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Relações líquidas

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 20, 2014 by Psiquê

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Estamos cada vez mais aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, tudo para disfarçar o antigo medo da solidão. O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca principal é a ausência de comprometimento. Este texto tem como base a ideia de líquido, característica presente nas relações humanas atuais, inspirado na obra “Amor Líquido” – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zygmunt Bauman. As relações se misturam e condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Em um mundo cada vez mais dinâmico, fluido e veloz, seja real ou virtual.

Publicado no portal Obvious, pela autora Giseli Betsy, o texto que aqui compartilho, fala um pouco sobre nossos relacionamentos nos dias de hoje, sua fragilidade, fugacidade e falta de comprometimento. Acho bastante válida a reflexão.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87 anos seus livros publicados venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Entre eles “Amor líquido” é talvez o livro mais popular de Bauman no Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas particularidades da “modernidade líquida”. Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.

Ele tenta nos mostrar nossa dificuldade de comunicação afetiva. Todos querem relacionar-se, mas chega na hora, não conseguem. Seja por medo ou insegurança. Bauman cita como exemplo um vaso de cristal, na primeira queda, quebra. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.

É um mundo de incertezas. E cada um por si. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual, e com a facilidade de se “desconectar” as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, caso haja defeito, descarta-se ou até mesmo troca-se por versões mais atualizadas.

O romantismo do amor parece estar fora de moda. O amor de verdade foi banalizado, diminuído a vários tipos de experiências vividas pelas pessoas, na qual se referem a estas utilizando a palavra amor. Noites descompromissadas de sexo são chamadas “fazer amor”. Não existem mais responsabilidades de estar amando, a palavra amor é usada mesmo quando as pessoas nem sabem direito seu real significado.

Ainda para tentar explicar a relações amorosas em “Amor Líquido”, Zygmunt Bauman fala da “ Afinidade e Parentesco.” O parentesco seria o laço irredutível e inquebrável é aquilo que não nos dá escolha

A afinidade é, ao contrário do parentesco, voluntária. A afinidade é escolhida. Porém, e isso é importante, o objetivo da afinidade é ser como o parentesco. Entretanto, vivendo em uma sociedade de total “descartabilidade” até as afinidades estão se tornando raras.

Bauman fala também sobre o amor próprio. Afirma que as pessoas precisam se sentir amadas, ouvidas, amparadas ou que sintam sua falta. Segundo ele ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar, o que fazemos é aceitar essa classificação. Mas com tantas incertezas, relações sem forma, líquidas, na qual o amor nos é negado como teremos amor próprio? Os amores e as relações humanas de hoje são todos muito instáveis. E assim não temos certeza do que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina, sem a certeza de nada. É uma descrição poética da situação.

“Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade, você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo”. Bauman

 

A ciência do Yoga

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , on agosto 28, 2014 by Psiquê

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Hoje ao ler no blog Yoga em Casa do Gilberto Schultz, uma matéria (de duas) publicada originalmente na revista Forbes de autoria da Alice Walton, senti ainda mais gratidão por ter tido meu contato com o Yoga no ano passado.

O meu encantamento com a prática ainda é tão forte que às vezes me pergunto porque demorei tanto tempo para experimentar…

Ainda estou muito crua em termos de conhecimento da prática, há muito a aprender, mas os benefícios são realmente enormes. Eu saio das aulas muito mais leve, tranquila e feliz.

Compartilho com vocês o texto. Espero que gostem.

Fiquem bem. Namastê, Psiquê.

Desvendando os efeitos da prática: A ciência do Yoga

“Este é o primeiro de dois textos sobre os efeitos da prática do yoga publicado no site da revista Forbes, o segundo: “A Psicologia do Yoga”, tratará especificamente das mudanças psicológicas e também será publicado em português aqui no blog em breve.”

Julgando pelo número de esteiras de yoga que tenho visto sendo carregadas em Manhattan nos últimos 15 anos, tenho certeza de que fui a última pessoa da ilha a experimentar tal modalidade. O meu relacionamento com essa prática começou há cerca de 6 meses atrás e devo admitir que eu me apaixonei – e muito – por ela. Fiquei impressionada com as mudanças que afetaram o meu corpo e, mais ainda, a minha mente. Porém, o meu lado nerd, ligado à medicina ocidental, ainda se perguntava como exatamente isso estava acontecendo. Eu podia chutar algumas hipóteses baseadas no que eu sei sobre o corpo, mas preferi falar com alguém que realmente entendesse e estudasse esse tipo de ciência.

