Arquivo para passado

Universo…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , on agosto 1, 2016 by Psiquê

Sempre me surpreendo quando algumas coisas nos acontecem, sem que façamos ideia de que elas estão pra acontecer. Muitas vezes desejamos algumas coisas ou precisamos que algo nos aconteça e quando menos esperamos, o universo conspira a nosso favor. 

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Cada um vai nomear esse fenômeno como melhor lhe convier, mas a verdade é que há coisas que fogem ao nosso controle e só podemos determinar qual será a nossa atitude perante aquilo que o universo nos apresenta.

Recentemente recebi uma recordação de um post que escrevi  em 2011, ‘As voltas que a vida dá’, pensei em repostá-lo, mas achei melhor fazer uma nova publicação e citá-lo. Algumas coisas que achamos estarem mortas, ou sermos incapazes de conquistar, ressurgem como opções de caminhos para nossa vida. Ou quando queremos muito que algo aconteça, ainda que não façamos planos, aparecem indícios que nem imaginávamos.

Sou defensora de que vivamos o presente sempre com o melhor que temos, porque o passado não existe mais e o futuro pode sequer existir. Viver assim, nos permite ter controle sobre nosso momento e diminuir os índices de depressão e ansiedade. Claro que isso não é simples, mas parte de um exercício de consciência diário.

Eu agradeço ao universo pelas oportunidades que ele me oferece e peço sabedoria para sempre saber a melhor atitude a tomar.

Namastê! Boa semana!

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Sobre viver o presente

Posted in Comportamento, Uncategorized with tags , , , , , , , , , , , , , , on abril 15, 2016 by Psiquê

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Como já compartilhei com vocês a yoga tem me despertado muito para questões como a nossa finitude, bem estar e a importância de viver no presente, para vencer problemas tão comuns hoje em dia como ansiedade, insônia e depressão.

Recentemente fiz um curso, bem legal sobre meditação e conheci a obra que compartilho a seguir:

O passado e o futuro só existem em nossa mente, como pensamentos. Quase a totalidade do nosso sofrimento está em nossas lembranças e em nossa imaginação.O momento presente sempre nos oferece paz, mas é raro conseguirmos estar inteiros e presentes nele. A consciência do momento presente é uma questão de vida ou morte. Pois a vida acontece nele e, se sempre estivermos com a mente alucinada pelo incessante movimento entre passado e futuro, memória e imaginação, nunca estaremos realmente inteiros no presente. Como a vida acontece no momento presente, perdê-lo não é diferente de perder a própria vida.

Por isso, sempre que se perceber numa condição de desconforto, aflição ou sofrimento, observe o que está se passando em sua mente; verifique se tem relação com o agora, está relacionado com algo que já passou, ou ainda não aconteceu. É muito provável que você descubra que essa agonia não tem relação alguma com o agora e, como a vida acontece no agora, a agonia não é real, só existe como pensamento em sua mente. Precisamos desenvolver a habilidade de manter-nos presentes no agora e, assim, desfrutar toda paz que não cessa de estar presente em nossa vida. Precisamos lembrar sempre que a paz está embaixo do nosso nariz e respirar, respirar, respirar.

Mas, como ainda não desenvolvemos essa habilidade e lembrança constante, nossa mente arrasta-nos a atenção para o passado e para futuro. Esses pensamentos despertam uma série de emoções que nada tem a ver com o momento presente, e essas emoções criam uma série de sensações físicas. Sem perceber, ficamos tão acostumados coma mente turbulenta que tomamos o irreal por real. Esquecemos totalmente que a paz está embaixo do nosso nariz, dentro de nós, no aqui e agora e que precisamos respirar.” Do livro Yoga – Inspirando Paz Expirando Amor, de Carlos Henrique Viard Junior.

Recomendo fortemente a leitura.

