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Sapiossexualidade

Posted in Comportamento with tags , , , , , on outubro 14, 2015 by Psiquê

Este texto foi originalmente publicado no CONTI outra, e como achei muito interessante resolvi compartilhar com vocês, queridos seguidores do Espartilho.

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Sapiossexualidade: Quando a libido é estimulada pela admiração intelectual

O prefixo da palavra tem origem do latim sapien, que significa inteligência. Inclusive temos uma palavra em nosso vocabulário que já podia dar noção do que se tratava, mas infelizmente nem é tão utilizada assim: sapiência.

sapiossexualidade é a atração sexual que uma pessoa sente pela inteligência, visão de mundo e toda a bagagem cultural de outra pessoa. É importante dizer que uma pessoa sapiossexual não se importa, portanto, com o gênero da pessoa pela qual ela está atraída. Ela sente atração pela inteligência e conhecimento que a pessoa tem, independente do sexo da pessoa.

Isso não significa que todos os sapiossexuais repudiem beleza ou não achem seus parceiros bonitos. A atração vem da inteligência, o que não elimina outros aspectos da pessoa.

A terminologia foi supostamente criada por Darren Stalder, que afirma ter inventado a expressão em 1998. O termo só pegou mesmo, no entanto, a partir de 2008, graças, em parte, à escritora erótica Kayar Silkenvoice, que criou o domínio Sapiosexual.com em 2005.

Silkenvoice afirma nunca ter feito sexo ruim. Porque ela é atraída a pessoas inteligentes, crê que essas pessoas são mais inteligentes até mesmo na cama. Elas não partem do princípio que sabem do que o outro gosta, e adoram ganhar conhecimento. Sendo assim, querem aprender o que faz o seu parceiro feliz, descobrir como tornar o sexo o melhor possível.

Indicações para estudar sobre gênero e sexualidade

Posted in Comportamento, Gênero, Sexualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 10, 2015 by Psiquê

Meus amores, desculpem a ausência. Tanta coisa acontecendo e meu tempo para me dedicar ao querido e sempre presente Espartilho, acabou diminuindo.

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Compartilho com vocês um texto com dicas interessantes para o estudo de gêneros e sexualidade em um texto da Julieta Jacob no site Erosdita. Interessantíssimo, não deixem de ler…

*TEXTO: Angie C. Bautista Silva, Caio Castro, Cássio Oliveira, Cícera Amorim, Katarina Vieira, Maria Eduarda Barbosa, Suênia Azevedo

Seja você pesquisador(a) ou apenas uma pessoa curiosa sobre o assunto, vale a pena dar uma olhada nas sugestões a seguir. Todos os textos já estão com link para download. E se você tiver outras dicas para indicar, é só deixar nos comentários. A gente agradece!

1- Problemas de Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade. Autoria: Judith Butler

Judith Butler propõe observar, de maneira geral, o modo como as fábulas de gênero estabelecem e fazem circular sua denominação errônea de fatos naturais. Os textos estão reunidos de modo a facilitar uma convergência política das perspectivas feministas, gays e lésbicas sobre o gênero com a da teoria pós-estruturalista.

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>>> CLIQUE AQUI PARA LER Problemas de Gênero

2- História da Sexualidade – A Vontade de Saber – Vol. 1. Autoria: Michel Foucault

Ao longo dos anos 1970, Michel Foucault dedicou seu trabalho no Collège de France à análise do lugar da sexualidade na sociedade ocidental. Sua reflexão encontrou no sexo e na sexualidade a causa de todos os acontecimentos da vida social. O filósofo empreendeu uma pesquisa histórica, estabelecendo uma antropologia e uma análise dos discursos acerca desse tema tão fundamental para a condição humana. É reconhecidamente um dos grandes trabalhos do pensador e fonte de pesquisa e consulta para milhares de estudiosos.

>>> CLIQUE AQUI PARA LER A História da Sexualidade

3- A Reinvenção do Corpo: Sexualidade e Gênero na Experiência Transexual. Autoria: Berenice Bento

Este livro se ancora em histórias de vida de pessoas que mudaram o corpo, cirurgicamente ou não, para se tornarem reais, para não serem “aberrações” (expressão comum entre os/as transexuais), e sugerirá que as explicações para a emergência da experiência transexual devem ser buscadas nas articulações históricas e sociais que produzem os corpos-sexuados e que têm na heterossexualidade a matriz que confere inteligibilidade aos gêneros. Ao mesmo tempo porporá que o suposto “transexual verdadeiro”, construído pelo saber médico, que tem como objetivo final para implementação da masculinidade/feminilidade a realização das cirurgias de transgenitalização, esbarra em uma pluralidade de respostas para os conflitos entre corpo, sexualidade e identidade de gênero internas à experiência transexual.

>>> CLIQUE PARA LER A Reinvenção do corpo

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4- Manifesto Contrasexual — práticas subversivas de identidade sexual. Autoria: Beatriz Preciado

Aqui, o aclamado filósofo espanhol (no masculino mesmo) Beatriz Preciado dinamita, com seu humor corrosivo e rigor teórico, tudo aquilo que se entende por sexualidade. Os estereótipos homem/mulher, homo/hétero, natural/artificial vão progressivamente sendo despedaçados através das análises que o autor faz sobre o dildo, a história do orgasmo e a atribuição de sexo. Se de início é curiosamente divertido, a cada capítulo aprofunda-se nas contradições relacionadas às noções contemporâneas de gênero e desejo. É inspirado pelo pensamento de Michel Foucault, Gilles Deleuze, Judith Butler e Jacques Derrida que o autor inaugura a contrassexualidade: uma teoria do corpo que é, também, estratégia de resistência ao poder.

>>> CLIQUE AQUI PARA LER Manifesto Contrassexual

5- Gênero, Sexualidade e Educação – Uma Perspectiva Pós-estruturalista. Autoria: Guacira Lopes Louro

Este livro tem o caráter de introdução aos estudos de gênero. Apresenta conceitos e teorias recentes no campo dos estudos feministas e suas relações com a educação. Estuda as relações do gênero com a sexualidade, as redes do poder, raça, classe, a busca de diferenciação e identificação pessoal e suas implicações com as práticas educativas atuais. Tanto serve de material para estudantes como para professoras/es, como incentivo amplo à iniciativa feminista e de outros grupos.

