Arquivo para liberdade

Sororidade

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , on junho 29, 2016 by Psiquê

Em tempos em que as lutas pelos direitos das mulheres estão em alta, tristemente pela gritante violação destes direitos, uma discussão tem sido bastante recorrente: a questão da amizade e da união entre mulheres.

Desde pequenas ouvimos a falácia, e muitas vezes, acreditamos nela, de que as mulheres estão sempre competindo entre si e invejando umas as outras. Por algumas vezes, reforçamos esse discurso reproduzindo atitudes de competição e intolerância para com nossas companheiras de trabalho, de curso, etc. Mas o fato é que na verdade isso tudo é um mito construído para reforçar uma prática que naturalmente não seria assim. Há muita solidariedade e empatia entre as mulheres em suas lutas diárias.

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Compartilho mais um texto bem legal sobre o tema, publicado pela Revista Capitolina:

“Nenhum fator natural e biológico impede as mulheres de serem amigas, se amarem e de criarem laços, mas quando passamos a vida inteira ouvindo e acreditando nisso criamos esse obstáculos nas nossas relações. Desde pequenas, fomos ensinadas que as mulheres não podem ser gentis umas com as outras, que devemos sempre competir e que as mulheres são interesseiras, invejosas e falsas. O que não passa de um monte de mentiras.

Esse discurso da rivalidade feminina é passado para nós como se fosse uma condição intrínseca às mulheres e é algo tão enraizado, que muitas vezes não notamos. Isso não passa de um mito em que somos ensinadas a achar que não temos motivos para nos unirmos e que, mesmo se quisermos, não seria possível, já que, somos mulheres e apenas os homens são capazes de criar laços verdadeiros.

As mulheres, só por nascerem, já têm menos direitos, menos liberdade e mais deveres do que os homens. E pensar que não conseguimos olhar para outra mulher que é desfavorecida socialmente – em menor ou maior grau a depender de outros recortes sociais – e sentir amor, amizade e companheirismo só ajuda a sociedade patriarcal a nos dividir e permanecer. Assim como qualquer pessoa, as mulheres experimentam todos os tipos de sentimentos, sejam eles bons ou ruins, de amor ou ódio. Vamos fazer um exercício: pense em alguém que estaria ao seu lado em um momento difícil de sua vida. Qual a possibilidade de ser uma mãe, uma irmã, uma amiga, uma mulher?

A probabilidade de uma mulher ser a pessoa que vai te apoiar, te entender e estar ao seu lado em um momento difícil é grande e tem relação com um conceito conhecido e bastante falado no mundo web e no movimento feminista , a sororidade.

S.O.R.O.R.I.D.A.D.E

A origem da palavra está no latim sóror (irmã), ou seja, um grupo de irmãs, irmandade. E significa a união e aliança entre mulheres na busca por uma sociedade mais igualitária.

Essa palavra meio difícil, bonita e representativa veio para quebrar uma das ideias mais fortes do patriarcado: a rivalidade entre mulheres. Essa ideia funciona praticamente como um escudo contra o verdadeiro opressor, que nos faz lutar uma contra as outras enquanto ele é que tem que ser destruído. Ela vem trazer a ideia de que juntas somos mais fortes.

A união entre as mulheres é a melhor saída para combater a sociedade patriarcal, o machismo e o sexismo. Quando deixarmos de lado o papel de competidoras e assumirmos o de mulheres que geração após geração sofrem com os mesmos rótulos, com as mesmas imposições e com os mesmos jogos, vamos conseguir finalmente respira melhor, sabendo que não importa o que aconteça, teremos sempre umas às outras.

Enfim, nós precisamos nos amar, nos unir contra esse machismo e essas imposições de padrões. Respeite as escolhas das outras, olhe para as mulheres como suas irmãs de luta e sempre entenda que não deve julgá-las pela seu corpo, orientação sexual e comportamento. A sociedade já nos subestima e subjuga diariamente, não devemos fazer isso umas às outras. E lembrem-se sempre, em um mundo onde somos ensinadas desde pequenas a competir entre nós e nos dedicarmos aos homens, amar outra mulher é um ato revolucionário.”