Stephen Cope é terapeuta e diretor do Institute for Extraordinary Living no Kripalu Center for Yoga and Health em Massachusetts. Lá, ele comanda um programa intitulado “O Yoga e o Cérebro”, cujas pesquisas estudam o efeito do yoga no cérebro com ressonância magnética e outras técnicas. Cope explica que o yoga traz mudanças significativas no sistema nervoso simpático do corpo – aquele responsável por estimular ações, como de “luta ou fuga”, em resposta às situações de estresse. Todavia, como as nossas vidas hoje em dia incluem e-mails de trabalho às dez horas da noite e conversas altas no telefone da mesa ao lado, em resposta, muitas vezes, nosso corpo permanece ‘on’ quando, na verdade, não deveria permanecer. O Yoga ajuda o corpo a diminuir essa resposta ao estresse, reduzindo os níveis do hormônio cortisol, que não é somente o combustível para as nossas reações ao estresse, mas que também pode causar estragos no corpo quando está em estresse crônico. Assim, a redução do nível desse hormônio no organismo é considerada uma coisa boa.

O Yoga também aumenta os níveis de substâncias que nos fazem sentir bem, como o GABA (Ácido gama-aminobutírico), a serotonina e a dopamina, que são responsáveis por nos sentirmos relaxados e satisfeitos. Todos esses três neurotransmissores são os principais utilizados em medicamentos que controlam o humor, como antidepressivos (por exemplo, ISRSs) e ansiolíticos (anti-ansiedade). O fato do yoga estar associado ao aumento dos níveis dessas cobiçadas substâncias químicas no organismo não é nada desprezível.

Ainda há outro bônus, diz Sarah Dolgonos, doutora em medicina, que dá aulas na Yoga Society of New York’s Ananda Ashram. Ela aponta que além de suprimir a resposta ao estresse, o yoga estimula o sistema nervoso parassimpático, que nos acalma e restaura o equilíbrio depois que uma situação de estresse chegou ao fim. Quando este sistema nervoso é ativado, “o sangue é direcionado em direção a glândulas endócrinas, órgãos digestivos e circulação linfática, enquanto a frequência cardíaca e a pressão arterial são reduzidas”, diz Dolgonos. Ainda, com o sistema nervoso parassimpático em funcionamento, “o nosso corpo pode extrair melhor os nutrientes dos alimentos que comemos, e mais efetivamente eliminar toxinas, já que a circulação é aumentada. Com a ativação parassimpática, o corpo entra em um estado de restauração e cura”.

Também há um consenso que o yoga melhora o sistema imunológico, diz Dolgonos. Esse benefício provavelmente é causado devido a redução do cortisol, mencionado anteriormente: o excesso desse hormônio pode diminuir a eficácia do sistema imunológico “imobilizando algumas células brancas”. A redução do cortisol na circulação “remove a barreira para um eficaz funcionamento da função imunológica”, sendo assim, o yoga ajuda na prevenção de doenças, já que melhora a imunidade.

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Vamos então nos aprofundar ainda mais nos efeitos dessa prática no organismo (paciência comigo, isso é realmente interessante). Pesquisadores descobriam que o yoga melhora a saúde, em parte, reduzindo um grande adversário do corpo: a inflamação. A inflamação crônica, mesmo em baixo grau, é responsável por uma série de problemas de saúde, de doenças cardíacas a diabetes e depressão.