 

Contentamento e atitude

Posted in Comportamento, Uncategorized with tags , , , , , , , , , , , on abril 10, 2016 by Psiquê

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Muito tenho pensado sobre a maneira como nossa sociedade vive e a necessidade de vivermos mais intensamente o momento presente, sem tantas pressões sobre o futuro que ainda não chegou e o passado que já passou. Assusta o número de pessoas que recorre a medicamentos para lidar com ansiedade, falta de sono, depressão, tristeza…

A prática da yoga tem me feito pensar bastante sobre nossa finitude e a importância vivermos com gratidão e buscando contentamento em relação ao momento presente. É tão recompensador dar atenção à nossa respiração, à saúde de nosso corpo, à paz em nossa alma, ao nosso comportamento e nossos pensamentos…

A sociedade em que vivemos já é acelerada demais para permitirmos que essa aceleração interrompa momentos tão maravilhosos quanto os de sono, de meditação diária, de descanso, de desfrute de segundos de boa conversa e de carinho com aqueles que amamos. Tudo isso nos afasta da nossa humanidade e da nossa capacidade de ter empatia perante a vida e perante nossos semelhantes. A consequência dessa constante aceleração e pressa: é uma verdadeira indiferença frente ao semelhante…vivemos olhando, a maior parte das vezes, para nosso próprio umbigo sem prestar atenção no coletivo, no planeta, na comunidade, no meio-ambiente, no necessitado, no mais fraco, no mais carente e assim fechamos os olhos e cruzamos os braços diante de muita coisa que poderíamos contribuir para mudar.

Já não há mais tempo para vivermos assim, seja pelo nosso bem ou pelo do outro. Precisamos estar mais presentes no aqui e agora em absoluta atenção ao milagre de respirar, de sentir, de amar e com isso prestarmos mais atenção em nós mesmos e no próximo.

Convido a todos para viver esse desafio.

Namastê!

 

Retrolife

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 12, 2015 by Psiquê

 

A revista Glamour, fez uma reportagem na edição nº12 (março 2013), sobre o estilo de vida décor ou retrô. Como eu tenho uma quedinha bem forte por esse tipo de lifestyle, resolvi compartilhar com vocês um pouquinho do que é dito na reportagem.

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Eu e minhas amigas mais próximas amamos o estilo vintage e sempre que podemos também reproduzimos festas, roupas e ambientes com padrões de épocas passadas. Não nos sentimos deslocadas, porque hoje tudo é possível. Séries como Mad Man ambientadas nos anos 60/70 me fascinam.

Eis um pouco da matéria da revista:

Perdidas no tempo: Elas se vestem, moram e até casam como se estivessem nos anos 20, 30, 40…

Quem vive de passado é museu? Não para essas moças, praticantes do retrolife, tendência que nasceu nos EUA e agora se espalha pela Europa.

“Tem gente que me olha de um jeito estranho, como se eu fosse do circo, mas a maioria reage bem ao meu estilo retrô. Faço sucesso especialmente com as crianças”, diz a parisiense Marine Pierrot, obcecada pelos anos 20 (Foto: Gabriela Gauziski)

Com cabelos chanel, sobrancelhas milimetricamente desenhadas e um armário lotado de vestidos de cintura baixa e sapatos salomé, a parisiense Marine Pierrot, de 25 anos, é uma moça muito descolada, sim senhora. Ok, seu visual pode não parecer muito moderno à primeira vista, mas Marine é mega-antenada numa tendência quente que surgiu nos Estados Unidos e começa a se espalhar pela Europa: o retrolife, um estilo de vida que prega a volta ao passado e que vem conquistando cada vez mais adeptos. Não, eles não são lunáticos, milionários excêntricos ou coisa que os valha. São gente como a gente, de 20, 30 anos, que trabalha, estuda, tem vida social, mas que adoraria ter nascido em outra época.

No caso de Marine, a paixão pelos anos 20 começou em 2007, quando ela foi trabalhar na rádio de jazz France Musique, e vai muito além do visual antiguinho. “Me encanta como as pessoas se arrumavam até para ir à esquina. Também foi uma década muito alegre e efervescente, tanto que ficou conhecida como anos loucos”, explica ela.“Tenho dezenas de amigos que vivem como eu, e fazemos tudo para manter essa atmosfera no dia a dia” – sim, isso significa não ter tv em casa. “O rádio é meu veículo favorito”, diz a mocinha que, ahá, não larga o Iphone. “É só por causa do trabalho”, defende-se.

