Arquivo para preconceito

Não naturalize as merdas que um homem faz

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 27, 2015 by Psiquê

Este texto que compartilho com vocês é de Stephanie Ribeiro e foi publicado no site Imprensa Feminista. Resolvi dividi-lo com vocês, pois chama a atenção para discussões superatuais sobre a naturalização de comportamentos preconceituosos e tendenciosos em relação às mulheres, que aos poucos estamos identificando e repudiando. 

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“NÃO NATURALIZE AS MERDAS QUE UM HOMEM FAZ

 25.12.2015, por Stephanie Ribeiro

Um texto para homens.

Então leiam até o fim.

Um dos grandes problemas na hora de se debater machismo, é que comportamentos machistas são vistos como normais e sendo assim atitudes naturais do seres humanos. E não isso não é verdade! No momento que você homem compactua com determinada ação de cunho machista, do seu pai, irmãos, amigos, etc. Está simplesmente dando a está ação o aval de algo normal, ou seja, você está contribuindo para a manutenção dessa opressão e do privilégio masculino na sociedade.

Mas como assim?

Meu pai abandonou minha mãe grávida da minha irmã, quando eu tinha apenas três anos. Sabe quantas pessoas deixaram de falar com meu pai no ciclo de amigos dele? Nenhuma. Sabe quantas pessoas cobraram que ele fosse uma pessoa presente nas nossas vidas? Nenhuma. Amigos dele inclusive sabiam que eu era filha dele, o que ele tinha feito e simplesmente lidavam com desdém comigo.

Afinal o patriarcado te ensina independente do seu gênero, a ter empatia com homens e odiar mulheres. E vocês seguem essa regra direitinho.

As pessoas ao longo do tempo naturalizaram o comportamento do meu pai, que é muito comum entre homens. Afinal todos disseram que ele não tinha maturidade para lidar com a questão. Maturidade essa que minha mãe também podia não ter na época, mas que não fez ela fugir das responsabilidades. Hoje somos duas mulheres criadas e educadas, que estamos colhendo frutos do esforço e doação dela.

Mas sempre peço que não romantizem essa história! Minha mãe abriu mão de sua vida por nós, e isso não é bonito ou justo. Inclusive ao contrário do meu pai, minha mãe foi cobrada! Cobrada pelos familiares, se afastou de amigos, deixou a diversão de lado, entre outras coisas que ela perdeu por ter que dar conta de educar duas filhas. E todo e qualquer erro/desvio que minha irmã e eu cometemos, cai nas costas dela.

Acho importante falar sobre isso num país onde homens assumem comportamentos machistas de forma tão natural, que se permitem chamar uma mulher de gostosa no meio da rua, assediar meninas no twitter, enganar as companheiras e mesmo assim se sentem no direito de compartilhar vídeos e postagens ofendendo Fabíola.

Homens que se dizem castrados por teorias feministas, porém continuam gozando do direito de trair suas companheiras numa mesa de bar. Até os que se dizem não serem desse “tipo”, numa situação dessas apenas olham e agem como se isso não fosse problema deles. Afinal, na educação machista brasileira não só o homem PODE errar, como seus erros sempre serão defendidos e naturalizados por outros homens. E até por mulheres que reproduzem machismo.

“Ele não sabe o que faz.”

“Ele é tão imaturo.”

“Eu não acho certo o comportamento dele, mas vou deixar de ser amigo do cara?”

Entretanto se fosse uma mulher vocês agiriam diferente!

Até porque, eu tenho plena consciência que o chato é ser amigo/namorado/parente da moça feminista. O legal é compartilhar momentos e vivências com o machista. E assim seguimos vivendo o mundo onde gritamos com as mulheres chatas e dividimos bebida com os machistas que são nossos amigos.

Uma mulher que comete os mesmos erros de um homem. Recebe conselhos que seriam basicamente: Você não se valoriza e ninguém vai te valorizar.

Mas o que os homens fazem que merecem tanto serem valorizados? Que merecem sempre uma segunda chance?

