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Sapiossexualidade

Posted in Comportamento with tags , , , , , on outubro 14, 2015 by Psiquê

Este texto foi originalmente publicado no CONTI outra, e como achei muito interessante resolvi compartilhar com vocês, queridos seguidores do Espartilho.

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Sapiossexualidade: Quando a libido é estimulada pela admiração intelectual

O prefixo da palavra tem origem do latim sapien, que significa inteligência. Inclusive temos uma palavra em nosso vocabulário que já podia dar noção do que se tratava, mas infelizmente nem é tão utilizada assim: sapiência.

sapiossexualidade é a atração sexual que uma pessoa sente pela inteligência, visão de mundo e toda a bagagem cultural de outra pessoa. É importante dizer que uma pessoa sapiossexual não se importa, portanto, com o gênero da pessoa pela qual ela está atraída. Ela sente atração pela inteligência e conhecimento que a pessoa tem, independente do sexo da pessoa.

Isso não significa que todos os sapiossexuais repudiem beleza ou não achem seus parceiros bonitos. A atração vem da inteligência, o que não elimina outros aspectos da pessoa.

A terminologia foi supostamente criada por Darren Stalder, que afirma ter inventado a expressão em 1998. O termo só pegou mesmo, no entanto, a partir de 2008, graças, em parte, à escritora erótica Kayar Silkenvoice, que criou o domínio Sapiosexual.com em 2005.

Silkenvoice afirma nunca ter feito sexo ruim. Porque ela é atraída a pessoas inteligentes, crê que essas pessoas são mais inteligentes até mesmo na cama. Elas não partem do princípio que sabem do que o outro gosta, e adoram ganhar conhecimento. Sendo assim, querem aprender o que faz o seu parceiro feliz, descobrir como tornar o sexo o melhor possível.

Uma orgia para ir em cadeira de rodas

Posted in Comportamento, Relacionamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 16, 2015 by Psiquê

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Definitivamente eu amei a abordagem deste tema e resolvi trazer para o Espartilho.

O documentário Yes, We Fuck! nos mostrou que pessoas com deficiência podem ter uma vida sexual ativa e satisfatória. No dia 14 de agosto, uma iniciativa em Toronto, no Canadá mostrou ao mundo que elas também podem participar de orgias, mesmo em uma cadeira de rodas. Nesse dia foi realizado em Toronto a primeira festa do sexo mundial, criada especialmente para esse grupo. O evento Deliciously Disabled, claro, é aberto a todos e não apenas àqueles com algum tipo de deficiência.

O evento foi descrito por uma de suas organizadoras, Stella Palikarova, modelo que sofre de atrofia muscular espinhal, como “a queda do Muro de Berlim para a sexualidade das pessoas com deficiência“. A ideia de organizar a festa foi de Stella, como resultado de uma antiga insatisfação, ao constatar a concepção da sociedade de que a libido de uma pessoa que não pode andar não deve estar muito bem, mas como ela mesma disse ao jornal Toronto Sun “muitos que estão em cadeiras de rodas podem ter uma sexualidade satisfatória, até melhor do que muitas pessoas normais. Ao tornar esse evento acessível a pessoas com deficiência, estamos dizendo abertamente que também são seres sexuais”.

Andrew Morrison-Gurza, consultor de pessoas com deficiência, também está entre os organizadores e emprestou sua imagem —nu em uma cadeira de rodas— para o cartaz do evento. Morrison comentava ao jornal britânico Daily Mail: “Queremos dar às pessoas com deficiência a oportunidade de ser protagonistas de uma festa sexual e positiva — algo jamais visto antes—, mas também ensinar àqueles que não têm nenhuma deficiência todas essas delícias. Esse evento foi criado para mostrar que deficiência e sexualidade são acessíveis a todos”. Fátima Mechtab, outra encarregada dos preparativos, disse à S Moda que “a festa está aberta a todos os tipos de corpo, habilidades e orientações sexuais” e vai contar com assistentes sexuais, intérpretes para surdos e todos os tipos de elevadores, rampas e sistemas para facilitar a circulação do grupo que protagoniza a festança.

