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Literatura feminina

Posted in Comportamento, Cultura e Arte, Geral, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , on novembro 10, 2014 by Psiquê

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Ainda não tive a oportunidade de ler, mas me interessei pela história das obras de Simone Campos, uma carioca que aos 31 anos, é mestre em literatura e tem três romances entre os cinco livros publicados. O primeiro foi aos 17 anos, idade em que, após uma década, deixou de frequentar a Igreja Evangélica. Moradora de Botafogo, divide seu tempo entre a escrita, traduções, games e academia (diz ser “uma combinação estranha de nerd atlética”). Na sexta-feira, comemorava em Porto Alegre a aprovação para o doutorado em literatura comparada na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A escritora vai estudar a relação entre seus principais interesses, games e literatura. Isso ao mesmo tempo em que escreve o sexto romance. A parte difícil é viabilizar financeiramente todos os projetos. Sua dúvida era se a aprovação em terceiro lugar para o doutorado garantiria uma bolsa de estudos. “Doutorado com escrever ficção é ok. Se ainda tiver que traduzir para sobreviver, complica.”

Simone Campos é uma escritora de personagens femininas incomuns. Seu quinto livro, A vez de morrer, lançado este ano pela Companhia das Letras, apresenta uma coleção delas. A principal é Izabel, uma jovem carioca bissexual, usuária de recursos modernos como aplicativos de encontros, em processo de mudança para um sítio na região serrana do Rio.

A autora conversou sobre sua mais recente protagonista e outras personagens femininas durante os Encontros Literários promovidos pelo El País na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, que aconteceu nesta semana. Sua percepção é de que ainda faltam, nos livros, mulheres reais e fortes com as quais as leitoras contemporâneas se identifiquem. “Algumas mulheres parecem estar nos livros apenas para ocupar lugar, para fazer tudo por um filho, um marido ou um pretendente”, explicou a integrante da nova geração de escritores brasileiros. “Acredito que existem as mais variadas motivações possíveis para uma personagem feminina, e pretendo explorá-las ao máximo. Há uma carência disso na literatura atual”.

Seus personagens são figuras envolvidas nos dilemas e anseios de seu tempo, dispostas a se relacionar, mas que podem preferir o sexo casual a um relacionamento estável, e não sentem obrigação de ter filhos. Em A vez de morrer , a protagonista é a evangélica Sirlene. Cantora e baixista de uma banda de metal gospel na interiorana Araras, ela acalenta um sonho, mas tem até plano B para o caso de não ver seu desejo principal concretizado. Marta, a mãe de Izabel, é um contraponto à personalidade excêntrica da filha, que se depara com as agruras de ser mulher no ano de 2015, que é quando transcorre a história. “Ser normal, às vezes, pode dar mais pano pra manga, em termos de personagem, do que se você colocar todo mundo muito estrambótico”, pondera a escritora.

As mulheres descritas no livro por Simone se deparam com problemas contemporâneos como estupro e ‘revenge porn’(divulgação virtual de vídeos com cenas de sexo, geralmente feita por homens para se vingar da ex-namorada). Ela reconhece que “andar por aí neste corpo” facilita a tarefa de retratar as experiências femininas no mundo de hoje, mas rechaça a ideia de fazê-lo a partir de um olhar feminista. Tampouco acredita que suas obras devam, obrigatoriamente, abrir espaço para problematizar o machismo. “Pessoalmente, sou feminista, mas não fico dando liçãozinha de moral”, diferencia. “A boa literatura não pode ser moralista. Gosto da liberdade da literatura, de poder falar sobre o que você quiser sem necessariamente ideologizar.”

Fonte: El País –  Mulheres fora da fôrma da normalidade

As horas

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 15, 2014 by Psiquê

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Hoje assisti ao filme As horas, e consegui entender as inúmeras excelentes recomendações que recebi da obra. O filme é excepcional, envolvente, emocionante e mexe com algo com o que nem sempre sabemos lidar: as emoções, os relacionamentos e a morte.

O filme fala da depressão e da maneira como se convive e se trata da mesma em diferentes cortes temporais: anos 20, anos 40 e século XXI. Um boa análise sobre a obra pode ser encontrada no site Omelete, leia As horas: o impacto da cultura na depressão.