Eu realmente não defendo que a gente traia parceiros. O problema é que enquanto homens forem livres para serem verdadeiros escrotos sem cobrança nenhuma, ninguém poderá sair atirando pedras em nós mulheres. O seu amigo pode trair a companheira uma noite antes do casamento com algumas prostitutas, que você vai continuar chamando ele de irmão. E ainda exibirá fotos chorando no dia do casamento, nas redes sociais.

Tudo porque, você é tão machista quanto ele! E naturaliza essas ações, sendo apenas empático com HOMENS (cis e hétero).

A falta de respeito com uma mulher é totalmente admitida. Inclusive homens que se dizem pró feministas circulam nesses meios, sabem dessas histórias, e preferem lidar como se isso não fosse problema deles. É muito fácil se dizer apoiador de feminismo na frente de mulheres para parecer uma boa transa, um bom cara. Sendo passivo ao comportamento misógino de seus conhecidos.

Na sociedade onde ainda é permitido homens agredirem as parceiras, serem abusivos com elas na frente de seus filhos e irresponsáveis dentro de seus relacionamentos. E os amigos, irmãos, e até cunhados continuarem fazendo vista grossa, a gente vai precisar de muitas hashtags #meuamigosecreto. Porque homens precisam ser incomodados e tirados do seu lugar de privilégio, onde ser cretino é normal e natural. Pior, onde eles nunca vivência a SOLIDÃO pelo que são.

Quando não se isola o agressor, se isola a vítima.

Uma das maiores vinganças da sociedade com nós mulheres, é que ela faz de tudo para que sejamos exiladas. Não é uma escolha por ser só, é uma imposição. Ninguém têm um tempo e palavra de apoio para quem é agredida, cria filhos sozinha e/ou é traída.

Não existem compaixão. Só nós culpam.

“Ahhh porque você casou com ele?”

“Você não se dá o respeito!!!”

“O seu casamento não está dando certo, por sua culpa.”

“Você tem que ver problema em tudo?”

Sim eu tenho que ver problema em tudo, pois nada está normal para mim. A corda está arrebentando só do meu lado. E por isso eu vou ser sempre a pessoa não desejada nas mesas de cerveja, no ciclo de amigos e no final de semana em família. Afinal, vivemos num mar de solidão e cobranças, da sociedade onde se sabe que estamos abraçando um machista, enquanto sua mulher chora escondido em algum canto, e quem se importa com isso é chamada de chata.

Sejamos todas feministas chatas num mundo onde cretino é sinônimo de homem. E para muitos isso é natural.”

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Preconceito e intolerância!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 24, 2015 by Psiquê
Marc Lagrange

Marc Lagrange

Em tempos de muita intolerância e violência tenho me deparado com episódios bastante repetitivos e surpreendentes de preconceito contra mulheres. Infelizmente, dos “machistas” e “reacionários”, não esperamos muita coisa, mas ultimamente tenho testemunhado pessoas que admiro e respeito por sua coragem de assumir uma vida homossexual e defender os direitos dos gays, fazerem piadas e comentários misóginos. Não sei se a nossa sociedade tem se dado conta de que, nas entrelinhas e até explicitamente, tem propagado a misoginia de maneira epidêmica.

Esses episódios vão desde comentários machistas em relação a mulheres que ocupam cargos decisórios, de chefia ou liderança que são inferiorizadas por serem mulheres; por gays que comentam pejorativamente que tem medo de mulheres homossexuais; piadinhas machistas querendo sensualizar palavras, atitudes e decisões tomadas por mulheres, no sentido de acusar um comportamento mais incisivo e sério como “falta de feminilidade, sensualidade, sexualidade”.

Será que nossa sociedade não enxerga a propagação absurda deste movimento? Claro que, considerando a sociedade extremamente machista em que vivemos, onde muitas mulheres são as primeiras a difundir e reforçar comportamentos machistas, toda essa misoginia demonstrada em piadinhas, charges, textos grosseiros e vergonhosamente escritos por pessoas inescrupulosas no intuito de desmoralizar as mulheres, pelo simples fato de serem mulheres, é inadmissível. Precisamos acordar para essa realidade e combater ferrenhamente tamanha falta de limites.

O que mais me choca é que muitos grupos de minorias, que também sofrem preconceitos e marginalização não se colocam no lugar do outro de maneira empática, solidarizando-se pela luta por igualdade. Como você pode lutar por igualdade de uma causa que é sua, compactuando com o preconceito quando é o outro quem o sofre?