Paula R. Pullen, PhD, instrutora de pesquisa da Faculdade de Medicina Marehouse, estuda os efeitos do yoga sobre a inflamação observando o que acontece nos corpos dos pacientes com insuficiência cardíaca que se matriculam em aulas de yoga. Ela mostrou que depois de serem distribuídos aleatoriamente entre yoga ou cuidados médicos padrão, os pacientes que praticavam a atividade tiveram uma melhora significativa nos níveis de biomarcadores, como a proteína C-reativa (PCR) e a interleucina-6 (IL-6). Se seus olhos ficaram paralisados, essas descobertas são bastante notáveis, já que mostram que o yoga pode realmente afetar as mais minúsculas moléculas, aquelas que são amplamente conhecidas por prever riscos de doenças graves. Pullen realça que a redução dos níveis de inflamação no corpo é extremamente importante do ponto de vista preventivo. E o yoga pode ajudar com isso. “O yoga equilibra o organismo, o sistema hormonal e a resposta ao estresse. As pessoas tendem a pensar que o yoga está apenas relacionado com a flexibilidade, quando na verdade, no sentido fisiológico se trata mais sobre reequilibrar e curar o corpo”.

Apesar de existir a milhares de anos, a ciência Ocidental está apenas começando a entender como funcionam os efeitos exercidos pelo yoga. Sendo assim, será certamente interessante acompanhar essas pesquisas, uma vez que continuará revelando o que o yoga é capaz de fazer com o corpo e com o cérebro. Fique atento para a parte II sobre os efeitos do yoga!

Tradução: Paula Coutinho | paula.emidioc@gmail.com
Fonte: Penetrating Postures: The Science of Yoga

O amante

Posted in Cultura e Arte, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , on abril 13, 2014 by Psiquê

 

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“…ele estava lá…,era ele no banco de trás, a silhueta quase invisível não se mexia, oprimida…

Ela estava debruçada na mudara, como da primeira vez…

Ela sabia que ele a observava…

Ela o observava também…”

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Despretensiosamente comecei a assistir ao filme O amante, filmado na década de 1990 e ambientado em Saigon, cidade do Vietnam com colonização francesa em 1929. Uma menina de 15 anos, conhece um homem rico chinês durante a travessia e este se apaixona por ela. Tem início uma relação amorosa entre os dois, ela perde a virgindade e vira sua amante. O relacionamento entre os dois, nunca foi considerado uma possibilidade, ora por ela ser branca e francesa e ele chinês, ora por ele, chinês, se sentir preso às tradições e à vontade do pai de casá-lo com uma noiva que lhe foi prometida.


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Apesar de apenas ele admitir ao longo do longa o seu amor incontrolável, mesmo que para ele impossível de assumir, ela afirma não amá-lo o tempo todo, mas, no fundo, parece haver um sentimento em seu coração, o que só percebemos depois da separação. As cenas entre eles são muito intensas e a relação, apesar de envolta em momentos de frieza, interesse e descaso, esconde uma paixão por vezes incontrolável e contagiante. Não perca a oportunidade de assistir…

Excelente filme, recomendo fortemente. Triste, mas muito bom.

 

Um método perigoso – paciente, discípula e amante

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 17, 2013 by Psiquê

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Acabei de assistir ao filme Um método perigoso, um excelente filme (estrelado por Keira Knightley, Viggo Mortensen, Michael Fassbender e Vincent Cassel), que conta a história de Sabina Spielrein, uma paciente, depois médica e discípula tratada por Carl Jung que vira sua amante e seguidora.

A matéria publicada pela Revista Época, intitulada Paciente, discípula e amante resume bem a história contada no filme. Leia a seguir:

Genebra, outubro de 1977. Um maço de documentos resgatados nos porões do Palácio Wilson, que no passado abrigara o Instituto de Psicologia, trouxe à luz detalhes de uma das tramas mais fascinantes do período nascente da psicanálise. Foram encontradas 46 correspondências do psicólogo suíço Carl Jung, 21 do vienense Sigmund Freud e 12 da até então pouco conhecida Sabina Spielrein – além de partes de seu diário íntimo entre 1909 e 1912. Sabina era uma espevitada morena de porte mignon, que viria a participar do palco da nascente disciplina ao lado de seus dois principais expoentes.

Neta e bisneta de rabinos e filha de um bem-sucedido comerciante de Rostov-On-Don, Sabina, aos 19 anos, viajara para Zurique em 1904 para inscrever-se na faculdade de medicina. Em vez disso, foi internada no dia 17 de agosto no Hospital Burgholzli, acometida de um surto de histeria aguda. Passou a ser submetida a tratamento ministrado pelo jovem médico Carl Jung, de 29 anos, que a essa altura já se correspondia com Freud, então com 48. Num relatório a Freud, Jung afirmou que, quando criança, a paciente, que era assaltada por medos noturnos, se excitava sexualmente com as surras aplicadas pelo pai – um homem de humor instável, tirânico e depressivo, que em alguns momentos ameaçava suicidar-se. Bastava olhar para uma mão que lembrasse a do pai para que Sabina se masturbasse. Jung não deixou de notar a aguçada inteligência da paciente, que aos 7 anos já era fluente em francês e alemão e, mais tarde, inglês.