A sexualidade das pessoas com mobilidade reduzida tem chamado a atenção do público recentemente. O filme As Sessões (2012) já abordava a polêmica questão dos assistentes sexuais em uma história na qual um jornalista e poeta tetraplégico com um pulmão artificial, interpretado por John Hawkes, decide perder sua virgindade nas mãos de sua terapeuta sexual, interpretada por Helen Hunt. Há alguns meses também estreou Yes, We Fuck!, que tentou responder à pergunta que muitos fazem sempre que veem alguém com algum tipo de deficiência. O filme não só demonstrou que esse grupo tem relações sexuais, mas que também se masturba e explora cada centímetro de pele em busca de sensações. Muitos deles têm uma sexualidade complexa, curiosa e aventureira. O documentário faz sucesso na América do Sul e em outras partes do mundo, embora nem tanto nos EUA. “Nosso objetivo era visualizar em imagens o âmbito da sexualidade dessas pessoas, algo que desconhecemos, como seus corpos”, diz Raúl de la Morena, diretor do filme em parceria com Antonio Centeno. “No entanto”, continua, “também quisemos mostrar não só o que a experiência da sexualidade pode fazer pelas pessoas com deficiência, mas também o que a realidade desse grupo pode acrescentar à sexualidade humana. No meu caso, serviu para aprender muitas coisas sobre minha própria sexualidade”.

Carlos de la Cruz é sexólogo, diretor do mestrado de sexologia da Universidade Camilo José Cela e vice-presidente da Associação Sexualidade e Deficiência, que visa melhorar a qualidade de vida de pessoas com todos os tipos de deficiência, com especial ênfase em educar e prestar apoio à sexualidade desse grupo. O especialista vê com bons olhos a realização da festa em Toronto, embora dependa do objetivo de cada um. “Se alguém entra pela porta do desejo, vai acabar se divertindo; mas se entra pela porta da obrigação, o resultado pode ser um pouco diferente, porque às vezes há muito esforço para que as pessoas com deficiência consigam tudo, e o que importa é propiciar. Há um ditado bem conhecido desse grupo que diz: ‘Para que serve uma rampa?’. A maioria das pessoas responde subir escadas. Não, uma rampa é usada para decidir se quero subir a escada ou não”.

A partir dessa associação sabem que melhorar a vida sexual de pessoas com algum tipo de deficiência tem um impacto significativo sobre sua qualidade de vida, mas as barreiras não são sempre físicas nem arquitetônicas; as mentais são as mais difíceis de superar. “O problema é que ainda se confunde sexualidade com relação sexual, e uma pessoa com deficiência pode nunca ter relações sexuais, por isso começa a ser percebida como assexuada. Essa mentalidade, essa ideia errônea sobre sexualidade que ainda persiste, se torna muito clara quando diferenciamos deficiências adquiridas ou de nascença e a maneira de encará-las. Se eu pensar, por exemplo, que minha sensibilidade está no pênis e de repente ele desaparece, eu desabo; mas se eu tiver outra ideia do sexo, busco outras possibilidades e tento sentir outras partes do corpo. Quanto mais próxima a pessoa estiver do modelo padrão de relações sexuais e este for quebrado de repente, mais se sofre. É o que acontece com muitos homens que tiveram lesões na coluna vertebral e estavam acostumados a adotar um papel muito ativo e genital. As pessoas com diversidade funcional que pedem a construção de rampas ou táxis adaptados para transportar cadeiras de rodas não pedem só para elas, também fazem isso para facilitar a vida daqueles que os levam. Deveria ocorrer o mesmo com a sexualidade. Mudar nosso conceito tradicional de sexualidade não é bom apenas para aqueles que têm deficiências, mas para todos.”

Dentro do grupo de pessoas com deficiência, as pessoas com algum problema intelectual são os párias dessa casta, já que, de acordo com De la Cruz, “é necessário que outra pessoa aceite entender suas necessidades sexuais. Me refiro aos cuidadores ou aos pais, que também precisam ser educados. E nem todos são a favor que seu filho se masturbe ou tenha a porta do quarto fechada. Na associação, tentamos tocar vários pontos: oferecer informações, embora não a peçam, e incentivar o desenvolvimento pessoal, porque se a rejeição é ruim, a superproteção também é. Muitas vezes, os corpos dessas pessoas, as que precisam ser vestidas ou ajudadas a se mover, perdem sua privacidade e se tornam corpos tocados por qualquer pessoa. Reivindicamos o direito à intimidade, que possam ser chamados [atrás] das portas, que estas possam permanecer fechadas às vezes. E, finalmente, acredito que as redes sociais de garotos e garotas desse grupo deveriam ser melhoradas, mas não só entre eles, que possam interagir com outras pessoas. Não devemos criar guetos”.

