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A falsa ideia romântica que está arruinando nossa vida sexual

Posted in Comportamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 2, 2015 by Psiquê

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Sabemos que, ao marcar um encontro com nosso parceiro, é difícil que os dois cheguem exatamente na mesma hora no local combinado; e que, por uma questão de lógica, um dos dois terá de esperar pelo outro. No entanto, no que se refere ao sexo, continuamos obcecados pela ideia de “chegar juntos”. Mais do que uma fantasia, parece dessas coisas a serem ticadas na lista de tarefas, ou, mais ainda, uma prova pela qual a nossa vida sexual teria de passar.

Não se trata de algo novo, pois já nos anos 60 os pais da sexologia moderna, Masters e Johnson, explicavam que a ideia do orgasmo simultâneo como símbolo de superioridade sexual do casal é totalmente equivocado, e que “o esforço para coordenar reações fundamentalmente involuntárias leva o homem e a mulher a começarem a se observar mentalmente em vez de se entregarem às sensações do ato sexual”. Conforme destacaram em seu livro Human Sexual Inadequacy, quando os membros do casal assumem um “papel de espectador”, é fácil ocorrer a perda da ereção no caso do homem e a impossibilidade de atingir o orgasmo no caso da mulher.

Por mais que essa ideia tenha sido então desmistificada, o curioso, no entanto, é que, anos depois, ainda pareça tão difícil destroná-la. Referindo-se a um ambiente aberto e intelectualizado como a universidade, o estudo Sexualidade dos estudantes universitários, realizado na Faculdade de Medicina do Chile, revela que 57,6% dos entrevistados ainda vê o orgasmo simultâneo como um dos principais objetivos da relação sexual.

A verdadeira sincronia

Antes de tratar da ideia do orgasmo simultâneo, convém fazer uma reflexão sobre o orgasmo nos casos dos dois sexos. De acordo com um recente estudo da Universidade de Indiana sobre a variação do orgasmo conforme a orientação sexual, tantos os homens quanto as mulheres costumam atingir mais frequentemente o orgasmo em relações mais estáveis do que quando solteiros. A pesquisa inclui alguns dados que apontam nessa direção: cerca de 85% dos homens atingem o orgasmo com parceiras estáveis, com pouca diferença no que tange à orientação sexual, enquanto nas mulheres essa taxa é globalmente de 62,9%, destacando-se que chega a 74,7% em casais homossexuais. Esses dados mostram, portanto, que, se já é difícil que tanto o homem quanto a mulher atinjam o orgasmo no mesmo ato, como não poderia ser ainda mais difícil atingi-lo exatamente ao mesmo tempo?

Os sexólogos Manuel Fernández e Berta Fórnes apresentam em seu livro 100 perguntas sobre sexo o conceito de “sincronia sexual”, explicando que “com cada parceiro com que nos relacionamos temos de poder nos sincronizar para que a relação funcione”, ou seja, que “a sincronia sexual será a confluência de duas pessoas que, com suas inúmeras diferenças, conseguem se unir em uma vida sexual prazerosa para ambos”. Nada que tenha a ver com os orgasmos. Dessa forma, os especialistas tratam de questões como sincronizar a tomada de iniciativas, ou seja, o equilíbrio entre quem dá início à relação sexual; o nível de desejo e de frequência, já que nem sempre as duas pessoas estão com o mesmo desejo nem se sentem satisfeitas com a mesma frequência; os rituais, ou seja, se temos os mesmos gostos no que se refere às práticas sexuais; e, por último, a expressividade, ou seja, se expressamos o afeto e o desejo pelo parceiro da mesma forma.

O orgasmo delas dura mais

Embora se possa conseguir fazer com que o casal tenha uma sexualidade compartilhada e satisfatória para ambos, isso não se traduz necessariamente em chegar ao clímax ao mesmo tempo, pois não se deve esquecer que os dois membros do casal nem sempre dão a mesma resposta sexual. Apesar de os já citados Masters e Johnson, em seus estudos pioneiros sobre a sexualidade humana, terem indicado que na resposta sexual dos dois sexos há mais semelhanças do que se pensava inicialmente, como, por exemplo, que o ciclo de reação sexual (excitação, planalto, clímax e resolução) era igual nos dois sexos, eles registraram também que ocorrem diferenças no desenvolvimento dessas etapas quando o parceiro é do outro sexo.

Entre elas, como destaca a sexóloga Ana Belén Rodríguez, do Centro SEES, está o fato de que “em regra geral, a duração do orgasmo masculino é menor do que a do orgasmo feminino”. Na verdade, analisando os conhecidos gráficos que representam a resposta sexual masculina e feminina, podemos observar que na mulher é mais comum que ocorram diferentes tipos de resposta, e que todas costumam concordar com um tempo de planalto mais longo do que no caso masculino, e por isso costuma ser difícil que o momento do clímax coincida no tempo.