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Somos todas vadias?

Posted in Comportamento, Sexualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 26, 2016 by Psiquê

Hoje me deparei com vários textos legais originalmente publicados na Revista Capitolina. Este que compartilho com vocês hoje é de 2015, mas bastante atual.

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Somos todas vadias?

Muito se fala sobre o que parece ser a maior conquista das mulheres pós-sufrágio feminino: a liberdade sexual. Mas será que ela é real mesmo?

Antes de começar e para evitar falsas polêmicas, já adianto aqui que o objetivo do texto é fazer algumas considerações sobre problemas que acredito que existam no discurso da liberdade sexual – não é julgar quem se sente empoderada e feliz e realizada com isso, ok?

Para então discutir o tema, vamos por partes:

A conquista da liberdade sexual – A liberdade sexual foi, de fato, uma conquista do movimento feminista lá pelos anos 1960 e 1970 – é dessa época que data também a conquista do anticoncepcional. Houve, neste período, uma maior liberalização das condutas sexuais das mulheres, que, em geral, ““““deixaram”””” de ser julgadas por serem sexualmente ativas.

Ativas e não livres – Isso nos leva a um dos pontos problemáticos do discurso da liberdade sexual nos dias de hoje: vende-se a ideia de que as mulheres são sim muito mais livres e empoderadas sexualmente do que as nossas avós, mas será mesmo? É claro que vivenciamos mudanças, e há quem diga que mudanças para melhor, mas é preciso se perguntar se a “liberdade” que temos hoje é real.

As milhões de aspas são para reforçar que, apesar de uma relativa evolução, as mulheres ainda são muito julgadas pela sua sexualidade – principalmente quando esta sexualidade não está de acordo com a norma heterossexual.

Recortes são necessários – Quero dizer que as mulheres não são julgadas por sua conduta sexual, desde que sua sexualidade sirva ao consumo masculino, ou seja, que seja heterossexual, branca, magra, rica e linda. Mulheres negras, lésbicas, gordas, pobres ainda sofrem sim muito julgamento pela sua conduta sexual.

É preciso problematizar – Não nego que o discurso da liberdade sexual foi uma bandeira bastante importante para o feminismo de gerações passadas, mas não é por isso que não se pode problematizá-lo. Não podemos alcançar marginalmente uma conquista e nos sentirmos satisfeitas, é preciso ir além. É preciso alcançar liberdade real, disputar o discurso com o patriarcado, que, aliado ao capitalismo, hoje reverte as conquistas sociais em mercadoria.

Pressão social e dominação – É frustrante como o patriarcado conseguiu se apropriar desse discurso tão importante para as mulheres e hoje o reproduz como mais uma forma de dominação. Existe uma pressão enorme pela sexualização precoce, pela liberação sexual que, ao invés de empoderar, traz mais vantagens para os homens, que cada vez são mais isentos de responsabilidade afetiva e até de respeito com suas parceiras.

Ressignificação dos símbolos – Um dos movimentos que mais agrega mulheres e que mais têm visibilidade na mídia nos dias de hoje é a Marcha das Vadias, que ocorre em diversas cidades do país e do mundo. A ideia central é que “se ser vadia é ser livre, somos todas vadias”. O que está por trás desse slogan é a tentativa de ressignificar o termo “vadia”, que hoje, segundo o coletivo, é usado para designar mulheres livres sexualmente.

Mas será que é possível ressignificar os símbolos usados pelo patriarcado para nos oprimir? Muitos outros movimentos e coletivos criticam a atuação da Marcha das Vadias porque o termo “vadia” tem pesos diferentes para mulheres diferentes – novamente há a necessidade de se fazer recortes. E então deixo um trecho de Audre Lorde que exemplifica a problemática da tentativa de ressignificação dos signos patriarcais:

“As ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa do mestre”

*****

É claro que muitas mulheres são empoderadas o suficiente para exercer sua liberdade sexual, mas é preciso estar atentas para relações onde este poder é ilusório. A liberdade sexual ainda hoje se depara com limites e uma liberdade com limites não é liberdade real.”

