Arquivo para mulheres

Sororidade

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , on junho 29, 2016 by Psiquê

Em tempos em que as lutas pelos direitos das mulheres estão em alta, tristemente pela gritante violação destes direitos, uma discussão tem sido bastante recorrente: a questão da amizade e da união entre mulheres.

Desde pequenas ouvimos a falácia, e muitas vezes, acreditamos nela, de que as mulheres estão sempre competindo entre si e invejando umas as outras. Por algumas vezes, reforçamos esse discurso reproduzindo atitudes de competição e intolerância para com nossas companheiras de trabalho, de curso, etc. Mas o fato é que na verdade isso tudo é um mito construído para reforçar uma prática que naturalmente não seria assim. Há muita solidariedade e empatia entre as mulheres em suas lutas diárias.

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Compartilho mais um texto bem legal sobre o tema, publicado pela Revista Capitolina:

“Nenhum fator natural e biológico impede as mulheres de serem amigas, se amarem e de criarem laços, mas quando passamos a vida inteira ouvindo e acreditando nisso criamos esse obstáculos nas nossas relações. Desde pequenas, fomos ensinadas que as mulheres não podem ser gentis umas com as outras, que devemos sempre competir e que as mulheres são interesseiras, invejosas e falsas. O que não passa de um monte de mentiras.

Esse discurso da rivalidade feminina é passado para nós como se fosse uma condição intrínseca às mulheres e é algo tão enraizado, que muitas vezes não notamos. Isso não passa de um mito em que somos ensinadas a achar que não temos motivos para nos unirmos e que, mesmo se quisermos, não seria possível, já que, somos mulheres e apenas os homens são capazes de criar laços verdadeiros.

As mulheres, só por nascerem, já têm menos direitos, menos liberdade e mais deveres do que os homens. E pensar que não conseguimos olhar para outra mulher que é desfavorecida socialmente – em menor ou maior grau a depender de outros recortes sociais – e sentir amor, amizade e companheirismo só ajuda a sociedade patriarcal a nos dividir e permanecer. Assim como qualquer pessoa, as mulheres experimentam todos os tipos de sentimentos, sejam eles bons ou ruins, de amor ou ódio. Vamos fazer um exercício: pense em alguém que estaria ao seu lado em um momento difícil de sua vida. Qual a possibilidade de ser uma mãe, uma irmã, uma amiga, uma mulher?

A probabilidade de uma mulher ser a pessoa que vai te apoiar, te entender e estar ao seu lado em um momento difícil é grande e tem relação com um conceito conhecido e bastante falado no mundo web e no movimento feminista , a sororidade.

S.O.R.O.R.I.D.A.D.E

A origem da palavra está no latim sóror (irmã), ou seja, um grupo de irmãs, irmandade. E significa a união e aliança entre mulheres na busca por uma sociedade mais igualitária.

Essa palavra meio difícil, bonita e representativa veio para quebrar uma das ideias mais fortes do patriarcado: a rivalidade entre mulheres. Essa ideia funciona praticamente como um escudo contra o verdadeiro opressor, que nos faz lutar uma contra as outras enquanto ele é que tem que ser destruído. Ela vem trazer a ideia de que juntas somos mais fortes.

A união entre as mulheres é a melhor saída para combater a sociedade patriarcal, o machismo e o sexismo. Quando deixarmos de lado o papel de competidoras e assumirmos o de mulheres que geração após geração sofrem com os mesmos rótulos, com as mesmas imposições e com os mesmos jogos, vamos conseguir finalmente respira melhor, sabendo que não importa o que aconteça, teremos sempre umas às outras.

Enfim, nós precisamos nos amar, nos unir contra esse machismo e essas imposições de padrões. Respeite as escolhas das outras, olhe para as mulheres como suas irmãs de luta e sempre entenda que não deve julgá-las pela seu corpo, orientação sexual e comportamento. A sociedade já nos subestima e subjuga diariamente, não devemos fazer isso umas às outras. E lembrem-se sempre, em um mundo onde somos ensinadas desde pequenas a competir entre nós e nos dedicarmos aos homens, amar outra mulher é um ato revolucionário.”

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Somos todas vadias?

