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Filmes feministas

Posted in Cultura e Arte, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 12, 2014 by Psiquê

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Não é novidade que sou cinéfila, apaixonada por cinema e filmes, meu programa predileto é sentar numa sala de cinema e degustar, desfrutar, apreciar a sétima arte. Tenho enriquecido minha gama de filmes com a novidade que tomou conta da minha vida, chamada Netflix e me permite ver diversos filmes disponíveis em sua grade na hora que eu puder, do meu computador, tablet, TV ou celular. Mas meu objetivo aqui é compartilhar com vocês umas dicas de filmes femininos e/ou feministas bem legais.

Encontrei no site Filmow, uma lista de filmes feministas que parecem bem interessantes. Alguns deles eu já assisti. O último que vi foi Frida, que assisti pelo Netflix na semana passada e amei, mas há outros títulos bem interessantes…

A autora da lista Karen Käercher elaborou a lista, tendo como objetivo, “listar os melhores filmes, em minha perspectiva analística, que trazem de alguma forma o debate do feminismo, seja em questões emblemáticas como a sexualidade reprimida da mulher, seja violência doméstica ou demais discussões acerca de gênero.”

Vejam abaixo, alguns dos títulos elencados:

A Excêntrica Família de Antonia (Antonia's Line)

A Excêntrica Família de Antonia

A Fonte das Mulheres (La Source des Femmes)

A Fonte das Mulheres

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes)

Tomates Verdes Fritos

Thelma & Louise (Thelma & Louise)

Thelma & Louise

Persépolis (Persepolis)

Persépolis

Cairo 678 (Cairo 678)

Cairo 678

 Flor do Deserto (Desert Flower )

Flor do Deserto

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)

A Separação

E Buda Desabou de Vergonha (Buda as sharm foru rikht)

E Buda Desabou de Vergonha

Sexo por Compaixão (Sexo por Compasión)

Sexo por Compaixão

Frida (Frida)

Frida

As Horas  (The Hours)

As Horas

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees)

A Vida Secreta das Abelhas

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)

Pequena Miss Sunshine

Mulan (Mulan)

Mulan

Pocahontas - O Encontro de Dois Mundos (Pocahontas)

Pocahontas – O Encontro de Dois Mundos

Valente (Brave)

Valente

Frozen - Uma Aventura Congelante (Frozen)

Frozen – Uma Aventura Congelante

Juno (Juno)

Juno

Depois de Lúcia (Después de Lucía)

Depois de Lúcia

Preciosa - Uma História de Esperança (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)

Preciosa – Uma História de Esperança

A Cor Púrpura (The Color Purple)

A Cor Púrpura

 Bagdad Café (Out of Rosenheim)

Bagdad Café

Histórias Cruzadas (The Help)

Histórias Cruzadas

O Sorriso de Mona Lisa (Mona Lisa Smile)

O Sorriso de Mona Lisa

Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich)

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento

 Histeria (Hysteria)

Histeria

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)

As Virgens Suicidas

Diário Proibido (Diario de una ninfómana)

Diário Proibido

Albert Nobbs (Albert Nobbs)

Albert Nobbs

 Lanternas Vermelhas (Da Hong Deng Long Gao Gao Gua)

Lanternas Vermelhas

As Pequenas Margaridas (Sedmikrasky)

As Pequenas Margaridas

Temple Grandin (Temple Grandin)

Temple Grandin

Alexandria (Agora)

Alexandria

O Dia em Que Me Tornei Mulher (Roozi Ke Zan Shodam)

O Dia em Que Me Tornei Mulher

Terra Fria (North Country)

Terra Fria

Cidade do Silêncio (Bordertown)

Cidade do Silêncio

 O Cheiro do Papaia Verde (Mùi Đu Đủ Xanh)

O Cheiro do Papaia Verde

Liberdade (Libertarias)

Liberdade

 Rosa Luxemburgo (Rosa Luxemburg)

Rosa Luxemburgo

Simone de Beauvoir (Simone de Beauvoir)

Simone de Beauvoir

 Eternamente Pagu (Eternamente Pagu)

Eternamente Pagu

Vida Maria (Vida Maria)

Vida Maria

Uma História Severina (Uma História Severina)

Uma História Severina

Estamira (Estamira)

Estamira

 Nem Gravata, Nem Honra (Nem Gravata, Nem Honra)

Nem Gravata, Nem Honra

 O corpo das mulheres (Il corpo delle donne)

O corpo das mulheres

 Mulheres na Mídia (Miss Representation)

Mulheres na Mídia

O Aborto dos Outros (O Aborto dos Outros)

O Aborto dos Outros

 Meu Corpo, Meu Pêlo (My Body, My Hair)

Meu Corpo, Meu Pêlo

 Clitóris, prazer proibido (Le Clitoris, Ce Cher Inconnu)

Clitóris, prazer proibido

 Os Monólogos da Vagina (The Vagina Monologues)

Os Monólogos da Vagina

!Mulheres Arte Revolução (!Women Art Revolution)

