Arquivo para cenas

Violências…

Posted in Comportamento, Curiosidades, Geral with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 10, 2014 by Psiquê

9a606f1365bc70e4060e5add70d3c2d8

Neste final de semana assisti ao filme 12 anos de escravidão. Fiquei encantada com o filme de Steve McQueen e com muita vontade de ler o livro, que conta a história real de Solomon Northup, um negro liberto que é sequestrado e vendido como escravo, condição em que passa a viver por 12 longos anos até conseguir que sua história chegasse aos ouvidos daqueles que o conheciam. Em meio a um show de interpretação do ator Chiwetel Ejiofor, o filme também conta com a atuação de Michael Fassbender,  Lupita Nyong’oBenedict Cumberbatch e produção de John Ridley e Brad Pitt. 

As cenas de violências são ‘emudecedoras’…minha garganta parecia estar sendo transpassada, quando finalmente resolvi chorar para aliviar a pressão que as cenas das agressões, chibatadas e violência proporcionam… Um verdadeiro espetáculo de filme! Não é à toa que o filme teve 9 indicações ao Oscar, dentre elas: 1) melhor filme, 2) melhor diretor, 3) melhor ator, 4) melhor ator coadjuvante, 5) melhor atriz coadjuvante, 6) melhor roteiro adaptado, 7) melhor figurino, 8) melhor montagem e 9) melhor design de produção. O filme nos faz pensar sobre o que somos capazes de fazer: fomos capazes escravizando, discriminando, segregando, ‘permitindo’ a existência de regimes ditatoriais, opressores, campos de concentração, prisões arbitrárias. Todas as diferentes formas de violência que direta ou indiretamente permitimos em algum momento da nossa história…

Eu não pensei em escrever sobre o filme aqui no blog, mas o resultado de uma manifestação aqui no Brasil me fez pensar em diversos tipos de violência que nós perpetramos diariamente uns contra os outros… Hoje faleceu um jornalista que cobria uma manifestação na cidade do Rio de Janeiro contra o aumento das passagens. Não foi a primeira vítima e não sei se será  a última…

…mas seja qual for o lado que oprime e que vitima, precisamos repensar nossas atitudes, nosso comportamento, nossos discursos e até o nosso silêncio…

Circulou na internet há pouco, depois de atestada a morte cerebral de Santiago Ilídio Andrade, um texto de autoria de Vanessa Andrade, sua filha, também jornalista:


Fica a saudade de um companheiro sereno e de um pai valente.
Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai.
Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!
Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha. Quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.
Quando casei, ele ficou tão bêbado, que na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo.
Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.
Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.
Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.
Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.
Obrigada a todos. Ele também agradece.
Eu sou Vanessa Andrade, tenho 29 anos e os anjinhos do céu acabam de ganhar um pai.”

Anúncios

Apenas uma noite

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 9, 2013 by Psiquê

16_FHA_rshow_apenas

No último final de semana assisti ao filme, Apenas uma noite, o qual foi objeto da conversa no meu almoço de ontem. Eu gostei do filme e a despeito de algumas críticas negativas que encontrei, compartilho com vocês uma crítica que se aproxima bem mais da minha percepção. O que mais gostei no filme, foi o fato de apesar dos conflitos que os dois carregam, as reflexões morais não conduzem o filme para um lado ou para o outro…

“Apenas uma Noite é a estreia da iraniana Massy Tadjedin na direção, e com certeza merece um olhar todo especial. Tendo sido “A” sensação do Sundance Film Festival, o filme retrata o declínio de um casamento, tendo como base a suspeita de uma traição e um amor inesquecível. O casal protagonista formado por Keira Knightley e Sam Worthinton esbanja simpatia, e a história assinada pela própria diretora é muitíssimo bem contada.

Os filmes que trabalham conflitos amorosos do passado geralmente optam por problematizar eticamente a traição, a separação, e geralmente a ideologia da família nuclear se fixa como válida, dando o tom clichê da obra em questão. No caso de Apenas um Noite, para além das preocupações morais e impasses éticos, Joanna e Michael são tratados como seres humanos passíveis de sentimentos duvidosos em relação ao seu estado civil, embora ainda exista amor entre os dois. A chegada do ex-namorado de Joanna e a viagem de Michael com a secretária divide o foco das atenções, e a incrível montagem paralela de Susan E. Morse (editora dos filmes de Woody Allen de 1979 a 1998), não permite que o marasmo ou a perda do ritmo narrativo aconteça um único momento.

A fotografia urbana e escura do ótimo Peter Deming transmite às imagens a frieza que toma conta do relacionamento principal, que já abalado, aparece em conflito com novos objetos de desejo pelo meio do caminho. O mesmo vale para a trilha sonora precisa e pontual, marcada pela sensibilidade das cenas, optando por uma propícia variação musical ao piano. As atuações são um caso à parte. Keira Knightley está mediana, mas vale dizer que nesse filme, faz um trabalho muito interessante. Sua personagem ultrapassa poucos centímetros a linha de mudança, e a atriz consegue transmiti-la para o espectador com muita competência e carisma. Sam Worthinton não tem espaço para mostrar muita coisa, de modo que sua atuação aqui pode passar desapercebida. Quem realmente brilha é o francês Guillaume Canet e o novaiorquino Griffin Dunne, duas personagens muitíssimo bem construídas e com atuações deliciosas. Eva Mendes é a bela amante de Michael, mas não se destaca além da média.

Sem pretensões cult e com um final sugestivo, Apenas uma Noite é um desses filmes para uma sessão a dois, ou mesmo para uma sessão solitária, numa tarde chuvosa ou fria. Trata-se de um filme tecnicamente muito bem executado, e que concentra um nível mínimo de erros cênicos e narrativos. Não temos uma inovação nos dramas românticos ou uma proposta diferente no que se refere a um casal preso ao passado – ou a algo do presente que não pertença ao casamento; mas mesmo assim, a película se destaca com facilidade em meio à enxurrada de produções chochas e apagadas que insistem em trabalhar as questões matrimoniais.” Fonte: Plano Crítico

Apenas uma Noite (Last Night, EUA, França, 2010)
Direção: Massy Tadjedin
Roteiro: Massy Tadjedin
Elenco: Keira Knightley, Sam Worthinton, Anson Mount, Eva Mendes, Guillaume Canet, Griffin Dunne, Stephanie Romanov, Scott Adsit, Daniel Eric Gold
Duração: 90min.

19621167.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx