho socialista. Entre as reivindicações, o fim do emprego infantil e remuneração adequada. A igualdade de gênero, porém, nunca era pautada. Por mais que as trabalhadoras argumentassem, sua renda era vista como complementar à do marido ou pai, e um pedido de salários iguais parecia afetar as “exigências gerais”. É nesse contexto de eclosão popular, sindical e feminista que surge o Dia Internacional da Mulher.

Os Estados Unidos foram, sem dúvida, um dos palcos dessa luta. Desde meados do século XIX, os operários organizavam greves para pressionar os proprietários das indústrias, principalmente as têxteis. Em terras americanas foi registrado o primeiro Dia da Mulher, em 3 de maio de 1908. Segundo o jornal The Socialist Woman, “1.500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade econômica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras”. No ano seguinte, a data foi oficializada pelo partido socialista e comemorada em 28 de fevereiro. Em Nova York, reuniu cerca de 3 mil pessoas em pleno centro da cidade, na ilha de Manhattan.

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O incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911, popularmente tido como o marco que deu origem ao Dia da Mulher (Biblioteca do Congresso, Washington)

A celebração foi mais um dos elementos no caldo político que irrompeu na greve geral dos trabalhadores do vestuário, em sua maioria mulheres jovens, em novembro de 1909. A paralisação durou 13 semanas e provocou o fechamento de mais de 500 fábricas de pequeno e médio portes. As condições de trabalho, no entanto, não melhoraram muito. Os proprietários das indústrias continuavam forçando o cumprimento de jornadas massacrantes. Para evitar que seus empregados saíssem mais cedo, boa parte deles trancava as portas durante o expediente e cobria os relógios de parede.

Em 1911, ocorreu um episódio marcante, que ficou conhecido no imaginário feminista como a consagração do Dia da Mulher: em 25 de março, um incêndio teve início na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. Localizada nos três últimos andares de um prédio, a fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos espalhados, formando um ambiente propício para que as chamas se espalhassem. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores conseguiu escapar, descendo pelas escadas ou pelo elevador. Outros 146, porém, morreram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas. Mais de 100 mil pessoas participaram do funeral coletivo.

Até hoje, muitas organizações e movimentos afirmam que essa tragédia aconteceu em 1857 e por isso reivindicam o mês de março como a data para comemorar a luta pelos direitos das mulheres. Como não há provas nem registros de que um evento similar tenha ocorrido, essa versão não é considerada verdadeira. Para os estudiosos, esse foi apenas mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

De fato, o Dia Internacional da Mulher já havia sido proposto em 1910, um ano antes do incêndio, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca. Clara Zetkin, militante e intelectual alemã, apresentou uma resolução para que se criasse uma “jornada especial, uma comemoração anual de mulheres”. A inspiração nas trabalhadoras do outro lado do Atlântico é explícita: para Clara, elas deveriam “seguir o exemplo das companheiras americanas”.

ORIGEM REVOLUCIONÁRIA Sem data definida, mobilizações anuais pelos direitos das mulheres prosseguiram em meses distintos, em diversos países. Em 8 de março de 1917, uma ação política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam na revolução de fevereiro. O líder Leon Trotsky registrou assim esse evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.

A situação econômica e política da Rússia era então insustentável. Mais de 90 mil pessoas marcharam, exigindo pão e paz. Os protestos e as greves subseqüentes culminaram na queda da monarquia. Alexandra Kollontai, uma das principais dirigentes feministas da revolução de outubro, afirmou que “o dia das operárias em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história”.

Em 1921, de acordo com a pesquisadora canadense Renée Coté, referência no estudo da história das mulheres, o 8 de março foi estabelecido como data oficial. Pesquisando arquivos da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, ela encontrou um documento que registrava que “uma camarada búlgara propôs o Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas”.

Com as duas guerras mundiais que se seguiram, o Dia da Mulher ficou em segundo plano. Foi apenas na década de 60 que o movimento feminista retomou com força as comemorações, em meio a leituras de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e à fogueira de sutiãs nos Estados Unidos. 

A LUTA NOS TRÓPICOS – No Brasil, nesse mesmo período, a direita e a esquerda tensionavam o cenário político. Manifestações como a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, com propostas absolutamente opostas às das feministas, que pregavam a legalização do aborto, precipitaram o golpe militar de 1964 e dificultaram a ascensão das organizações de mulheres. Movimentos contra a carestia, pela anistia e clubes de mães, cuja pauta central não era a libertação da mulher, ganharam as ruas.

Mesmo assim, havia uma história de luta reivindicada pelas brasileiras, similar à européia e à americana. No início do século XX, as mulheres e crianças constituíam quase 75% dos operários têxteis. Além de péssimas condições de higiene e longas jornadas de trabalho, elas sofriam com o assédio constante de seus patrões e também tentavam se organizar. Em 1906, o jornal anarquista A Terra Livre divulgou um texto de três costureiras que criticavam a não-adesão da categoria à greve operária: “Companheiras! É necessário que nos recusemos a trabalhar também de noite porque isso é vergonhoso e desumano. Como se pode ler um livro quando se vai para o trabalho às 7 da manhã e se volta para casa às 11 da noite?”, dizia. Essas passagens, ligadas principalmente às anarquistas, ainda são pouco conhecidas em nossa trajetória. A vertente que ganhou mais notoriedade no feminismo brasileiro foi a das sufragistas, que lutaram pelo direito a voto. Fundadoras do Partido Republicano Feminino, essas mulheres da elite nacional conseguiram sua reivindicação na Constituição de 1932, promulgada por Getúlio Vargas.

Resultado de todo esse processo, em 1975 comemorou-se o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, a ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Fruto de décadas de batalhas e séculos de opressão, a data que lembra a necessária igualdade entre homens e mulheres foi mundialmente – e finalmente – assegurada.