Posted in Comportamento, Sexualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 26, 2016 by Psiquê

Hoje me deparei com vários textos legais originalmente publicados na Revista Capitolina. Este que compartilho com vocês hoje é de 2015, mas bastante atual.

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Somos todas vadias?

Muito se fala sobre o que parece ser a maior conquista das mulheres pós-sufrágio feminino: a liberdade sexual. Mas será que ela é real mesmo?

Antes de começar e para evitar falsas polêmicas, já adianto aqui que o objetivo do texto é fazer algumas considerações sobre problemas que acredito que existam no discurso da liberdade sexual – não é julgar quem se sente empoderada e feliz e realizada com isso, ok?

Para então discutir o tema, vamos por partes:

A conquista da liberdade sexual – A liberdade sexual foi, de fato, uma conquista do movimento feminista lá pelos anos 1960 e 1970 – é dessa época que data também a conquista do anticoncepcional. Houve, neste período, uma maior liberalização das condutas sexuais das mulheres, que, em geral, ““““deixaram”””” de ser julgadas por serem sexualmente ativas.

Ativas e não livres – Isso nos leva a um dos pontos problemáticos do discurso da liberdade sexual nos dias de hoje: vende-se a ideia de que as mulheres são sim muito mais livres e empoderadas sexualmente do que as nossas avós, mas será mesmo? É claro que vivenciamos mudanças, e há quem diga que mudanças para melhor, mas é preciso se perguntar se a “liberdade” que temos hoje é real.

As milhões de aspas são para reforçar que, apesar de uma relativa evolução, as mulheres ainda são muito julgadas pela sua sexualidade – principalmente quando esta sexualidade não está de acordo com a norma heterossexual.

Recortes são necessários – Quero dizer que as mulheres não são julgadas por sua conduta sexual, desde que sua sexualidade sirva ao consumo masculino, ou seja, que seja heterossexual, branca, magra, rica e linda. Mulheres negras, lésbicas, gordas, pobres ainda sofrem sim muito julgamento pela sua conduta sexual.

É preciso problematizar – Não nego que o discurso da liberdade sexual foi uma bandeira bastante importante para o feminismo de gerações passadas, mas não é por isso que não se pode problematizá-lo. Não podemos alcançar marginalmente uma conquista e nos sentirmos satisfeitas, é preciso ir além. É preciso alcançar liberdade real, disputar o discurso com o patriarcado, que, aliado ao capitalismo, hoje reverte as conquistas sociais em mercadoria.

Pressão social e dominação – É frustrante como o patriarcado conseguiu se apropriar desse discurso tão importante para as mulheres e hoje o reproduz como mais uma forma de dominação. Existe uma pressão enorme pela sexualização precoce, pela liberação sexual que, ao invés de empoderar, traz mais vantagens para os homens, que cada vez são mais isentos de responsabilidade afetiva e até de respeito com suas parceiras.

Ressignificação dos símbolos – Um dos movimentos que mais agrega mulheres e que mais têm visibilidade na mídia nos dias de hoje é a Marcha das Vadias, que ocorre em diversas cidades do país e do mundo. A ideia central é que “se ser vadia é ser livre, somos todas vadias”. O que está por trás desse slogan é a tentativa de ressignificar o termo “vadia”, que hoje, segundo o coletivo, é usado para designar mulheres livres sexualmente.

Mas será que é possível ressignificar os símbolos usados pelo patriarcado para nos oprimir? Muitos outros movimentos e coletivos criticam a atuação da Marcha das Vadias porque o termo “vadia” tem pesos diferentes para mulheres diferentes – novamente há a necessidade de se fazer recortes. E então deixo um trecho de Audre Lorde que exemplifica a problemática da tentativa de ressignificação dos signos patriarcais:

“As ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa do mestre”

*****

É claro que muitas mulheres são empoderadas o suficiente para exercer sua liberdade sexual, mas é preciso estar atentas para relações onde este poder é ilusório. A liberdade sexual ainda hoje se depara com limites e uma liberdade com limites não é liberdade real.”