Louca pelos anos 30 e 40, a escocesa Tara Munro, dona da loja Ooh La La! Vintage, em Paris, organiza passeios em charmosos carros antigos e jantares em restaurantes retrô (Foto: Gabriela Gauziski)

Já a escocesa Tara Munro, de 34 anos, mergulhou nas décadas de 30 e 40 desde que chegou a Paris, em 2004. Dona da loja retrô Ooh La La! Vintage, ela não sai de casa sem make e penteado impecáveis e, como faz questão de enfatizar, “atitude de diva”. “O glamour e a austeridade dos anos 30 e 40 são mágicos para mim. Fora que as restrições de tecidos provocadas pela 2ª guerra obrigaram as pessoas a ser criativas. Tenho um vestido da época feito com tecido de mesa de sinuca!”. E Tara não está sozinha nessa viagem no tempo. Sua loja – frequentada por top estilistas como Sonia Rykiel e Isabel Marant – fez tanto sucesso em tão pouco tempo que ela passou a organizar passeios retrô em charmosos carros dos anos 40 e 50, chás da tarde e jantares bacanudos em restôs vintage.

Há dois meses em Paris, a vintage hair stylist inglesa Louise Kelly Phillips está com tudo e não está prosa com seu salão especializado em penteados antiguinhos (Foto: Gabriela Gauziski)

Especialista em penteados de época, a pintora inglesa Louise Kelly Phillips, de 30 anos, também capitalizou sua paixão pelo passado. Há dois meses na capital francesa, Louise – louca por tailleurs de tweed, chapéus-coco e bolsinhas boxy dos anos 40 – acaba de inaugurar o mimoso The Pompadours, salão que funciona apenas com reserva (thepompadours@gmail.com) e que tem feito a alegria das parisienses de fino trato. Haja garbo e elegância, não é mon amour?

O casal Mauro e Ombretta vive o retrolife com pouquíssimas concessões. “Até a festa do nosso casamento entrou no clima dos anos 40” (Foto: Gabriela Gauziski)

Para o casal italiano Ombretta e Mauro, o tempo parece ter parado há 70 anos. Os dois se conheceram em uma festa vintage, em Londres, e não demorou para que Ombretta se apaixonasse por aquele “homem com um quê de anos 30”. Juntos, começaram uma verdadeira viagem pelos anos 30 e 40 – até a festa de casamento deles entrou na dança. Ombretta estava linda e loira com vestido e penteado de diva da old Hollywood. Mauro usava chapéu-coco e bigodinho típico. O brinde, claro, foi feito em taças de champanhe abertinhas, no melhor estilo vintage, diante de um bolo enorme todo confeitado como nos tempos da vovó. “Até os convidados embarcaram na brincadeira e foram à cerimônia trajados de anos 40”, relembra Ombretta.

“Nossa filosofia é: roupas e objetos devem ter uma história. Se não, são apenas pedaços de pano, coisas sem alma”, diz Ombretta. “Até as coisinhas da nossa bebê são achados de brechó” (Foto: Gabriela Gauziski)

Hoje, o casal vive com a filhinha de 1 ano, rodeado de antiguidades, numa rotina riquíssima em detalhes de outros tempos. Da decoração ao guarda-roupa, dos livros e filmes na estante aos objetos da bebê, tudo foi garimpado em brechós e mercados de pulga pelo mundo. “Compramos muito nos Estados Unidos e na Alemanha, onde o retrolife é mais difundido. Nossa filosofia é: roupas e objetos devem ter uma história. Se não, são apenas pedaços de pano, coisas sem alma”, diz. “Meu marido não pisa em lojas moderninhas. Já eu abro algumas raras exceções”, sussurra Ombretta, como quem conta um segredo, ao mostrar que, atrás da biblioteca, eles escondem a tv e o computador. “Mas a gente só usa a internet para pesquisar endereços e programas interessantes”.

Memória olfativa

Posted in Comportamento, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 10, 2014 by Psiquê

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Não sei se você também já parou para lembrar de uma situação passada ou de um sentimento adormecido, esquecido, vivido ou até sepultado quando sentiu um cheiro…seja de um perfume, de uma comida, de um incenso, de um tecido, ou qualquer que seja.

Isso acontece muito comigo com o desodorante e o perfume. No outro dia me  peguei comprando o mesmo desodorante que usei durante 10 dias em uma viagem e cada lembrança daquela viagem veio à tona na minha memória, uma delícia. Como em um livro estava revivendo aquela época. E interessante é que como já usei desodorantes diferentes em diversas viagens, eles estimulam a lembrança de momentos distintos.