>>> CLIQUE PARA LER Gênero, Sexualidade e Educação

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6- Pensando o Sexo: Notas para uma Teoria Radical das Políticas da Sexualidade. Autoria: Gayle Rubin. 

Rubin afirma a necessidade da separação analítica entre gênero e sexualidade, pensando o sexo como um vetor de opressão que atravessa outros modos de desigualdade social, tais como classe, raça, etnicidade ou gênero. A autora questiona a fusão cultural de gênero com sexualidade, feita por feministas radicais anti-pornografia, para as quais a sexualidade organiza a sociedade em dois sexos (um dos quais oprime o outro).

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7-  Gênero: uma categoria útil para análise histórica. Autoria: Joan Scott 

O próprio título do artigo anuncia o gênero como um executor teórico-metodológico para análise histórica. Por isso, Joan Scott inicia o artigo desconstruindo a intenção de se implementar certas ideias às coisas, evidenciando que assim como as palavras, as ideias também têm seu dinamismo e contexto social.

>>>CLIQUE PARA LER Gênero: uma categoria útil para a análise histórica 

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8- Gênero e sexualidade nas pedagogias culturais: implicações para a educação infantil. Autoria: Jane Felipe de Souza

O artigo visa problematizar as relações existentes entre pedagogia, gênero e sexualidade na educação infantil, a partir da perspectiva dos Estudos Culturais e dos Estudos Feministas. A autora considera que a pedagogia e o currículo devem ser compreendidos a partir de sua intrínseca relação com as questões históricas, políticas e culturais, todas elas envolvidas nas tramas do poder, no sentido que lhe confere Foucault (1992).

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9- Sexualidade, cultura e política: a trajetória da identidade homossexual masculina na antropologia brasileira. Autoria: Sérgio Carrara e Júlio Assis Simões

O texto tenta explorar a forma como, supostamente, o brasileiro organiza as categorias ou identidades sexuais, transformando-se às vezes num eixo para a construção de uma identidade nacional caracterizada como exótica, retardatária e “não-ocidental”. Também traça paralelos entre dois momentos da reflexão sobre as relações entre sexualidade, cultura e política.

>>> CLIQUE PARA LER Sexualidade, cultura e política 

10- Gênero e sexualidade: pedagogias contemporâneas. Autoria: Guacira Lopes Louro

A autora visa mostrar que gênero e sexualidade são construídos através de inúmeras aprendizagens e práticas, empreendidas por um conjunto inesgotável de instâncias sociais e culturais, de modo explícito ou dissimulado, num processo sempre inacabado e diz que na contemporaneidade, essas instâncias multiplicaram-se e seus ditames são, muitas vezes, distintos.

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11- Quando o “estranho” resolve se aproximar: a presença da professora transexual e as representações de gênero e sexualidade no ambiente escolar. Autoria: Tiago Zeferino dos Santos

A pesquisa tem como objetivo geral analisar as representações de gênero e sexualidade (re)produzidas no espaço escolar por estudantes e profissionais de educação a partir da inserção de uma professora autodefinida transexual em uma escola de Ensino Fundamental da cidade de Tubarão/SC.

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12- Violência de Gênero, Sexualidade e Saúde. Autoria: Karen Giffin

O presente artigo discute os resultados de uma recente análise de dados internacionais sobre a violência contra a mulher, bem como as consequências para a saúde dessas formas de violência, nas quais o perpetuador é normalmente o parceiro da vítima. A segunda parte do artigo desenvolve questões relacionadas às raízes da violência, incluindo a construção social de identidade de gênero, relações de gênero e sexualidade, dentro de uma tradição dualista que separa mente e corpo, enfatizando elementos biológicos da sexualidade e definindo homens e mulheres como radicalmente diferentes. Para concluir, argumenta que as atuais críticas à visão dualista tem construído novas e mais integradas visões a cerca das sexualidades e seres humanos.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Karen Giffin

13- Sexualidade e gênero: ensaios educacionais contemporâneos. Autoria: Maria Rita de Assis César

Este texto analisa alguns dos caminhos que os discursos e as práticas sobre a sexualidade e o gênero percorreram na instituição escolar brasileira, em especial nas últimas décadas. A partir de uma perspectiva ancorada nos conceitos de Michel Foucault, especialmente nas noções de dispositivo da sexualidade e biopolítica, analisou-se a produção discursiva e institucional acerca da sexualidade na escola. A partir de questionamentos oriundos da teoria queer realiza-se uma reflexão contemporânea sobre a sexualidade na escola a partir de autoras feministas como Judith Butler e Deborah Britzman, que demonstram as (im)possibilidades de uma abordagem sobre a sexualidade que se dê de forma a interrogar os dispositivos de controle e manutenção da ordem discursivo-social.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Maria Rita

14- Educação e docência: diversidade, gênero e sexualidade. Autoria: Guacira Lopes Louro

Minha proposta é compartilhar e discutir com vocês algumas reflexões. Entendo que esse trabalho não é apenas teórico, mas é também político. As questões em torno dos gêneros e das sexualidades não envolvem apenas conhecimento ou informação, mas envolvem valores e um posicionamento político diante da multiplicidade de formas de viver e de ser. Como a escola tem lidado com tudo isso? Como nós, professoras e professores, nos vemos diante dessas questões? Quais são nossos pontos de apoio e onde se encontram nossas fragilidades e receios?