– Gabriella Beira

 

Feminismo branco versus Feminismo negro

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 7, 2015 by Psiquê
By Michael Burke

By Michael Burke

(Algumas) Diferenças Entre Feminismo Branco e Feminismo Negro

VIOLÊNCIA

Feministas brancas lutam para terem a segurança de saírem às ruas sem sofrerem assédio e contra a violência doméstica. Feministas negras, especialmente as periféricas, sabem que seu corpo está duplamente objetificado, especialmente por conta da imagem de “mulata exportação” que sempre foi construída atribuindo à mulher negra a imagem de fêmea (no sentido bestial) sempre disposta a relações sexuais e sempre à disposição dos homens. Além disso, negras são vítimas de cerca de 60% dos assassinatos de mulheres no país. Dado que está ligado aos índices de pobreza.

ESTÉTICA

Mulheres brancas lutam pelo direito de saírem sem maquiagem sem serem julgadas. Mulheres negras ainda estão lutando pelo direito de serem vistas pelas marcas. Uma das faces do racismo está no fato de que as marcas de cosméticos simplesmente ignoram a mulher negra. Por exemplo, enquanto a MAC apresenta quase 30 tons de base, uma Avon da vida tem no máximo 5. Isto é exclusão. Parte do princípio de que mulher negra não merece atenção enquanto consumidora. Além da hierarquia de textura capilar e a ideia de que cabelo bom é cabelo liso. As mulheres brancas querem liberdade pra não usarem maquiagem. Mulheres negras querem o direito de decidir sobre sua própria imagem. A indústria cosmética dita o feio e o belo, e usa a imagem da mulher branca como exemplo para o belo.

GRAVIDEZ E MATERNIDADE

Mulheres brancas lutam pelo direito ao aborto seguro e sua descriminalização. Mulheres brancas lutam para poderem cuidar de seus filhos e lutam contra opressão da tripla jornada (filho-casa-trabalho). Mulheres negras morrem em açougues porque não podem pagar as clínicas “menos perigosas”. Mulheres negras lutam para que seus filhos não sejam mortos na mão do Estado por serem negros e pobres. Mulheres negras não tem babás ou qualquer outra pessoa de confiança, ou acesso a creches pra cuidarem de seus filhos enquanto elas vão trabalhar.

AMOR E RELACIONAMENTOS

Mulheres brancas lutam contra a opressão da monogamia. Mulheres negras ainda são preteridas e objetificadas por homens brancos e negros e até um relacionamento monogâmico respeitoso é difícil. Poliamor e Relações Livres ainda passam longe, mas MUITO longe da realidade de mulheres negras.
Mulheres brancas e negras lutam contra relações abusivas, mas mulheres negras além disso ainda precisam lutar contra a opressão de serem vendidas como fantoches sexuais. Mulheres negras ainda vivem muitas relações às escondidas por conta de homens que não as assumem.

ESTUDOS E MERCADO DE TRABALHO

Mulheres brancas lutam contra o machismo na universidade e para terem salários iguais aos de colegas homens que ocupam os mesmos cargos que elas nas empresas. Mulheres negras lutam para conseguir terminar o ensino médio e entrar na faculdade, geralmente cumprindo uma jornada dupla de trabalho + estudo. Mulheres negras lutam para terem mais opções de trabalho além do emprego doméstico onde servirá a mulher branca, e onde não raro sofrem abusos morais e muita violência psicológica. Mulheres negras ainda são minoria nas universidades e empresas.

Por que essa breve explicação?

Porque eu tô até hoje engasgada com um post de uma página feminista que dizia: “Preciso do feminismo pra jogar vídeo game sem ouvir dizerem que jogo feito uma mocinha.”
Prioridades, prioridades.

Este texto foi escrito por Gabriela Moura e originalmente publicado no blog Não me Kahlo

Individualidade e coerência

Posted in Comportamento, Estética e Beleza, Saúde with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 29, 2014 by Psiquê

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Eu malho para comer…

Foi com essa frase que Thalita Rebouças me motivou a escrever este post. O depoimento foi dado no programa Superbonita do GNT desta semana (no do episódio 23/2014), em que se tratou do tema: envelhecendo bem. Eu gostei muito das ideias de Thalita Rebouças e de Luiza Brunet (cuja postura já destaquei aqui em outro post) sobre como envelhecer bem. Saber envelhecer é uma arte e cuidar de sua autoestima, respeitando seus limites, seu corpo e seu biotipo é fundamental para estar bem e fazer o que mais tem a ver com você.

