Arquivo para tristeza

Precisamos falar do assédio

Posted in Comportamento, Conscientização with tags , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 8, 2016 by Psiquê

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Recentemente assisti ao documentário ‘Precisamos falar do assédio‘, da Paula Saccheta, que foi inspirado nas campanhas que inundaram as redes sociais com o uso das hashtags #meuamigosecreto, #meuprimeiroassedio e #agoraéquesãoelas. Para ampliar a discussão sobre o assédio, a ideia dos criadores foi a de que o tema deveria sair da internet e ocupar os espaços da cidade. Por isso todo o caráter urbano da ação: os depoimentos foram coletados em um estúdio-móvel, uma van que ficava estacionada em lugares de grande circulação de pessoas, do centro à periferia das duas cidades.

É fundamental que todos nós assistamos o documentário. As vozes das 140 mulheres entrevistadas precisam ecoar, pois trata-se de uma realidade que todas nós vivemos em diferentes níveis. Não podemos fazer vista grossa…

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Quando o assunto é assédio, toda mulher tem uma história para contar.

Sinopse: Na semana da mulher, de 7 a 14 de março de 2016, uma van-estúdio parou em cinco locais diferentes da cidade de São Paulo e outros quatro no Rio de Janeiro. O objetivo era coletar depoimentos de mulheres vítimas de qualquer tipo de assédio. As mulheres que apareciam para contar suas histórias ficavam sozinhas dentro da van durante a gravação, sem qualquer tipo de interlocução ou entrevistador, para que o momento fosse íntimo e de desabafo. Para as que não quiseram se identificar, quatro máscaras estavam disponíveis. Elas representavam os motivos pelos quais as mulheres não queriam mostrar o rosto durante o depoimento: medo, raiva, vergonha e tristeza. Algumas ainda tiveram suas vozes distorcidas.

Saiba mais em:

Precisamos falar do assédio

Facebook – Precisamos falar do assédio

Mira Filmes – Precisamos falar do assédio

 

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As horas

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 15, 2014 by Psiquê

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Hoje assisti ao filme As horas, e consegui entender as inúmeras excelentes recomendações que recebi da obra. O filme é excepcional, envolvente, emocionante e mexe com algo com o que nem sempre sabemos lidar: as emoções, os relacionamentos e a morte.

O filme fala da depressão e da maneira como se convive e se trata da mesma em diferentes cortes temporais: anos 20, anos 40 e século XXI. Um boa análise sobre a obra pode ser encontrada no site Omelete, leia As horas: o impacto da cultura na depressão.

“As três mulheres de As horas mostram o histórico de um modelo que, cada vez mais, é respeitado, embora antigo, repetido e, durante grande parte das últimas décadas, desprezado. É uma proposta de entendimento do sofrimento psíquico, uma invenção da medicina para concebê-lo, entendê-lo e tratá-lo. Parece simples, não?”

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“Cabe ainda uma última observação: é através do homem deprimido que estas mulheres falam. O masculino é o que age de maneira inexorável, frágil e vulnerável em seu insuportável sofrimento e visão de mundo. Com ele, saltam pela janela toda a esperança masculina de redenção e, no ato histérico de desaparecer, no dia de sua homenagem, fere a única mulher que ainda o ama e é sua amiga.”

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As Horas, baseia-se no livro de Michael Cunningham, que, por sua vez, se inspirou no romance “Mrs. Dalloway” de Virginia Woolf. O enredo trata da história de três mulheres que carregam em suas vidas muitos sentimentos em comum, como a insatisfação e o fracasso.

São retratos de vidas em épocas diferentes, que se entrelaçam através de um livro, “Mrs. Dalloway”. É um filme de alma feminina, onde, nos artifícios da trama, outras mulheres se reconhecem no drama existencial de cada uma das personagens, humanizando assim o lado da ficção. Uma mulher que gostaria de ser uma personagem de um romance, uma que o escreve (a própria Virgínia Woolf), outra que o vive.

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Acompanhamos, dessa forma, um dia na vida dessas três mulheres. São três histórias em espaços temporais distintos, mas intercaladas na narrativa. Virginia Woolf é a escritora do livro, que afastada da vida agitada de Londres por seu marido, a conselho médico, percebe-se a cada dia, mais infeliz e amargurada. A mesma, é retratada na altura em que escreve o livro em questão, onde seus conflitos internos são repassados para a obra, inclusive o suicídio. A segunda mulher é Laura, dona de casa, esposa e mãe. Laura encontra-se desesperada dentro de um casamento onde os sentimentos são artificiais, pois embora viva num ambiente de tranquilidade e aparente felicidade, se sente vazia e cogita a morte para escapar da realidade da sua vida medíocre; ela está a ler o livro de Virgínia Woolf, o qual reforça sua ideia de evasão e suicídio. A terceira é Clarissa, uma bem sucedida editora, mulher cosmopolita do século XXI, vive um relacionamento lésbico de longa data e se identifica paradoxalmente com Mrs. Dalloway. Tudo o que Clarissa deseja no momento é que sua festa em comemoração a atribuição de um importante prêmio à obra poética de Richard, seu melhor amigo e ex-amante dê certo. Richard encontra-se debilitado pela AIDS e vive fechado em um apartamento frio e sujo. No meio dos preparativos, Clarissa pressente o vazio daquela arrumação fútil e o peso das horas.

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Uma das cenas iniciais do filme mostra as três mulheres se levantando ao amanhecer, concomitantemente, quando Virgínia escreve, Laura lê e Clarissa fala a mesma frase: “acho que eu mesma vou comprar as flores”, e uma outra cena onde vemos o suicídio de Virgínia, retratado de forma simbólica, mas muito forte. Com isso, percebemos que “cria-se logo no início da narrativa de Wollf, um paralelismo entre Celebração e desencanto, festa e morte” (AZEREDO, 2004).