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Cena do filme Carne Trêmula

A polêmica figura do assistente sexual é outro dos temas abordados pelo documentário Yes, we fuck!Uma história protagonizada por Soledad Arnau Ripollés e Teo Valls. Soledad é filósofa, sexóloga, escritora de relatos eróticos, diretora e apresentadora do programa de rádio sobre sexo Acuéstate conmigo (“Durma comigo”) e atriz pós-pornô no curta Habitación (“Quarto”), além de ativista do fórum Vida Independente. Teo é assistente sexual. Soledad, como ela mesma confessou na entrevista coletiva da estreia do documentário, foi a única que não tirou a calcinha no filme, mas justificou em seu discurso, com a ajuda de Teo, já que ela nasceu com uma disfunção que a impede de mexer pernas e braços. A calcinha, para quem quiser saber, era vermelha. “Minha passagem pelo documentário, mostrar meu corpo nu”, conta Soledad, “ajudou-me a me sentir orgulhosa dele, a gostar mais de mim mesma. Existem tantas mensagens: você é defeituoso, assexuado, não é uma pessoa desejável nem sente desejos. A sexualidade está muito genitalizada e é heterossexual e binária. Toda pluralidade é excluída. Todos precisamos de uma boa educação sexual que inclua a diversidade. Não é um fracasso não haver genitais no ato sexual. E se você gosta de penetração e alguém não pode te penetrar com o pênis, pode fazer isso de muitas maneiras, com a língua, com a mão, com brinquedos eróticos.” Para Soledad, a figura do assistente sexual é imprescindível em certas pessoas com um determinado tipo de disfunção, já que sem ela não é possível ter atividade sexual. “Assim como uma pessoa com diversidade funcional precisa de alguém que a ajude a se lavar, a se vestir e a comer… Se quiser se masturbar, tocar-se ou ter sexo virtual, também precisa de assistência. Mas acho que o assistente sexual não é uma pessoa para transar, e sim alguém que te ajuda a transar. Quando você começa a assumir o controle da sua vida e a assumir responsabilidades, é também possível que comece a pensar e desejar experimentar com a sua sexualidade, mas precisará de alguém que tire sua roupa, que mexa suas mãos e as coloque onde você não pode colocar, porque o sexo é um direito, embora não um dever.

Teo Valls mora em Barcelona e chegou à assistência sexual naturalmente, como consequência de seu trabalho como assistente pessoal para pessoas com deficiência. Se para muitos é uma atividade com uma barreira difusa e desconfortável com o mundo da prostituição, para ele isso é muito claro. “Sempre digo que tenho um trabalho sexual e que recebe uma herança do mundo da prostituição, mas não é exatamente o mesmo, já que uma trabalhadora do sexo corre muito mais riscos do que eu. Meu trabalho é ajudar pessoas com algum tipo de diversidade funcional para que tenham sexo quando quiserem, mas não comigo. Posso ajudá-las a ter autoerotismo, a se masturbar, a guiar suas mãos, posso penetrá-las com um vibrador. Sou uma ponte entre o desejo e o prazer “. Teo é a favor que esse profissional seja legalizado, assim como na Alemanha, Bélgica, Suíça, Holanda e Dinamarca, onde também recebem ajuda financeira. “Gostaria que houvesse cobertura legal e que as pessoas com diversidade funcional, que pedissem, tivessem disponíveis algumas horas de assistência sexual.” O contato de Teo com diferentes sexualidades tem mostrado a importância de “aprender a jogar. As possibilidades de prazer são infinitas. A sexualidade tem mais a ver com estar aberto a desfrutá-la do que com a capacidade anatômica ou funcional.”