– Gabriella Beira

 

Representatividade

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , on maio 13, 2016 by Psiquê

Eu não pretendo aqui comentar o que está acontecendo no Brasil, porque envolve muitas decisões absurdas e indefensáveis. O foco deste texto é a montagem do Governo interino, que assumiu a gestão do país,  em 12 de maio de 2016, tendo empossado 24 Ministros de Estado, todos eles homens: sem qualquer representatividade para mulheres, negros, indígenas e outros grupos que compõem nossa diversidade.

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A Revista AzMina  fez uma matéria interessante sobre o tema. Este Governo retoma um passado um pouco distante, uma vez que desde a gestão de Ernesto Geisel (1974-79) é o primeiro que não nomeia nenhuma mulher dentre o seu quadro de Ministros.

Segundo o texto: O presidente interino que assumiu a liderança do Brasil em 12 de maior “será o primeiro presidente desde de Ernesto Geisel (1974-1979) a não incluir ninguém do sexo feminino no governo federal. Aqueles que acham que representatividade na composição do governo não importa, alegam que os nomes foram decididos com base em mérito e não em gênero. O que não percebem, no entanto, é o quanto esse argumento é machista: ele pressupõe que nenhuma mulher teria mérito ou competência à altura da vida política.

Nada poderia ser menos verdadeiro. E para provar isso, [o AzMina criou] uma lista de mulheres com capacidade e experiência mais que necessárias para dirigir ministérios no Brasil – muitas deles com bem mais competência que os homens nomeados em seu lugar. Não criamos essa lista considerando a sujeira da distribuição de cargos dentro do partido do novo presidente e aliados, mas na pura e simples competência para o cargo sugerido. São dez nomes, para provar que seria possível chegar ao menos perto do equilíbrio 50-50%, se a seleção deixasse de lado a troca de favores e o machismo.”

Os nomes escolhidos pelo site AzMina foram as listadas a seguir. O Espartilho não fez julgamento de valor em relação à competência das indicadas, mas se solidariza com o absurdo dessa falta de representatividade:

  1. Suzana Herculano-Houzel Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações: Essa sabe comunicar e entende horrores de ciência e tecnologia. Suzana tem seis livros publicados e já fez programa no Fantástico e teve coluna na Folha de São Paulo, tudo para tornar ciência e tecnologia assuntos mais acessíveis. É neurocientista e dirige o Laboratório de Neuroanatomia Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
  2. Soninha Guajajara Ministério do Meio Ambiente: Coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia é uma das principais vozes do movimento indígena nacional. E quem melhor que os indígenas brasileiros para defender nossas florestas? Integrante do povo Guajajara, do Maranhão, formou-se em letras e enfermagem e já representou indígenas brasileiros em vários eventos internacionais, como a Conferência do Clima em Paris, em 2015.  No mesmo ano, foi premiada com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura;
  3. Cláudia Costin – Ministério da Educação e Cultura: Cláudia é mestre em economia e doutora em administração, professora universitária e gestora pública. Já foi, inclusive, ministra da Administração e Reforma no governo Fernando Henrique Cardoso, que é de partido aliado ao de Temer. Como educadora, passou por IBMEC, Fundação Armando Álvares Penteado, Fundação Getúlio Vargas e as universidades PUC-SP, Unicamp, Unitau e UnB;
  4. Sueli Carneiro – Ministério da Educação e Cultura: Sueli é doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e criadora de diversos programas culturais que promovem a igualdade racial e de classes. Além de ser a fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, já fez parte do Conselho Estadual da Condição Feminina e do Conselho Nacional da Condição Feminina, ambos cargos políticos;
  5. Chieko Aoki – Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão: Chieko é um monstro da economia e da gestão. Ela é fundadora e presidente da rede Blue Tree Hotels. Em dez anos, transformou a rede em uma das maiores cadeias hoteleiras do país e benchmark em excelência de serviços no setor – imagine o que ela não faria pelo país;
  6. Luiza Trajano – Ministério da Fazenda: Se o povo quer empregos e movimentação econômica, porque não entregar a máquina nacional nas mãos de uma empresária gabaritada como Luiza? À frente da Magazine Luiza, ela criou um império do varejo que mobiliou quase todas as casas do Brasil! Tem 36 milhões de clientes como presidente da companhia e, apesar do histórico familiar, soube conferir ao Grupo Magazine Luiza uma gestão de altíssimo nível e muito lucrativa;
  7. Benedita da Silva – Ministério das Cidades: Tem carreira política de sucesso e já foi governadora do Rio de Janeiro. É formada como auxiliar de enfermagem, e tem diploma universitário no curso de Serviço Social. Sua experiência gerindo o Rio certamente a torna capacitadíssima para o Ministério das Cidades;
  8. Marta Suplicy – Ministério das Cidades: Uma outra opção para o mesmo Ministério, para responder àqueles que dirão “Temer nunca nomearia Benedita pois ela é do PT” é Marta Suplicy, que já foi prefeita de São Paulo e pertence ao mesmo partido do presidente, o PMDB. Também foi deputada federal, ministra do Turismo, ministra da Cultura e a primeira mulher vice-presidente do Senado Federal;
  9. Maria Luiza Viotti – Ministério das Relações Exteriores: Em 2009, Maria Luiza tornou-se a mais importante mulher da história da diplomacia brasileira ao representar o Brasil no órgão decisório máximo das Nações Unidas, o Conselho de Segurança. Hoje Maria Luiza é embaixadora do Brasil na Alemanha. Imagine que bela chanceler daria!
  10. Luiza Erundina (PSOL) – Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário: Tá, a gente sabe que nem ele convidaria, nem ela toparia, mas uma garota pode sonhar, vai! Erundina é uma das mulheres de mais fibra da política brasileira.  Assumiu seu primeiro cargo público em 1958, como Secretária de Educação de Campina Grande, na Paraíba, seu estado de origem. Foi perseguida e combateu a ditadura militar. Participou da fundação do PT, mas soube cair fora quando a coisa começou a desvirtuar. Em 1982 elegeu-se vereadora da cidade de São Paulo, quatro anos depois, foi eleita deputada estadual e em 1988, prefeita da maior cidade da América Latina, São Paulo, sendo a primeira mulher a assumir o cargo. Foi ministra da Secretaria da Administração Federal, no governo Itamar Franco. Hoje é deputada federal.”