>>> CLIQUE PARA LER o texto Educação e docência

15- Gênero, sexualidade e a produção de pesquisas no campo da educação: possibilidades, limites e a formulação de políticas públicas. Autoria: Jane Felipe

O presente texto tem por objetivo discutir a produtividade do conceito de gênero como ferramenta teórica e política, abalando certezas tão firmemente alicerçadas em torno das diferenças biológicas, que serviram durante muito tempo para justificar as desigualdades entre homens e mulheres. A consolidação dos Estudos de Gênero, dos Estudos Gays e Lésbicos e da Teoria Queer no campo acadêmico traz a possibilidade de pensar que existem muitas formas de viver as masculinidades e as feminilidades e que estas são construções sociais e culturais, elaboradas minuciosamente por inúmeros discursos, áreas de conhecimento e instituições.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Jane Felipe

16- Ser professora, ser mulher: um estudo sobre concepções de gênero e sexualidade para um grupo de alunas de pedagogia. Autoria: Ana Paula Costa e Paulo Rennes Marçal Ribeiro

Este trabalho tem por objetivo investigar as concepções de relações de gênero de um grupo de alunas do curso de Pedagogia que já atuam na educação escolar como professoras. Para a realização desta pesquisa qualitativa, de tipologia analítico-descritiva, foi utilizada uma entrevista semiestruturada com as universitárias escolhidas. A construção e a análise do objeto têm como fundamentação teórica os estudos de Michel Foucault, Joan Scott e Guacira Lopes Louro. Constatamos que, em um processo de “acomodação” e “resistência”, as categorias “mulher” e “professora” se fundem, o que obscurece, em certa medida, a atuação da professora como profissional da educação.

>>> CLIQUE PARA LER Ser professora, ser mulher

17- Diversidade sexual e de gênero na escola. Autoria: Alexandre Bortolini

A coexistência de diferentes sujeitos e construções culturais no interior da escola nos faz pensar sobre os processos de interação que se dão nesse contexto de relações sociais. Diferentes correntes vêm produzindo teorias e categorizações que nos ajudam a pensar essas relações que envolvem igualdade, desigualdade e diferença. A idéia aqui é tentar pensar sobre a diversidade sexual e de gênero na escola numa perspectiva relacional, problematizando essencializações identitárias, entendendo essa questão como indissociável dos debates que hoje povoam esse campo mais amplo e trazendo não só os(as) autores(as) que trabalham com gênero e sexualidade, mas também as contribuições das discussões sobre cultura e interculturalidade.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Alexandre Bortolini

18- O gênero nas políticas públicas de educação no Brasil: 1988-2002. Autoria: Cláudia Pereira Vianna e Sandra Unbehaum

Orientado pela teoria das relações de gênero, este artigo examina as principais leis, planos e programas federais que especificam as diretrizes nacionais das políticas públicas de educação no Brasil. Entre os documentos privilegiados para análise destacam-se a Constituição Federal (CF/1988), a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB/1996), o Plano Nacional de Educação (PNE/ 2001) e os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (PCN/1997). Mostramos que adotar a ótica de gênero para a análise dessas políticas permite avaliar como elas podem facilitar ou dificultar a aquisição de padrões democráticos, uma vez que a política educacional não tem um papel neutro, dissociado de preconceitos, entre os quais destacamos o de gênero.

>>> CLIQUE PARA LER O Gênero nas políticas públicas

 

Uma orgia para ir em cadeira de rodas

Posted in Comportamento, Relacionamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 16, 2015 by Psiquê

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Definitivamente eu amei a abordagem deste tema e resolvi trazer para o Espartilho.

O documentário Yes, We Fuck! nos mostrou que pessoas com deficiência podem ter uma vida sexual ativa e satisfatória. No dia 14 de agosto, uma iniciativa em Toronto, no Canadá mostrou ao mundo que elas também podem participar de orgias, mesmo em uma cadeira de rodas. Nesse dia foi realizado em Toronto a primeira festa do sexo mundial, criada especialmente para esse grupo. O evento Deliciously Disabled, claro, é aberto a todos e não apenas àqueles com algum tipo de deficiência.

O evento foi descrito por uma de suas organizadoras, Stella Palikarova, modelo que sofre de atrofia muscular espinhal, como “a queda do Muro de Berlim para a sexualidade das pessoas com deficiência“. A ideia de organizar a festa foi de Stella, como resultado de uma antiga insatisfação, ao constatar a concepção da sociedade de que a libido de uma pessoa que não pode andar não deve estar muito bem, mas como ela mesma disse ao jornal Toronto Sun “muitos que estão em cadeiras de rodas podem ter uma sexualidade satisfatória, até melhor do que muitas pessoas normais. Ao tornar esse evento acessível a pessoas com deficiência, estamos dizendo abertamente que também são seres sexuais”.

Andrew Morrison-Gurza, consultor de pessoas com deficiência, também está entre os organizadores e emprestou sua imagem —nu em uma cadeira de rodas— para o cartaz do evento. Morrison comentava ao jornal britânico Daily Mail: “Queremos dar às pessoas com deficiência a oportunidade de ser protagonistas de uma festa sexual e positiva — algo jamais visto antes—, mas também ensinar àqueles que não têm nenhuma deficiência todas essas delícias. Esse evento foi criado para mostrar que deficiência e sexualidade são acessíveis a todos”. Fátima Mechtab, outra encarregada dos preparativos, disse à S Moda que “a festa está aberta a todos os tipos de corpo, habilidades e orientações sexuais” e vai contar com assistentes sexuais, intérpretes para surdos e todos os tipos de elevadores, rampas e sistemas para facilitar a circulação do grupo que protagoniza a festança.

A sexualidade das pessoas com mobilidade reduzida tem chamado a atenção do público recentemente. O filme As Sessões (2012) já abordava a polêmica questão dos assistentes sexuais em uma história na qual um jornalista e poeta tetraplégico com um pulmão artificial, interpretado por John Hawkes, decide perder sua virgindade nas mãos de sua terapeuta sexual, interpretada por Helen Hunt. Há alguns meses também estreou Yes, We Fuck!, que tentou responder à pergunta que muitos fazem sempre que veem alguém com algum tipo de deficiência. O filme não só demonstrou que esse grupo tem relações sexuais, mas que também se masturba e explora cada centímetro de pele em busca de sensações. Muitos deles têm uma sexualidade complexa, curiosa e aventureira. O documentário faz sucesso na América do Sul e em outras partes do mundo, embora nem tanto nos EUA. “Nosso objetivo era visualizar em imagens o âmbito da sexualidade dessas pessoas, algo que desconhecemos, como seus corpos”, diz Raúl de la Morena, diretor do filme em parceria com Antonio Centeno. “No entanto”, continua, “também quisemos mostrar não só o que a experiência da sexualidade pode fazer pelas pessoas com deficiência, mas também o que a realidade desse grupo pode acrescentar à sexualidade humana. No meu caso, serviu para aprender muitas coisas sobre minha própria sexualidade”.