Thalita disse que está superfeliz com a proximidade dos 40 anos e que ao virar balzaca (fazer 30 anos) ela se sentiu superfeliz, mas hoje se sente ainda mais feliz com 39 anos e acha que esta década entre os 30 e 40 anos foi a mais feliz de sua vida…ela se diz mais madura, mas segura, mais realizada. Ela confessa que não liga muito para doce, mas adora uma empada, por isso malha para poder comer…

Por que não buscamos o que nos faz bem, procurando ter mais saúde, cuidar do bem-estar, sem exceder os limites e sendo feliz? Para que viver aprisionada em busca de padrões corporais determinados pela sociedade, malhando feito louca, se privando de alimentos, para tentar alcançar um biotipo que não é o seu? Olha que eu não me prendo a desejos gastronômicos tão específicos como o da Thalita, mas o equilíbrio é fundamental em tudo…

Já Luiza Brunet, além de lindíssima e supercoerente em relação às mudanças que a idade nos exige para que saibamos nos vestir e nos cuidar com sabedoria e sem modismos, dá dicas fundamentais para estar sempre bela. Para que um look exagerado em relação à procedimentos que exageram e estragam a sua fisionomia? Para que usar uma roupa que não condiz com seu biotipo e sua idade. Usar mini-saia, por exemplo, na concepção dela é para mulheres com pernas bonitas, magras e altas…com o passar do tempo, uma saia lápis, mais compridinha com uma blusa fica mais elegante e adequado para o seu biotipo aos 52 anos e por que não se adequar a isso e ficar ainda mais bela?

Todas essas ideias, mereceram o meu destaque aqui, pois vivemos sendo pressionadas em relação à adequação a biotipos que, muitas vezes, não são os nossos…

Na minha opinião, e isso já disse outras vezes, quando respeitamos o nosso próprio biotipo, escolhendo a roupa mais adequada a ele, as cores que mais combinam com o nosso tom de pele, o tipo de vestimenta que valoriza o nosso corpo, a atividade física, os cuidados com saúde e os tipos de alimentação que se nos fazem bem, tudo se torna muito mais prazeroso e simples.

Procure viver bem, adotando atividades físicas que te satisfazem, alimentando-se com consciência de que bons alimentos nos fazem funcionar mais harmonicamente e procurando se afastar de situações angustiantes, estressantes e desequilibrantes.

Namastê!

Filmes feministas

Posted in Cultura e Arte, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 12, 2014 by Psiquê

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Não é novidade que sou cinéfila, apaixonada por cinema e filmes, meu programa predileto é sentar numa sala de cinema e degustar, desfrutar, apreciar a sétima arte. Tenho enriquecido minha gama de filmes com a novidade que tomou conta da minha vida, chamada Netflix e me permite ver diversos filmes disponíveis em sua grade na hora que eu puder, do meu computador, tablet, TV ou celular. Mas meu objetivo aqui é compartilhar com vocês umas dicas de filmes femininos e/ou feministas bem legais.

Encontrei no site Filmow, uma lista de filmes feministas que parecem bem interessantes. Alguns deles eu já assisti. O último que vi foi Frida, que assisti pelo Netflix na semana passada e amei, mas há outros títulos bem interessantes…

A autora da lista Karen Käercher elaborou a lista, tendo como objetivo, “listar os melhores filmes, em minha perspectiva analística, que trazem de alguma forma o debate do feminismo, seja em questões emblemáticas como a sexualidade reprimida da mulher, seja violência doméstica ou demais discussões acerca de gênero.”