Só temos uma coisa a fazer, lamentar e lutar para nossas conquistas não retrocedam ainda mais.

Ser Mulher

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 11, 2016 by Psiquê

 

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Nesta semana tivemos um dia mundialmente conhecido como Dia Internacional da Mulher, dia 08 de março. E, apesar de há alguns anos, já perceber o aumento da consciência da importância dessa data no sentido de recordar os avanços que alcançamos até o momento e muito do que ainda precisamos conquistar. Em 2016, eu percebo que esse fenômeno alcançou uma dimensão ainda maior, o que é muito positivo.

Muitos compartilhamentos foram feitos na linha de “Não dê parabéns, dê direitos“…e por aí vai…

Ainda temos muito, muito o que conquistar nesse mundão cruel e sexista, mas é certo que temos muitas mulheres unidas nesta luta e muitas ainda a entrar nela…

Hoje recebi um texto bem interessante, de um homem,  que provoca a reflexão sobre vários pontos importantes em relação ao que nós, mulheres, ainda vivemos diariamente.

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Compartilho com vocês, ele foi escrito por Débora Nisenbaum para o Medium.

8 atitudes para homens que querem ir além do 8 de Março

É sabido que ser mulher define sua existência social. Vai definir as oportunidades que você vai ter, os ambientes que vai frequentar, sua vivência de sexualidade, sua possibilidade de sofrer mutilação genital e outras violências de gênero como estupro, agressão doméstica, feminicídio e assédio sexual.

Então a todos os homens que estão se manifestando nesse dia 8 pelo respeito às mulheres, eu dedico esse manual de como melhorar ativamente a vida das mulheres que lhes cercam. Sem flor, sem chocolate, mas com benefícios reais.

1 — Olhe mais para as mulheres que te rodeiam

Se você conhece cinco ou mais mulheres, é estatisticamente provável que você conheça pelo menos uma que tenha sido estuprada, assediada ou violentada por um parceiro. Você não precisa sair perguntando — até porque não é toda mulher que quer compartilhar a dor dessas feridas. Apenas pense que elas provavelmente sofreram e sofrem tipos de violência com os quais você jamais terá que lidar, porque você nasceu homem. Faça disso um exercício de empatia. Hoje estão rolando no Facebook centenas de posts em que mulheres dizem o que já deixaram de fazer por serem mulheres. Dê uma lida, assim você pode entender melhor nossos medos e anseios.