Carlos de la Cruz é sexólogo, diretor do mestrado de sexologia da Universidade Camilo José Cela e vice-presidente da Associação Sexualidade e Deficiência, que visa melhorar a qualidade de vida de pessoas com todos os tipos de deficiência, com especial ênfase em educar e prestar apoio à sexualidade desse grupo. O especialista vê com bons olhos a realização da festa em Toronto, embora dependa do objetivo de cada um. “Se alguém entra pela porta do desejo, vai acabar se divertindo; mas se entra pela porta da obrigação, o resultado pode ser um pouco diferente, porque às vezes há muito esforço para que as pessoas com deficiência consigam tudo, e o que importa é propiciar. Há um ditado bem conhecido desse grupo que diz: ‘Para que serve uma rampa?’. A maioria das pessoas responde subir escadas. Não, uma rampa é usada para decidir se quero subir a escada ou não”.

A partir dessa associação sabem que melhorar a vida sexual de pessoas com algum tipo de deficiência tem um impacto significativo sobre sua qualidade de vida, mas as barreiras não são sempre físicas nem arquitetônicas; as mentais são as mais difíceis de superar. “O problema é que ainda se confunde sexualidade com relação sexual, e uma pessoa com deficiência pode nunca ter relações sexuais, por isso começa a ser percebida como assexuada. Essa mentalidade, essa ideia errônea sobre sexualidade que ainda persiste, se torna muito clara quando diferenciamos deficiências adquiridas ou de nascença e a maneira de encará-las. Se eu pensar, por exemplo, que minha sensibilidade está no pênis e de repente ele desaparece, eu desabo; mas se eu tiver outra ideia do sexo, busco outras possibilidades e tento sentir outras partes do corpo. Quanto mais próxima a pessoa estiver do modelo padrão de relações sexuais e este for quebrado de repente, mais se sofre. É o que acontece com muitos homens que tiveram lesões na coluna vertebral e estavam acostumados a adotar um papel muito ativo e genital. As pessoas com diversidade funcional que pedem a construção de rampas ou táxis adaptados para transportar cadeiras de rodas não pedem só para elas, também fazem isso para facilitar a vida daqueles que os levam. Deveria ocorrer o mesmo com a sexualidade. Mudar nosso conceito tradicional de sexualidade não é bom apenas para aqueles que têm deficiências, mas para todos.”

Dentro do grupo de pessoas com deficiência, as pessoas com algum problema intelectual são os párias dessa casta, já que, de acordo com De la Cruz, “é necessário que outra pessoa aceite entender suas necessidades sexuais. Me refiro aos cuidadores ou aos pais, que também precisam ser educados. E nem todos são a favor que seu filho se masturbe ou tenha a porta do quarto fechada. Na associação, tentamos tocar vários pontos: oferecer informações, embora não a peçam, e incentivar o desenvolvimento pessoal, porque se a rejeição é ruim, a superproteção também é. Muitas vezes, os corpos dessas pessoas, as que precisam ser vestidas ou ajudadas a se mover, perdem sua privacidade e se tornam corpos tocados por qualquer pessoa. Reivindicamos o direito à intimidade, que possam ser chamados [atrás] das portas, que estas possam permanecer fechadas às vezes. E, finalmente, acredito que as redes sociais de garotos e garotas desse grupo deveriam ser melhoradas, mas não só entre eles, que possam interagir com outras pessoas. Não devemos criar guetos”.

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Cena do filme Carne Trêmula

A polêmica figura do assistente sexual é outro dos temas abordados pelo documentário Yes, we fuck!Uma história protagonizada por Soledad Arnau Ripollés e Teo Valls. Soledad é filósofa, sexóloga, escritora de relatos eróticos, diretora e apresentadora do programa de rádio sobre sexo Acuéstate conmigo (“Durma comigo”) e atriz pós-pornô no curta Habitación (“Quarto”), além de ativista do fórum Vida Independente. Teo é assistente sexual. Soledad, como ela mesma confessou na entrevista coletiva da estreia do documentário, foi a única que não tirou a calcinha no filme, mas justificou em seu discurso, com a ajuda de Teo, já que ela nasceu com uma disfunção que a impede de mexer pernas e braços. A calcinha, para quem quiser saber, era vermelha. “Minha passagem pelo documentário, mostrar meu corpo nu”, conta Soledad, “ajudou-me a me sentir orgulhosa dele, a gostar mais de mim mesma. Existem tantas mensagens: você é defeituoso, assexuado, não é uma pessoa desejável nem sente desejos. A sexualidade está muito genitalizada e é heterossexual e binária. Toda pluralidade é excluída. Todos precisamos de uma boa educação sexual que inclua a diversidade. Não é um fracasso não haver genitais no ato sexual. E se você gosta de penetração e alguém não pode te penetrar com o pênis, pode fazer isso de muitas maneiras, com a língua, com a mão, com brinquedos eróticos.” Para Soledad, a figura do assistente sexual é imprescindível em certas pessoas com um determinado tipo de disfunção, já que sem ela não é possível ter atividade sexual. “Assim como uma pessoa com diversidade funcional precisa de alguém que a ajude a se lavar, a se vestir e a comer… Se quiser se masturbar, tocar-se ou ter sexo virtual, também precisa de assistência. Mas acho que o assistente sexual não é uma pessoa para transar, e sim alguém que te ajuda a transar. Quando você começa a assumir o controle da sua vida e a assumir responsabilidades, é também possível que comece a pensar e desejar experimentar com a sua sexualidade, mas precisará de alguém que tire sua roupa, que mexa suas mãos e as coloque onde você não pode colocar, porque o sexo é um direito, embora não um dever.

