Arquivo para Obvious

Apaixonada? Não, nasci assim!

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 10, 2015 by Psiquê

994e3d2dea0f4196c676364ac06cfc46 Este texto foi publicado originalmente no portal Obvious Mag por Vanessa Rossi e eu achei muito bem escrito. Aliás, o Obvious reúne textos muito legais…já compartilhei outras vezes e agora divido com vocês esta deliciosa escrita, que resume muito bem o que é estar apaixonada pela vida e por diversas sensações e experiências pelas quais ela nos permite passar…

Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda…a roubá-la! (Lou Salomé)

Toda vez que me perguntam se estou apaixonada, respondo que eu nasci assim. Uma maneira sútil de me esquivar de certos tipos de respostas. Mas a verdade é que eu nasci apaixonada mesmo. Dessas paixões incuráveis. Romance de Shakespeare. Não há quem cure. Tanta redundância e fixação em torno da paixão, motivo de discussões desde Platão até Nietzsche, digo que a minha paixão não recorre em torno de uma outra individualidade, mas sim da multiplicidade de pessoas, sensações, acontecimentos que a vida é capaz de promover. Sou apaixonada pela vida antes de tudo; e não entendo a paixão como um acontecimento que se dirige a alguém especifico; Estar apaixonado apenas por alguém é empobrecer o vocabulário. Paixão é algo mais amplo: Podemos ser apaixonados por uma pessoa, por mais de uma pessoa, pelos amigos, pelo trabalho, por viagens. E por tudo isso. É dessa paixão que sou acometida; dessa perceptibilidade acurada. O apaixonado é sensível; é perceptível a coisas que os apáticos não percebem. O apaixonado vê de maneira diferente uma paisagem. Vê diferente a pessoa que lhe agrada. Até os defeitos são minimizados; As mancadas perdoadas. O apaixonado é mais feliz. Lou-Salome-portrait Aproveito para me dirigir a uma personagem (Verdadeira paixão do filósofo Nietzsche) que foi o verdadeiro símbolo das relações e dos conflitos da mulher apaixonada na modernidade. Lou Salomé, intelectual russa* que enfatizou muito em seus escritos as questões do amor. Vale a pena pesquisar sobre sua vida e obra. A paixão pela vida e por tudo que ela pode oferecer, a transgressão, a coragem de pensar e questionar o aparentemente inquestionável; A coragem de permitir-se viver como se deseja e não como a sociedade e a moral estabelecem, são virtudes de um apaixonado. Até porque para criar a própria história é preciso acreditar nela. É preciso destruir os tabus. É preciso derrubar a opressão que a cultura patriarcal criou em torno da mulher. Lou é o modelo da luta da mulher que deseja a ligação romântica, sem no entanto perder sua própria individualidade ou ser dominada pelas impressões machistas do parceiro. É possível ser apaixonado e ser livre. A paixão não deve satisfações. É anárquica, independente. Paixão é todos os predicados possíveis, dentro de uma patologia que foge aos diagnósticos médicos. Paixão pode nos levar a atitudes incríveis. Pode também nos despersonalizar a ponto de não nos conhecermos. Termino esse texto com meu poema predileto da artista, que pra mim traduz todas as aspirações de quem transborda essa paixão, essa força dentro de nós que não se explica:

“Ouse, ouse…ouse tudo! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda…a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!”

* correção minha, pois a autora disse que ela era alemã, mas ela nasceu na Rússia.

*

Anúncios

Nas pequenas coisas…

Posted in Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 28, 2014 by Psiquê

Hoje ao ler este texto do portal Obvious rememorei um belíssimo filme que fala sobre a beleza que pode constar na simplicidade das pequenas coisas: O fabuloso destino de Amélie Poulain. Recomendo fortemente para quem não assistiu e estou pensando seriamente em ver mais uma vez…

amelie.jpg

FONTE: Imagem retirada da internet

Parabéns pelo texto, Prescila Rizzardi!

Um Guia para a felicidade

Talvez esse seja o mais clichê dos filmes considerados cult da atualidade nem tão atual assim, visto que ele foi produzido no ano de 2001 e lá se vão 13 anos já, mas ainda sim, é a obra-prima mais singela e inquietante que já vi. O roteiro de Guillaume Laurant e a direção de Jean-Pierre Jeunet agregados a expressividade do olhar da bela Audrey Tautou e a extasiante trilha sonora de Yann Tiersen, fizeram dessa obra a mais bela forma de demonstração de como a felicidade pode ser encontrada nas pequenas alegrias cotidianas da vida.

Quem de nós não tem alguma daquelas pequenas manias, que até então parecem ser insignificantes mas, que são capazes de proporcionar a nós portadores de uma insatisfação crônica, momentos de total plenitude, até por que eles são responsáveis por promover nossas alegrias diárias.

A doce e quase angelical Amélie cultiva alguns desses prazeres, e fico muito feliz por saber que compartilhamos alguns deles, como por exemplo, enfiar a mão bem fundo no saco de cereais, e sentir os grãos passarem por entre seus dedos.

amelie_068.jpg FONTE: Imagem retirada da internet

Ir ao cinema sozinha e observar os “estranhos” e olhar para traz, para ver suas reações ao filme, assim como usar sua capacidade ímpar para reparara nos pequenos detalhes do longa-metragem os quais somente ela era capaz de perceber.

006-O-Fabuloso-Destino-de-Amélie-Poulain-thumb-600x450-12649.jpg FONTE: Imagem retirada da internet

Quebrar a cobertura do “creme brúlee” com a colher, nessa por estarmos no Brasil fico de fora, mas raspar da panela o resto do brigadeiro com a colher, na minha humilde opinião pode ser equivalente a sensação sentida por Amélie.

creme-brulee-amelie-poulain (1)-thumb-600x463-12647.jpg FONTE: Imagem retirada da internet

Ou colecionar pedras que encontra em seu caminho para joga-las no canal Saint Martim, além de toda sua forma de ver o mundo de maneira única ao se fazer perguntas as quais, provavelmente ninguém mais irá fazer, como a clássica “quantos casais…? ” Sim se você ainda não viu o filme essa é uma forma de instigar você a vê-lo, mas posso lhe adiantar a resposta, 15.

amelie5.jpg FONTE: Imagem retirada da internet

Amélie com sua personalidade peculiar encanta a todos, mesmo quando tenta não chamar a atenção, pois boas ações não precisam ser anunciadas, e assim seu destino é traçado, pois ela é aquela que faz o bem sem se anunciar, o tipo mais raro de altruísmo já encontrado. Mas nem só de alegrias vive Amélie, pois até mesmo ela ou melhor principalmente ela, cresceu em uma bolha e por segurança manteve essa redoma na vida adulta, até que em um dia no café o qual trabalha lá está ele… bom o resto é a história, “pois o que importa é que sim, ainda há uma esperança para os sonhadores nos tempos de hoje”.

Amélie-Poulain2.jpg FONTE: Imagem retirada da internet

Espero que esse breve resumo do que é esse filme, seja suficiente para despertar sua curiosidade, garanto que não será tempo perdido, e sim tempo de vida ganho, pois nele você encontrará se não o caminho, ao menos boas dicas de como a felicidade é simples e fácil de ser encontrada, basta olharmos do jeito certo.

“Estranho o destino dessa jovem mulher, privada dela mesma, porém, tão sensível ao charme das coisas simples da vida…”

publicado em cinema por