2 — Pare de “ajudar” nas tarefas domésticas

Se você divide sua residência com uma ou mais mulheres, extermine essa noção da ajuda no trabalho doméstico. Ele é responsabilidade de todas as pessoas que moram no lugar. Você não deve ajudar, deve assumir. Dividir tarefas ajuda a equilibrar a quantidade de tempo que cada um gasta com elas, eliminando o que se torna, por vezes, uma jornada dupla de trabalho para mulheres.

3 — Elimine do seu vocabulário expressões misóginas

Vadia, vagabunda, piranha e tantas outras. A linguagem é uma ferramenta poderosa de dominação. Usar palavras, xingamentos e expressões que atacam a mulher por sua sexualidade ou que atribuem à feminilidade um caráter derrogatório (“coisa de mulherzinha”, por exemplo) apenas contribuem para a manutenção de uma cultura violenta com as mulheres.

4 — Repense seu consumo de pornografia

A pornografia é uma das indústrias mais violentas com as mulheres — e das que mais colaboram para a normalização dessa violência. Se você quiser se informar mais sobre o assunto, assista ao documentário Hot Girls Wanted (disponível no Netflix) e a esse vídeo do Ran Gavrieli. Existem também centenas de depoimentos de ex-atrizes pornô na internet, contando como eram forçadas a fazer cenas que não estavam no contrato, a transar sem preservativo com atores que não haviam feito exames de DST’s e outras práticas abusivas. Financiar essa indústria é desrespeitar a dignidade feminina, não só por causa das grandes produtoras, mas também pela quantidade imensa de vídeos e fotos provenientes de pornografia de vingança circulando na internet.

5 — Assuma o dever da contracepção

Use camisinha. Simples assim. Ah, preservativo incomoda? Aposto que pagar pensão por 18 anos vai te incomodar mais. Gonorreia também incomoda pra cacete — e já existem variedades resistentes ao tratamento. Não abra mão do preservativo e nem pergunte se precisa mesmo, só use. Se você está namorando ou é casado e vocês preferiram adotar a pílula, divida os custos com ela. Os hormônios mais modernos do mercado chegam a custar 70 reais, todo mês.

6 — Elimine do seu cotidiano práticas machistas

Chega de cantada de rua, foto de pinto não solicitada, puxar a menina pelo braço na balada, buzinar pra garota na rua e tantas outras práticas escrotas. “Ah, mas tem mulher que gosta!”, tem sim. Também tem muito cara que ama fio terra, mas eu não saio no meio da rua enfiando o dedo no cu de cada homem que vejo. Além disso, a cantada reflete uma dinâmica de poder, não de interesse sexual. Toda mulher que já confrontou um desbocado na rua sabe disso. Pare de praticar essas atitudes e censure seus amigos que praticam. De nada nos adianta um cara que se diz a favor do respeito com as mulheres, mas faz a egípcia quando o brother tá assediando alguém. Isso vale também pra julgar mulheres que vivem sua sexualidade livremente. Quando você chama uma mulher de vagabunda porque ela transou com 25 caras, tudo que isso faz é mostrar que você tá chateado por não ter sido um dos 25.

7 — Reveja sua masculinidade

Pra muitos caras, ser homem está ligado a repudiar feminilidade e garantir que não se associa a ela de maneira alguma. Isso passa por dizer que homem não chora, recusar demonstrações de afeto de um irmão ou amigo, ser homofóbico (que nada mais é do que reproduzir misoginia pra cima de homens cujo comportamento é considerado feminino), dizer que fulano faz tal coisa como mulherzinha e até recusar certas posições sexuais (pois é). Enfim, demonstrar de todas as formas possíveis e imagináveis que você não compactua com tudo aquilo que está culturalmente ligado ao feminino (emoção, compaixão, doçura, carinho, cuidado). Isso tem dois efeitos principais: o primeiro é a manutenção da ideia de feminilidade como algo fraco e inferior, o que é péssimo pras mulheres. O segundo é que todo mundo percebe que você é inseguro. Construa seu valor como ser humano sobre o seu caráter, sua integridade e sua capacidade de respeitar o próximo, ao invés de equilibrá-lo nas finas estacas de cristal da Masculinidade do Cabra Macho Que Não É Viado Não Hein™.

