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Somos todas vadias?

Posted in Comportamento, Sexualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 26, 2016 by Psiquê

Hoje me deparei com vários textos legais originalmente publicados na Revista Capitolina. Este que compartilho com vocês hoje é de 2015, mas bastante atual.

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Somos todas vadias?

Muito se fala sobre o que parece ser a maior conquista das mulheres pós-sufrágio feminino: a liberdade sexual. Mas será que ela é real mesmo?

Antes de começar e para evitar falsas polêmicas, já adianto aqui que o objetivo do texto é fazer algumas considerações sobre problemas que acredito que existam no discurso da liberdade sexual – não é julgar quem se sente empoderada e feliz e realizada com isso, ok?

Para então discutir o tema, vamos por partes:

A conquista da liberdade sexual – A liberdade sexual foi, de fato, uma conquista do movimento feminista lá pelos anos 1960 e 1970 – é dessa época que data também a conquista do anticoncepcional. Houve, neste período, uma maior liberalização das condutas sexuais das mulheres, que, em geral, ““““deixaram”””” de ser julgadas por serem sexualmente ativas.

Ativas e não livres – Isso nos leva a um dos pontos problemáticos do discurso da liberdade sexual nos dias de hoje: vende-se a ideia de que as mulheres são sim muito mais livres e empoderadas sexualmente do que as nossas avós, mas será mesmo? É claro que vivenciamos mudanças, e há quem diga que mudanças para melhor, mas é preciso se perguntar se a “liberdade” que temos hoje é real.

As milhões de aspas são para reforçar que, apesar de uma relativa evolução, as mulheres ainda são muito julgadas pela sua sexualidade – principalmente quando esta sexualidade não está de acordo com a norma heterossexual.

Recortes são necessários – Quero dizer que as mulheres não são julgadas por sua conduta sexual, desde que sua sexualidade sirva ao consumo masculino, ou seja, que seja heterossexual, branca, magra, rica e linda. Mulheres negras, lésbicas, gordas, pobres ainda sofrem sim muito julgamento pela sua conduta sexual.

É preciso problematizar – Não nego que o discurso da liberdade sexual foi uma bandeira bastante importante para o feminismo de gerações passadas, mas não é por isso que não se pode problematizá-lo. Não podemos alcançar marginalmente uma conquista e nos sentirmos satisfeitas, é preciso ir além. É preciso alcançar liberdade real, disputar o discurso com o patriarcado, que, aliado ao capitalismo, hoje reverte as conquistas sociais em mercadoria.

Pressão social e dominação – É frustrante como o patriarcado conseguiu se apropriar desse discurso tão importante para as mulheres e hoje o reproduz como mais uma forma de dominação. Existe uma pressão enorme pela sexualização precoce, pela liberação sexual que, ao invés de empoderar, traz mais vantagens para os homens, que cada vez são mais isentos de responsabilidade afetiva e até de respeito com suas parceiras.

Ressignificação dos símbolos – Um dos movimentos que mais agrega mulheres e que mais têm visibilidade na mídia nos dias de hoje é a Marcha das Vadias, que ocorre em diversas cidades do país e do mundo. A ideia central é que “se ser vadia é ser livre, somos todas vadias”. O que está por trás desse slogan é a tentativa de ressignificar o termo “vadia”, que hoje, segundo o coletivo, é usado para designar mulheres livres sexualmente.

Mas será que é possível ressignificar os símbolos usados pelo patriarcado para nos oprimir? Muitos outros movimentos e coletivos criticam a atuação da Marcha das Vadias porque o termo “vadia” tem pesos diferentes para mulheres diferentes – novamente há a necessidade de se fazer recortes. E então deixo um trecho de Audre Lorde que exemplifica a problemática da tentativa de ressignificação dos signos patriarcais:

“As ferramentas do mestre nunca vão desmantelar a casa do mestre”

*****

É claro que muitas mulheres são empoderadas o suficiente para exercer sua liberdade sexual, mas é preciso estar atentas para relações onde este poder é ilusório. A liberdade sexual ainda hoje se depara com limites e uma liberdade com limites não é liberdade real.”

– Gabriella Beira

 

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Indicações para estudar sobre gênero e sexualidade

Posted in Comportamento, Gênero, Sexualidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 10, 2015 by Psiquê

Meus amores, desculpem a ausência. Tanta coisa acontecendo e meu tempo para me dedicar ao querido e sempre presente Espartilho, acabou diminuindo.