O desespero das três mulheres vai crescendo com o passar das horas, horas sempre iguais, horas sem nenhuma esperança de mudança, sem nenhuma ansiedade, só a ansiedade provocada pelo nada. Solidão, infelicidade, doença, identidade e realização sexual (nas três tramas as personagens beijam outra mulher na boca), e principalmente a morte.

As lutas e sofrimentos vivenciados pelas três mulheres são universais. As horas… os momentos… as decisões que tomamos. Talvez nos encontremos nas situações extremas de cada uma das personagens; cada uma delas lutando para dar um sentido à suas existências e ser simplesmente feliz. Três mulheres presas no tempo e no espaço, nos seus próprios espaços, nas suas vidas. Ao ser levantado o tema da morte, das escolhas, da sexualidade, das decisões, vemos que as personagens descobrem que nem sempre a vida é aquela que esperamos, nem sempre as horas são diferentes. O que são essas horas até perceberem que as perderam para sempre?

A emoção limite, que nos leva a tomar decisões e fazer escolhas que modificam a nossa vida para sempre. Vale a pena assistir!

Tudo tem seu tempo!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 8, 2011 by Psiquê

Katarina Ivanovska

Nada de novo aconteceu nos últimos dias em minha vida…mas eu sei que o universo está girando e cada dia é uma nova oportunidade de realização.

Claro que nos últimos anos, a minha vida tem mudado a todo o momento, o que alimenta a minha esperança de que as coisas sempre hão de melhorar! Não sei de onde vem a esperança que sempre carreguei de que as coisas sempre caminham para o melhor. Isso não quer dizer que eu não me sinta triste com várias coisas, que não me aborreça com acontecimentos cotidianos, que eu não sofra com atitudes pequenas, que eu não falhe com as pessoas. Apesar de todas as intempéries, tenho a convicção de que nossos problemas, lágrimas, dores e apertos fazem parte do nosso processo de amadurecimento e evolução.

Muita coisa boa acontece todos os dias e ao tirar desses dias, uma oportunidade de aprendizado, nutrimos a esperança de que dias melhores virão.

É bíblica a citação que resume muito bem o tempo das coisas:

  • Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:
  • há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
  • tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
  • tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria;
  • tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
  • tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
  • tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
  • tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz… (Eclesiastes 3:1-8)

Viva o agora

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 10, 2010 by Psiquê

Essa semana alguém muito próximo perdeu um ente querido de maneira repentina. E, ao ver sua tristeza, meu desejo era de poder fazer algo que mudasse o curso da história ou que pudesse aliviar seu sofrimento. Infelizmente, não cabe a nós humanos tentar alterar o curso da vida de alguém. Esse é um trabalho para Deus!

Coincidentemente o texto abaixo que me sensibilizou e fez refletir o quanto precisamos viver o momento presente, o agora, curtir o que já temos e agradecer por isso…

Há Momentos 

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

Felicidade demais faz mal. Será?

Posted in Comportamento, Curiosidades, Saúde with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on março 4, 2008 by Psiquê

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 Photo By Indman

A revelação foi feita pelo doutor Edward Diener (o doutor Felicidade) que reviu recentemente sua tese sobre os efeitos da felicidade: “Ser feliz demais não é bom. O contentamento em excesso torna as pessoas menos capazes, menos saudáveis e menos atentas aos riscos”. Segundo o psicólogo, uma margem de insatisfação evita a letargia.

A indústria da felicidade cobra que sejamos felizes o tempo todo e isso acaba levando a um fenômeno comum hoje que é o consumo excessivo de antidepressivos, conforme revela a matéria O valor da tristeza, da Revista Época dessa semana.

O consumo de antidepressivos no Brasil saltou de 20,6 mi em 2005 para 24,4 mi em 2007. Apesar de serem um avanço extraordinário, a prescrição de antidepressivos requer uma avaliação longa e precisa e muitos diagnósticos estão cada vez mais superficiais, revela o psiquiatra Renato Del Sant, Diretor doHospital Dia, o Instituto de Psiquiatria do hospital das Clínicas de São Paulo.

Muitas pessoas querem que você seja mais e mais feliz. Cedo ou tarde atentamos para o fato de que a felicidade completa é irrealizável. E completa o escritor italiano Primo Levy, sobrevivente do holocausto: “Poucos atentam para a reflexão oposta: que a infelicidade completa também é irrealizável”. Outro ponto importante, só conseguimos a percepção de um sentimento em comparação com os outros estados de ânimo.

A importância dos obstáculos já foi defendida também por Nietzsche: O que não me mata me torna mais forte”. Muitas vezes ao passar por um trauma ou uma infelicidade, as pessoas passam a valorizar o que realmente importa. Há quem defenda que as fases de depressão levam a questionamentos que despertam a criatividade. A matéria ainda destaca nomes de personalidades que passaram pela fase depressiva: Ludwig Van Beethoven, Friedrich Nietzsche, Vincent Van Gogh, Edvard Munch, Alberto Santos Dumont, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Elis Regina, Janis Joplin, Wood Allen.

Particularmente acredito muito no pensamento positivo, mas também admito que o descontentamento com algo pode ser uma forma muito eficaz de se lutar para melhorar. Uma espécie de incentivo à mudança e aos novos desafios. Cabe a cada um de nós saber identificar essas oportunidades.

Cuidado para não se tornar refém da felicidade, da mesma forma como hoje as pessoas se tornaram reféns dos padrões de beleza. Todos nós deveríamos fazer terapia em algum momento da vida para tentar nos conhecermos melhor.