Não se pode esquecer também que não há homem e mulher iguais, e que as respostas sexuais de cada um nem sempre se ajustam aos modelos estabelecidos. “Cada pessoa tem seus ritmos e suas próprias respostas de excitação e formas de alcançar o clímax sexual; tentar fazer com que duas pessoas diferentes cheguem ao mesmo tempo ao orgasmo é bastante complicado”, insiste Ana Belén Rodríguez, que esclarece que “o mais provável é que não se consiga devido a estas diferenças individuais, mas de alguma maneira socialmente aprendemos que o lógico e o mais prazeroso é chegar ao mesmo tempo”, uma ideia que só nos leva a limitar nossa sexualidade a alguns padrões pré-estabelecidos, apesar da riqueza que pode ser conseguida em si.

Do prazer à obsessão

Dando um passo além, a realidade é que essa obsessão por conseguir alcançar o orgasmo ao mesmo tempo leva os casais a muitas frustrações. O primeiro ponto a se levar em conta é que a ideia do orgasmo simultâneo continua perpetuando a ideia de que o orgasmo é a única finalidade do ato sexual. A este respeito, a sexóloga insiste que “se pensamos desta forma, podemos nos frustrar e cercar de uma ansiedade desnecessária e má companheira na viagem do prazer sexual. Não é necessário esclarecer que ansiedade e prazer são conceitos que não combinam”.

De outro lado, a especialista também destaca que focar o encontro sexual em conseguir este objetivo representa “um excessivo controle das sensações, que às vezes pode produzir os efeitos contrários, como dificuldades de ereção no homem e baixa excitação na mulher”. Mesmo assim, destaca a ideia de que, como tudo na sexualidade, concentramos somente em uma parte de sua prática é negativo, porque nos limita. “Obter um nível extra de excitação ao chegar ao orgasmo ao mesmo tempo em que seu parceiro é maravilhoso e pode ser um tempero interessante no jogo sexual, mas se a pessoa só se sente satisfeita desta forma, talvez quando não aconteça e, o que é o mais provável, comecem os problemas. Por que não abrir as opções?”, acrescenta.

Pratique consigo mesmo

Se você tem tudo isso claro e quer, simplesmente, buscar esse orgasmo simultâneo como mais uma brincadeira, entre outras, de casal, sem pressões, e com o objetivo mais de experimentar e explorar a sexualidade do que de chegar ao clímax, a especialista acrescenta algumas ideias. Para começar, a importância de se conhecer primeiro e de, por que não, experimentar sozinho com nosso autoerotismo: “Se conheço perfeitamente meus gostos e minhas reações físicas, minha resposta sexual e seus componentes psicológicos, fica mais fácil controlar minha excitação e meu orgasmo”, diz. Sem dúvida, convém praticar a comunicação entre o casal, pois se queremos buscar a mesma meta será difícil conseguir isso sem conhecer em que parte do caminho está o outro. Assim, é interessante indicar ao parceiro quão excitado você está e ir explicando do que gosta ou não. “Modular a excitação fará parte do jogo”, conta a sexóloga.

Por fim, a diretora do Centro SEES afirma que também podemos trabalhar o controle sobre nosso orgasmo, por exemplo, através dos exercícios de Kegel, ainda que, mais do que ficarmos obcecados por trabalhar os músculos envolvidos no ato, pode ser mais lúbrico para o casal procurar as posturas que mais excitam ou favorecem o clímax. “E, sobretudo, levar em conta o componente psicológico do orgasmo. Não se pode esquecer que às vezes, mais do que uma resposta de nosso corpo, trata-se de uma reação de nosso cérebro. Por exemplo, em certas ocasiões o orgasmo do outro nos excita tanto que nos faz chegar ao nosso próprio, sem que exista uma premeditação ou uma técnica consistente para isso”, acrescenta.

Com todas essas ideias, vamos tentar o orgasmo simultâneo; e, se não conseguirmos, teremos aproveitado enquanto isso, como o casal merece, mesmo que não apareça em nenhum livro.

Fonte: El País

Ciranda de Blogs

Posted in Geral, Selos, Memes, Mimos e Prêmios with tags , , , , , , , on setembro 13, 2008 by Psiquê

Via Amante das Imagens

Nossa! Acabo de conhecer um blog muito legal, chamado Decorando Tudo (Bade Design) . Fantásticas as dicas de decoração/design, para mulheres, homens, casais, namorados, solteiros, etc. Quem estiver preparando a casa nova ou redecorando a antiga, fique de olho. (E olha a imagem criada por ele, muito linda!)