Vejam abaixo, alguns dos títulos elencados:

A Excêntrica Família de Antonia (Antonia's Line)

A Excêntrica Família de Antonia

A Fonte das Mulheres (La Source des Femmes)

A Fonte das Mulheres

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes)

Tomates Verdes Fritos

Thelma & Louise (Thelma & Louise)

Thelma & Louise

Persépolis (Persepolis)

Persépolis

Cairo 678 (Cairo 678)

Cairo 678

 Flor do Deserto (Desert Flower )

Flor do Deserto

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)

A Separação

E Buda Desabou de Vergonha (Buda as sharm foru rikht)

E Buda Desabou de Vergonha

Sexo por Compaixão (Sexo por Compasión)

Sexo por Compaixão

Frida (Frida)

Frida

As Horas  (The Hours)

As Horas

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees)

A Vida Secreta das Abelhas

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)

Pequena Miss Sunshine

Mulan (Mulan)

Mulan

Pocahontas - O Encontro de Dois Mundos (Pocahontas)

Pocahontas – O Encontro de Dois Mundos

Valente (Brave)

Valente

Frozen - Uma Aventura Congelante (Frozen)

Frozen – Uma Aventura Congelante

Juno (Juno)

Juno

Depois de Lúcia (Después de Lucía)

Depois de Lúcia

Preciosa - Uma História de Esperança (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)

Preciosa – Uma História de Esperança

A Cor Púrpura (The Color Purple)

A Cor Púrpura

 Bagdad Café (Out of Rosenheim)

Bagdad Café

Histórias Cruzadas (The Help)

Histórias Cruzadas

O Sorriso de Mona Lisa (Mona Lisa Smile)

O Sorriso de Mona Lisa

Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich)

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento

 Histeria (Hysteria)

Histeria

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)

As Virgens Suicidas

Diário Proibido (Diario de una ninfómana)

Diário Proibido

Albert Nobbs (Albert Nobbs)

Albert Nobbs

 Lanternas Vermelhas (Da Hong Deng Long Gao Gao Gua)

Lanternas Vermelhas

As Pequenas Margaridas (Sedmikrasky)

As Pequenas Margaridas

Temple Grandin (Temple Grandin)

Temple Grandin

Alexandria (Agora)

Alexandria

O Dia em Que Me Tornei Mulher (Roozi Ke Zan Shodam)

O Dia em Que Me Tornei Mulher

Terra Fria (North Country)

Terra Fria

Cidade do Silêncio (Bordertown)

Cidade do Silêncio

 O Cheiro do Papaia Verde (Mùi Đu Đủ Xanh)

O Cheiro do Papaia Verde

Liberdade (Libertarias)

Liberdade

 Rosa Luxemburgo (Rosa Luxemburg)

Rosa Luxemburgo

Simone de Beauvoir (Simone de Beauvoir)

Simone de Beauvoir

 Eternamente Pagu (Eternamente Pagu)

Eternamente Pagu

Vida Maria (Vida Maria)

Vida Maria

Uma História Severina (Uma História Severina)

Uma História Severina

Estamira (Estamira)

Estamira

 Nem Gravata, Nem Honra (Nem Gravata, Nem Honra)

Nem Gravata, Nem Honra

 O corpo das mulheres (Il corpo delle donne)

O corpo das mulheres

 Mulheres na Mídia (Miss Representation)

Mulheres na Mídia

O Aborto dos Outros (O Aborto dos Outros)

O Aborto dos Outros

 Meu Corpo, Meu Pêlo (My Body, My Hair)

Meu Corpo, Meu Pêlo

 Clitóris, prazer proibido (Le Clitoris, Ce Cher Inconnu)

Clitóris, prazer proibido

 Os Monólogos da Vagina (The Vagina Monologues)

Os Monólogos da Vagina

!Mulheres Arte Revolução (!Women Art Revolution)

!Mulheres Arte Revolução

 Lado a Lado (Lado a Lado)

Lado a Lado

 Anjos Rebeldes (Iron Jawed Angels)

Anjos Rebeldes

Uma Mulher Contra Hitler (Sophie Scholl - Die Letzten Tage)

Uma Mulher Contra Hitler

O Segredo de Vera Drake (Vera Drake)

O Segredo de Vera Drake

O Preço de Uma Escolha (If These Walls Could Talk)

O Preço de Uma Escolha

Somente Elas (Boys on the Side)

Somente Elas

Acusados (The Accused)

Acusados

Além da Liberdade (The Lady)

Além da Liberdade

Therese D. (Thérèse Desqueyroux)

Therese D.

