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A política não veste saia

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 15, 2016 by Psiquê

Ainda sobre a questão da representatividade que temos abordado nos últimos posts volto a falar sobre a conjuntura de retrocesso atual no que diz respeito à atitudes extremamente misóginas e preconceituosas, junto com traços bastante retrógrados em relação a outros tipos de representatividade.

O tema aqui não perpassa a simpatia ou não pelas decisões políticas implementadas durante a gestão da presidente em seu segundo mandato, mas por questões muito mais profundas e sérias que não podem ser ignoradas.

O texto que compartilho com vocês foi escrito por Thais Viyuela e tamanha é sua lucidez que não pude deixar de compartilhar com vocês.

Paula places her hand on the back of her mother, Brazil's President Dilma Rousseff, after Rousseff received the presidential sash after being sworn in for a second four-year term in Brasilia

Dilma Rousseff e a filha Paula Rousseff | REUTERS/Ueslei Marcelino

“Democracia, substantivo feminino, passível de feminicídio porque ousou vestir suas saias pela primeira vez.”

A frase acima é de Maria Gabriela Saldanha.

Agora, entre as mulheres, paira um sentimento de morte…

É um sentimento de impotência, de silenciamento, de retrocesso. Não falo em política ou economia. Um grupo grande de personagens e circunstâncias é responsável por isso. Falo em representatividade.

Falo de uma mulher que entrou num ninho de cobras, num universo muito machista, sujo e baixo, e jogou o jogo até o fim, um jogo imposto por homens brancos, para homens brancos.

Ela, ao contrário de tudo que se espera de uma mulher, não chorou, não se descontrolou, não fez escândalo, trabalhou de forma firme e séria até agora. Ela não agiu “como uma menininha”.

E isso assusta. Por falta de argumentos, os ataques e os adjetivos ficaram ainda mais ofensivos.

Com histórico de perseguição política e tortura, ela não só saiu viva, como saiu líder dos que a torturaram. Naquela época, Dilma tomou tantos socos que tem problemas na arcada dentária até hoje. Suas sessões de tortura precisaram ser suspensas porque ela teve uma hemorragia uterina que não passava. Seu torturador, um homem acusado de enfiar ratos na vagina de mulheres, foi aclamado publicamente em rede nacional. Apesar disso, se manteve a postura ereta e silenciosa diante do circo do dia 17 de abril de 2016.

Ela jogou tão bem o jogo desses homens que o máximo que se diz sobre Dilma é que ela estava andando de bicicleta no seu tempo livre. Não, nem a roupa, nem algum gesto ou jargão no momento errado. De fato, emagreceu. Quem, no lugar dela, não emagreceria? Fotos em posições desconcertantes para qualquer ser humano não faltaram. Montagens desrespeitosas com o rosto dela também não. Mas nenhum homem foi visto ao seu lado. Ela se manteve unicamente por sua imagem, forte o suficiente.

O sentimento é de que o ministeriado de Temer dará prosseguimento ao jogo desses homens brancos, sujos, já velhos de guerra. Uma guerra construída por eles. Dessa vez, como não se vê há 37 anos, sem uma única ministra mulher num país onde 51% da população é composta por mulheres. O Ministério das Mulheres deixará de existir, como Temer já afirmou. Homem este que exibe sua bela mulher à tiracolo, como mulheres devem se apresentar. Quietas, no canto da foto presidencial. “Do lar”, não da política, nunca da vida pública.

Fácil dizer que o feminismo ou outros movimentos de minorias roubam a cena das principais pautas da política do Brasil. E engraçado pensar que na verdade a minoria é composta por homens, 49% da população, e brancos, 45,9% autodeclarados, que pisaram por séculos em mulheres brancas, indígenas e negras pra conquistar o que lhes interessava. O feminismo rouba as pautas estruturais do Brasil se você está inserido nas pautas desde os últimos 500 anos. Caso contrário, o feminismo exige apenas o que nos é de direito: a representação. Com 51,6% dos votos nas urnas, a questão de representatividade parece, na verdade, estar invertida. A minoria branca e misógina urra com a perda de poder.

Não, não direi “Tchau, querida”, a frase mais nojenta dos últimos tempos. E não me venham com explicações. Sei que não sou a única a sentir a ironia desse afeto, a intimidade não autorizada dessa frase, a deslegitimação da figura pública de uma mulher através de um adjetivo de teor íntimo e pessoal.