“As três mulheres de As horas mostram o histórico de um modelo que, cada vez mais, é respeitado, embora antigo, repetido e, durante grande parte das últimas décadas, desprezado. É uma proposta de entendimento do sofrimento psíquico, uma invenção da medicina para concebê-lo, entendê-lo e tratá-lo. Parece simples, não?”

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“Cabe ainda uma última observação: é através do homem deprimido que estas mulheres falam. O masculino é o que age de maneira inexorável, frágil e vulnerável em seu insuportável sofrimento e visão de mundo. Com ele, saltam pela janela toda a esperança masculina de redenção e, no ato histérico de desaparecer, no dia de sua homenagem, fere a única mulher que ainda o ama e é sua amiga.”

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As Horas, baseia-se no livro de Michael Cunningham, que, por sua vez, se inspirou no romance “Mrs. Dalloway” de Virginia Woolf. O enredo trata da história de três mulheres que carregam em suas vidas muitos sentimentos em comum, como a insatisfação e o fracasso.

São retratos de vidas em épocas diferentes, que se entrelaçam através de um livro, “Mrs. Dalloway”. É um filme de alma feminina, onde, nos artifícios da trama, outras mulheres se reconhecem no drama existencial de cada uma das personagens, humanizando assim o lado da ficção. Uma mulher que gostaria de ser uma personagem de um romance, uma que o escreve (a própria Virgínia Woolf), outra que o vive.

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Acompanhamos, dessa forma, um dia na vida dessas três mulheres. São três histórias em espaços temporais distintos, mas intercaladas na narrativa. Virginia Woolf é a escritora do livro, que afastada da vida agitada de Londres por seu marido, a conselho médico, percebe-se a cada dia, mais infeliz e amargurada. A mesma, é retratada na altura em que escreve o livro em questão, onde seus conflitos internos são repassados para a obra, inclusive o suicídio. A segunda mulher é Laura, dona de casa, esposa e mãe. Laura encontra-se desesperada dentro de um casamento onde os sentimentos são artificiais, pois embora viva num ambiente de tranquilidade e aparente felicidade, se sente vazia e cogita a morte para escapar da realidade da sua vida medíocre; ela está a ler o livro de Virgínia Woolf, o qual reforça sua ideia de evasão e suicídio. A terceira é Clarissa, uma bem sucedida editora, mulher cosmopolita do século XXI, vive um relacionamento lésbico de longa data e se identifica paradoxalmente com Mrs. Dalloway. Tudo o que Clarissa deseja no momento é que sua festa em comemoração a atribuição de um importante prêmio à obra poética de Richard, seu melhor amigo e ex-amante dê certo. Richard encontra-se debilitado pela AIDS e vive fechado em um apartamento frio e sujo. No meio dos preparativos, Clarissa pressente o vazio daquela arrumação fútil e o peso das horas.

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Uma das cenas iniciais do filme mostra as três mulheres se levantando ao amanhecer, concomitantemente, quando Virgínia escreve, Laura lê e Clarissa fala a mesma frase: “acho que eu mesma vou comprar as flores”, e uma outra cena onde vemos o suicídio de Virgínia, retratado de forma simbólica, mas muito forte. Com isso, percebemos que “cria-se logo no início da narrativa de Wollf, um paralelismo entre Celebração e desencanto, festa e morte” (AZEREDO, 2004).

O desespero das três mulheres vai crescendo com o passar das horas, horas sempre iguais, horas sem nenhuma esperança de mudança, sem nenhuma ansiedade, só a ansiedade provocada pelo nada. Solidão, infelicidade, doença, identidade e realização sexual (nas três tramas as personagens beijam outra mulher na boca), e principalmente a morte.

As lutas e sofrimentos vivenciados pelas três mulheres são universais. As horas… os momentos… as decisões que tomamos. Talvez nos encontremos nas situações extremas de cada uma das personagens; cada uma delas lutando para dar um sentido à suas existências e ser simplesmente feliz. Três mulheres presas no tempo e no espaço, nos seus próprios espaços, nas suas vidas. Ao ser levantado o tema da morte, das escolhas, da sexualidade, das decisões, vemos que as personagens descobrem que nem sempre a vida é aquela que esperamos, nem sempre as horas são diferentes. O que são essas horas até perceberem que as perderam para sempre?