8 — Ouça as mulheres. Literalmente.

Você discute com seu dentista sobre a obturação que ele fez? Acha que manja mais de eletrônica do que a pessoa que consertou seu computador? Não, né? Então não ache que você tem mais cacife que uma mulher pra discutir questões de gênero. Você não tem. Ouça as demandas das mulheres, entenda, pesquise-as com cuidado, considere seus privilégios enquanto homem. E não interrompa (sério, isso é um fenômeno mensurável e até meio bizarro). Não crie o hábito irritante de reproduzir o que uma mulher acabou de falar (também conhecido como mansplaining). E sabe aquele papo de que mulher fala demais? Ele só existe porque a nossa fala não é comparada à fala masculina. Ela é comparada ao silêncio.

As Sufragistas

Posted in Comportamento, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 13, 2016 by Psiquê

Talvez não tenhamos consciência de que os direitos garantidos por lei, que temos hoje, são resultados de muita luta. Direitos, este que, ainda hoje não é extensivo a muita gente ao redor do mundo.

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Recentemente em visita ao Museu de Artes de São Paulo  (MASP), conheci a instalação “Elementos de beleza: Um Jogo de Chá Nunca é Apenas um Jogo de Chá“, da artista Carla Zaccagnini.

“A obra é inspirada no livro homônimo da artista, de 2012, sobre as sufragistas, que defendiam o direito de voto para as mulheres nas eleições políticas, em Londres e Manchester, nos anos 1910. Material de arquivo, fotografias, recortes de jornal e registros criminais fazem parte da obra.

A exposição retrata os ataques que as sufragistas fizeram às obras de arte como forma de protesto, procurando desvendar as razões desse protesto envolvendo a arte como marca de sua posição política.

Nas paredes, há representações de molduras, sem as obras, fazendo menção às obras atacadas, como “Vênus ao espelho” (1647-1651), de Diego Velázquez (1599-1660), que recebeu diversos golpes de cutelo. A pintura foi restaurada e, atualmente, se encontra em exibição na National Gallery, Londres.

“Elementos de beleza: Um jogo de chá nunca é apenas um jogo de chá” já foi apresentada na National Portrait Gallery, de Londres, e em outros museus do Reino Unido, Holanda e Argentina.

Nascida em Buenos Aires, em 1973, Carla Zaccagnini é mestre em poéticas visuais pela USP e participou da 8ª Bienal de Berlim (2014), na Alemanha, da 9ª Bienal de Xangai (2012), na China, e da 28ª Bienal de São Paulo (2008), no Brasil.”

Para completar o mês incrível, fui assistir ao filme As Sufragistas (Sufragette) dirigido por Sarah Gavron e com um elenco maravilhoso. Apenas ao assistir ao trailer me encantei, depois de assistir então…

https://www.youtube.com/watch?v=R8le4sZHRdE

Apesar de contar uma história que se passou há mais de cem anos, sua atualidade e “carga de urgência e necessidade de mudança é completamente atual. Em uma época na qual igualdade de salários, representatividade e respeito figuram entre os principais objetos de luta das mulheres – que, frequentemente, costumam ser taxadas de “exageradas” pelos preconceituosos de plantão -, este longa vem para mostrar que, há pouco tempo (ao menos numa perspectiva histórica), esta mesma luta era voltada ao direito ao voto”.

“(…) As Sufragistas acerta em cheio ao instigar, acima de tudo, o incômodo no telespectador em frente à injustiça contra as mulheres e ao mostrar que, apesar de todas as conquistas, que a luta ainda continua”. Imperdível! Maravilhoso! Obrigatório para todas nós mulheres e homens defensores da igualdade de direitos e de gêneros. Corram para o cinema mais próximo para assistir.

VOTE FOR WOMEN!