Deixo a imagem de Dilma e sua filha porque ela choca. Ela incomoda. A filha Paula Rousseff e sua mãe, ao receber a faixa presidenta do Brasil.

Não se vê ternos, gravatas ou cabelos brancos.

Apenas uma mãe e uma filha que não precisam da figura masculina para estar onde estão.

Com essa imagem e diante de um cenário tão desesperador, a única coisa que me vem à cabeça como um mote de esperança é que a revolução será feminista, ou não será.”

A REVOLUÇÃO SERÁ FEMINISTA.

 

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Eu não vim da sua costela…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , on maio 5, 2016 by Psiquê

Hoje pela manhã, uma imagem atravessou minha vista e me chamou muito atenção. Era uma mulher em uma passeata carregando um cartaz que dizia: “Eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero”. Aquilo me pareceu tão incrivelmente pensado e bem escrito, porque resume uma das coisas mais essenciais para se combater o arcaico e ultrapassado machismo que impregna a nossa sociedade.

Eu não vim da sua costela

Em complemento a ideia que o cartaz suscitou, eu estava lendo uma matéria publicada na Revista Cult nº 210, de março de 2016 , sobre as percepções do feminismo. Mais precisamente a matéria que se intitula “Consciência e lutas feministas: conquistas e desafios no Brasil”,  por Mirla Cisne. Temos visto no país um crescimento dos debates e lutas em defesa dos direitos da mulher, igualdade de gêneros, combate à violência, etc. Ainda assim, muitas coisas ainda precisam ser asseguradas. Há questões básicas ainda não garantidas e apesar dos grandes avanços das leis e das conquistas, tudo parece ainda muito frágil em uma sociedade ainda com muitos traços patriarcais e machistas.

A matéria em questão elenca 5 eixos que estruturam a consciência militante feminista. O cerne da questão não é ficar bradando violentamente que as mulheres devem ter x direitos, que homens são todos iguais, ou qualquer coisa rasa deste tipo.  Fundamental é entender que vivemos sob uma estrutura  patriarcal-racista-capitalista para compreendermos a natureza  e a importâncias dessas lutas. Admitir isso é o primeiro passo para reconhecer a necessidade de mudanças.

Os cinco eixos são os seguintes:

  1. Aproximação de si: no sentido de nos reconhecermos como sujeitos e passarmos a lutar por nossa autonomia e liberdade;
  2. A experiência de sair de casa e a casa sair de dentro de nós: significa a ruptura com a naturalização da responsabilização unilateral da mulher pelo lar e pela família. “Não basta trabalharmos fora do lar quando quando continuamos sendo responsabilizadas pelo trabalho doméstico, por exemplo.”
  3. Perceber-se na outra:consiste na identificação com a outra da sua condição de opressão;
  4. Importância do grupo de militância política: possibilita o avanço da consciência de uma rebeldia ou indignação ainda desordenadas para o processo de uma organização política coletiva;
  5. Formação política associada às lutas concretas de reivindicação e de enfrentamento.

Assusta um pouco que algumas conquistas corram o risco de retroceder e outras de não avançar pelo excesso de fundamentalismo e de machismo na nossa sociedade. Já não podemos mais aceitar desigualdades e violências de gênero ou de qualquer outra natureza.

Basta!!!

Etiqueta Virtual

Posted in Comportamento, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 4, 2011 by Psiquê

Depois de alguns dias longe de vocês, por estar na fase de planejamento e reestruturação das minhas metas, resolvi partilhar um pouco das minhas leituras em momentos de lazer. Estava lendo a revista Você S/A – Edição especial para Mulheres e nela encontrei várias ideias bem interessantes que vou colocando aqui aos poucos. Uma delas é uma dica de comportamento virtual.

Segundo a matéria, uma pesquisa realizada pela consultoria Robert Half mostrou que no Brasil 21% das empresas usam redes sociais para recrutamento de profissionais. Tal percentual coloca o Brasil em primeiro lugar dos 13 países estudados. Diante dessa realidade, os pesquisadores alertam para o cuidado antes de postar sem pensar.

Dicas para o que se deve evitar

  • Tomar posições radiciais em assuntos como religião e política;
  • Escrever errado;
  • Comportamento discriminatório em fóruns de discussão;
  • Fazer críticas ao chefe ou empresa (atuais e anteriores);
  • Mentir;
  • Revelar informações confidenciais da empresa;
  • Participar de comunidades racistas ou sexistas.
  • Vale usar o bom senso!

    Bom ano novo!!!