Morrison-Gurza escreveu um artigo no The Huffington Post intitulado Why Sex With Someone With a Disability is the Best Sex You Could Be Having (Por Que Ter Relações Sexuais Com Uma Pessoa Com Deficiência É o Melhor Sexo Que Você Poderia Ter), no qual destaca os aspectos positivos da sexualidade desse grupo. Entre eles, a necessidade incontornável de conversar e estabelecer acordos e a maior criatividade quando se trata de encontrar novos caminhos para o prazer. “Uma das razões pelas quais ter relações sexuais com alguém com deficiência pode ser melhor é porque você tem de se comunicar, e não quero dizer mais forte!, mais rápido!, Ooh querida!, embora isso também ajude. Quero dizer que você tem que desenhar o sexo, tem que sentar com seu parceiro e dizer o que funciona para você. Tem que falar sobre o que não pode ser feito, o que machuca, o que pode ser divertido ou incrível ou o que você quer provar.” E Andrew continua, “o que eu mais gosto sobre fazer sexo sendo uma pessoa com deficiência é saber que cada vez que faço algo estou redefinindo as normas sexuais e a ideologia do que é desejável dos meus parceiros. Posso excitá-los de maneiras tão diferentes que nunca haviam imaginado antes, com minhas palavras, pensamentos e meu corpo, e desafiar tudo o que achavam que sabiam. Faz com que as pessoas sejam genuínas, saiam do cenário que pensavam ser sexy e acreditem em algo novo em todos os momentos.”

Este texto foi publicado na íntegra e originalmente aqui.

Literatura erótica

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Finalmente encontrei um texto que resumiu muito bem a minha percepção sobre esta nova onda de literatura erótica ou pseudoerótica que tomou conta de várias rodinhas de mulheres, que querem expor para pessoas com as quais sequer tem intimidade, ideias para as quais ainda carregam uma série de pudores e tabus. Eu ainda não conheço todas estas obras, mas confesso que me interessei por ir aos poucos conhecendo.

Tive contato com o texto abaixo através do site Papo de Homem, sob o título Literatura erótica para sua mulher gozar sem você, achei as dicas muito legais e a escrita muito bem feita. Interessante é que a autoria é de uma mulher, a Francesinha, cujo blog não conhecia, mas linkei aqui: Para pensar em  sexo. Vejam no final deste post, algumas informações sobre ela.

Vamos ao texto e às indicações:

“Toda mulher gosta de uma historinha. O recente fenômeno editorial da trilogia dos Cinquenta tons mostrou o quanto as moças andavam ávidas por palavras que as fizessem tremer, sonhar, imaginar, fantasiar e, quiçá, gozar em segredo. Mas os livros de soft porn da dona de casa britânica estão mais para contos de fadas do que para literatura erótica de gente grande.

Existem obras muito mais interessantes e excitantes, capazes de despertar a capacidade multiorgástica feminina apenas com parágrafos.

A literatura erótica não precisa ser exclusivamente feminina para agradar às mulheres. Muitos autores homens também conseguem provocar o desejo com suas narrativas, geralmente, mais explícitas e diretas. A linguagem erótica sem eufemismos às vezes assusta as menos habituadas a esse tipo de leitura, porém depois de alguns capítulos deixa de incomodar e passa a desencadear reações bem diferentes. O novo vocabulário pode até ajudar no repertório de sacanagens para usar durante o sexo, que nem sempre sai com facilidade da boca das mulheres.

Ler pornografia, de preferência de boa qualidade, ajuda a estimular a libido e as fantasias. O efeito da literatura erótica nas mulheres pode ser comparado ao da pornografia da internet nos homens, pelo menos enquanto não houver oferta suficiente de putaria visual ao gosto feminino. Para namorados, maridos, amantes, ficantes e afins, incentivar esse tipo de literatura não é um tiro no pé. A mulher até pode querer gozar sozinha, livre para se encaixar na história como bem entender, mas certamente vai sobrar bastante apetite para completar muito mais páginas.

Selecionei alguns livros, de diversas épocas e estilos, de literatura erótica para valer, sem muitos disfarces. Escolhi obras bem diferentes, para ter mais chance de agradar aos mais variados paladares femininos. Os livros estão em ordem aleatória de tesão, com trechos destacados que dão uma ideia do que esperar da leitura.

A vida sexual de Catherine M., de Catherine Millet

É um livro de memórias da autora, uma crítica de arte francesa bastante conhecida no meio, que resolveu escancarar sua vida sexual sem pudores, de forma crua e libertária. Catherine Millet se entrega ao sexo sem restrições, com homens, mulheres, feios, sujos; a dois, a três, a quatro, a muitos, deixando-se levar sem resistência. A francesa não economiza detalhes na descrição de suas experiências transgressoras.