A emoção limite, que nos leva a tomar decisões e fazer escolhas que modificam a nossa vida para sempre. Vale a pena assistir!

O que realmente querem as mulheres?

Posted in Comportamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 24, 2013 by Psiquê

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No programa Saia Justa da semana passada, Daniel Bergner, autor do livro O que realmente querem as mulheres?, foi entrevistado.

Não sei se o livro responde às perguntas cientificamente, mas pela abordagem feita no programa, parece que o estudo é sério. O autor defende que a monogamia feminina foi conveniente para a nossa sociedade. Na pesquisa, as mulheres, ao contrário do que declaram, reagem muito mais do que dizem a estímulos com pornografia, revela o autor. Sei que estou bastante curiosa em ler o livro, caso já tenham lido, compartilhem conosco sua opinião.

Sinopse: “Quando se trata de sexo, a sabedoria comum diz que os homens vagueiam enquanto as mulheres anseiam por proximidade e compromisso. Mas neste provocante livro, Daniel Bergner transforma tudo o que pensávamos que sabíamos sobre a excitação e o desejo feminino. Baseando-se em uma extensa pesquisa e entrevistas com renomados cientistas comportamentais, sexólogos, psicólogos e mulheres, ele nos obriga a reconsiderar noções de longa data sobre a sexualidade feminina. Esta viagem ousada e cativante para o mundo do desejo feminino explora respostas a questões instigantes como: • Será que as mulheres são naturalmente monogâmicas? • Será que elas realmente desejam intimidade e conexão emocional? • As mulheres estão mais dispostas ao sexo com estranhos do que a ciência ou a sociedade já deixou transparecer? • O “sexo frágil”, na verdade, mais sexualmente agressivo e anárquico do que os homens?”

Literatura erótica

Posted in Comportamento, Erotismo, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 24, 2013 by Psiquê

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Finalmente encontrei um texto que resumiu muito bem a minha percepção sobre esta nova onda de literatura erótica ou pseudoerótica que tomou conta de várias rodinhas de mulheres, que querem expor para pessoas com as quais sequer tem intimidade, ideias para as quais ainda carregam uma série de pudores e tabus. Eu ainda não conheço todas estas obras, mas confesso que me interessei por ir aos poucos conhecendo.

Tive contato com o texto abaixo através do site Papo de Homem, sob o título Literatura erótica para sua mulher gozar sem você, achei as dicas muito legais e a escrita muito bem feita. Interessante é que a autoria é de uma mulher, a Francesinha, cujo blog não conhecia, mas linkei aqui: Para pensar em  sexo. Vejam no final deste post, algumas informações sobre ela.

Vamos ao texto e às indicações:

“Toda mulher gosta de uma historinha. O recente fenômeno editorial da trilogia dos Cinquenta tons mostrou o quanto as moças andavam ávidas por palavras que as fizessem tremer, sonhar, imaginar, fantasiar e, quiçá, gozar em segredo. Mas os livros de soft porn da dona de casa britânica estão mais para contos de fadas do que para literatura erótica de gente grande.

Existem obras muito mais interessantes e excitantes, capazes de despertar a capacidade multiorgástica feminina apenas com parágrafos.

A literatura erótica não precisa ser exclusivamente feminina para agradar às mulheres. Muitos autores homens também conseguem provocar o desejo com suas narrativas, geralmente, mais explícitas e diretas. A linguagem erótica sem eufemismos às vezes assusta as menos habituadas a esse tipo de leitura, porém depois de alguns capítulos deixa de incomodar e passa a desencadear reações bem diferentes. O novo vocabulário pode até ajudar no repertório de sacanagens para usar durante o sexo, que nem sempre sai com facilidade da boca das mulheres.

Ler pornografia, de preferência de boa qualidade, ajuda a estimular a libido e as fantasias. O efeito da literatura erótica nas mulheres pode ser comparado ao da pornografia da internet nos homens, pelo menos enquanto não houver oferta suficiente de putaria visual ao gosto feminino. Para namorados, maridos, amantes, ficantes e afins, incentivar esse tipo de literatura não é um tiro no pé. A mulher até pode querer gozar sozinha, livre para se encaixar na história como bem entender, mas certamente vai sobrar bastante apetite para completar muito mais páginas.