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Compartilho com vocês um texto com dicas interessantes para o estudo de gêneros e sexualidade em um texto da Julieta Jacob no site Erosdita. Interessantíssimo, não deixem de ler…

*TEXTO: Angie C. Bautista Silva, Caio Castro, Cássio Oliveira, Cícera Amorim, Katarina Vieira, Maria Eduarda Barbosa, Suênia Azevedo

Seja você pesquisador(a) ou apenas uma pessoa curiosa sobre o assunto, vale a pena dar uma olhada nas sugestões a seguir. Todos os textos já estão com link para download. E se você tiver outras dicas para indicar, é só deixar nos comentários. A gente agradece!

1- Problemas de Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade. Autoria: Judith Butler

Judith Butler propõe observar, de maneira geral, o modo como as fábulas de gênero estabelecem e fazem circular sua denominação errônea de fatos naturais. Os textos estão reunidos de modo a facilitar uma convergência política das perspectivas feministas, gays e lésbicas sobre o gênero com a da teoria pós-estruturalista.

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>>> CLIQUE AQUI PARA LER Problemas de Gênero

2- História da Sexualidade – A Vontade de Saber – Vol. 1. Autoria: Michel Foucault

Ao longo dos anos 1970, Michel Foucault dedicou seu trabalho no Collège de France à análise do lugar da sexualidade na sociedade ocidental. Sua reflexão encontrou no sexo e na sexualidade a causa de todos os acontecimentos da vida social. O filósofo empreendeu uma pesquisa histórica, estabelecendo uma antropologia e uma análise dos discursos acerca desse tema tão fundamental para a condição humana. É reconhecidamente um dos grandes trabalhos do pensador e fonte de pesquisa e consulta para milhares de estudiosos.

>>> CLIQUE AQUI PARA LER A História da Sexualidade

3- A Reinvenção do Corpo: Sexualidade e Gênero na Experiência Transexual. Autoria: Berenice Bento

Este livro se ancora em histórias de vida de pessoas que mudaram o corpo, cirurgicamente ou não, para se tornarem reais, para não serem “aberrações” (expressão comum entre os/as transexuais), e sugerirá que as explicações para a emergência da experiência transexual devem ser buscadas nas articulações históricas e sociais que produzem os corpos-sexuados e que têm na heterossexualidade a matriz que confere inteligibilidade aos gêneros. Ao mesmo tempo porporá que o suposto “transexual verdadeiro”, construído pelo saber médico, que tem como objetivo final para implementação da masculinidade/feminilidade a realização das cirurgias de transgenitalização, esbarra em uma pluralidade de respostas para os conflitos entre corpo, sexualidade e identidade de gênero internas à experiência transexual.

>>> CLIQUE PARA LER A Reinvenção do corpo

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4- Manifesto Contrasexual — práticas subversivas de identidade sexual. Autoria: Beatriz Preciado

Aqui, o aclamado filósofo espanhol (no masculino mesmo) Beatriz Preciado dinamita, com seu humor corrosivo e rigor teórico, tudo aquilo que se entende por sexualidade. Os estereótipos homem/mulher, homo/hétero, natural/artificial vão progressivamente sendo despedaçados através das análises que o autor faz sobre o dildo, a história do orgasmo e a atribuição de sexo. Se de início é curiosamente divertido, a cada capítulo aprofunda-se nas contradições relacionadas às noções contemporâneas de gênero e desejo. É inspirado pelo pensamento de Michel Foucault, Gilles Deleuze, Judith Butler e Jacques Derrida que o autor inaugura a contrassexualidade: uma teoria do corpo que é, também, estratégia de resistência ao poder.

>>> CLIQUE AQUI PARA LER Manifesto Contrassexual

5- Gênero, Sexualidade e Educação – Uma Perspectiva Pós-estruturalista. Autoria: Guacira Lopes Louro

Este livro tem o caráter de introdução aos estudos de gênero. Apresenta conceitos e teorias recentes no campo dos estudos feministas e suas relações com a educação. Estuda as relações do gênero com a sexualidade, as redes do poder, raça, classe, a busca de diferenciação e identificação pessoal e suas implicações com as práticas educativas atuais. Tanto serve de material para estudantes como para professoras/es, como incentivo amplo à iniciativa feminista e de outros grupos.

>>> CLIQUE PARA LER Gênero, Sexualidade e Educação

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6- Pensando o Sexo: Notas para uma Teoria Radical das Políticas da Sexualidade. Autoria: Gayle Rubin. 

