Arquivo para fogo

Olhos felinos

Posted in Cultura e Arte, esoterismo, Estética e Beleza with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 26, 2014 by Psiquê

bruxa2

Hoje estava navegando por algumas páginas sobre o feminino e me deparei com um texto bem legal. Na hora comentei com uma amiga uma ideia que volta e meia me vem à cabeça: se eu fosse espírita/espiritualista e acreditasse em reencarnação, diria que se tivesse vivido na época da Inquisição, teria sido condenada à fogueira, pois poderia ter sido considerada uma bruxa. Digo isso porque me encanta tanto o feminino, a arte, o corpo, a força da natureza, os astros, as estrelas, a possibilidade de cuidar disso tudo e defender o direito de todas nós mulheres termos o direito de cuidar de nós mesmas com o encantamento e a sensualidade do feminino…

E o texto de Rose Kareemi Ponce, que compartilho abaixo, me inspirou…

Então, ele se deu conta que ela era uma bruxa.
Não uma bruxa dessas de contos de fadas, com verrugas e mãos tortas. Uma bruxa com intensos olhos felinos, que o faziam ficar sempre atento, como se ela à espreita, fosse dar o bote a qualquer instante, tomando seu coração em suas garras e se alimentando de sua alma.
Uma bruxa que caminhava suavemente, sem deixar marcas pelo chão, porém deixando pegadas em seu coração.
Ele percebeu a sutileza de seu toque, a suavidade de suas palavras e se viu preso sem amarras aquela mulher, que livre, também o libertava. Que doce, o acalentava.
E ali estava perdido entre o irreal que se mostrava nítido sob a luz de seu olhar, e o real que se desfazia e escorria pelas mãos, como areia, como água que flui. Como ela, que passeava livre por seus lençóis e desaparecia nas manhãs.
Feito lua, iluminava suas noites.
Feito estrela, brilhava em suas mãos.
Feito o vento, voava e saía pelas janelas antes mesmo que pudesse prendê-la!
Feito ar, alimentava seus pulmões de vida!
Feito fogo, queimava sua pele e sua alma.
Feito menina, encantava.
Feito mulher, seduzia.
Sendo dele, era livre.
Sendo livre, nunca fora tão intensamente de alguém!

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Erótica, é… ótica!

Posted in Erotismo, Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 3, 2013 by Psiquê

Imagem

Erótica, é… ótica!

Duas da madrugada,
as palavras ficaram ressoando,
erótica, erótica…
Deve haver um erro,
sem ar,
quente, abafado,
derreteu-se algo em mim,
e ficou: é… ótica!

É isso.
Visão.
Noite quente,
calor, fornalha,
corpo quente,
fogo…

Acendo a luz,
fecho a porta,
lembro do fado:
“de quem eu gosto,
nem às paredes confesso”;
o anúncio da TV, chama a atenção:
– me liga, vai… Liga!
Erótica…
Sim, visão…

Começo a me despir
lentamente,
solto os cabelos,
eles se espalham
e cobrem as protuberâncias
de minhas curvas…

Acaricio lentamente meu corpo,
descendo suavemente as mãos,
a carne é firme,
sinto as pernas trêmulas,
olho no espelho,
gosto do que vejo,
sou uma mulher bonita,
sensual,
firme, gostosa, macia,
lembro outra vez:
“liga, vai… Liga”

O telefone está perto,
companheiro único,
preto,
frio,
mudo,
estático…

Ainda espero.
Continuo descendo as mãos
com suavidade,
sinto falta de carinhos,
olho a imagem,
é… ótica…

As pessoas não se olham,
não conhecem seu corpo,
não olham a si mesmas,
não se amam,
não se desejam,
não se tocam…

“Eu me amo… Eu me amo
“Tinha uma música assim,
seriam loucos?
Coisa de jovens?
Rock?
Não.
Amar a si mesmo
é o ponto de partida,
se não nos amarmos,
não amaremos a mais ninguém!