Selecionei alguns livros, de diversas épocas e estilos, de literatura erótica para valer, sem muitos disfarces. Escolhi obras bem diferentes, para ter mais chance de agradar aos mais variados paladares femininos. Os livros estão em ordem aleatória de tesão, com trechos destacados que dão uma ideia do que esperar da leitura.

A vida sexual de Catherine M., de Catherine Millet

É um livro de memórias da autora, uma crítica de arte francesa bastante conhecida no meio, que resolveu escancarar sua vida sexual sem pudores, de forma crua e libertária. Catherine Millet se entrega ao sexo sem restrições, com homens, mulheres, feios, sujos; a dois, a três, a quatro, a muitos, deixando-se levar sem resistência. A francesa não economiza detalhes na descrição de suas experiências transgressoras.

Trecho:

“Eu era manipulada por partes; uma mão estimulava a parte mais acessível de meu púbis com movimentos circulares, outra roçava meu dorso ou esfregava meus mamilos…Mais até do que as penetrações, as carícias me proporcionavam muito prazer, principalmente as picas que passeavam na superfície do meu rosto ou as glandes esfregadas nos meus seios. Eu adorava segurar de passagem uma com a boca, fazê-la ir e vir entre meus lábios enquanto outra reclamava minha boca do outro lado, roçando em meu pescoço esticado para, logo depois, virar a cabeça e pegar a recém-chegada.”

Mulheres, de Charles Bukowski

Terceiro romance do velho safado, como também é conhecido, foi publicado em 1978. Bukowski nasceu na Alemanha, mas morou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos. O livro narra as estripulias do alter ego do autor, Henry Chinaski, com mulheres insanas e reais. Escritor, alcoólatra e quebrado, o personagem seduz de jovens a balzacas, com as quais geralmente faz sexo quando não bebe demais e dorme. Apesar de tarado, Chinaski também é romântico e não resiste a um beijo.

Trecho:

Mercedes virou seu rosto para mim. Beijei-a. Beijar é mais íntimo que trepar. Por isso eu odiava saber que as minhas mulheres andavam beijando outros homens. Preferia que só trepassem com eles. Continuei beijando Mercedes. E já que beijar era tão importante para mim, tesei de novo. Montei nela, sôfrego, aos beijos, como se vivesse minha última hora na terra. Meu pau deslizou dentro dela. Agora eu sabia que ia dar certo. O milagre seria refeito. Ia gozar na buceta daquela cadela. Ia inundá-la com meu sumo e nada que ela fizesse poderia me deter. Era minha. Eu era um exército conquistador, um estuprador, o senhor dela. Eu era a morte.”

O amante, de Marguerite Duras

É uma obra de arte sensual e poética. Funciona melhor se lida em voz alta. A autora usa frases curtas, quase telegráficas, porém sempre carregadas de significado. “Muito cedo na minha vida ficou tarde demais” aparece na primeira página. O romance, que seria a narração de um episódio autobiográfico, centra-se na história de amor, desejo e melancolia entre uma jovem de 15 anos e um chinês rico de Saigon, na Indochina, onde a autora viveu. Ganhou o Prêmio Goncourt de 1984 e também virou filme.

Trecho:

“Ela lhe diz: preferiria que você não me amasse. Ou, mesmo me amando, que se comportasse como se comporta com as outras mulheres. Olha para ela espantado e pergunta: é o que você quer? Responde que sim. Ele começou a sofrer lá, naquele quarto, pela primeira vez, não nega isso. Diz que sabe que ela jamais o amará. Ela o deixa falar. (…) Ele lhe arranca o vestido, joga-o longe, arranca a calcinha branca de algodão e a leva nua para a cama. Então, vira-se para o outro lado e chora.”

A casa dos budas ditosos (Luxúria), de João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo escolheu usar uma protagonista mulher, uma senhora de 68 anos, para contar suas memórias libertinas nesse romance feito por encomenda para a coleção Plenos Pecados. De tão obscena, a velhinha quase parece um homem, mas é incrivelmente divertida e excitante do mesmo jeito. Para ela, tudo é natural no sexo e as taras mais escabrosas, incluindo o incesto, são descritas em um só fôlego, sem máscaras nem preliminares.