Rubin afirma a necessidade da separação analítica entre gênero e sexualidade, pensando o sexo como um vetor de opressão que atravessa outros modos de desigualdade social, tais como classe, raça, etnicidade ou gênero. A autora questiona a fusão cultural de gênero com sexualidade, feita por feministas radicais anti-pornografia, para as quais a sexualidade organiza a sociedade em dois sexos (um dos quais oprime o outro).

>>> CLIQUE PARA LER Pensando o Sexo

7-  Gênero: uma categoria útil para análise histórica. Autoria: Joan Scott 

O próprio título do artigo anuncia o gênero como um executor teórico-metodológico para análise histórica. Por isso, Joan Scott inicia o artigo desconstruindo a intenção de se implementar certas ideias às coisas, evidenciando que assim como as palavras, as ideias também têm seu dinamismo e contexto social.

>>>CLIQUE PARA LER Gênero: uma categoria útil para a análise histórica 

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8- Gênero e sexualidade nas pedagogias culturais: implicações para a educação infantil. Autoria: Jane Felipe de Souza

O artigo visa problematizar as relações existentes entre pedagogia, gênero e sexualidade na educação infantil, a partir da perspectiva dos Estudos Culturais e dos Estudos Feministas. A autora considera que a pedagogia e o currículo devem ser compreendidos a partir de sua intrínseca relação com as questões históricas, políticas e culturais, todas elas envolvidas nas tramas do poder, no sentido que lhe confere Foucault (1992).

>>> CLIQUE PARA LER Gênero e sexualidade nas pedagogias culturais

9- Sexualidade, cultura e política: a trajetória da identidade homossexual masculina na antropologia brasileira. Autoria: Sérgio Carrara e Júlio Assis Simões

O texto tenta explorar a forma como, supostamente, o brasileiro organiza as categorias ou identidades sexuais, transformando-se às vezes num eixo para a construção de uma identidade nacional caracterizada como exótica, retardatária e “não-ocidental”. Também traça paralelos entre dois momentos da reflexão sobre as relações entre sexualidade, cultura e política.

>>> CLIQUE PARA LER Sexualidade, cultura e política 

10- Gênero e sexualidade: pedagogias contemporâneas. Autoria: Guacira Lopes Louro

A autora visa mostrar que gênero e sexualidade são construídos através de inúmeras aprendizagens e práticas, empreendidas por um conjunto inesgotável de instâncias sociais e culturais, de modo explícito ou dissimulado, num processo sempre inacabado e diz que na contemporaneidade, essas instâncias multiplicaram-se e seus ditames são, muitas vezes, distintos.

>>> CLIQUE PARA LER Gênero e Sexualidade: pedagogias contemporâneas 

11- Quando o “estranho” resolve se aproximar: a presença da professora transexual e as representações de gênero e sexualidade no ambiente escolar. Autoria: Tiago Zeferino dos Santos

A pesquisa tem como objetivo geral analisar as representações de gênero e sexualidade (re)produzidas no espaço escolar por estudantes e profissionais de educação a partir da inserção de uma professora autodefinida transexual em uma escola de Ensino Fundamental da cidade de Tubarão/SC.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Tiago Zeferino

12- Violência de Gênero, Sexualidade e Saúde. Autoria: Karen Giffin

O presente artigo discute os resultados de uma recente análise de dados internacionais sobre a violência contra a mulher, bem como as consequências para a saúde dessas formas de violência, nas quais o perpetuador é normalmente o parceiro da vítima. A segunda parte do artigo desenvolve questões relacionadas às raízes da violência, incluindo a construção social de identidade de gênero, relações de gênero e sexualidade, dentro de uma tradição dualista que separa mente e corpo, enfatizando elementos biológicos da sexualidade e definindo homens e mulheres como radicalmente diferentes. Para concluir, argumenta que as atuais críticas à visão dualista tem construído novas e mais integradas visões a cerca das sexualidades e seres humanos.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Karen Giffin

13- Sexualidade e gênero: ensaios educacionais contemporâneos. Autoria: Maria Rita de Assis César

Este texto analisa alguns dos caminhos que os discursos e as práticas sobre a sexualidade e o gênero percorreram na instituição escolar brasileira, em especial nas últimas décadas. A partir de uma perspectiva ancorada nos conceitos de Michel Foucault, especialmente nas noções de dispositivo da sexualidade e biopolítica, analisou-se a produção discursiva e institucional acerca da sexualidade na escola. A partir de questionamentos oriundos da teoria queer realiza-se uma reflexão contemporânea sobre a sexualidade na escola a partir de autoras feministas como Judith Butler e Deborah Britzman, que demonstram as (im)possibilidades de uma abordagem sobre a sexualidade que se dê de forma a interrogar os dispositivos de controle e manutenção da ordem discursivo-social.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Maria Rita