Eu amo a muitos…
Em cada um, eu amo alguma coisa;
a voz,
o gosto,
o cheiro,
o pensamento,
o olhar,
as idéias,
o desafio,
o perigo,
o desejo,
o sexo…

Mas estou só,
absolutamente só,
eu, comigo!

Erótica?
Talvez nos pensamentos,
nas rimas,
na inspiração,
só na ponta dos dedos,
digitando freneticamente,
nada mais…
Na verdade, só é.. ótica!

Visão de uma realidade virtual
visão de um sonho
que embalo no seio
como um filho que suga
meu leite,
aquela deliciosa sensação
de ser sugada,
amada,
comida, esmagada!

Lembranças…
Gostos, cheiros, fatos,
o passado…

Hoje já é o passado de amanhã,
então, só tem eu aqui;
preciso me amar!
Se não me amar,
se não houver um tico de narcisismo,
chegará a depressão,
mulher mal amada,
mulher vencida!

Penso…
Que desperdício!
O tempo vai correndo,
eu grito,
meu grito não tem eco,
os ventos espalham as pétalas da Rosa,
e o tempo continua veloz,
implacável!

Preciso,
sinto que preciso,
dividir, somar,
esse corpo com alguém,
preciso sentir outras mãos
que não as minhas,
tocando minha pele macia,
buscando meus caminhos,
palavras quase inaudíveis
arrancando meus gemidos,
sugando meu sangue…

Jogo os cabelos para trás,
acabei de escová-los,
coloquei a roupa de dormir,
deixo minha imagem
reflexa no espelho,
sou capaz de ver o brilho
das estrelas cintilando nos meus olhos,
na minha pele,
desnudo meu pescoço
mas nenhum vampiro
entra pelas vidraças…

Silêncio total,
só a brisa da noite
e os raios da lua
banham meu corpo quase nu,
chega um misto de prazer e sono…

Começo a dormir e
viajo dentro de mim mesma…

O que encontro?
Minha sombra vagando
pelos espaços vazios dos caminhos,
solidão…

É… ótica.
Nada mais.
Não existe nada,
além da imaginação!

O devaneio adormece
em meus braços,
viajo nos sonhos
e encontro meu príncipe,
ele vem da floresta encantada,
cavalga em minha direção,
me joga meio sem jeito
no dorso do seu garanhão,
o galope é forte,
e, no embalo da ilusão,
adormeço, só,
completamente só!

Quando os raios de sol
entram e me aquecem pela manhã
a cada aurora,
volto à rotina…
Ali adormeceu a poesia
e, agora, acordou a realidade…

Um dia como outro qualquer,
a rotina,
a vida,
a esperança,
a solidão,
a mesma ótica… Erótica!

Autoria: Janete, Rosa dos Ventos

Já espero

Posted in Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 22, 2009 by Psiquê
Klaus Kraiger - Beatrice

Klaus Kraiger - Beatrice

Certo livro de Jaspers despenca da estante fria, acerta o ventre do meu corpo ao chão morno… Há chamas em minhas mucosas; nos seios, fogo. Incendeiam-me as inspirações transcendentais Salvem, atirem as concepções do mundo à pia! Traga-me, bombeiro, o além do mito/ideologia; Apague toda dor, agonia e mea culpa depois… Atire água na morte, o avesso atalho da fantasia. Faça-me prenha com uma genital Philosophie, transparentemente. À luz: Karlquer um, nós Dois.

Helga Holtz

O fogo que na branda cera ardia

Posted in Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 25, 2008 by Psiquê

Via Amante das Imagens

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dous ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista de que o mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.

O fogo que na branda cera ardia

Posted in Poesia Erótica with tags , , , , , , , , , , , on agosto 24, 2008 by Psiquê

Via Frivolités des Philtre

O fogo que na branda cera ardia

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dous ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista de que o mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.

(Luís Vaz de Camões)