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A relação entre Jung e Sabina evoluiu à medida que o tratamento avançava. Primeiro, ela o ajudou a monitorar os testes de associação de palavras, um dos experimentos iniciais de Jung no campo de sua futura psicologia analítica. “É difícil formular um parecer sobre o estado mental de Sabina Spielrein”, escreveu o psicólogo italiano Aldo Carotenuto, autor de Diário de uma secreta simetria, obra em que se debruça sobre a correspondência. “A hipótese mais provável é que ela tenha tido um surto psicótico rapidamente controlado pela intervenção de Jung.”

Ao entrar para a faculdade de medicina, Sabina mudou-se para um apartamento nas proximidades. A relação com seu terapeuta converteu-se em amizade com coloração romântica até se tornarem amantes. Em passeios de barco e longas caminhadas pelos jardins de Zurique, Jung lhe confidenciava seus temores e expectativas em relação às metas de sua vida e às oportunidades que se descortinavam à comunidade internacional de analistas. “Naquela época, não haviam sido dados limites ainda”, afirma Deirdre Bair, biógrafa de Jung. “Os maridos analisavam as mulheres, analistas e pacientes se envolviam livremente em relações sociais e sexuais.” Qualquer apressado julgamento moralista desses “affaires” deve considerar que, àquela altura, a psique ainda era um território desconhecido para os próprios pioneiros da psicanálise.

Ao contrário de Freud, que aos 40 anos já se conformara em “esperar a morte”, Jung, casado com uma herdeira milionária, ansiava por uma amante que pudesse aceitar que o amor “fosse seu próprio fim, em vez de um meio para um fim”. Paul Stern, outro biógrafo, relatou o magnetismo de Jung por todo tipo de mulheres neuróticas, que se sentiam incompreendidas. Não demorou muito para que o caso com Sabina viesse a público, na forma de um escândalo amplificado pelas fofocas dos estudantes de medicina.

Sabina proclamava seus sentimentos a quem quisesse ouvir e, provavelmente após uma briga com Jung ou durante uma de suas crises, acusava-o de se recusar a ser pai de seu futuro filho, embora não estivesse grávida. Como se não bastasse, chegou à senhora Spielrein, a mãe de Sabina, uma carta anônima pedindo que viesse resgatar a filha antes que Jung a arruinasse. Segundo a biógrafa Deirdre, as suspeitas a respeito de quem enviou a carta recaem sobre Emma, mulher de Jung, que sempre recusou uma aproximação com Sabina e em várias ocasiões esteve perto de pedir o divórcio ao marido infiel. A senhora Spielrein cobrou satisfação de Jung, a quem considerava o salvador da filha. Por carta, ele se limitou a explicar que, na relação de amizade entre homem e mulher, existia sempre a possibilidade de algo mais ocorrer.

Esse enredo que associa um folhetim de paixão, traição e escândalo à nascente psicanálise e seus protagonistas foi explorado pelo cineasta canadense David Cronenberg em Um método perigoso. Com Keira Knightley encarnando uma histriônica Sabina, Viggo Mortensen no papel de Freud e Michael Fassbender como um charmoso Jung, o roteiro segue com fidelidade biográfica os passos de seus personagens. Os lances que se desdobram à descoberta do romance formam uma cadeia de reações perfeitamente humanas, o que confere ao caso ensinamentos preciosos sobre o fenômeno da transferência e contratransferência envolvendo analisando e analista, e que Freud dizia ser um dos perigos da atividade psicanalítica. Por transferência, entendam-se as imagens e os afetos inconscientes que o paciente projeta no analista ao longo da análise, capazes de gerar vínculos emocionais positivos ou negativos. Contratransferência é o mesmo fenômeno que ocorre com o analista em relação ao paciente.