14- Educação e docência: diversidade, gênero e sexualidade. Autoria: Guacira Lopes Louro

Minha proposta é compartilhar e discutir com vocês algumas reflexões. Entendo que esse trabalho não é apenas teórico, mas é também político. As questões em torno dos gêneros e das sexualidades não envolvem apenas conhecimento ou informação, mas envolvem valores e um posicionamento político diante da multiplicidade de formas de viver e de ser. Como a escola tem lidado com tudo isso? Como nós, professoras e professores, nos vemos diante dessas questões? Quais são nossos pontos de apoio e onde se encontram nossas fragilidades e receios?

>>> CLIQUE PARA LER o texto Educação e docência

15- Gênero, sexualidade e a produção de pesquisas no campo da educação: possibilidades, limites e a formulação de políticas públicas. Autoria: Jane Felipe

O presente texto tem por objetivo discutir a produtividade do conceito de gênero como ferramenta teórica e política, abalando certezas tão firmemente alicerçadas em torno das diferenças biológicas, que serviram durante muito tempo para justificar as desigualdades entre homens e mulheres. A consolidação dos Estudos de Gênero, dos Estudos Gays e Lésbicos e da Teoria Queer no campo acadêmico traz a possibilidade de pensar que existem muitas formas de viver as masculinidades e as feminilidades e que estas são construções sociais e culturais, elaboradas minuciosamente por inúmeros discursos, áreas de conhecimento e instituições.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Jane Felipe

16- Ser professora, ser mulher: um estudo sobre concepções de gênero e sexualidade para um grupo de alunas de pedagogia. Autoria: Ana Paula Costa e Paulo Rennes Marçal Ribeiro

Este trabalho tem por objetivo investigar as concepções de relações de gênero de um grupo de alunas do curso de Pedagogia que já atuam na educação escolar como professoras. Para a realização desta pesquisa qualitativa, de tipologia analítico-descritiva, foi utilizada uma entrevista semiestruturada com as universitárias escolhidas. A construção e a análise do objeto têm como fundamentação teórica os estudos de Michel Foucault, Joan Scott e Guacira Lopes Louro. Constatamos que, em um processo de “acomodação” e “resistência”, as categorias “mulher” e “professora” se fundem, o que obscurece, em certa medida, a atuação da professora como profissional da educação.

>>> CLIQUE PARA LER Ser professora, ser mulher

17- Diversidade sexual e de gênero na escola. Autoria: Alexandre Bortolini

A coexistência de diferentes sujeitos e construções culturais no interior da escola nos faz pensar sobre os processos de interação que se dão nesse contexto de relações sociais. Diferentes correntes vêm produzindo teorias e categorizações que nos ajudam a pensar essas relações que envolvem igualdade, desigualdade e diferença. A idéia aqui é tentar pensar sobre a diversidade sexual e de gênero na escola numa perspectiva relacional, problematizando essencializações identitárias, entendendo essa questão como indissociável dos debates que hoje povoam esse campo mais amplo e trazendo não só os(as) autores(as) que trabalham com gênero e sexualidade, mas também as contribuições das discussões sobre cultura e interculturalidade.

>>> CLIQUE PARA LER o texto de Alexandre Bortolini

18- O gênero nas políticas públicas de educação no Brasil: 1988-2002. Autoria: Cláudia Pereira Vianna e Sandra Unbehaum

Orientado pela teoria das relações de gênero, este artigo examina as principais leis, planos e programas federais que especificam as diretrizes nacionais das políticas públicas de educação no Brasil. Entre os documentos privilegiados para análise destacam-se a Constituição Federal (CF/1988), a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB/1996), o Plano Nacional de Educação (PNE/ 2001) e os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (PCN/1997). Mostramos que adotar a ótica de gênero para a análise dessas políticas permite avaliar como elas podem facilitar ou dificultar a aquisição de padrões democráticos, uma vez que a política educacional não tem um papel neutro, dissociado de preconceitos, entre os quais destacamos o de gênero.

>>> CLIQUE PARA LER O Gênero nas políticas públicas

 

Memória olfativa

Posted in Comportamento, Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 10, 2014 by Psiquê

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Não sei se você também já parou para lembrar de uma situação passada ou de um sentimento adormecido, esquecido, vivido ou até sepultado quando sentiu um cheiro…seja de um perfume, de uma comida, de um incenso, de um tecido, ou qualquer que seja.