O perfume também evoca este tipo de reação. Ao arrumar meu armário, encontrei um perfume que estava no fim e resolvi usá-lo novamente…desde a primeira borrifada, minha memória resgatou momentos vividos anos atrás quando costuma usar aquele perfume.

Fiquei encantada com o poder da memória olfativa..

Um pesquisa publicada pelo caderno Ciência do jornal Estadão falou sobre os poderes do olfato nas emoções: “…o córtex olfativo está envolvido com o sistema límbico do cérebro e com a amígdala, onde as emoções nascem e as memórias emotivas são registradas. É por isso que cheiros, sentimentos e memórias ficam tão próximos…”

O portal Neurociências em benefício da Educação, também traz um texto sobre memória olfativa bem interessante. A psicóloga e escritora Angelita Corrêa Scardua, escreve em seu blog Os Sentidos da Felicidade, um texto muito interessante sobre olfato e afeto, do qual compartilho o seguinte trecho:

“O interessante dessa relação entre cheiro, emoção e memória é que: como cada um de nós tem um cheiro próprio, e como cada interação com um outra pessoa nos provoca emoções, tendemos a associar à lembrança que temos de alguém a um odor específico. Assim, quando sentimos o cheiro que remete à emoção provocada por àquela pessoa, sentimos as mesmas emoções que tínhamos, ou temos, quando estamos com ela. Ou seja, é quase impossível dissociar cheiro de afeto!”

Às vezes pode parecer ruim e um tanto quanto saudosista retornar sentimentos e emoções do passado, mas o que venho compartilhar com vocês é a magia de perceber o quão complexos e interessantes, nós somos! Fiquei encantada em perceber essas reações na memória e no corpo, ao sentir o cheiro de um perfume.

Tenham um excelente domingo!

8 de março: conquistas na luta e no luto…

Posted in Comportamento, Curiosidades, Desrespeito with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 8, 2014 by Psiquê

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Todas as vezes que sou parabenizada pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março, sinto um misto de gratidão com lamento. Fico pensando se temos consciência do real significado deste dia e das injustiças que ocorreram no passado e ainda ocorrem no presente que justificam a necessidade de se marcar a necessidade de defesa dos direitos das mulheres…

O texto a seguir foi retirado do portal da revista História Viva e nos chama atenção para alguns pontos bastante importantes.

Conquistas na luta e no luto

Ao contrário do que ressalta o imaginário feminista, o 8 de março não surgiu a partir de um incêndio nos Estados Unidos, mas foi fruto do acúmulo de mobilizações no começo do século passado

por Maíra Kubík Mano

Se as operárias russas do início do século XX recebessem bombons e flores em comemoração ao Dia da Mulher, talvez se sentissem ofendidas. Afinal, quando os protestos do dia 8 de março foram deflagrados, o que elas queriam mesmo eram melhores condições de trabalho. Não agüentavam mais as jornadas de 14 horas e os salários até três vezes menores que os dos homens.

Na época, as fábricas dos países desenvolvidos, que fazia pouco mais de um século haviam passado pela Revolução Industrial, estavam atulhadas de homens, mulheres e crianças. O movimento operário reagia à exploração desenfreada organizando protestos, muitos com cunho socialista. Entre as reivindicações, o fim do emprego infantil e remuneração adequada. A igualdade de gênero, porém, nunca era pautada. Por mais que as trabalhadoras argumentassem, sua renda era vista como complementar à do marido ou pai, e um pedido de salários iguais parecia afetar as “exigências gerais”. É nesse contexto de eclosão popular, sindical e feminista que surge o Dia Internacional da Mulher.

Os Estados Unidos foram, sem dúvida, um dos palcos dessa luta. Desde meados do século XIX, os operários organizavam greves para pressionar os proprietários das indústrias, principalmente as têxteis. Em terras americanas foi registrado o primeiro Dia da Mulher, em 3 de maio de 1908. Segundo o jornal The Socialist Woman, “1.500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade econômica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras”. No ano seguinte, a data foi oficializada pelo partido socialista e comemorada em 28 de fevereiro. Em Nova York, reuniu cerca de 3 mil pessoas em pleno centro da cidade, na ilha de Manhattan.