Norma Rae (Norma Rae)

Norma Rae

Caso se interesses por estas dicas, assistam e opinem. Um beijo carinhoso.

Simone de Beauvoir, uma mulher à frente do seu tempo

Posted in Cultura e Arte, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 9, 2014 by Psiquê

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Hoje celebramos o 106º aniversário de nascimento de Simone de Beauvoir e diante desta data, resolvi homenageá-la aqui no Espartilho. Ela nasceu em Paris em 09 de janeiro de 1908 e teve uma estreita relação com Jean-Paul Sartre ao longo da vida. Morreu em 14 de abril de 1986, aos 78 anos, de pneumonia, seis anos após a morte de Sartre. Sua vida e carreira são grande marco na filosofia e cultura mundial por ter se tornado uma importante escritora e também ser uma mulher independente. Seus restos mortais encontram-se sepultados no mesmo túmulo que Sartre no Cemitério de Montparnasse, em Paris.

Listo abaixo os 21 livros que Beauvoir escreveu:

  • A convidada (1943)
  • Pyrrhus e Cinéas (1944)
  • O sangue dos outros (1945)
  • As Bocas Inúteis (1945)
  • Todos os homens são mortais (1946)
  • Por uma Moral da Ambigüidade (1947)
  • A América dia a dia (1948)
  • O segundo sexo (1949)
  • Os mandarins (1954)
  • Privilèges (1955)
  • A Longa Marcha (1957)
  • Memórias de uma moça bem-comportada (1958)
  • Na Força da Idade (1960)
  • A força das coisas (1963)
  • Uma Morte Muito Suave (1964)
  • As Belas Imagens (1966)
  • A Mulher Desiludida (1967)
  • A velhice (1970)
  • Tudo dito e feito (1972)
  • Quando o Espiritual Domina (1979)
  • A cerimônia do adeus (1981)

Para saber um pouco mais sobre ela, visitem o blog Avec Beauvoir que faz um trabalho bem interessante reunindo informações sobre ela.

A Revista Parâmetro publicou em 2011, um texto bem interessante sobre ela, intitulado O legado de Simone de Beauvoir, cuja autoria é de Maria Pionório. Compartilho com vocês o texto:

Simone de Beauvoir sem sombra de dúvidas foi uma das figuras mais importantes do feminismo, conquanto não quisesse ser relacionada com este termo. Como afirma em A força das coisas “nunca nutri a ilusão de transformar a condição feminina, ela depende do futuro do trabalho no mundo (…) É por isso que eu evitei me fechar no que chamam de ‘o feminismo’.” (BEAUVOIR, 1963, p. 267). Dramaturga, escritora e filósofa existencialista Simone de Beauvoir juntamente com Jean-Paul Sartre foi uma das fundadoras da revista Os Tempos Modernos (Les Temps Modernes em francês) criada em 1945, periódico este que se caracterizava por suas posições radicais consideradas esquerdistas. Beauvoir publicou mais de 20 obras e seus escritos estão separados em ensaios, romances e memórias.

Dentre seus livros mais famosos não poderia deixar de citar O segundo sexo, obra que a consagrou no rol das escritoras feministas em 1949 e que causou grande reboliço no Vaticano que o colocou no index e Os Mandarins (1954) obra que lhe concedeu o disputado prêmio de literatura francesa Goncourt.

Além das obras citadas, Simone de Beauvoir publicou as seguintes obras: A Convidada (1943), O Sangue dos Outros (1945), Todos os Homens são Mortais(1946), Por uma Moral da Ambigüidade (1947), Deve-se Queimar Sade? (1955),O Pensamento de Direita, Hoje (1955), A Longa Marcha (1957), Memórias de uma Moça Bem-Comportada (1958), A Força da Idade (1960), A Força das Coisas (1963), Uma Morte Muito Suave (1964), A Velhice (1970), Balanço Final(1972), Quando o Espiritual Domina (1979), A Cerimônia do Adeus (1981), dentre outras mais cujas traduções não foram realizadas para o português.