Numa carta a Freud, sem citar o nome de Sabina, Jung se queixa de uma paciente que “acabara de profanar a amizade da maneira mais mortificante”. Sabina passa a escrever cartas a Freud em que expõe sua versão do tumultuado relacionamento. Freud foi informado que certa vez, numa discussão, Sabina agarrou uma faca, Jung a desarmou e ela o esbofeteou. Desde o início, ele se recusou a atuar como mediador das desavenças do casal. Aconselhou Sabina a suprimir sentimentos negativos a respeito de seu relacionamento próximo com Jung. Naquele período, Freud ainda via Jung como um promissor colaborador, espécie de futuro príncipe da psicanálise. Anos depois os dois romperiam, um tanto por divergências científicas, outro por incompatibilidade de gênios. Jung não queria encarnar o papel de discípulo conformado. É interessante observar que, enquanto Freud viveu cercado por uma confraria de discípulos vienenses, a maioria de ascendência judaica, Jung encontrou nas mulheres companhia para sua viagem ao inconsciente. Toni Wolff, a amante que sucedeu Sabina, Barbara Hannah, Aniela Jaffe, Yolanda Jaccobi, Marie-Louise von Franz e Emma Jung, com quem se casou, perfilam-se na linha de frente da corte junguiana.

A aproximação de Sabina com Freud deu-se depois que ela se graduou na faculdade de medicina, em 1911, com uma tese intitulada O conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia, sob orientação de Jung. Sabina se mudou de Zurique para Viena, onde conheceu Freud e passou a participar dos seminários de quarta-feira, debates em que impressionou o mestre e seus discípulos. O segundo trabalho de Sabina, A destruição como causa do nascimento, influenciou um dos focos centrais de Freud e fez Sabina ser lembrada como precursora do instinto de morte. “Nesse segundo texto, ela antecipava, quase palavra por palavra, os princípios de Freud em Para além do princípio do prazer, afirma Carotenuto. Sua influência sobre Jung foi muito além da teoria. Em suas memórias, Jung descreve seu confronto com o inconsciente e a certa altura refere-se à voz de uma paciente, “uma inteligente psicopata que tinha por mim uma forte transferência e que estava impressa em minha mente como uma figura viva”. O caso também é citado em A psicologia da transferência.

No início da década de 1920, casada com um médico, Sabina retornou a sua cidade natal na Rússia. Ali, se juntou ao movimento da psicanálise, ajudando a difundir a nova disciplina até 1936, quando ela foi posta na ilegalidade pelos bolcheviques. Entre as poucas informações obtidas sobre Sabina no período há o fato de que ela organizou um jardim de infância com a intenção de oferecer uma vida melhor às crianças com problemas em seus lares. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, Sabina e suas duas filhas foram mortas por nazistas. O psicólogo e escritor austríaco Bruno Bettelheim foi quem provavelmente melhor sintetizou o papel exercido por Sabina Spielrein em relação à dupla de monstros sagrados da psicologia do século XX: “Enquanto Freud e Jung permitiram que seus impulsos destrutivos os afastassem um do outro, Spielrein defendeu até o fim o impulso criativo que, ela esperava, uniria os dois em um empreendimento comum”.

Realização

Posted in Comportamento, Geral with tags , , , , , , , , , , , , on agosto 31, 2011 by Psiquê

Muitas vezes me pego planejando, pensando nos meus próximos passos e buscando aperfeiçoamento constante. Essa é uma tendência que não devo abrir mão nunca, mas é muito válido reconhecer as pequenas conquistas diárias e elas têm sido muitas, graças a Deus!!!

Quilos a menos, provas realizadas, carteira tirada, relacionamento no trabalho bem melhor, criatividade aflorando, roupas novas (momento fútil, rsrsr), cabelos transformados, preguiça e cansaço vencidos, de certa maneira, algum reconhecimento profissional, saúde em dia e blog bombando. Ontem o Espartilho registrou 1027 acessos e isso é o máximo. Faltam apenas 2 meses para completar mais um ano e chegar ao seu 4º ano de vida!!! Estou muito feliz.

Para completar o Festas e Afins foi criado, e embora com pouco tempo livre, com muita energia e vontade de que ele também cresça e apareça rsrsrs.