!Mulheres Arte Revolução

 Lado a Lado (Lado a Lado)

Lado a Lado

 Anjos Rebeldes (Iron Jawed Angels)

Anjos Rebeldes

Uma Mulher Contra Hitler (Sophie Scholl - Die Letzten Tage)

Uma Mulher Contra Hitler

O Segredo de Vera Drake (Vera Drake)

O Segredo de Vera Drake

O Preço de Uma Escolha (If These Walls Could Talk)

O Preço de Uma Escolha

Somente Elas (Boys on the Side)

Somente Elas

Acusados (The Accused)

Acusados

Além da Liberdade (The Lady)

Além da Liberdade

Therese D. (Thérèse Desqueyroux)

Therese D.

Norma Rae (Norma Rae)

Norma Rae

Caso se interesses por estas dicas, assistam e opinem. Um beijo carinhoso.

Um método perigoso – paciente, discípula e amante

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 17, 2013 by Psiquê

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Acabei de assistir ao filme Um método perigoso, um excelente filme (estrelado por Keira Knightley, Viggo Mortensen, Michael Fassbender e Vincent Cassel), que conta a história de Sabina Spielrein, uma paciente, depois médica e discípula tratada por Carl Jung que vira sua amante e seguidora.

A matéria publicada pela Revista Época, intitulada Paciente, discípula e amante resume bem a história contada no filme. Leia a seguir:

Genebra, outubro de 1977. Um maço de documentos resgatados nos porões do Palácio Wilson, que no passado abrigara o Instituto de Psicologia, trouxe à luz detalhes de uma das tramas mais fascinantes do período nascente da psicanálise. Foram encontradas 46 correspondências do psicólogo suíço Carl Jung, 21 do vienense Sigmund Freud e 12 da até então pouco conhecida Sabina Spielrein – além de partes de seu diário íntimo entre 1909 e 1912. Sabina era uma espevitada morena de porte mignon, que viria a participar do palco da nascente disciplina ao lado de seus dois principais expoentes.

Neta e bisneta de rabinos e filha de um bem-sucedido comerciante de Rostov-On-Don, Sabina, aos 19 anos, viajara para Zurique em 1904 para inscrever-se na faculdade de medicina. Em vez disso, foi internada no dia 17 de agosto no Hospital Burgholzli, acometida de um surto de histeria aguda. Passou a ser submetida a tratamento ministrado pelo jovem médico Carl Jung, de 29 anos, que a essa altura já se correspondia com Freud, então com 48. Num relatório a Freud, Jung afirmou que, quando criança, a paciente, que era assaltada por medos noturnos, se excitava sexualmente com as surras aplicadas pelo pai – um homem de humor instável, tirânico e depressivo, que em alguns momentos ameaçava suicidar-se. Bastava olhar para uma mão que lembrasse a do pai para que Sabina se masturbasse. Jung não deixou de notar a aguçada inteligência da paciente, que aos 7 anos já era fluente em francês e alemão e, mais tarde, inglês.

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A relação entre Jung e Sabina evoluiu à medida que o tratamento avançava. Primeiro, ela o ajudou a monitorar os testes de associação de palavras, um dos experimentos iniciais de Jung no campo de sua futura psicologia analítica. “É difícil formular um parecer sobre o estado mental de Sabina Spielrein”, escreveu o psicólogo italiano Aldo Carotenuto, autor de Diário de uma secreta simetria, obra em que se debruça sobre a correspondência. “A hipótese mais provável é que ela tenha tido um surto psicótico rapidamente controlado pela intervenção de Jung.”

Ao entrar para a faculdade de medicina, Sabina mudou-se para um apartamento nas proximidades. A relação com seu terapeuta converteu-se em amizade com coloração romântica até se tornarem amantes. Em passeios de barco e longas caminhadas pelos jardins de Zurique, Jung lhe confidenciava seus temores e expectativas em relação às metas de sua vida e às oportunidades que se descortinavam à comunidade internacional de analistas. “Naquela época, não haviam sido dados limites ainda”, afirma Deirdre Bair, biógrafa de Jung. “Os maridos analisavam as mulheres, analistas e pacientes se envolviam livremente em relações sociais e sexuais.” Qualquer apressado julgamento moralista desses “affaires” deve considerar que, àquela altura, a psique ainda era um território desconhecido para os próprios pioneiros da psicanálise.

Ao contrário de Freud, que aos 40 anos já se conformara em “esperar a morte”, Jung, casado com uma herdeira milionária, ansiava por uma amante que pudesse aceitar que o amor “fosse seu próprio fim, em vez de um meio para um fim”. Paul Stern, outro biógrafo, relatou o magnetismo de Jung por todo tipo de mulheres neuróticas, que se sentiam incompreendidas. Não demorou muito para que o caso com Sabina viesse a público, na forma de um escândalo amplificado pelas fofocas dos estudantes de medicina.