Teo Valls mora em Barcelona e chegou à assistência sexual naturalmente, como consequência de seu trabalho como assistente pessoal para pessoas com deficiência. Se para muitos é uma atividade com uma barreira difusa e desconfortável com o mundo da prostituição, para ele isso é muito claro. “Sempre digo que tenho um trabalho sexual e que recebe uma herança do mundo da prostituição, mas não é exatamente o mesmo, já que uma trabalhadora do sexo corre muito mais riscos do que eu. Meu trabalho é ajudar pessoas com algum tipo de diversidade funcional para que tenham sexo quando quiserem, mas não comigo. Posso ajudá-las a ter autoerotismo, a se masturbar, a guiar suas mãos, posso penetrá-las com um vibrador. Sou uma ponte entre o desejo e o prazer “. Teo é a favor que esse profissional seja legalizado, assim como na Alemanha, Bélgica, Suíça, Holanda e Dinamarca, onde também recebem ajuda financeira. “Gostaria que houvesse cobertura legal e que as pessoas com diversidade funcional, que pedissem, tivessem disponíveis algumas horas de assistência sexual.” O contato de Teo com diferentes sexualidades tem mostrado a importância de “aprender a jogar. As possibilidades de prazer são infinitas. A sexualidade tem mais a ver com estar aberto a desfrutá-la do que com a capacidade anatômica ou funcional.”

Morrison-Gurza escreveu um artigo no The Huffington Post intitulado Why Sex With Someone With a Disability is the Best Sex You Could Be Having (Por Que Ter Relações Sexuais Com Uma Pessoa Com Deficiência É o Melhor Sexo Que Você Poderia Ter), no qual destaca os aspectos positivos da sexualidade desse grupo. Entre eles, a necessidade incontornável de conversar e estabelecer acordos e a maior criatividade quando se trata de encontrar novos caminhos para o prazer. “Uma das razões pelas quais ter relações sexuais com alguém com deficiência pode ser melhor é porque você tem de se comunicar, e não quero dizer mais forte!, mais rápido!, Ooh querida!, embora isso também ajude. Quero dizer que você tem que desenhar o sexo, tem que sentar com seu parceiro e dizer o que funciona para você. Tem que falar sobre o que não pode ser feito, o que machuca, o que pode ser divertido ou incrível ou o que você quer provar.” E Andrew continua, “o que eu mais gosto sobre fazer sexo sendo uma pessoa com deficiência é saber que cada vez que faço algo estou redefinindo as normas sexuais e a ideologia do que é desejável dos meus parceiros. Posso excitá-los de maneiras tão diferentes que nunca haviam imaginado antes, com minhas palavras, pensamentos e meu corpo, e desafiar tudo o que achavam que sabiam. Faz com que as pessoas sejam genuínas, saiam do cenário que pensavam ser sexy e acreditem em algo novo em todos os momentos.”

Este texto foi publicado na íntegra e originalmente aqui.

Sobre o mês da mulher…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 19, 2015 by Psiquê

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No último dia 08 de março, vi uma imagem circulando nas redes sociais que resume o que penso que devemos defender nesta data:  “Dia 8 de março* não dê bombom nem florzinha. Dê respeito.” * e nos outros dias, também. Nesta linha de raciocínio e diante de uma série de reivindicações que data ainda suscita, o texto escrito por Túlio Rossi para a Obvious Magazine, me pareceu bastante providencial. Compartilho com vocês a íntegra da reflexão dele, intitulada: “Sobre o mês da mulher: uma conversa de ‘homem para homem’.

“Tenho observado o que penso, esperançoso, ser uma mudança crescente em termos de visibilidade de pautas feministas, no que emergem diversas matizes de posicionamentos e discursos, variando da crítica refratária ao suporte incondicional às diversas lutas travadas por mulheres nos campos dos direitos, da política, do trabalho, da saúde e da sexualidade.

Nesse sentido, chamaram minha atenção os discursos rechaçando, no Dia da Mulher, atitudes tais como oferecer flores, presentes como lingeries e utensílios domésticos e diversas “homenagens” que reforçam justamente os estereótipos que os movimentos feministas tão arduamente vêm combatendo. Entendo que essas críticas atuam em três eixos fundamentais para qualquer possibilidade de transformação rumo a uma sociedade mais igualitária:

1) Atacam o aspecto mercadológico e consumista no qual um importante conjunto de lutas e reivindicações é descaracterizado e obnubilado.

2) Atacam estereótipos de feminilidade e de “romantismo” uma vez que “coincidentemente”, o símbolo utilizado para homenagear as mulheres em seu dia – rosas vermelhas – é também um dos mais expressivos clichês do jogo de sedução tradicionalmente operado no ocidente e que tem nos homens os agentes principais e nas mulheres, um simples objeto de conquista.

3) Obrigam a repensar uma atitude que, culturalmente lida na chave do elogio e da gentileza, inadvertidamente, contribui para a opressão.

Contudo, temos alguns problemas – eu diria até sociológicos – que me levam a direcionar esse texto aos homens, não como um porta-voz do feminismo, pois não tenho direito e legitimidade para isso. Simplesmente, percebo que, se do lado das mulheres há uma crescente conscientização, do lado masculino, por razões que extrapolam o senso de moralidade, essa mudança ainda é deveras tímida.

Não atribuo essa timidez tanto a um ímpeto calculado de manutenção de privilégios masculinos numa sociedade patriarcal. Um trabalhador braçal de baixa escolaridade e renda, formado num âmbito fortemente religioso e tradicionalista, que se casou cedo, teve filhos cedo e aprendeu que “tem o dever” de sustentar esse modelo de família dificilmente é capaz de enxergar seus privilégios.

Alguém que se endivida em nome da manutenção de certos modelos tradicionais de família e papéis de gênero, alguém que aprende que esta é a “ordem natural” das coisas e que deve tolerar toda sorte de abusos em seu trabalho para manter um sistema amplamente opressor certamente terá dificuldades de se ver como privilegiado.

Tenho certeza que uma série de homens que oferece rosas para as mulheres em seu dia acredita honestamente que está fazendo um bem e é incapaz de associar esse gesto “delicado”, “carinhoso”, “gentil” – fiz questão de enumerar adjetivos naturalizados como características predominantemente “femininas” – a qualquer sinal de machismo.