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O incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911, popularmente tido como o marco que deu origem ao Dia da Mulher (Biblioteca do Congresso, Washington)

A celebração foi mais um dos elementos no caldo político que irrompeu na greve geral dos trabalhadores do vestuário, em sua maioria mulheres jovens, em novembro de 1909. A paralisação durou 13 semanas e provocou o fechamento de mais de 500 fábricas de pequeno e médio portes. As condições de trabalho, no entanto, não melhoraram muito. Os proprietários das indústrias continuavam forçando o cumprimento de jornadas massacrantes. Para evitar que seus empregados saíssem mais cedo, boa parte deles trancava as portas durante o expediente e cobria os relógios de parede.

Em 1911, ocorreu um episódio marcante, que ficou conhecido no imaginário feminista como a consagração do Dia da Mulher: em 25 de março, um incêndio teve início na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. Localizada nos três últimos andares de um prédio, a fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos espalhados, formando um ambiente propício para que as chamas se espalhassem. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores conseguiu escapar, descendo pelas escadas ou pelo elevador. Outros 146, porém, morreram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas. Mais de 100 mil pessoas participaram do funeral coletivo.

Até hoje, muitas organizações e movimentos afirmam que essa tragédia aconteceu em 1857 e por isso reivindicam o mês de março como a data para comemorar a luta pelos direitos das mulheres. Como não há provas nem registros de que um evento similar tenha ocorrido, essa versão não é considerada verdadeira. Para os estudiosos, esse foi apenas mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

De fato, o Dia Internacional da Mulher já havia sido proposto em 1910, um ano antes do incêndio, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca. Clara Zetkin, militante e intelectual alemã, apresentou uma resolução para que se criasse uma “jornada especial, uma comemoração anual de mulheres”. A inspiração nas trabalhadoras do outro lado do Atlântico é explícita: para Clara, elas deveriam “seguir o exemplo das companheiras americanas”.

ORIGEM REVOLUCIONÁRIA Sem data definida, mobilizações anuais pelos direitos das mulheres prosseguiram em meses distintos, em diversos países. Em 8 de março de 1917, uma ação política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam na revolução de fevereiro. O líder Leon Trotsky registrou assim esse evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.

A situação econômica e política da Rússia era então insustentável. Mais de 90 mil pessoas marcharam, exigindo pão e paz. Os protestos e as greves subseqüentes culminaram na queda da monarquia. Alexandra Kollontai, uma das principais dirigentes feministas da revolução de outubro, afirmou que “o dia das operárias em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história”.

Em 1921, de acordo com a pesquisadora canadense Renée Coté, referência no estudo da história das mulheres, o 8 de março foi estabelecido como data oficial. Pesquisando arquivos da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, ela encontrou um documento que registrava que “uma camarada búlgara propôs o Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas”.

Com as duas guerras mundiais que se seguiram, o Dia da Mulher ficou em segundo plano. Foi apenas na década de 60 que o movimento feminista retomou com força as comemorações, em meio a leituras de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e à fogueira de sutiãs nos Estados Unidos. 

A LUTA NOS TRÓPICOS – No Brasil, nesse mesmo período, a direita e a esquerda tensionavam o cenário político. Manifestações como a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, com propostas absolutamente opostas às das feministas, que pregavam a legalização do aborto, precipitaram o golpe militar de 1964 e dificultaram a ascensão das organizações de mulheres. Movimentos contra a carestia, pela anistia e clubes de mães, cuja pauta central não era a libertação da mulher, ganharam as ruas.

Mesmo assim, havia uma história de luta reivindicada pelas brasileiras, similar à européia e à americana. No início do século XX, as mulheres e crianças constituíam quase 75% dos operários têxteis. Além de péssimas condições de higiene e longas jornadas de trabalho, elas sofriam com o assédio constante de seus patrões e também tentavam se organizar. Em 1906, o jornal anarquista A Terra Livre divulgou um texto de três costureiras que criticavam a não-adesão da categoria à greve operária: “Companheiras! É necessário que nos recusemos a trabalhar também de noite porque isso é vergonhoso e desumano. Como se pode ler um livro quando se vai para o trabalho às 7 da manhã e se volta para casa às 11 da noite?”, dizia. Essas passagens, ligadas principalmente às anarquistas, ainda são pouco conhecidas em nossa trajetória. A vertente que ganhou mais notoriedade no feminismo brasileiro foi a das sufragistas, que lutaram pelo direito a voto. Fundadoras do Partido Republicano Feminino, essas mulheres da elite nacional conseguiram sua reivindicação na Constituição de 1932, promulgada por Getúlio Vargas.