Trecho:

“Eu era manipulada por partes; uma mão estimulava a parte mais acessível de meu púbis com movimentos circulares, outra roçava meu dorso ou esfregava meus mamilos…Mais até do que as penetrações, as carícias me proporcionavam muito prazer, principalmente as picas que passeavam na superfície do meu rosto ou as glandes esfregadas nos meus seios. Eu adorava segurar de passagem uma com a boca, fazê-la ir e vir entre meus lábios enquanto outra reclamava minha boca do outro lado, roçando em meu pescoço esticado para, logo depois, virar a cabeça e pegar a recém-chegada.”

Mulheres, de Charles Bukowski

Terceiro romance do velho safado, como também é conhecido, foi publicado em 1978. Bukowski nasceu na Alemanha, mas morou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos. O livro narra as estripulias do alter ego do autor, Henry Chinaski, com mulheres insanas e reais. Escritor, alcoólatra e quebrado, o personagem seduz de jovens a balzacas, com as quais geralmente faz sexo quando não bebe demais e dorme. Apesar de tarado, Chinaski também é romântico e não resiste a um beijo.

Trecho:

Mercedes virou seu rosto para mim. Beijei-a. Beijar é mais íntimo que trepar. Por isso eu odiava saber que as minhas mulheres andavam beijando outros homens. Preferia que só trepassem com eles. Continuei beijando Mercedes. E já que beijar era tão importante para mim, tesei de novo. Montei nela, sôfrego, aos beijos, como se vivesse minha última hora na terra. Meu pau deslizou dentro dela. Agora eu sabia que ia dar certo. O milagre seria refeito. Ia gozar na buceta daquela cadela. Ia inundá-la com meu sumo e nada que ela fizesse poderia me deter. Era minha. Eu era um exército conquistador, um estuprador, o senhor dela. Eu era a morte.”

O amante, de Marguerite Duras

É uma obra de arte sensual e poética. Funciona melhor se lida em voz alta. A autora usa frases curtas, quase telegráficas, porém sempre carregadas de significado. “Muito cedo na minha vida ficou tarde demais” aparece na primeira página. O romance, que seria a narração de um episódio autobiográfico, centra-se na história de amor, desejo e melancolia entre uma jovem de 15 anos e um chinês rico de Saigon, na Indochina, onde a autora viveu. Ganhou o Prêmio Goncourt de 1984 e também virou filme.

Trecho:

“Ela lhe diz: preferiria que você não me amasse. Ou, mesmo me amando, que se comportasse como se comporta com as outras mulheres. Olha para ela espantado e pergunta: é o que você quer? Responde que sim. Ele começou a sofrer lá, naquele quarto, pela primeira vez, não nega isso. Diz que sabe que ela jamais o amará. Ela o deixa falar. (…) Ele lhe arranca o vestido, joga-o longe, arranca a calcinha branca de algodão e a leva nua para a cama. Então, vira-se para o outro lado e chora.”

A casa dos budas ditosos (Luxúria), de João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo escolheu usar uma protagonista mulher, uma senhora de 68 anos, para contar suas memórias libertinas nesse romance feito por encomenda para a coleção Plenos Pecados. De tão obscena, a velhinha quase parece um homem, mas é incrivelmente divertida e excitante do mesmo jeito. Para ela, tudo é natural no sexo e as taras mais escabrosas, incluindo o incesto, são descritas em um só fôlego, sem máscaras nem preliminares.

Trecho:

“Imediatamente, já possessa e numa ânsia que me fazia fibrilar o corpo todo, resolvi que tinha que montar na cara dele, cavalgar mesmo, cavalgar, cavalgar e aí gozei mais não sei quantas vezes, na boca, no nariz, nos olhos, na língua, na cabeça, gozei nele todo e então desci e chupei ele, engolindo tanto daquela viga tesa quanto podia engolir, depois sentindo o cheiro das virilhas, depois lambendo o saco, depois me enroscando nele e esperando ele gozar na minha boca, embora ninguém antes me tivesse dito como realmente era isso, só que ele não gozou na minha boca, acabou esguichando meu rosto e eu esfreguei tudo em nós dois.”

Pequenos pássaros, Anais Nïn

Anais Nïn foi uma vanguardista do feminismo e da revolução sexual. Os contos eróticos escritos na década de 40 foram publicados nesse livro somente na década de 1970, depois da morte da autora, nascida na França. Anais foi amante do escritor Henry Miller e retratou detalhes da sua vida dupla em diários, editados somente após a morte de seu marido. Seus textos retratam bastante o perfil da mulher na época, cheia de desejos e repressões.