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E quanto um homem ou mulher não precisa ler, estudar, ouvir e refletir para se conscientizar do machismo que opera, diversas vezes, involuntariamente? E quantos efetivamente farão isso em uma sociedade já bem estruturada sobre várias desigualdades que se interpenetram, nas quais aquelas de gênero me parecem mais perversas por serem presumidas como “biológicas”, dificultando para muitos a compreensão de sua construção social e histórica?

Não quero, com isso, parecer condescendente ao machismo; muito pelo contrário. Desejo chamar a atenção principalmente dos homens para a necessidade não apenas de reconhecer que gozamos de privilégios em uma sociedade desigual, mas também de marcar que as questões relacionadas a gênero não devem ser assumidas de acordo com o que toda uma geração aprendeu no Xou da Xuxa como uma eterna disputa de “menino contra menina”.

Proponho aqui um exercício tipicamente sociológico de autocrítica. Jamais um homem poderá sentir na pele os desconfortos, medos e inseguranças que uma mulher sofre em uma sociedade machista – da preocupação em tomar um taxi a escolher o que vestir, por onde andar e aonde ir no sentido de se precaver ao máximo de sofrer uma violência sexual, por exemplo. Mas isso não o impede necessariamente de conscientizar-se criticamente de seus gestos e mudá-los.

Penso que é possível aos homens cultivarem mais empatia e, nesse sentido, às vezes tentarem se imaginar no lugar das mulheres com quem interagem. Se o sujeito não tem imaginação suficiente para isso, que tal, simplesmente, escutar? Que tal se dar alguns minutos para ler alguns depoimentos de mulheres em diversos movimentos difundidos na internet como o “Chega de Fiu fiu”?

Que tal se perguntar antes de oferecer uma rosa vermelha – que, vinda de um homem para uma mulher, frequentemente implica um convite ao sexo – se é realmente aquilo que aquela mulher deseja ou ainda: como ela vai se sentir com esse “elogio”? Que mensagens de expectativas implícitas de reciprocidade estão presentes nesse gesto tão simples?

É óbvio que uma rosa não precisa ser e nem é necessariamente um convite ao sexo. Mas dada essa associação tão forte que se constituiu historicamente, a que será que tantas mulheres não se sentem “obrigadas” – nesse sentido a língua portuguesa é fascinante com essa expressão tão peculiar de gratidão que, explicitamente, instaura uma condição de obrigação – ou cobradas a partir de determinados gestos masculinos apenas por serem mulheres?

O exercício da autocrítica é difícil; obriga-nos a sair do que acreditamos ser uma zona de conforto. Mas essa zona muitas vezes é mais um hábito e vício do que um lugar de conforto em si. A desigualdade de gêneros também cria demandas e expectativas por vezes opressoras para muitos homens; das formas que aprendem a lidar com suas emoções a diversas cobranças resumidas no imperativo: “seja homem”.

Quantos jovens não arriscam e perdem suas vidas “sendo homens” em competições de bebedeiras, dirigindo perigosamente ou mantendo relações sexuais sem proteção? E quantos na recusa disso são preteridos e até “feminilizados” de forma pejorativa? Aqui se reforça mais ainda uma significação preconceituosa do feminino ao tornar “mulherzinha” uma ofensa e uma forma de desqualificar alguém, contribuindo para o isolamento social de homens que não correspondem a esse estereótipo de masculinidade, por vezes abusivo com as mulheres.

Tenho minhas dúvidas se a manutenção dessa posição é sempre tão confortável… mas a sua naturalização torna, para muitos, assustadora e desconcertante a simples insinuação de sair dela. Sei que pode soar absurdo, mas muitos de nós homens não tem a menor ideia de que seja possível ser de outro jeito.

O ponto aqui é que lidamos com um problema social e, como tal, fazemos parte do problema, estamos dentro do problema e, justamente por isso, temos a imensa dificuldade de “olhar pra dentro”. Ninguém “olha pra dentro” realmente, diretamente. Esse nível de percepção não é possível literalmente falando. Por isso exige tanta reflexão e esforço mental, pois é sempre uma abstração influenciada por interpretações – nem sempre precisas – de sinais internos e externos.

Na melhor das hipóteses, essa percepção é mediada por algum outro instrumento que produz uma “imagem” do que está dentro. Eu não posso olhar para o meu organismo “de dentro”. Em um exame diagnóstico de imagem, não é para dentro de meu corpo que olho, é para um monitor, é para uma fotografia. Todos fora de mim.

É necessário superar a polarização entre gêneros que lê todo o problema na chave de um antagonismo homem-mulher que assume muitas vezes aspectos de brigas de torcida organizada. É necessário combater, criticar e transformar todo um sistema muito mais complexo, cheio de desigualdades que se cruzam e mudam de lugar constantemente. Pior ainda: este sistema só pode ser transformado de dentro. O desafio é semelhante a trocar o pneu de um carro em movimento.

Nesse sentido, é de suma importância que os homens prestem mais atenção às imagens que as mulheres, em seu ponto de vista específico, conseguem mediar não somente de nós mesmos, mas da nossa sociedade pautada por desigualdades – raciais, sociais, econômicas, de gênero, culturais, etc. – e que é, por meio de todos nós, difusamente opressora e oprimida.

E é de suma importância que os homens cultivem sua sensibilidade, não no sentido estereotipado de gênero como sinônimo de “cultivar seu lado mulher”. Tenho ojeriza dessa expressão. Sensibilidade não tem nada a ver com “ser mulher” assim como brutalidade não tem a ver com “ser homem”. Cultivar a sensibilidade é buscar ampliar a percepção, tanto de si quanto do(a) outro(a); daquilo que não se pode ver, mas se pode sentir e, percebendo isso, buscar interpretar o que se sente.

Cultivar a sensibilidade é estimular o tato, perceber as vezes em que há necessidade de uma aproximação mais suave e cuidadosa. Da mesma forma como aprendemos a “manusear” os pedais de um carro no ato de dirigir e como o emprego da força ou da suavidade nesse ato variará conforme uma série de elementos: do modelo do carro às condições da via, do peso que ele carrega ou do seu tempo de uso. Trata-se de algo que não somente é aprendido mas é constantemente ajustado conforme a situação.