Bem, a caminhada continua, mas é muito importante reconhecermos nossas pequenas vitórias cotidianas e tenho fé de que elas serão ainda em maior número!

O número do meu destino

Posted in Comportamento, esoterismo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 1, 2009 by Psiquê

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A revista Nova deste mês de março trouxe uma reportagem muito legal sobre numerologia. Segundo a reportagem, a data em que viemos ao mundo revela inclinações e aptidões que influenciam nossas atitudes e desejos. Para descobrir esse número especial, é preciso somar dia, mês e ano de nascimento, até encontrar um número de 1 a 9 ou o número 11, que é um número mestre e não deve ser reduzido a 2.

Adivinhem o meu resultado? Número mestre 11. Vou descrevê-lo para vocês, pois adorei!

ONZE – INSPIRADORA

Intuitiva, idealista e inspiradora, você tem uma compreensão da realidade que não está ao alcance de muitos. É capaz de iluminar o mundo com suas ideias, apesar de muitas vezes, não ter a completa noção de sua força interior. O 11 apresenta um magnetismo de abalar quarteirão, minha amiga! Você exerce fascínio sobre os que a cercam e, se souber aproveitar esse dom para transmitir seu conhecimento, se sentirá plenamente realizada. Sua mente original permitirá ter sucesso em qualquer iniciativa, inclusive artísticas. No entanto, uma vez que sua missão é usar a sabedoria para mostrar novos caminhos aos outros, se dará melhor em trabalhos que utilizem suas habilidades de aconselhamento e orientação, como professora ou terapeuta. Com forte inclinação para a fama, deve escapar com todas as forças da tentação de bancar a cheia de si. Vale tomar cuidado para não ser dragada pela ambição, pois ela pode arruiná-la. Perfeccionista, às vezes sofre de ansiedade, impaciência e instabilidade emocional. Em tempo: você se interessa muito pelos mistérios da existência. Caso não suporte a intensa energia do 11, pode reduzir sua força para 1 + 1= 2. Por isso, vale a pena ler também essa lição de vida.

DOIS – FEMININA

O número 2 é o do relacionamento, da cooperação e da paz. Você está aqui para ligar as pessoas umas às outras. É aquela que encoraja e promove aqueles com algo valioso a oferecer. Sim, haja paciência enquanto observa os outros alcançarem o sucesso. Mas não adianta imitar a postura ambiciosa dos líderes. Essa não é sua inclinação. Melhor desenvolver uma atitude tranquila e generosa, que sempre leve em conta os sentimentos alheios. Boa amiga, precisa saber que é amada. Domina a arte da diplomacia. Mas, dependendo da situação, pode ser tanto supersensível e passiva quanto agressiva, controladora, crítica e cruel. Cuidado para não se tornar dissimulada, maliciosa e manipuladora. Trate de aprender a dizer não e a resistir às pressões para evitar confrontos. E jamais negue o que está sentindo.

Se quiser saber um pouquinho dos eu perfil, calcule seu número e corra até as bancas para garantir a edição de março.

Grande beijo!

Será mesmo difícil encontrar um parceiro?

Posted in Comportamento, Relacionamento with tags , , , , , , , , , , , on abril 9, 2008 by Psiquê

Photo by Marcus Ohlsson

Inspirada no bate-papo entre duas escritoras Lya Luft e Martha Medeiros (a revista Gloss errou e colocou Mendonça) resolvi escrever esse post. A conversa entre as duas versou sobre os homens que na concepção delas e na minha não são todos iguais, não só pensam naquilo, são legais, nem são todos infantis como costumavam nos convencer nossas avós rsrs.

Vejo várias mulheres reclamando que não encontram um parceiro legal, que os homens são uns cafajestes, que só pensam em futebol e sexo, que querem usar, que não são românticos, que não querem compromisso, etc… Ao mesmo tempo, tenho vários amigos que reclamam que não encontram uma parceira legal. Onde estão essas pessoas que não se conhecem, não se encontram, não enxergam uns nos outros o companheiro que tanto procuram?