Trecho:

“Depois, me tocava devagar, como se não quisesse me despertar, até que eu ficava molhada. Ai, seus dedos passavam a se mover mais depressa. Ficávamos com as bocas coladas, as línguas se acariciando. Aprendi a pôr o pênis dele em minha boca, o que o excitava terrivelmente. Ele perdia toda a delicadeza, empurrava o pênis e eu ficava com medo de me engasgar. Uma vez eu o mordi, o machuquei, mas ele não se incomodou. Engoli a espuma branca. Quando ele me beijou, nossos rostos ficaram cobertos com ela. O cheiro maravilhoso de sexo impregnou meus dedos. Eu não quis lavar as mãos.” (O modelo)

Hell, de Lolita Pille

Relato revoltadinho de uma patricinha de Paris, que vive rodeada de amigos fúteis, em uma vida que gira em torno de roupas de grife, bares, bebidas, sexo, álcool e drogas. Sem muita autocomiseração, Hell, pseudônimo da autora na história, define-se como uma putinha insuportável e consumista. Ao mesmo tempo que retrata o seu cotidiano e cita uma penca de marcas famosas, a personagem não deixa de ser a própria crítica à essa sociedade rica e vazia de afeto.

Trecho:

“O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a dependência lamentável, a zombaria do engodo universal; Eros com uma foice enfiada na sua aljava. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do belo, do bem, do verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha.”

A filosofia na alcova, de Marquês de Sade

Publicado em 1795, esse romance na forma de diálogos faz a maioria dos livros eróticos de hoje parecer literatura infantil. Em meio a orgias com intuito de educar sexualmente uma jovem, o autor critica os costumes burgueses e a religião. Logo no início faz um apelo aos libertinos e pede para que as “mulheres lúbricas” desprezem tudo que contrarie as leis do prazer. A linguagem erudita e arcaica não diminui o erotismo e a narrativa transgressora de Sade, com direito a ménages e sodomias homos e héteros.

Trecho:

“Dolmancé – Na posição em que me encontro, senhora, meu pau está bem perto de vossas mãos. Peço-vos a gentileza de agitá-lo, enquanto chupo este cu divino. Introduzi a língua mais fundo, senhora, não vos limiteis a sugar o clitóris…Fazei penetrar essa voluptuosa língua até a matriz: não há melhor meio de apressar a ejaculação da porra.

Eugénie, contraindo-se – Ah, não posso mais…Vou morrer! Não me abandoneis, meus amigos, estou quase desmaiando!…(Esporra entre os dois preceptores).

Saint-Ange – E então, minha amiga, o que achou do prazer que te proporcionamos?”

História do olho, Georges Bataille

Publicado em 1928, o primeiro livro de Bataille é um clássico do erotismo. A novela acompanha as aventuras sexuais de dois adolescentes, em passagens tão surreais que se assemelham a experiências oníricas. A obra, como o autor tenta explicar no final, funde imagens e episódios da infância com suas obsessões, que decidiu escrever por sugestão de seu psicanalista. A fixação pelo olho, que surge em metáforas como ovo e testículos, tem diversos significados, relacionando-se inclusive com as lembranças do autor acerca do pai cego.

Trecho:

“A partir dessa época, Simone adquiriu a mania de quebrar ovos com o cu. Para isso, colocava a cabeça no assento de uma poltrona, as costas coladas ao espaldar, as pernas dobradas na minha direção enquanto eu batia punheta para esporrar em seu rosto. Só então eu punha o ovo em cima do buraco: ela se deliciava a mexer com ele na rachadura profunda. No momento em que a porra jorrava, as nádegas quebravam o ovo, ela gozava, e eu, mergulhando o rosto no seu cu, me inundava com aquela imundície abundante.”

Sobre a autora: Francesinha é uma mulher que gosta de falar e escrever sobre sexo. Também adora contar suas experiências e aventuras. Depois que descobriu a masturbação, aos 19 anos, nunca mais parou. Para estimular a libido feminina, criou o blog Para Pensar em Sexo, que traz artigos, imagens e contos eróticos para ajudar a mulherada a aumentar a quantidade de pensamentos-em-sexo-por-minuto.