Sabina proclamava seus sentimentos a quem quisesse ouvir e, provavelmente após uma briga com Jung ou durante uma de suas crises, acusava-o de se recusar a ser pai de seu futuro filho, embora não estivesse grávida. Como se não bastasse, chegou à senhora Spielrein, a mãe de Sabina, uma carta anônima pedindo que viesse resgatar a filha antes que Jung a arruinasse. Segundo a biógrafa Deirdre, as suspeitas a respeito de quem enviou a carta recaem sobre Emma, mulher de Jung, que sempre recusou uma aproximação com Sabina e em várias ocasiões esteve perto de pedir o divórcio ao marido infiel. A senhora Spielrein cobrou satisfação de Jung, a quem considerava o salvador da filha. Por carta, ele se limitou a explicar que, na relação de amizade entre homem e mulher, existia sempre a possibilidade de algo mais ocorrer.

Esse enredo que associa um folhetim de paixão, traição e escândalo à nascente psicanálise e seus protagonistas foi explorado pelo cineasta canadense David Cronenberg em Um método perigoso. Com Keira Knightley encarnando uma histriônica Sabina, Viggo Mortensen no papel de Freud e Michael Fassbender como um charmoso Jung, o roteiro segue com fidelidade biográfica os passos de seus personagens. Os lances que se desdobram à descoberta do romance formam uma cadeia de reações perfeitamente humanas, o que confere ao caso ensinamentos preciosos sobre o fenômeno da transferência e contratransferência envolvendo analisando e analista, e que Freud dizia ser um dos perigos da atividade psicanalítica. Por transferência, entendam-se as imagens e os afetos inconscientes que o paciente projeta no analista ao longo da análise, capazes de gerar vínculos emocionais positivos ou negativos. Contratransferência é o mesmo fenômeno que ocorre com o analista em relação ao paciente.

Numa carta a Freud, sem citar o nome de Sabina, Jung se queixa de uma paciente que “acabara de profanar a amizade da maneira mais mortificante”. Sabina passa a escrever cartas a Freud em que expõe sua versão do tumultuado relacionamento. Freud foi informado que certa vez, numa discussão, Sabina agarrou uma faca, Jung a desarmou e ela o esbofeteou. Desde o início, ele se recusou a atuar como mediador das desavenças do casal. Aconselhou Sabina a suprimir sentimentos negativos a respeito de seu relacionamento próximo com Jung. Naquele período, Freud ainda via Jung como um promissor colaborador, espécie de futuro príncipe da psicanálise. Anos depois os dois romperiam, um tanto por divergências científicas, outro por incompatibilidade de gênios. Jung não queria encarnar o papel de discípulo conformado. É interessante observar que, enquanto Freud viveu cercado por uma confraria de discípulos vienenses, a maioria de ascendência judaica, Jung encontrou nas mulheres companhia para sua viagem ao inconsciente. Toni Wolff, a amante que sucedeu Sabina, Barbara Hannah, Aniela Jaffe, Yolanda Jaccobi, Marie-Louise von Franz e Emma Jung, com quem se casou, perfilam-se na linha de frente da corte junguiana.

A aproximação de Sabina com Freud deu-se depois que ela se graduou na faculdade de medicina, em 1911, com uma tese intitulada O conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia, sob orientação de Jung. Sabina se mudou de Zurique para Viena, onde conheceu Freud e passou a participar dos seminários de quarta-feira, debates em que impressionou o mestre e seus discípulos. O segundo trabalho de Sabina, A destruição como causa do nascimento, influenciou um dos focos centrais de Freud e fez Sabina ser lembrada como precursora do instinto de morte. “Nesse segundo texto, ela antecipava, quase palavra por palavra, os princípios de Freud em Para além do princípio do prazer, afirma Carotenuto. Sua influência sobre Jung foi muito além da teoria. Em suas memórias, Jung descreve seu confronto com o inconsciente e a certa altura refere-se à voz de uma paciente, “uma inteligente psicopata que tinha por mim uma forte transferência e que estava impressa em minha mente como uma figura viva”. O caso também é citado em A psicologia da transferência.

No início da década de 1920, casada com um médico, Sabina retornou a sua cidade natal na Rússia. Ali, se juntou ao movimento da psicanálise, ajudando a difundir a nova disciplina até 1936, quando ela foi posta na ilegalidade pelos bolcheviques. Entre as poucas informações obtidas sobre Sabina no período há o fato de que ela organizou um jardim de infância com a intenção de oferecer uma vida melhor às crianças com problemas em seus lares. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, Sabina e suas duas filhas foram mortas por nazistas. O psicólogo e escritor austríaco Bruno Bettelheim foi quem provavelmente melhor sintetizou o papel exercido por Sabina Spielrein em relação à dupla de monstros sagrados da psicologia do século XX: “Enquanto Freud e Jung permitiram que seus impulsos destrutivos os afastassem um do outro, Spielrein defendeu até o fim o impulso criativo que, ela esperava, uniria os dois em um empreendimento comum”.