Isso acontece muito comigo com o desodorante e o perfume. No outro dia me  peguei comprando o mesmo desodorante que usei durante 10 dias em uma viagem e cada lembrança daquela viagem veio à tona na minha memória, uma delícia. Como em um livro estava revivendo aquela época. E interessante é que como já usei desodorantes diferentes em diversas viagens, eles estimulam a lembrança de momentos distintos.

O perfume também evoca este tipo de reação. Ao arrumar meu armário, encontrei um perfume que estava no fim e resolvi usá-lo novamente…desde a primeira borrifada, minha memória resgatou momentos vividos anos atrás quando costuma usar aquele perfume.

Fiquei encantada com o poder da memória olfativa..

Um pesquisa publicada pelo caderno Ciência do jornal Estadão falou sobre os poderes do olfato nas emoções: “…o córtex olfativo está envolvido com o sistema límbico do cérebro e com a amígdala, onde as emoções nascem e as memórias emotivas são registradas. É por isso que cheiros, sentimentos e memórias ficam tão próximos…”

O portal Neurociências em benefício da Educação, também traz um texto sobre memória olfativa bem interessante. A psicóloga e escritora Angelita Corrêa Scardua, escreve em seu blog Os Sentidos da Felicidade, um texto muito interessante sobre olfato e afeto, do qual compartilho o seguinte trecho:

“O interessante dessa relação entre cheiro, emoção e memória é que: como cada um de nós tem um cheiro próprio, e como cada interação com um outra pessoa nos provoca emoções, tendemos a associar à lembrança que temos de alguém a um odor específico. Assim, quando sentimos o cheiro que remete à emoção provocada por àquela pessoa, sentimos as mesmas emoções que tínhamos, ou temos, quando estamos com ela. Ou seja, é quase impossível dissociar cheiro de afeto!”

Às vezes pode parecer ruim e um tanto quanto saudosista retornar sentimentos e emoções do passado, mas o que venho compartilhar com vocês é a magia de perceber o quão complexos e interessantes, nós somos! Fiquei encantada em perceber essas reações na memória e no corpo, ao sentir o cheiro de um perfume.

Tenham um excelente domingo!

Sedenta do maravilhoso

Posted in Erotismo with tags , , , , , , on fevereiro 26, 2014 by Psiquê

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“Estou tão sedenta do maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que não pode se transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir.” Anais Nin

Marquesa de Santos

Posted in Cultura e Arte, Curiosidades, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 24, 2014 by Psiquê

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Ontem, assistindo a alguns vídeos históricos sobre mulheres que viveram no Brasil, deparei-me com a história de duas mulheres, a D. Leopoldina, Imperatriz do Brasil e da Marquesa de Santos, que foi amante de D. Pedro I e bastante influente durante o período. Ambas foram grandes mulheres, envolvidas ativamente no pensamento político do país, mas nesta postagem, resolvi compartilhar com vocês um pouco da história da Marquesa.

“Durante o século XIX, a condição da mulher era cercada por rígidos padrões morais que determinavam o seu lugar em uma sociedade dominada por homens. No entanto, as exigências de recato e subserviência nem sempre acabavam por selar o destino de todas as mulheres do Brasil Imperial. Escapando dos valores da época, é possível encontrar várias histórias em que mulheres extrapolaram seus limites estabelecidos para viver outra espécie de destino.

Entre esse singular tipo de mulher, podemos enquadrar a bela e jovem Domitila de Castro Canto e Melo. Nascida em São Paulo de Piratininga, em 27 de dezembro de 1797, a filha do coronel reforma João de Castro Cantão e Melo e de Escolástica Bonifácio de Toledo Ribas, marcou os primeiros e conturbados anos do Brasil Império. Um pouco antes disso, já congregando fervorosos admiradores na juventude, ela se casou com apenas quinze anos de idade.

Esse primeiro casamento acabou em rápida separação, o que levou a jovem retornar à fazenda dos pais. No decisivo ano de 1822, quando a independência seria consumada, foi que a bela jovem paulistana teria o seu primeiro encontro com Dom Pedro I. Deixando à parte os detalhes do primeiro encontro (sobre o qual existem diferentes versões) vemos que o enlace do casal, logo impeliu nosso jovem imperador a colocar a bela Domitila mais próxima de seus olhos.