E no fim das contas, o que me deixa às vezes perplexo é que tantas questões de relações entre gêneros são tratadas de forma tão complicada, mas muitas vezes são de puro bom senso e ética. E não é preciso se tornar porta-bandeira do feminismo pra agir eticamente e com bom senso. Ensinar os homens a não estuprar, ao invés de querer ensinar as mulheres a se vestirem para não serem estupradas, por exemplo, é puro e evidente bom senso. Particularmente, não gosto de ser visto na chave de um animal imprevisível que pode se tornar feroz e agressivo conforme um centímetro a mais ou a menos de pele que enxerga.

Ser empático com uma mulher não é um ato de concessão ou benevolência; é um ato de respeito a outro ser humano. Você, homem, não tem obrigação de ser gentil com uma mulher por que “é homem”, “mais forte” e etc. Você tem obrigação de ser gentil com uma mulher – e com homens, trans, travestis, etc. – porque vocês são gente. E o que se tem no meio das pernas não muda nada disso.

Parte considerável dos “privilégios” de homens no patriarcado não constitui privilégios em si, não são direitos de forma alguma legitimados, mas caracterizam abusos. Abusos que se tornaram naturalizados e que muitos creem como direitos, de forma bem parecida com o que acontece em muitos aspectos da corrupção em nosso país – tanto no campo da política quanto na vida cotidiana. Muitos se acham com direitos que não têm e nunca tiveram.

Assim, já é tempo de parar de atacar os direitos humanos reivindicados por mulheres, homossexuais e tantos outros grupos e assumir que nunca tivemos qualquer direito de desumanizá-los como fazemos sistematicamente.

 

O que realmente querem as mulheres?

Posted in Comportamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 24, 2013 by Psiquê

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No programa Saia Justa da semana passada, Daniel Bergner, autor do livro O que realmente querem as mulheres?, foi entrevistado.

Não sei se o livro responde às perguntas cientificamente, mas pela abordagem feita no programa, parece que o estudo é sério. O autor defende que a monogamia feminina foi conveniente para a nossa sociedade. Na pesquisa, as mulheres, ao contrário do que declaram, reagem muito mais do que dizem a estímulos com pornografia, revela o autor. Sei que estou bastante curiosa em ler o livro, caso já tenham lido, compartilhem conosco sua opinião.

Sinopse: “Quando se trata de sexo, a sabedoria comum diz que os homens vagueiam enquanto as mulheres anseiam por proximidade e compromisso. Mas neste provocante livro, Daniel Bergner transforma tudo o que pensávamos que sabíamos sobre a excitação e o desejo feminino. Baseando-se em uma extensa pesquisa e entrevistas com renomados cientistas comportamentais, sexólogos, psicólogos e mulheres, ele nos obriga a reconsiderar noções de longa data sobre a sexualidade feminina. Esta viagem ousada e cativante para o mundo do desejo feminino explora respostas a questões instigantes como: • Será que as mulheres são naturalmente monogâmicas? • Será que elas realmente desejam intimidade e conexão emocional? • As mulheres estão mais dispostas ao sexo com estranhos do que a ciência ou a sociedade já deixou transparecer? • O “sexo frágil”, na verdade, mais sexualmente agressivo e anárquico do que os homens?”

Histórias íntimas…

Posted in Cultura e Arte, Erotismo with tags , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 24, 2013 by Psiquê

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Estou chegando ao fim da leitura do meu presente de aniversário deste ano, a obra da Mary del Priore, Histórias e Conversas de Mulher, que fala de vários temas que envolvem o universo feminino ao longo da história do nosso país. Neste momento estou lendo um trecho que fala dos padrões de beleza das mulheres da nossa terra, quando da chegada dos portugueses: morenas, de cabelos longos, robustas e com o hábito de se lavar e se pentear várias vezes ao dia…

Estou ansiosa por começar duas outras obras que comprei há mais tempo, escritos pela mesma autora: Histórias íntimas, sexualidade e erotismo na história do Brasil, revelando como o erotismo mudou através do tempo e a permanência do controle sobre o prazer sexual. E o livro A Carne e o Sangue, que versa sobre detalhes íntimos do triangulo amoroso formado pelo Imperador D. Pedro I, a imperatriz Leopoldina e Domitila, a marquesa de Santos.

Quem tiver mais dicas de leituras como estas, fiquem à vontade em sugerir.

Também estão na fila de espera, algumas obras de Phillipa Gregory que mistura fatos históricos com ficção, porém com uma fórmula bem atraente a leitura. O único que já li e assisti foi história da Outra Bolena, cujo obra inspirou o filme A Outra estrelado por Natalie Portman e Scarlett Johansson.

Mercúrio na casa 8

Posted in Astrologia, Comportamento, esoterismo, você with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 14, 2013 by Psiquê

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O Personare trouxe uma matéria analisando a relação entre a astrologia e a maneira como você usa a sua mente, eu tenho que confessar que adoro estas coisas e resolvi partilhar com vocês.

O meu resultado é, Mercúrio na casa 8, mas quem quiser consultar a reportagem do site, fique à vontade.

Utilização Positiva

Pessoas com Mercúrio na 8ª casa do Mapa têm a mente profunda, penetrante e habilitada a lidar com temas mais densos e complexos. Os variados assuntos ligados à vida espiritual também são de seu agrado. Vivem querendo descobrir a chave do “baú do inconsciente”. Falam com segurança e assertividade sobre assuntos considerados tabus. Escolhem a dedo o que é proibido ou velado como: sexo, morte, questionamentos psicológicos, temas subjetivos e preconceitos. São estrategistas inatos, de mente analítica, observadora e super atenta. Planejam tudo com grande cuidado para que possam atingir o alvo desejado, sem nenhuma possibilidade de erro. Em alguns casos, podem organizar e montar negócios associativos e propiciar grandes lucros a todos os sócios.