Leia mais aqui: Omelete

Transformações

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 31, 2016 by Psiquê

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O Espartilho foi criado há bastante tempo… No ano que vem ele fará 10 anos de existência e, ao longo desses anos, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou…

Embora sob um olhar mais apressado o nome Espartilho possa remontar uma época em que as mulheres tinham menos liberdade e autonomia sob si próprias e suas vidas, desde sua criação este blog sempre teve compromisso com a liberdade, as angústias, inquietações, alegrias, prazeres e escolhas femininas. Não é à toa que seu subtítulo diz respeito à tentativa de entender o Universo Feminino. Ocorre que ao longo desses anos, ele também amadureceu e introduziu outros temas também importantes e interessantes e hoje, questiono se não deveria abordar a questão feminina sob uma ótima ainda mais ampla e profunda, incluindo temas que dizem respeito às discussões sobre teoria de gênero, liberdade, direitos e respeito, muito respeito.

Como aqui sempre foi um espaço nosso, convido vocês, meus amados leitores, a acompanhar e compartilhar um pouco dessa inquietude que envolve o tema, dado que vivemos em uma sociedade ainda repleta de insegurança e preconceitos em relação ao respeito às identidades que não se enquadram em padrões conservadores pré-estabelecidos e concebidos como “normais”.

Mais do que entender o “universo feminino”, buscamos entender as prisões, anseios e liberdades possíveis às mulheres, em um mundo em constante transformação. Entender os papeis que, muitas vezes, inconscientemente reproduzimos: com muitos “deveres” considerados femininos, que nada mais são do que a expressão de um pensamento explicita ou implicitamente machista. Já passou da hora de nossa luta ser majoritária e barulhenta, não  há mais tempo a perder. Somos iguais – em direitos, deveres, capacidade e habilidades – e toda e qualquer outra afirmação é preconceituosa e machista.

Não naturalize as merdas que um homem faz

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 27, 2015 by Psiquê

Este texto que compartilho com vocês é de Stephanie Ribeiro e foi publicado no site Imprensa Feminista. Resolvi dividi-lo com vocês, pois chama a atenção para discussões superatuais sobre a naturalização de comportamentos preconceituosos e tendenciosos em relação às mulheres, que aos poucos estamos identificando e repudiando. 

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“NÃO NATURALIZE AS MERDAS QUE UM HOMEM FAZ

 25.12.2015, por Stephanie Ribeiro

Um texto para homens.

Então leiam até o fim.

Um dos grandes problemas na hora de se debater machismo, é que comportamentos machistas são vistos como normais e sendo assim atitudes naturais do seres humanos. E não isso não é verdade! No momento que você homem compactua com determinada ação de cunho machista, do seu pai, irmãos, amigos, etc. Está simplesmente dando a está ação o aval de algo normal, ou seja, você está contribuindo para a manutenção dessa opressão e do privilégio masculino na sociedade.

Mas como assim?

Meu pai abandonou minha mãe grávida da minha irmã, quando eu tinha apenas três anos. Sabe quantas pessoas deixaram de falar com meu pai no ciclo de amigos dele? Nenhuma. Sabe quantas pessoas cobraram que ele fosse uma pessoa presente nas nossas vidas? Nenhuma. Amigos dele inclusive sabiam que eu era filha dele, o que ele tinha feito e simplesmente lidavam com desdém comigo.

Afinal o patriarcado te ensina independente do seu gênero, a ter empatia com homens e odiar mulheres. E vocês seguem essa regra direitinho.

As pessoas ao longo do tempo naturalizaram o comportamento do meu pai, que é muito comum entre homens. Afinal todos disseram que ele não tinha maturidade para lidar com a questão. Maturidade essa que minha mãe também podia não ter na época, mas que não fez ela fugir das responsabilidades. Hoje somos duas mulheres criadas e educadas, que estamos colhendo frutos do esforço e doação dela.

Mas sempre peço que não romantizem essa história! Minha mãe abriu mão de sua vida por nós, e isso não é bonito ou justo. Inclusive ao contrário do meu pai, minha mãe foi cobrada! Cobrada pelos familiares, se afastou de amigos, deixou a diversão de lado, entre outras coisas que ela perdeu por ter que dar conta de educar duas filhas. E todo e qualquer erro/desvio que minha irmã e eu cometemos, cai nas costas dela.