A obra de Simone de Beauvoir não se circunscreve apenas as questões feministas de sua época, ao contrário sua obra ultrapassa o diálogo do feminismo e preocupa-se intensamente com a questão da liberdade. Em sua obra Por uma Moral da Ambigüidade, Simone afirma “(…) o indivíduo é definido apenas por sua relação com o mundo e com outras pessoas, ele só existe por transcender a si. E sua liberdade só pode ser alcançada através da liberdade dos outros.” (BEAUVOIR, 2004. p.125).

Beauvoir defende a ideia de que a liberdade não deve ser concebida como a liberdade de uns contra os outros, mas sim a liberdade de todos (o que muitas correntes do movimento feminista não entendiam). Beauvoir entendia a liberdade como um compromisso, compromisso com o outro e consigo mesmo e em uma de suas célebres frases declara “Eu existo fora de mim, e por toda parte do mundo não há uma polegada sequer de meu caminho que não se insinue num caminho alheio.”

É devido a sua abordagem crítica filosófica, como afirmam muitos estudiosos de sua obra que Simone é considerada uma mulher à frente de seu tempo. E justamente por isso é que seria um erro pensar que suas obras estão ultrapassadas. Ao contrário, quanto mais se lê Simone de Beauvoir maior é a certeza de que seus escritos ainda são essenciais para refletirmos e repensarmos nossas ações.

O legado de Simone de Beauvoir tida como pioneira do feminismo (embora não gostasse desse rótulo) influenciou de forma significativa os estudos e discussões sobre o movimento feminista, contudo penso que o conjunto de sua obra não deve ser lembrado apenas pelo advento do feminismo, mas sim pela a sua audácia em expor suas ideias e contraposições de maneira singular defendendo a liberdade de expressão, bem como os ideais existencialistas em que acreditava e praticava.

Geralmente as pessoas lembram Simone de Beauvoir associando-a apenas a uma única obra: O segundo sexo e esquecem que seus escritos contribuíram para a sociedade transcendendo a esfera do feminismo e abordando vários conceitos da vida cotidiana. Por exemplo, em Todos os Homens são Mortais, Beauvoir realiza uma profunda reflexão sobre o sentido da existência humana, em  A Velhice critica as ações da sociedade perante os idosos e em A Convidada expõe as alternativas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual. Talvez, uma de suas maiores heranças seja a reflexão da mulher como o “outro” e que nos dias atuais podemos alocá-la para uma concepção mais ampla. O “outro” pode ser entendido atualmente como o diferente (as diferentes etnias, o pluralismo de religiões, as diferentes opções sexuais e etc.), ou seja, quantos e tantos “outros” nós construímos ao longo de nossa história por meio de nossa cultura? Além disso, o “outro” pode ser entendido como o diferente e o igual ao mesmo tempo, o oposto de mim, dentro de mim, ou seja, o “outro” também somos nós!

Na medida em que construímos “outros” em nosso cotidiano, haja vista que o ser humano pode ser entendido como um ser multifacetário que busca incansavelmente corrigir-se para superar suas limitações. O ser humano vive em um processo contínuo de construção e como afirma Pedro Goergen “é um “ser a caminho de si mesmo” e ele é o único que pode percorrer esta estrada.” (GOERGEN, 2005, p. 84).

Está aí uma proposta interessante de estudo que merece ser mais bem abordada e porque não pelo viés da obra de Simone de Beauvoir. Enfim, Simone de Beauvoir realmente foi uma mulher à frente de seu tempo e ainda há de nascer alguém que ultrapasse a grandeza de seu legado.

Referências bibliográficas

BEAUVOIR, Simone de. Por uma moral da ambigüidade. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2004. p.125.

BEAUVOIR, Simone de. A força das coisas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1963, p.267.

GOERGEN, Pedro. Pós – modernidade, ética e educação. Campinas, Autores Associados, 2005, p. 84.