Utilização negativa

Com Mercúrio mal utilizado nesta posição, a pessoa pode ser dona de uma língua ferina, sarcástica e aquela que não hesita em magoar profundamente o outro quando quer se vingar. Há uma tendência obsessiva de manipular a maneira de ser e pensar das pessoas, tentando dominá-las, para que elas sigam e concordem com suas ideias e ações. Resistem às mudanças e às ideias dos outros, e têm um mórbido prazer de controlar, inibir e influenciar por meio de seus pensamentos. Correm o risco de passar por sérios e traumáticos desentendimentos com associados ou parentes, por causa de questões legais, contratuais, heranças ou testamentos. Fascinados pelos assuntos ligados à sexualidade, leem, escrevem e vivem à procura de relatos que contenham algum tipo de informação para abastecer a sua curiosidade insaciável e recorrente sobre estes temas.

Estamos perdendo a capacidade de amar?

Posted in Curiosidades, Relacionamento, Sexo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 20, 2008 by Psiquê

by Steffen Martin Moller

Neste sábado (19/07) o caderno Ela, d’ O Globo publicou uma entrevista com o filósofo espanhol José Antonio Marina em que ele trata da sexualidade, sexo e amor. O autor lançou recentemente o livro: “O Quebra-cabeça da sexualidade” ( Editora Guarda-Chuva). Ainda não o li, mas diante dos temas que discute na entrevista parece ser interessante.

O autor, que não troca as salas de aulas em colégios, pelas das universidades protesta “nossa sociedade hiper sexualizada é muito nociva às meninas”

Quando indagado sobre a proposição de uma segunda revolução sexual Marina responde: que a nova revolução sexual será tentar reintegrar o afeto dentro do campo da sexualidade . O sexo é um acontecimento fisiológico e biológico e a sexualidade é todo um mundo simbólico, metafórico, afetivo, moral, que vai sendo construído ao redor do sexo. Durante muitos séculos, em todo o âmbito da cultura ocidental, houve uma sobrecarga de moralidade na sexualidade. E a primeira revolução sexual tentou eliminar todos os significados repressivos e excessivamente moralizantes que tinham sido relacionados com o sexo. Mas, ao tentar purificar ou tornar as relações sexuais mais naturais, acabou excluindo a afetividade, que era uma parte muito positiva da sexualidade.”

Marina ainda destaca que estamos perdendo a capacidade de amar, uma vez que separamos o campo da satisfação sexual do campo da satisfação amorosa. Segundo o autor, os gregos já tinham passado por isso, ao tentarem distinguir eros – o impulso sexual- da filia – o amor -, digamos de amizade. “ A questão era unificar o amor-erótico ao amor-amigo. Este é o nosso problema atual”, explica. Na entrevista, Marina também é questionado se é essa desconexão que causa instabilidade entre os casais.

E ao responder, destaca que “tentamos inventar os sentimentos necessários para que as relações de casal se mantenham com certa estabilidade. Mais de 93% das mulheres e dos homens gostariam de ter companheiro (a) estável, mas o que acontece é que não acreditam que possam consegui-lo. Ou seja, há um sentimento de fracasso pré tentativa.

O autor também defende que a sentimentalização sexual, incluindo o erotismo é um invento feminino. “O sentimento amoroso é muito inovador porque, nele, a minha felicidade, que é egoísta, depende da felicidade de outra pessoa, e por isso, é generosa. E então perguntamos, é egoísta ou é generosa? Porque teoricamente não poderia ser ambas as coisas. Mas na relação amorosa a felicidade é egoísta e é generosa. A primeira manifestação deste tipo de sentimento se produz com a maternidade. Nenhuma mãe gosta de acordar de madrugada, mas se é para atender seu filho isso não significa uma infelicidade, embora não seja cômodo. Seu projeto de felicidade está vinculado a outra pessoa, pela qual sente ternura. A grande invenção feminina foi trasladar a ternura para a sexualidade. O homem, de fato, é mais elementar.

Sex Shops conquistam as mulheres

Posted in Comportamento, Erotismo, Moda, Sexo with tags , , , , , , , , , on março 26, 2008 by Psiquê
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Photo by Kacper Kiec

O mundo dos sex shops ganhou um ar cor de rosa e vermelho e caiu no gosto feminino. Várias lojas estão se especializando no ramo feminino e perdendo aquele estereótipo, muitas vezes até estigmatizado, das sex shops. Essa novidade, nem tão nova assim, está fazendo tanto sucesso entre as mulheres que os investimentos nesse ramo são promissores.

As deliciosas sex shops femininas vendem lingeries lindíssimas, muitas até de grifes famosas como Victoria’s Secret, Dolce & Gabana, Valentino, Paul Smith, Calvin Klein e Madame Z além de acessórios e ‘brinquedinhos’ típicos das sex shops. As lojas são tão chiques que a mulherada até esquece que está numa sex shop e não numa loja feminina comum. A idéia é importada da França onde surgiram as primeiras sex shops para mulheres. Seriados como o Sex in The City retratam não apenas essas experiências femininas como várias outras coisa.

Em entrevista ao portal Bolsa de Mulher, a sexóloga Glene Faria vê nossas visitas às butiques eróticas como um retrato da evolução da sexualidade feminina. “A geração mais jovem encara o sexo com mais tranqüilidade, pois tem mais acesso a informações e aula de educação sexual na escola desde cedo. Com isso, foi por terra o mito de que sexo é feio, ou não pode. A mulher sabe que não está fazendo nada errado, portanto, está mais consciente do seu direito de ter prazer e vai em busca dele”.

A mulher além de conquistar seu lugar no mercado de trabalho, conhecer e desenvolver sua feminilidade e auto-estima está conquistando seu espaço em todos os setores. Essa é uma área muito promissora e absurdamente feminina. Uma novidade que encontrou espaço nesse novo mercado são os chás de lingerie que hoje começam a atrair as mulheres que estão para casar ou simplesmente querem renovar seu guarda-roupa e comemorar seu aniversário de maneira atraente, divertida e gostosa.

Veja algumas lojas famosas e atraentes:

Pink Chic

A2 Ella

Pselda

Madame Blanchye

Quem também já falou sobre isso:

Fashion Bubbles

Delas