Na verdade acho que é tudo uma questão de individualismo, egoísmo e um nível excessivo de exigência e intolerância. Para se relacionar é preciso ceder e amar. Nem sempre isso é aceito pelas pessoas. Muitos querem ter razão o tempo todo, querem apenas satisfazer seus próprios desejos e não ceder em nada…

Martha disse: “Às vezes eu penso que sou muito sortuda, porque os homens com quem convivo não são assim, não reconheço isso neles. São românticos, são amorosos, são parceiros. E mesmo que possam parecer rudes, me tratam como uma lady (risos)”.

Lya completa dizendo tudo: “E com homem que não é assim a gente não se relaciona! Acho que em grande parte dos relacionamentos a mulher tem aquela avidez de ter um cara do lado, parece que não está inteira sem esse aval(…)”

Para Martha, e eu concordo com ela, a felicidade é uma combinação de sorte com escolhas bem-feitas. Isso faz com que as escolhas dêem certo em todas as áreas. Mas a disposição interna de enxergar coisas boas acaba atraindo coisas positivas, completa.

Os relacionamentos em geral são difíceis, mas precisamos estar abertos a conhecer as pessoas, admirar, respeitar e aprender com elas. Ter razão em tudo só nos faz ficar sozinhos e a inflexibilidade também. Amar e estar ao lado de alguém é gostoso e apesar de requerer compreensão, dedicação, carinho e respeito, não inclui anulação.

Meninas, acordem, os homens são bons. Meninos, prestem atenção nas grandes mulheres que estão dando sopa por aí. Abram suas vidas para a oportunidade de se conhecerem e deixem de ser tão presos a crenças discriminatórias e egosístas.

Um beijo e até a próxima!

Quem ama perdoa e quem perdoa ama!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , on fevereiro 12, 2008 by Psiquê

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Fiquei impressionada com a facilidade do padre Fabio de Melo (Canção Nova) de lidar com as palavras e da profundidade que consegue aplicar a cada programa que apresenta. Coincidentemente, fui apresentada ao vídeo abaixo na mesma semana em que lidava com uma situação próxima a mim que envolvia a necessidade de perdão.

Incrível como ele soube resumir tão profundamente o que significa esse ato: PERDOAR.

“Perdão é isso: você pega a metade da razão de um e da razão do outro e tem uma inteireza. Perdão é abrir mão de ser inteiro na razão. Se a gente continuar querendo ser inteiro, não sobra espaço para o outro. O caminho que nos faz reconciliar é o significado que um tem para o outro. Muitas vezes, nossa incapacidade de perdoar o outro surge porque a gente só pensa no que o outro fez. A gente só consegue perdoar quando pensa o que outro é e não apenas no que ele fez. A gente só perdoa quando esquece o que o outro fez e pensa no que aquela pessoa é para nós. Qual o significado que nos une. O significado prevalece sobre o acontecimento. Acontecimentos são temporários – as pessoas mudam -, o significado permanece”. Padre Fábio de Melo

No calor da mágoa, da decepção todos nós nos achamos incapazes de perdoar. Pode ser um decepção amorosa, uma briga entre irmãos, pais, amigos… a capacidade de perdoar  passa pela nossa reflexão sobre o que aquela pessoa que nos magoou significa para nós. A chance dessa pessoa mudar e rever seus atos, pelo simples fato dela significar muito para nós é resultado de nossa capacidade de amar o outro.

As pessoas mudam e podem a partir de um erro serem melhores e caberá a nós sabermos se mais importante do que um erro é o relacionamento com aquele outro. Um outro que pode ser pai, mãe, amigo, namorado, irmão. Claro que há situações em que o outro e sua atitude pouco importam, mas quando não é essa a situação mais vale refletirmos e avaliamos se vale a pena perdoar a optar por sofrer a vida inteira por orgulho.

A difícil e gostosa arte de se relacionar…

Posted in Relacionamento with tags , , , , , , , on janeiro 13, 2008 by Psiquê

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Ontem refletindo sobre a fase de amigos casando que estou vivendo, pensei a respeito das pessoas que reclamam que não conseguem encontrar uma companhia legal, que dê certo e que se transforme em uma relação gostosa e feliz.

Há alguns meses a revista UMA falava sobre casamento e a matéria tratava da busca por um amor ou uma aliança. Questionava as razões que levam as pessoas a casarem e refletia sobre os motivos errados que podem atrapalhar o futuro da relação. Esse não será o tema desse post, mas vale citar alguns dos exemplos de motivos errados que a mesma destacava:

  1. medo de ficar sozinha;
  2. idade avançada;
  3. busca de estabilidade financeira;
  4. vontade de ser mãe, etc.