Trecho:

“Imediatamente, já possessa e numa ânsia que me fazia fibrilar o corpo todo, resolvi que tinha que montar na cara dele, cavalgar mesmo, cavalgar, cavalgar e aí gozei mais não sei quantas vezes, na boca, no nariz, nos olhos, na língua, na cabeça, gozei nele todo e então desci e chupei ele, engolindo tanto daquela viga tesa quanto podia engolir, depois sentindo o cheiro das virilhas, depois lambendo o saco, depois me enroscando nele e esperando ele gozar na minha boca, embora ninguém antes me tivesse dito como realmente era isso, só que ele não gozou na minha boca, acabou esguichando meu rosto e eu esfreguei tudo em nós dois.”

Pequenos pássaros, Anais Nïn

Anais Nïn foi uma vanguardista do feminismo e da revolução sexual. Os contos eróticos escritos na década de 40 foram publicados nesse livro somente na década de 1970, depois da morte da autora, nascida na França. Anais foi amante do escritor Henry Miller e retratou detalhes da sua vida dupla em diários, editados somente após a morte de seu marido. Seus textos retratam bastante o perfil da mulher na época, cheia de desejos e repressões.

Trecho:

“Depois, me tocava devagar, como se não quisesse me despertar, até que eu ficava molhada. Ai, seus dedos passavam a se mover mais depressa. Ficávamos com as bocas coladas, as línguas se acariciando. Aprendi a pôr o pênis dele em minha boca, o que o excitava terrivelmente. Ele perdia toda a delicadeza, empurrava o pênis e eu ficava com medo de me engasgar. Uma vez eu o mordi, o machuquei, mas ele não se incomodou. Engoli a espuma branca. Quando ele me beijou, nossos rostos ficaram cobertos com ela. O cheiro maravilhoso de sexo impregnou meus dedos. Eu não quis lavar as mãos.” (O modelo)

Hell, de Lolita Pille

Relato revoltadinho de uma patricinha de Paris, que vive rodeada de amigos fúteis, em uma vida que gira em torno de roupas de grife, bares, bebidas, sexo, álcool e drogas. Sem muita autocomiseração, Hell, pseudônimo da autora na história, define-se como uma putinha insuportável e consumista. Ao mesmo tempo que retrata o seu cotidiano e cita uma penca de marcas famosas, a personagem não deixa de ser a própria crítica à essa sociedade rica e vazia de afeto.

Trecho:

“O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a dependência lamentável, a zombaria do engodo universal; Eros com uma foice enfiada na sua aljava. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do belo, do bem, do verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha.”

A filosofia na alcova, de Marquês de Sade

Publicado em 1795, esse romance na forma de diálogos faz a maioria dos livros eróticos de hoje parecer literatura infantil. Em meio a orgias com intuito de educar sexualmente uma jovem, o autor critica os costumes burgueses e a religião. Logo no início faz um apelo aos libertinos e pede para que as “mulheres lúbricas” desprezem tudo que contrarie as leis do prazer. A linguagem erudita e arcaica não diminui o erotismo e a narrativa transgressora de Sade, com direito a ménages e sodomias homos e héteros.

Trecho:

“Dolmancé – Na posição em que me encontro, senhora, meu pau está bem perto de vossas mãos. Peço-vos a gentileza de agitá-lo, enquanto chupo este cu divino. Introduzi a língua mais fundo, senhora, não vos limiteis a sugar o clitóris…Fazei penetrar essa voluptuosa língua até a matriz: não há melhor meio de apressar a ejaculação da porra.

Eugénie, contraindo-se – Ah, não posso mais…Vou morrer! Não me abandoneis, meus amigos, estou quase desmaiando!…(Esporra entre os dois preceptores).

Saint-Ange – E então, minha amiga, o que achou do prazer que te proporcionamos?”

História do olho, Georges Bataille

Publicado em 1928, o primeiro livro de Bataille é um clássico do erotismo. A novela acompanha as aventuras sexuais de dois adolescentes, em passagens tão surreais que se assemelham a experiências oníricas. A obra, como o autor tenta explicar no final, funde imagens e episódios da infância com suas obsessões, que decidiu escrever por sugestão de seu psicanalista. A fixação pelo olho, que surge em metáforas como ovo e testículos, tem diversos significados, relacionando-se inclusive com as lembranças do autor acerca do pai cego.

