Arquivo para companhia

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , on outubro 8, 2012 by Psiquê

Luis Mendonça

Muitas pessoas não se sentem bem quando estão sozinhas, ou em silêncio, eu confesso que adoro ficar quietinha, sozinha, pensando na vida…

Hoje me identifiquei com uma frase atribuída a Nietzsche: ”Odeio quando ousam roubar minha solidão sem que sejam capazes de me oferecer real companhia.”

Pior do que lidar com pessoas que não curtem o prazer de estar um pouco consigo mesmas, quietas, é ter seu silêncio ou sua “solidão” interrompida por alguém que é incapaz de oferecer sua companhia como  contrapartida. Afinal, a pior de todas as experiências é estar só, quando acompanhadas. Nossa, essa sensação é muito ruim. Espero que paremos um pouquinho para refletir sobre as vantagens do silêncio e da reflexão que podemos vivenciar quando estamos sozinhos.

Menina e moça

Posted in Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , , , , on maio 5, 2008 by Psiquê

Photo Виктория Алалыкина

A Ernesto Cibrão

Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem cousas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando-se talvez
A lição de sintaxe em que combina o verbo
To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!

Ah! Se nesse momento, alucinado, fores
Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

(Machado de Assis)

Na companhia de você mesma (o)

Posted in Comportamento, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , on abril 27, 2008 by Psiquê

Photo by Nadya Kulagina

Bem, resolvi partilhar com vocês a opinião da psicóloga Esmeralda Sarracini que falou no Conserva de Mulher de maio da revista UMA, sobre solidão.

“A importância de uma pessoa é igual ao quanto ela consegue ficar sozinha. É nesse momento que podemos entrar em contato com a alma e descobrir nossos poderes. Pra mim, solidão é um presente maravilhoso. É quando você tem a grande chance de descobrir que a melhor pessoa que existe para ficar aos eu lado é você mesma e fazer disso algo verdadeiro. É uma oportunidade de deixar de fora aquela eterna expectativa pela aprovação dos outros. A solidão do ‘mal’ quando você culpa o outro por sua infelicidade e por não curar suas dores, feridas e insatisfações. Mas ninguém tem esse poder. Acredite: ninguém! (…)”

Na verdade, creio que o tema que ela queria tratar era estar só e não solidão. Há pessoas que não conseguem enxergar a maravilha de termos alguns momentos a sós conosco. São momentos únicos em que podemos para um pouco e procurar nos conhecermos, nos entendermos, nos respeitarmos e nos amarmos. Muitas vezes, as pessoas se perdem reclamando de uma solidão que acaba sendo reforçada por sua incapacidade de se conhecer e sua mania de transferir para o outros a responsabilidade de nossa própria vida, nossa felicidade, nossa satisfação.

Quando aprendemos a gostar de nós mesmos e de nossa companhia fica muito mais fácil fazer dessa companhia agradável ao outro também. Pensem nisso. Aproveitem os momentos a sós para conversar consigo mesmo e aprender a amar a pessoa que você é.

Um beijo grande queridos!