A verdade é que gostar de estar ao lado daquela pessoa e amá-la é que deve ser o real motivo de querer casar, pois todos os outros motivos acima descritos podem e devem ser resolvidos de outra forma, do contrário não há casamento que se sustente.

O tema que me levou a escrever hoje, no entando, considera os relacionamentos em geral, mas com especial atenção aos relacionamentos amorosos. Ter um namorado (a), companheiro (a), marido (esposa) ou o que seja depende de estar disposto a ceder em uma série de aspectos. Como toda a relação social, (con) viver com o outro exige que estejamos dispostas a abdicar de algumas coisas pelo outro ou pelo bem dos dois. Enquanto quisermos encontrar alguém que só satisfaça nossas vontades individuais e egoístas a única forma de encontrar satisfação total, nessas circunstâncias, é vivendo sozinhas. Afinal, somente nós mesmas podemos satisfazer nossos desejos o tempo todo.

A vida não é assim! Claro que ninguém precisa deixar de ser quem é para ter alguém, é perfeitamente possível encontrar alguém que nos queira pelo que somos, que nos admire, que goste de estar ao nosso lado: é isso que se busca em uma relação, mas é impossível acreditar que qualquer relação possa dar certo sem que tenhamos consciência de que em algum momento tenhamos que fazer concessões.

Portanto, amigas (os) do Espartilho, o caminho é o mesmo que sempre tratamos aqui: amar-se, respeitar-se, estar segura do que se é e do que se quer, dialogar e aprender a ceder quando for necessário. Sejam felizes e até a próxima.

Nem uma coisa nem outra: não há fórmula pronta!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , on dezembro 10, 2007 by Psiquê

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Meninas, antes de começar o meu post eu quero declarar que estou muito feliz! O motivo de minha felicidade veio depois  de conhecer o  9320k’s  a partir do seu comentário aqui no Espartilho. Estou encantada em saber que meu propósito está sendo alcançado:  tratar dos assuntos que envolvem o nosso universo (feminino) e ajudar esse público a discutir os temas que atingem diretamente nossa vida.

Agora vamos ao tema do dia.

Estava lendo a revista Nova desse mês, quando me chamou atenção o fato de em páginas quase seguidas a mesma tratar: das “últimas românticas”, mulheres que querem preservar sua virgindade, que não pretendem exibir sensualidade, etc. Logo depois, outra seção trazia à tona a busca de como ser sexy, falava a respeito de um curso de sensualidade com direito até a Gogo Boy.

Apesar de achar interessantíssimas as duas abordagens fiquei me perguntando: será que de fato existem esses dois extremos? É possível apreender padrões de comportamento e seguir regrinhas como uma bula de remédio? Já imaginou como deve ser duro para um ou outro grupo ter que se adaptar a qualquer desses “padrões de comportamento”. Será que existem esses grupos estanques, ou isso tudo é convenção?

Esses questionamentos me inquietaram até que resolvi trazer o assunto para cá. Definitivamente, creio que não adianta procurar seguir normas e fórmulas prontas tanto para agir de uma forma ou de outra. Afinal, as pessoas são diferentes, os relacionamentos são distintos, o que funciona para um pode não funcionar para outro.

Sensualidade tem muito mais a ver com auto-estima e, sobretudo, com sensibilidade em relação ao parceiro, ao que ele deseja, ao que ele gosta em você e vice-versa. Por isso, definitivamente, ainda que ache válido e muito interessantes, leituras, cursos, lingeries novas, tudo deve partir de “dentro para fora”.  As leituras servem para rompermos com alguns padrões que nos são passados já na infância por nossos pais, escolas, religiões, mas cabe a nós pesarmos tudo e definirmos o nosso caminho.

Mulheres acordem, valorizem-se, amem-se, admirem-se e se relacionem com quem também desejam, admiram e amem, mas que acima de tudo: tenham reciprocidade nesse sentimento.  Esse é o caminho, longe de fórmulas a serem seguidas, construa seu próprio caminho e conheça aquilo que você e seu parceiro gostam.

Um beijo! Já estava com saudades de vocês!