Trecho:

“A partir dessa época, Simone adquiriu a mania de quebrar ovos com o cu. Para isso, colocava a cabeça no assento de uma poltrona, as costas coladas ao espaldar, as pernas dobradas na minha direção enquanto eu batia punheta para esporrar em seu rosto. Só então eu punha o ovo em cima do buraco: ela se deliciava a mexer com ele na rachadura profunda. No momento em que a porra jorrava, as nádegas quebravam o ovo, ela gozava, e eu, mergulhando o rosto no seu cu, me inundava com aquela imundície abundante.”

Sobre a autora: Francesinha é uma mulher que gosta de falar e escrever sobre sexo. Também adora contar suas experiências e aventuras. Depois que descobriu a masturbação, aos 19 anos, nunca mais parou. Para estimular a libido feminina, criou o blog Para Pensar em Sexo, que traz artigos, imagens e contos eróticos para ajudar a mulherada a aumentar a quantidade de pensamentos-em-sexo-por-minuto.

Cleópatra

Posted in Comportamento, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 13, 2011 by Psiquê

Não dá para negar o fascínio que Cleópatra evoca não apenas em mim, mas também nas mulheres em geral. Confesso estar superansiosa para a estréia da regravação do filme, em que a rainha do Egito será interpretada pela Angelina Jolie. Não vejo a hora de estrear…

Na última edição da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, em 2011, comprei o livro Cleópatra, uma Biografia, da americana Stacy Schiff, lançado no Brasil pela editora Zahar e que deve ser adaptado para a tela grande com Angelina Jolie no papel da última rainha do Egito. Confesso que a narrativa da história desta personagem aguça a curiosidade, pois trata-se de alguém que aparentemente conseguiu conciliar o lado forte e sedutor de uma mulher.

Quem também teve a oportunidade de escrever sobre o livro foi Beatriz Alessi.

Parece não ter havido nenhuma outra mulher na história que tenha deixado mais marcas no imaginário feminino que Cleópatra! Poderosa, rica, sedutora e mais influente que qualquer mulher antes ou depois dela, Cleópatra ainda tem muito a nos ensinar, mais de dois mil anos depois da sua morte.

Culta, obstinada, fluente em nove idiomas e uma estrategista nata, no auge do seu poderio Cleópatra controlava toda a costa oriental do Mediterrâneo, também por ter caído nas graças de dois senhores do mundo romano: César e, depois, o protegido dele, Marco Antônio.

Mais do que a “rainha rameira” ou a fêmea interesseira e insaciável, Cleópatra era uma estadista sofisticada que amealhou um império que nada deixava a desejar à glória que o Egito havia conhecido sob seus ancestrais ptolomaicos.

Como bem lembrou Beatriz, somos todas herdeiras de Cleópatra. Numa era de tanto protagonismo feminino, um tempo de mulher, não fará mal nenhum ao nosso ego nos espelharmos naquela que deu tanta visibilidade e poder à condição feminina que fez nascer uma idade de ouro para as mulheres em Roma.

Se Cleópatra hoje parece ser lembrada mais como a rainha que seduziu dois senhores romanos é porque foi mais confortável para a história atribuir o sucesso de uma mulher à sua beleza do que à sua inteligência. Ainda que ao contrário do que suas representações no cinema querem mostrar – mulheres lindas e sedutoras – Cleópatra parece não ter sido tão linda assim, mas foi uma estrategista de primeira e sedutora sim, ao usar usa esperteza, inteligência e intuição feminina para conquistar povos, reinos, homens e bens.

O número do meu destino

Posted in Comportamento, esoterismo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 1, 2009 by Psiquê

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A revista Nova deste mês de março trouxe uma reportagem muito legal sobre numerologia. Segundo a reportagem, a data em que viemos ao mundo revela inclinações e aptidões que influenciam nossas atitudes e desejos. Para descobrir esse número especial, é preciso somar dia, mês e ano de nascimento, até encontrar um número de 1 a 9 ou o número 11, que é um número mestre e não deve ser reduzido a 2.

Adivinhem o meu resultado? Número mestre 11. Vou descrevê-lo para vocês, pois adorei!

