Arquivo para Marcia Tiburi

Sobre ser feliz…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , on maio 28, 2008 by Psiquê

Photo by Rudi Mentaer

Hoje, lendo a Revista UMA deste mês, li a entrevista com a psicóloga Márcia Tiburi (do Saia Justa, GNT), aliás a melhor de todas as apresentadoras daquele programa (que particularmente acho chato!). Ela acaba de lançar o livro Filosofia em Comum – para ler junto (Editora Record). Obviamente, ainda não li o livro, mas é dela uma frase na entrevista que me inspirou a escrever esse post.

” A felicidade é uma palavra que se tornou quase um jargão publicitário. ‘A chave da felicidade’, ‘A felicidade ao seu alcance’. O problema com a publicidade é que uma palavra inventada na era Hitler, é que ela tem como princípio vender; e felicidade não pode ser comprada como artefato, nem como conceito. Ser feliz deveria ser descobrir a sua forma individual de viver em harmonia com seu tempo e seu espaço. E para isso não há fórmulas“. BINGO!!! Disse tudo não? Adorei a resposta de Tiburi. Como sempre, mandou bem!

Mais adiante UMA pergunta a ela sobre a insatisfação feminina e mais uma vez Tiburi ressalta que a lógica da insatisfação não é feminina, mas está implicitamente ligada à estrutura de mercado em que vivemos.Yes! Yes! Mandou bem de novo! A insatistação eterna, é algo que nos foi estabelecido pelo modelo de sociedade fugaz, consumista e temporária em que vivemos!

Nas palavras de Tiburi: “A insatisfação é parte da estrutura de mercado na qual estamos inseridos. Não podemos nos enganar quanto a isso. Ver o universo da vida se transformando em puro comércio, nos trouxe uma ansiedade sem par. O poder não se ganha, se toma e, depois, para ser melhorado, pode ser compartilhado. E a mulher de hoje já percebeu isso”.

Quando indagada sobre como a filosofia pode ajudar as pessoas a se auto-conhecerem, Tiburi, alerta que: “A fisolosia sustenta a busca pelo autoconhecimento como meta. A meta é a própria busca, e não a certeza. Essa última é a morte da filosofia. A única certeza sobre a vida é essa procura, o processo pelo qual se passa a viver. Isso não quer dizer que há uma certeza sobre si, mas um jeito de tentar saber de si. As pessoas que procuram conhecer a si mesmas acabam descobrindo mundos externos. A riqueza pessoal de cada um vem daquilo que ele buscou. Cada um se torna o que contempla, já dizia Confúcio.”

A apresentadora ainda faz uma diferenciação entre auto-ajuda e filosofia, alertando que a primeira busca dar respostas enquanto a segunda ensina a fazer perguntas, que promovendo um exercício de incerteza leve todos a pensar por conta própria. “Com isso cada um pode conseguir liberdade e, conseqüentemente, tornar-se responsável pelo que pensa e lúcido sobre o que faz”.

Fica, então a dica de leitura e a partilha de algumas idéias de Marcia Tiburi com as quais concordo.