Desculpem, mas eu não entendo e não posso me calar.

Respeito é bom e todo mundo merece.

Registro aqui também meu repúdio a uma crônica publicada recentemente por um pseudo jornalista em uma pseudo revista que expôs ideias extremamente misóginas, machistas e preconceituosas contra uma mulher que hoje ocupa a presidência da república do Brasil. Não importa se concordamos ou não com suas decisões, misoginia NÃO.

Não ao racismo, não à homofobia, não à misoginia, não ao preconceito, não à hipocrisia.

Puro preconceito

Posted in Comportamento, Curiosidades, Profissão, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 27, 2015 by Psiquê

678727_35Talvez minhas ideias neste post causem mal estar, mas há algo que preciso compartilhar aqui e considero nada mais do que puro preconceito, enraigado em uma sociedade extremamente machista, preconceituosa e (muitas vezes, hipócrita).

No Saia Justa Verão da semana passada, os meninos lançaram o tema prostituição, enquanto negócio, na pauta de discussão. Na ocasião, Léo Jaime relatou uma experiência pela qual passou em Amsterdam, em que passava pelo Red Light District, uma área onde a prostituição é comum (e legalizada): uma das profissionais saiu de uma casa de prostituição e seu marido/namorado/parceiro a esperava na porta, vindo do trabalho, com uniforme da companhia de luz. Ao vê-la, deu um selinho e seguiu de mãos dadas para casa. Na sequência, ele indaga aos demais apresentadores se eles lidariam bem com a possibilidade de sua esposa trabalhar como prostituta.

Certa vez, também conversando com uma psicóloga que gosto muito falei sobre este tema e ela destacou as dificuldades pelas quais passam as pessoas que trabalham se prostituindo e quando querem assumir um relacionamento estável ou ter filhos, sofrem preconceito de seus parceiros ou da sociedade.

Foi então que comecei a pensar que tudo isso só existe porque vivemos em uma sociedade absurdamente machista e preconceituosa, na qual os homens se gabam por pagar pelo sexo, mas consideram inferiores as mulheres (ou homens) que vendem o serviço.

Se a prostituição fosse realmente encarada como um profissão, na qual a pessoa vende um serviço e fora do trabalho vive como outra pessoa que exerça uma profissão qualquer, não haveria sentido algum em olhar torto, fazer piadinha, tratar mal  ou condenar aqueles que fazem desta uma profissão. Mas estamos muito distantes de uma sociedade que consiga deixar o preconceito de lado e respeitar o outro se a sua prática ou suas escolhas forem de encontro ao que se pensa ser certo ou moral.

Na minha opinião esta discussão demonstra o mais puro preconceito e machismo (no caso da experiência brasileira). Mas isso é só uma opinião…que não podia deixar de compartilhar com vocês.

Fiquem bem e respeitem o outro, sempre, independente das escolhas dele.

Que blog!

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , on maio 9, 2014 by Psiquê

Witch

Hoje, por caso, descobri o blog Biscate Social Club

…sua leitura requer um pouco de maturidade para os mais preconceituosos e travados, mas eu confesso que adorei o blog, estou encantada com a qualidade das discussões e a forma como tabus – que permeiam nosso cotidiano, nesta sociedade para lá de preconceituosa e travada – são tratados pelas autoras do blog e seus convidados.

Pela descrição já dá uma imensa vontade de navegar pelo página:

Página do clube das mulheres livres para fazerem o que bem entenderem, com quem e onde bem quiserem.

Missão

Um tantinho de felicidade por dia…

Descrição

Biscate é quem sabe que um homem (ou mulher) inteligente nunca pensaria em uma mulher como parte de uma coleção. Biscate sabe que não precisa ser sempre maravilhosa. E que se maravilha com as possibilidades que aceitar as próprias limitações traz.Biscate é a mulher que sabe que ao lado do homem ou de outra mulher é só mais uma posição, como em baixo, em cima… e longe.

Informação Geral

Biscate é uma mulher livre para fazer o que bem entender, com quem escolher e onde bem quiser. Esse é o nosso clube.