Além de conhecer o blog e ter a honra de ser citada por ele, conheci através do mesmo o projeto do blog Decoracasa: Ciranda de Blogs. Eu achei o máximo! Funciona da seguinte maneira:

O que é ? Um brincadeira na qual os leitores do Decoracasa podem divertir-se e conhecer outros blogs interessantes.
Como funciona? Similar a uma brincadeira de amigo secreto. O blog inscreve-se mandando um email para mim clicando aqui entre 8 e 16 de Setembro. No dia 17 de Setembro, será feito um sorteio e serão divulgados qual blog será seu parceiro na ciranda. Entre os dias 18 e 22 de Setembro os proprietários dos blogs inscritos poderão “estudar” o conteúdo do seu blog parceiro para no dia 23 de Setembro – início da Primavera! – realizar um post no blog do parceiro.
Este post deve ser inspirado no blog parceiro – você deverá pensar para inspirar-se escrevendo um post como o parceiro o faria, hein? Por exemplo, se meu blog parceiro falar sobre cachorros, terei que estudar e escrever um post bem legal sobre o mundo dos au-aus!
No dia 17 a lista será divulgada por email. O post especial do dia 23 de Setembro, dia da Ciranda, deve ser enviado ao blog parceiro impreterivelmente até às 18:00h do dia 22 de Setembro, tá?
O que é necessário? Disposição, curiosidade e bom gosto para deixar seu parceiro de ciranda feliz e seus leitores com um leque novo de opções de leitura. Para quem se dispuser a abrir as portas de seu blog para um convidado, desprendimento e respeito pelo trabalho alheio.
Colocando ordem: não serão aceitas postagens desrespeitosas, nem que contenham palavras de baixo calão e conteúdos impróprios, tá? Vamos fazer uma brincadeira saudável.

Sobre ser feliz…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , on maio 28, 2008 by Psiquê

Photo by Rudi Mentaer

Hoje, lendo a Revista UMA deste mês, li a entrevista com a psicóloga Márcia Tiburi (do Saia Justa, GNT), aliás a melhor de todas as apresentadoras daquele programa (que particularmente acho chato!). Ela acaba de lançar o livro Filosofia em Comum – para ler junto (Editora Record). Obviamente, ainda não li o livro, mas é dela uma frase na entrevista que me inspirou a escrever esse post.

” A felicidade é uma palavra que se tornou quase um jargão publicitário. ‘A chave da felicidade’, ‘A felicidade ao seu alcance’. O problema com a publicidade é que uma palavra inventada na era Hitler, é que ela tem como princípio vender; e felicidade não pode ser comprada como artefato, nem como conceito. Ser feliz deveria ser descobrir a sua forma individual de viver em harmonia com seu tempo e seu espaço. E para isso não há fórmulas“. BINGO!!! Disse tudo não? Adorei a resposta de Tiburi. Como sempre, mandou bem!

Mais adiante UMA pergunta a ela sobre a insatisfação feminina e mais uma vez Tiburi ressalta que a lógica da insatisfação não é feminina, mas está implicitamente ligada à estrutura de mercado em que vivemos.Yes! Yes! Mandou bem de novo! A insatistação eterna, é algo que nos foi estabelecido pelo modelo de sociedade fugaz, consumista e temporária em que vivemos!

Nas palavras de Tiburi: “A insatisfação é parte da estrutura de mercado na qual estamos inseridos. Não podemos nos enganar quanto a isso. Ver o universo da vida se transformando em puro comércio, nos trouxe uma ansiedade sem par. O poder não se ganha, se toma e, depois, para ser melhorado, pode ser compartilhado. E a mulher de hoje já percebeu isso”.

Quando indagada sobre como a filosofia pode ajudar as pessoas a se auto-conhecerem, Tiburi, alerta que: “A fisolosia sustenta a busca pelo autoconhecimento como meta. A meta é a própria busca, e não a certeza. Essa última é a morte da filosofia. A única certeza sobre a vida é essa procura, o processo pelo qual se passa a viver. Isso não quer dizer que há uma certeza sobre si, mas um jeito de tentar saber de si. As pessoas que procuram conhecer a si mesmas acabam descobrindo mundos externos. A riqueza pessoal de cada um vem daquilo que ele buscou. Cada um se torna o que contempla, já dizia Confúcio.”

A apresentadora ainda faz uma diferenciação entre auto-ajuda e filosofia, alertando que a primeira busca dar respostas enquanto a segunda ensina a fazer perguntas, que promovendo um exercício de incerteza leve todos a pensar por conta própria. “Com isso cada um pode conseguir liberdade e, conseqüentemente, tornar-se responsável pelo que pensa e lúcido sobre o que faz”.

Fica, então a dica de leitura e a partilha de algumas idéias de Marcia Tiburi com as quais concordo.