ONZE – INSPIRADORA

Intuitiva, idealista e inspiradora, você tem uma compreensão da realidade que não está ao alcance de muitos. É capaz de iluminar o mundo com suas ideias, apesar de muitas vezes, não ter a completa noção de sua força interior. O 11 apresenta um magnetismo de abalar quarteirão, minha amiga! Você exerce fascínio sobre os que a cercam e, se souber aproveitar esse dom para transmitir seu conhecimento, se sentirá plenamente realizada. Sua mente original permitirá ter sucesso em qualquer iniciativa, inclusive artísticas. No entanto, uma vez que sua missão é usar a sabedoria para mostrar novos caminhos aos outros, se dará melhor em trabalhos que utilizem suas habilidades de aconselhamento e orientação, como professora ou terapeuta. Com forte inclinação para a fama, deve escapar com todas as forças da tentação de bancar a cheia de si. Vale tomar cuidado para não ser dragada pela ambição, pois ela pode arruiná-la. Perfeccionista, às vezes sofre de ansiedade, impaciência e instabilidade emocional. Em tempo: você se interessa muito pelos mistérios da existência. Caso não suporte a intensa energia do 11, pode reduzir sua força para 1 + 1= 2. Por isso, vale a pena ler também essa lição de vida.

DOIS – FEMININA

O número 2 é o do relacionamento, da cooperação e da paz. Você está aqui para ligar as pessoas umas às outras. É aquela que encoraja e promove aqueles com algo valioso a oferecer. Sim, haja paciência enquanto observa os outros alcançarem o sucesso. Mas não adianta imitar a postura ambiciosa dos líderes. Essa não é sua inclinação. Melhor desenvolver uma atitude tranquila e generosa, que sempre leve em conta os sentimentos alheios. Boa amiga, precisa saber que é amada. Domina a arte da diplomacia. Mas, dependendo da situação, pode ser tanto supersensível e passiva quanto agressiva, controladora, crítica e cruel. Cuidado para não se tornar dissimulada, maliciosa e manipuladora. Trate de aprender a dizer não e a resistir às pressões para evitar confrontos. E jamais negue o que está sentindo.

Se quiser saber um pouquinho dos eu perfil, calcule seu número e corra até as bancas para garantir a edição de março.

Grande beijo!

Sex Shops conquistam as mulheres

Posted in Comportamento, Erotismo, Moda, Sexo with tags , , , , , , , , , on março 26, 2008 by Psiquê
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Photo by Kacper Kiec

O mundo dos sex shops ganhou um ar cor de rosa e vermelho e caiu no gosto feminino. Várias lojas estão se especializando no ramo feminino e perdendo aquele estereótipo, muitas vezes até estigmatizado, das sex shops. Essa novidade, nem tão nova assim, está fazendo tanto sucesso entre as mulheres que os investimentos nesse ramo são promissores.

As deliciosas sex shops femininas vendem lingeries lindíssimas, muitas até de grifes famosas como Victoria’s Secret, Dolce & Gabana, Valentino, Paul Smith, Calvin Klein e Madame Z além de acessórios e ‘brinquedinhos’ típicos das sex shops. As lojas são tão chiques que a mulherada até esquece que está numa sex shop e não numa loja feminina comum. A idéia é importada da França onde surgiram as primeiras sex shops para mulheres. Seriados como o Sex in The City retratam não apenas essas experiências femininas como várias outras coisa.

Em entrevista ao portal Bolsa de Mulher, a sexóloga Glene Faria vê nossas visitas às butiques eróticas como um retrato da evolução da sexualidade feminina. “A geração mais jovem encara o sexo com mais tranqüilidade, pois tem mais acesso a informações e aula de educação sexual na escola desde cedo. Com isso, foi por terra o mito de que sexo é feio, ou não pode. A mulher sabe que não está fazendo nada errado, portanto, está mais consciente do seu direito de ter prazer e vai em busca dele”.

A mulher além de conquistar seu lugar no mercado de trabalho, conhecer e desenvolver sua feminilidade e auto-estima está conquistando seu espaço em todos os setores. Essa é uma área muito promissora e absurdamente feminina. Uma novidade que encontrou espaço nesse novo mercado são os chás de lingerie que hoje começam a atrair as mulheres que estão para casar ou simplesmente querem renovar seu guarda-roupa e comemorar seu aniversário de maneira atraente, divertida e gostosa.

Veja algumas lojas famosas e atraentes:

Pink Chic

A2 Ella

Pselda

Madame Blanchye

Quem também já falou sobre isso:

Fashion Bubbles

Delas