No ano de 1823, ela se mudava para a cidade do Rio de Janeiro, onde residiu inicialmente na Quinta da Boa Vista. Casado com Leopoldina de Habsburgo, Dom Pedro I chocava a sociedade da época ao sustentar seu caso extraconjugal sem a mínima preocupação de encobrir a amante ou sustentar a imagem de uma autoridade respeitável. Ao tornar a amante primeira-dama da imperatriz e assumir a paternidade de Isabel Maria, primeira filha com Domitila, D. Pedro I inquietava a opinião pública.

Com a seguida morte da imperatriz, os ataques ao romance intensificavam-se ainda mais. Vários ministros renegavam o poder de influência e as aspirações de uma mulher que tanto chamava a atenção do imperador do Brasil. Em diferentes ocasiões, D. Pedro I demitiu esses ministros e outros funcionários que discordavam de sua aventura amorosa. À medida que a paixão se ampliava, o imperador concedeu os títulos de viscondessa e marquesa de Santos para sua amante.

Para muitos, a ação daquela mulher moldava o comportamento político do imperador e sua grande ambição seria ocupar a condição de Imperatriz do Brasil. Entretanto, contrariando às expectativas, Dom Pedro I acabou escolhendo Amélia Beauharnais, a Duquesa de Leuchtenberg, como mulher de posição mais adequada para estar ao seu lado no governo imperial. Mediante o novo e inesperado matrimônio real, o relacionamento entre o imperador e a marquesa de Santos chegava ao seu fim.

Voltando grávida de seu último filho com D. Pedro I à São Paulo, a marquesa de Santos resolveu domiciliar-se na chácara de Francisco Ignácio de Souza Queiroz. Nesse tempo, passou a constituir uma nova relação com o coronel Rafael Tobias de Aguiar, com quem se casou em 1842. Teve seis filhos com esse seu novo marido, passou a ajudar pobres, doentes e estudantes, e ficou viúva em 1857. Dez anos mais tarde, aos setenta nos de idade, ela veio a falecer deixando um vasto patrimônio.

Autoria de Rainer Sousa (Graduado em História), Equipe Brasil Escola

A paixão e a influência:

“Durante sete anos, de 1822 a 1829, viveria o maior e mais longo escândalo sexual do Brasil. Amante de d. Pedro I, este a fará Dama Camarista da Imperatriz, cargo que a colocava acima das demais damas do paço e na escala dos semanários, ou seja, ao menos uma vez por mês moraria junto com os imperadores.

D. Pedro, jovem e no auge do poder, pouco fez para esconder o caso, o que lhe dificultaria muito na Europa a busca de uma nova esposa após a morte de d. Leopoldina, em dezembro de 1826. Jornais na Europa chegariam até a culpar d. Pedro e Domitila da morte da imperatriz. O nome da Marquesa de Santos foi constante nos relatórios dos diplomatas estrangeiros no Rio de Janeiro. Sua proximidade com o imperador atraía para si desde comerciantes estrangeiros querendo a liberação de uma carga no porto até o enviado de Sua Majestade Britânica, Sir Charles Stuart, encarregado das negociações do reconhecimento da independência do Brasil com Portugal.

Após quase um ano de negociações, finalmente surgiu uma noiva, a princesa Amélia de Leuchtenberg, neta do rei da Baviera e da ex-imperatriz dos franceses, Josefina, esposa de Napoleão. Ela aceitou a proposta de d. Pedro, e assim Domitila foi substituída na cama e no coração do monarca por uma garota de 17 anos, que podia ser filha da Marquesa”.

Mais detalhes da história da Marquesa de Santos podem ser encontrados aqui.

A Casa da Marquesa em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, encontra-se em fase de restauro. Lá funciona o Museu da Moda Brasileira.

“Joia arquitetônica do Rio de Janeiro e do Brasil, a Casa da Marquesa de Santos foi presente do Imperador D. Pedro I para Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, em 1827. Raro exemplar arquitetônico do século XIX, é uma das primeiras edificações tombadas pelo IPHAN, em 1938. Projetada por Jean Pierre Pézerat, arquiteto do Imperador, é adornada com pinturas decorativas de Francisco Pedro do Amaral e trabalhos em estuque dos irmãos Ferrez. A Casa da Marquesa apresenta uma aura graciosa e romântica, mesclando temas do universo feminino com o universo neoclássico (…)O Museu da Moda Brasileira será o primeiro museu brasileiro dedicado ao universo dos costumes e da moda no Brasil. Em um conceito inclusivo e aberto, os acervos permanentes reunirão peças do cotidiano à alta costura, do passado ao futuro e da moda de todos nós. Além disso, o Museu promoverá exposições temporárias, itinerantes e receberá exposições internacionais.”