Resultado de todo esse processo, em 1975 comemorou-se o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, a ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Fruto de décadas de batalhas e séculos de opressão, a data que lembra a necessária igualdade entre homens e mulheres foi mundialmente – e finalmente – assegurada.

Apenas uma noite

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 9, 2013 by Psiquê

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No último final de semana assisti ao filme, Apenas uma noite, o qual foi objeto da conversa no meu almoço de ontem. Eu gostei do filme e a despeito de algumas críticas negativas que encontrei, compartilho com vocês uma crítica que se aproxima bem mais da minha percepção. O que mais gostei no filme, foi o fato de apesar dos conflitos que os dois carregam, as reflexões morais não conduzem o filme para um lado ou para o outro…

“Apenas uma Noite é a estreia da iraniana Massy Tadjedin na direção, e com certeza merece um olhar todo especial. Tendo sido “A” sensação do Sundance Film Festival, o filme retrata o declínio de um casamento, tendo como base a suspeita de uma traição e um amor inesquecível. O casal protagonista formado por Keira Knightley e Sam Worthinton esbanja simpatia, e a história assinada pela própria diretora é muitíssimo bem contada.

Os filmes que trabalham conflitos amorosos do passado geralmente optam por problematizar eticamente a traição, a separação, e geralmente a ideologia da família nuclear se fixa como válida, dando o tom clichê da obra em questão. No caso de Apenas um Noite, para além das preocupações morais e impasses éticos, Joanna e Michael são tratados como seres humanos passíveis de sentimentos duvidosos em relação ao seu estado civil, embora ainda exista amor entre os dois. A chegada do ex-namorado de Joanna e a viagem de Michael com a secretária divide o foco das atenções, e a incrível montagem paralela de Susan E. Morse (editora dos filmes de Woody Allen de 1979 a 1998), não permite que o marasmo ou a perda do ritmo narrativo aconteça um único momento.

A fotografia urbana e escura do ótimo Peter Deming transmite às imagens a frieza que toma conta do relacionamento principal, que já abalado, aparece em conflito com novos objetos de desejo pelo meio do caminho. O mesmo vale para a trilha sonora precisa e pontual, marcada pela sensibilidade das cenas, optando por uma propícia variação musical ao piano. As atuações são um caso à parte. Keira Knightley está mediana, mas vale dizer que nesse filme, faz um trabalho muito interessante. Sua personagem ultrapassa poucos centímetros a linha de mudança, e a atriz consegue transmiti-la para o espectador com muita competência e carisma. Sam Worthinton não tem espaço para mostrar muita coisa, de modo que sua atuação aqui pode passar desapercebida. Quem realmente brilha é o francês Guillaume Canet e o novaiorquino Griffin Dunne, duas personagens muitíssimo bem construídas e com atuações deliciosas. Eva Mendes é a bela amante de Michael, mas não se destaca além da média.

Sem pretensões cult e com um final sugestivo, Apenas uma Noite é um desses filmes para uma sessão a dois, ou mesmo para uma sessão solitária, numa tarde chuvosa ou fria. Trata-se de um filme tecnicamente muito bem executado, e que concentra um nível mínimo de erros cênicos e narrativos. Não temos uma inovação nos dramas românticos ou uma proposta diferente no que se refere a um casal preso ao passado – ou a algo do presente que não pertença ao casamento; mas mesmo assim, a película se destaca com facilidade em meio à enxurrada de produções chochas e apagadas que insistem em trabalhar as questões matrimoniais.” Fonte: Plano Crítico

Apenas uma Noite (Last Night, EUA, França, 2010)
Direção: Massy Tadjedin
Roteiro: Massy Tadjedin
Elenco: Keira Knightley, Sam Worthinton, Anson Mount, Eva Mendes, Guillaume Canet, Griffin Dunne, Stephanie Romanov, Scott Adsit, Daniel Eric Gold
Duração: 90min.

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