Setembro: Mês de Virgem

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , on setembro 9, 2008 by Psiquê

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Segundo as previsões de NOVA para o signo mais feminino do zodíaco (tudo bem estou puxando brasa paraa minha sardinha!), os sinais vitais de VIRGEM (23/08 a 22/09) são:

  1. Pontos fortes: objetividade e organização;
  2. Pontos fracos: implicância e apego a detalhes;
  3. Apelo erótico: seu temperamento misterioso desperta a libido dos homens;

Atividade que precisa fazer até seu aniversário de 2009: Nos próximos meses trate de curtir a vida no que ela tem de melhor. Em 2009, você irá trabalhar bastante e ganhar mais!

Mais dicas de VIRGEM:

Você é objetiva e sente prazer em ajudar os outros. Rápida e perspicaz, tem espírito crítico e dificilmente se ilude com amigos ou com o namorado.

  • CARREIRA: Organizada, competente e perfeccionista, você nasceu para ter êxito. Tende a se sair bem como secretária, economista, administradora, veterinária, médica, farmacêutica, biológa ou nutricionista.
  • AMOR: Sua discrição e elegância atraem como ímã os homens ao redor. É que , por trás da aparente timidez, a virginiana esconde uma libido para lá de incendiária. A vida a dois correrá às mil maravilhas se você conseguir ser mais flexível e não implicar tanto com o amado.
  • CONSELHO CÓSMICO: A atitude esperta é ver além da superfície.

Tipos de libido

Posted in Comportamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , on julho 22, 2008 by Psiquê

O portal Viver Melhor/Mulher, do Globo Online publicou uma matéria sobre o livro “Os 10 tipos de libido” (ed. Matrix), da terapeuta sexual australiana Sandra Pertot. Pertot enumera na obra os tipos de libido mais comuns entre as pessoas. Tanto nas mulheres quanto nos homens, as libidos sensual e erótica costumam ser predominantes.

Conheça os tipos e descubra como se manifestam seus desejos sexuais:

1. Sensual: para este tipo, o sexo é parte importante do relacionamento. Ver que o parceiro está satisfeito na cama aumenta seu prazer, e o orgasmo não costuma ser o mais importante. O sexo é expressão do vínculo emocional e uma maneira de reforçar seus sentimentos pela pessoa amada.

2. Erótica: para eles, o sexo é quase um hobby. Este tipo gosta de leituras eróticas, brinquedinhos sexuais e adora novas experiências na cama. As transas intensas são importantes para a manutenção do relacionamento. Adoram se sentir desejados e costumam investir em práticas como o suingue e o sexo a três.

3. Dependente: este tipo não lida bem com a falta de sexo. Como as relações sexuais são uma forma de aliviar a ansiedade, podem colocar uma pressão desnecessária no parceiro, principalmente se este não tem um nível de desejo compatível com o seu.

4. Reativa: quem se enquadra no tipo reativo não costuma pensar em sexo se não estiver em uma relação, e a vida sexual acaba sendo ditada pelo ritmo do outro. Valorizam mais o envolvimento emocional.

5. “Por direito“: consideram que sua visão do sexo é a ‘correta’ e não precisam de muita variedade para se sentirem satisfeitos. Podem colocar uma pressão desnecessária no parceiro por terem idéias fantasiosas do que outros casais fazem na cama.

6. Viciosa: quem tem este tipo de libido precisa de novos parceiros para se sentir valorizado. Podem, inclusive, valorizar uma relação estável e ‘pular a cerca’ de vez em quando. Costumam perder o interesse pelo outro depois da relação sexual.

7. Estressada: esse oode estar passando por um momento de falta de confiança em suas habilidades sexuais. Tem medo de não conseguir satisfazer o parceiro e se cobra quando passa por fases de pouco desejo.

8. Desinteressada: caracteriza as pessoas que não sentem falta do sexo, mas têm dificuldades para assumir essa faceta. Costumam ter relações sexuais para agradar o parceiro. Geralmente, são pessoas que nascem com baixa libido.

9. Desconectada: neste tipo, o sexo deixa de ser prioridade. Em circunstâncias ideais, valorizam o sexo, mas basta aparecer cobranças excessivas para esquecer do prazer sexual.

10. Compulsiva: neste caso, o sexo não costuma estar ligado a sentimentos. As relações sexuais , em geral, são alimentadas por estados de ansiedade e tensão emocional. Costumam ter certos fetiches e sentem dificuldade de excitação se eles não forem satisfeitos.