Acho importante falar sobre isso num país onde homens assumem comportamentos machistas de forma tão natural, que se permitem chamar uma mulher de gostosa no meio da rua, assediar meninas no twitter, enganar as companheiras e mesmo assim se sentem no direito de compartilhar vídeos e postagens ofendendo Fabíola.

Homens que se dizem castrados por teorias feministas, porém continuam gozando do direito de trair suas companheiras numa mesa de bar. Até os que se dizem não serem desse “tipo”, numa situação dessas apenas olham e agem como se isso não fosse problema deles. Afinal, na educação machista brasileira não só o homem PODE errar, como seus erros sempre serão defendidos e naturalizados por outros homens. E até por mulheres que reproduzem machismo.

“Ele não sabe o que faz.”

“Ele é tão imaturo.”

“Eu não acho certo o comportamento dele, mas vou deixar de ser amigo do cara?”

Entretanto se fosse uma mulher vocês agiriam diferente!

Até porque, eu tenho plena consciência que o chato é ser amigo/namorado/parente da moça feminista. O legal é compartilhar momentos e vivências com o machista. E assim seguimos vivendo o mundo onde gritamos com as mulheres chatas e dividimos bebida com os machistas que são nossos amigos.

Uma mulher que comete os mesmos erros de um homem. Recebe conselhos que seriam basicamente: Você não se valoriza e ninguém vai te valorizar.

Mas o que os homens fazem que merecem tanto serem valorizados? Que merecem sempre uma segunda chance?

Eu realmente não defendo que a gente traia parceiros. O problema é que enquanto homens forem livres para serem verdadeiros escrotos sem cobrança nenhuma, ninguém poderá sair atirando pedras em nós mulheres. O seu amigo pode trair a companheira uma noite antes do casamento com algumas prostitutas, que você vai continuar chamando ele de irmão. E ainda exibirá fotos chorando no dia do casamento, nas redes sociais.

Tudo porque, você é tão machista quanto ele! E naturaliza essas ações, sendo apenas empático com HOMENS (cis e hétero).

A falta de respeito com uma mulher é totalmente admitida. Inclusive homens que se dizem pró feministas circulam nesses meios, sabem dessas histórias, e preferem lidar como se isso não fosse problema deles. É muito fácil se dizer apoiador de feminismo na frente de mulheres para parecer uma boa transa, um bom cara. Sendo passivo ao comportamento misógino de seus conhecidos.

Na sociedade onde ainda é permitido homens agredirem as parceiras, serem abusivos com elas na frente de seus filhos e irresponsáveis dentro de seus relacionamentos. E os amigos, irmãos, e até cunhados continuarem fazendo vista grossa, a gente vai precisar de muitas hashtags #meuamigosecreto. Porque homens precisam ser incomodados e tirados do seu lugar de privilégio, onde ser cretino é normal e natural. Pior, onde eles nunca vivência a SOLIDÃO pelo que são.

Quando não se isola o agressor, se isola a vítima.

Uma das maiores vinganças da sociedade com nós mulheres, é que ela faz de tudo para que sejamos exiladas. Não é uma escolha por ser só, é uma imposição. Ninguém têm um tempo e palavra de apoio para quem é agredida, cria filhos sozinha e/ou é traída.

Não existem compaixão. Só nós culpam.

“Ahhh porque você casou com ele?”

“Você não se dá o respeito!!!”

“O seu casamento não está dando certo, por sua culpa.”

“Você tem que ver problema em tudo?”

Sim eu tenho que ver problema em tudo, pois nada está normal para mim. A corda está arrebentando só do meu lado. E por isso eu vou ser sempre a pessoa não desejada nas mesas de cerveja, no ciclo de amigos e no final de semana em família. Afinal, vivemos num mar de solidão e cobranças, da sociedade onde se sabe que estamos abraçando um machista, enquanto sua mulher chora escondido em algum canto, e quem se importa com isso é chamada de chata.

Sejamos todas feministas chatas num mundo onde cretino é sinônimo de homem. E para muitos isso é natural.”