Livros que mencionam parte da história desta personagem:

A Carne e o Sangue, de Mary del Priore

A Marquesa de Santos – 1813 -1829, de Paulo Setúbal

Titília e Demonão, de Paulo Rezzutti

Domitila, A verdadeira história da Marquesa de Santos, de Paulo Rezzutti

Em 1984, a Rede Manchete veiculou a minissérie intitulada, Marquesa de Santos, baseada no livro de Setúbal e foi um verdadeiro sucesso.

Mais detalhes que Paulo Rezzutti releva, leia aqui.

Outro texto bem legal sobre o relacionamento entre a Marquesa e D. Pedro I, é o intitulado Paixão e sexo na corte brasileira: D. Pedro I e a marquesa de Santos, de Renato Drummond Tapioca Neto. Leia, vale a pena conferir.

 

Dança e autoconhecimento

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , on dezembro 20, 2013 by Psiquê

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Eu não costumo ter o hábito de dançar, mas gostaria porque as sensações que este hábito promove são libertadoras…

Já tive orientação de buscar a dança como terapia, mas me falta oportunidade, porém como sei que a entrega à dança proporciona um bem estar fenomenal, resolvi compartilhar com vocês o texto que encontrei no portal Somos Todos Um.

Dançar é um alimento para a alma, um alento para o espírito, autoria de Sônia Imenes

Dançar traz alegria. A verdadeira alegria de poder reconhecer e expressar, de forma simples e direta, os anseios da alma.

Dançar nos restitui os laços perdidos com nossa própria essência. Isso realmente acontece quando nos entregamos ao seu movimento como uma onda que brota espontaneamente, de uma fonte que não é racional, nem esteticamente premeditada. Quando deixamos que o movimento expresse livremente algo que é único em cada um de nós. Nesse sentido, a dança espontânea se revela como sendo uma linguagem corporal subjetiva, rica de significados. Assim, a dança se abre como um caminho maravilhoso para o autoconhecimento.

Através de exercícios de sensibilização, expressão, interação e consciência corporal, entramos em contato com nossos próprios bloqueios, herdados de uma educação e cultura voltados para a praticidade de um mundo cada vez mais alienado de nossas necessidades anímicas. Assim, aprendemos a reconhecer nossas próprias limitações, a nos libertarmos dos condicionamentos e padrões indesejados, aqueles que negam a nossa verdadeira essência e o exercício do nosso potencial criativo.

Com a dança espontânea se propõe um caminho de retorno de cada um consigo mesmo. Uma redescoberta, numa viagem, que pode começar pela percepção e refinamento dos sentidos, adentrar nas paisagens coloridas das emoções, encontrar o seu ritmo na respiração e, da integridade dos gestos, nascer uma verdadeira fonte de inspiração e renovação.

Coisas que pessoas mentalmente fortes não fazem…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 2, 2013 by Psiquê

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O portal HypScience trouxe um texto bem legal sobre força mental, elencando 13 itens que pessoas mentalmente fortes evitam fazer.

Inúmeros artigos, particularmente voltados a empreendedores, falam sobre as características críticas das pessoas mentalmente fortes, como tenacidade, otimismo e uma capacidade de superar obstáculos.

No entanto, também podemos definir força mental identificando as coisas que indivíduos mentalmente fortes não fazem. Confira alguns desses itens na lista compilada pela psicoterapeuta e assistente social Amy Morin:

1. Perder tempo sentindo pena de si mesmas

Você não vê pessoas mentalmente fortes sentindo pena de si mesmas ou suas circunstâncias. Elas aprenderam a assumir a responsabilidade por suas ações e resultados, e têm uma compreensão inerente de que muitas vezes a vida não é justa. Elas são capazes de emergir de uma situação difícil com consciência e gratidão pelas lições aprendidas. Quando uma ocasião acaba mal para elas, pessoas fortes simplesmente seguem em frente.

2. Ser controladas ou subjugadas

Pessoas mentalmente fortes evitam dar aos outros o poder de fazê-los sentir-se inferiores ou ruins. Elas entendem que estão no controle de suas ações e emoções. Elas sabem que a sua força está na sua capacidade de reagir de maneira adequada.