Como viver

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 29, 2013 by Psiquê

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Acabei de ler em tempo record o livro Como Viver – ou uma biografia de Montaigne em uma pergunta e vinte tentativas de resposta, de Sarah Bakawell. O livro narra a história de Michel de Montaigne (1533-1592) , enquanto reflete sobre os próprios temas que ele aborda na sua principal obra: ‘Os Ensaios’. Montaigne popularizou o ensaio, como gênero literário e escreveu de uma maneira livre e sem preconceitos, quebrando um tabu em pleno século XVI, que era falar (ou escrever) sobre si mesmo em público.

O mais interessante é que o tema da biografia surgiu quase que ao acaso, como a própria autora revela no final da obra: “Não tenho ninguém em particular a quem agradecer pelo rumo então tomado pelas coisas, só ao acaso e à verdade montaigniana de que as melhores coisas da vida acontecem quando a gente não conhece aquilo que pensa que quer”.

A inglesa Sarah Bakewell não tinha nada para ler em sua viagem de trem de Praga para Londres. Num sebo, só havia um exemplar em inglês:  ‘Os Ensaios’, de Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592), de quem ela, há cerca de 20 anos, nada sabia. O nome lhe remetia a algo entediante, mas Sarah comprou o livro, sentou-se com ele e ganhou um amigo francês que lhe contou sobre seu gato e seu cachorro, sobre sua vida sexual, seu gosto por rabanete e melão, suas crises renais e o medo da morte, num estilo de escrita que ela não esperava de um texto de mais de quatro séculos. ‘Os Ensaios’ permaneceram em sua mesa de cabeceira por anos antes que ela decidisse escrever sobre aquele homem. Afinal, como falar de alguém que já se revelara tanto, alguém que, ao iniciar sua obra, diz ao leitor: “sou eu mesmo a matéria do meu livro”?

Como ter um bom relacionamento com as pessoas, como lidar com a violência, como se adaptar à perda de um ente querido – essas questões fazem parte da vida da maioria das pessoas. E todas elas derivam de outra ainda maior: Como viver? A pergunta, que dá título ao livro de Sarah Bakewell, é o ponto de partida da escritora e pesquisadora de livros raros para a biografia pouco convencional de um dos mais importantes pensadores do Renascimento: Michel de Montaigne. O mesmo questionamento foi fonte de obsessão para pensadores do século XVI, principalmente para Montaigne, apontado como o primeiro indivíduo verdadeiramente moderno. Homem da nobreza, alto funcionário público e dono de um vinhedo, ele traduziu em palavras seu pensamento e sua experiência, e o resultado foi um marco de ruptura com o passado medieval e a instauração de um pensamento reflexivo, que marcou o protótipo do homem renascentista. Excêntrico, preguiçoso, inconsistente, esquecido, Montaigne é o filósofo que quebrou um tabu e falou de si mesmo em público. Mais de quatrocentos anos depois, a honestidade e o charme do ensaísta francês continuam atraindo admiradores. Leitores o procuram em busca de companhia, sabedoria, entretenimento – e em busca de si mesmos.

O livro relata a história de sua vida por meio das perguntas que ele mesmo se fez e das tentativas para responder as questões formuladas. Como viver é uma fonte de pequenos conselhos: ler muito, mas manter a mente aberta; ser sociável, mas reservar a si um “quartinho” próprio; observar o mundo a partir de ângulos diferentes, evitando assim rigidez nas crenças. Embora não tenha encontrado uma resposta definitiva, Montaigne nunca deixou de fazer a pergunta “Como viver?”, isto é: como balancear a necessidade de sentir-se seguro à necessidade de sentir-se livre?

O que mais me impressionou nas ideias do autor, foi seu amor a liberdade, a busca pelos prazeres, da leitura, das viagens, estando aberto a conhecer outras culturas e experiências, sem julgamento. Apenas agregando valores à nossa própria vida, nossa própria experiência cotidiana. Hoje, tudo isso parece comum, mas em pleno século XVI, foi uma verdadeira audácia!

Fiquei ansiosa para ler ‘Os Ensaios’ de Montaigne! Espero ler em breve.