3. Fugir de mudanças

Pessoas mentalmente fortes aceitam e abraçam a mudança. Seu maior “medo”, se tiverem um, não é do desconhecido, mas de tornarem-se complacentes e estagnadas. Um ambiente de mudança e incerteza pode energizar uma pessoa mentalmente forte e estimular o seu melhor lado.

4. Gastar energia em coisas que não podem controlar

Pessoas mentalmente fortes não reclamam (muito) do tráfego, da bagagem perdida e especialmente das outras pessoas, pois reconhecem que todos esses fatores estão, geralmente, fora do seu controle. Em uma situação ruim, elas reconhecem que a única coisa que sempre podem controlar é a sua própria resposta e atitude.

5. Preocupar-se em agradar os outros

É impossível agradar a todos. Pior ainda é quem se esforça para desagradar outros como forma de reforçar uma imagem de força. Nenhuma dessas posições é boa. Uma pessoa mentalmente forte se esforça para ser gentil e justa e para agradar aos outros quando necessário, mas não tem medo de dar sua opinião ou apoiar o que acha certo. Elas são capazes de suportar a possibilidade de que alguém vai ficar chateado com elas, e passam por essa situação, sempre que possível, com graça e elegância.

6. Ter medo de assumir riscos calculados

Uma pessoa mentalmente forte está disposta a assumir riscos calculados. Isso é uma coisa completamente diferente do que pular de cabeça em situações obviamente tolas. Mas com a força mental, o indivíduo pode pesar os riscos e benefícios completamente, e avaliar plenamente as potenciais desvantagens e até mesmo os piores cenários antes de tomar uma atitude.

7. Saudosismo freqüente

Há força em reconhecer o passado e, sobretudo, as coisas aprendidas com as experiências passadas, mas uma pessoa mentalmente forte é capaz de evitar se afundar em decepções antigas ou fantasias dos “dias de glória” de outrora. Elas investem a maior parte de sua energia na criação de um presente e futuro melhores.

8. Cometer os mesmos erros repetidamente

Não adianta realizarmos as mesmas ações repetidas vezes esperando um resultado diferente e melhor do que o que já recebemos. Uma pessoa mentalmente forte assume total responsabilidade por seu comportamento passado e está disposta a aprender com os erros. Pesquisas sugerem que a capacidade de ser autorreflexivo de forma precisa e produtiva é uma das maiores características de executivos e empresários bem-sucedidos.

9. Ressentir o sucesso dos outros

É preciso ter força de caráter para sentir alegria genuína pelo sucesso de outras pessoas. Pessoas mentalmente fortes têm essa capacidade. Elas não ficam com ciúmes ou ressentidas quando outros alcançam sucesso (embora possam tomar nota do que o indivíduo fez bem). Elas estão dispostos a trabalhar duro por suas próprias chances de sucesso, sem depender de atalhos.

10. Desistir depois de falhar

Cada fracasso é uma oportunidade para melhorar. Mesmo os maiores empresários estão dispostos a admitir que seus esforços iniciais invariavelmente trouxeram muitas falhas. Pessoas mentalmente fortes estão dispostas a falhar de novo e de novo, se necessário, desde que cada “fracasso” os traga mais perto de seus objetivos finais.

11. Ter medo de passar tempo sozinhas

Pessoas mentalmente fortes apreciam e até mesmo valorizam o tempo que passam sozinhas. Elas usam esse tempo de inatividade para refletir, planejar e ser produtivas. Mais importante, elas não dependem de outros para reforçar a sua felicidade e humor. Elas podem ser felizes com os outros, bem como sozinhas.

12. Sentir que o mundo lhes deve algo

Na economia atual, executivos e funcionários de todos os níveis estão ganhando a percepção de que o mundo não lhes deve um salário, um pacote de benefícios e uma vida confortável, independentemente da sua preparação e escolaridade. Pessoas mentalmente fortes entram no mercado preparadas para trabalhar e ter sucesso de acordo com seu mérito, ao invés de já chegar com uma lista de coisas que deveriam receber de mão beijada.

13. Esperar resultados imediatos

Quer se trate de um treino, um regime nutricional ou de começar um negócio, as pessoas mentalmente fortes entram nas situações pensando a longo prazo. Elas sabem que não devem esperar resultados imediatos. Elas aplicam sua energia e tempo em doses e celebram cada etapa e aumento de sucesso no caminho. Elas têm “poder de permanência” e entendem que as mudanças genuínas levam tempo.

E aí? Você tem força mental? Existem elementos nesta lista que você precisa melhorar?