Arquivo de violência

12 Filmes e Documentários – Histórias de Lutas Lideradas por Mulheres

Posted in Comportamento, Cultura e Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 7, 2017 by Psiquê

Na véspera do dia 8 de março, dia de luta por direitos iguais e empoderamento feminino, resolvi compartilhar uma a postagem do portal Nó de oito em que se apresenta uma lista de 12 documentários que ajudam a contar a história de lutas lideradas por mulheres.

Aproveite as dicas, assista às produções e junte-se à luta.

“O Dia Internacional das Mulheres não é uma data para ganhar chocolatinho e palestra sobre como fazer contorno facial com maquiagem, mas sim para lembrar, celebrar e organizar as lutas por nossos direitos. Sua origem pode ser traçada até o começo do século XX, e passa tanto pelo movimento das mulheres operárias norte-americanas e o terrível incêndio que matou mais de 120  trabalhadoras da Triangle Shirtwaist Company, como pelos inúmeros outros acontecimentos que marcaram a história da luta das mulheres em diferentes partes do mundo.

Pensando nisso, separamos doze filmes e documentários que relembram lutas e movimentos liderados por mulheres que mudaram o rumo da nossa história.

Norma Rae (Norma Rae, 1979)

Sinopse: Como muitos dos integrantes de sua família antes dela, Norma Rae trabalha numa fábrica têxtil local por um salário que não condiz com as longas horas e as péssimas condições de trabalho. Depois de ouvir um discurso de um defensor dos direitos trabalhistas, a jovem é inspirada a convencer seus colegas de trabalho a lutar pela criação de um sindicato. O filme é baseado na história real de Crystal Lee Sutton, que liderou uma campanha contra as condições de trabalho oferecidas pela empresa J.P. Stevens Mill.

Pray the Devil Back to Hell (2008)

Sinopse: Pray the Devil Back to Hell é um documentário que retrata o Movimento pela Paz na Libéria, organizado pela assistente social Leymah Gbowee. Na ocasião, milhares de mulheres cristãs e muçulmanas se mobilizaram para organizar protestos não-violentos que levaram ao fim da Segunda Guerra Civil da Libéria em 2003. O movimento levou Ellen Johnson Sirleaf a ser eleita presidente, fazendo com que a Libéria se tornasse a primeira nação africana a eleger uma mulher como chefe de estado. Em 2011, Leymah Gbowee ganhou o prêmio Nobel da Paz junto com Sirleaf e a iemenita Tawakel Karman.

As Sufragistas (Suffragette, 2015)

Sinopse: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. A partir de 1912, elas começam a coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as sufragistas, resistindo à pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina

!Mulheres Arte Revolução (!Women Art Revolution, 2010)

Sinopse: !Mulheres Arte Revolução é um documentário de 2010 que explora a “história secreta” do movimento de arte feminista dos Estados Unidos nos anos 70 e 80, através de conversas, observações, documentos e obras de artistas visionárias, historiadoras, curadoras e críticas de arte. O movimento artístico feminista foi um movimento ativista que proporcionou um modelo de mudança cultural e política, contra a discriminação, a exclusão racial, e a violência de gênero.

Terra Fria (North Country, 2005)

Sinopse: Mãe solteira, Josey Aimes, é parte do grupo das primeiras mulheres a trabalharem em minas de ferro, em Minnesota. Os homens ficam ofendidos por terem que trabalhar com mulheres e as submetem a constante assédio sexual. Consternada com o fluxo constante de insultos, linguagem sexual explícita, e abuso físico, ela decide abrir uma histórica ação judicial contra assédio sexual. O filme é baseado no livro Class Action: The Story of Lois Jenson and the Landmark Case That Changed Sexual Harassment Law, escrito por Clara Bingham e Laura Leedy Gansler, que conta a história real do processo judicial Jenson vs. Eveleth Taconite Company.

Our Times (Ruz-egar-e ma, 2002)

Sinopse: Da aclamada diretora iraniana Rakhshan Bani Etemad, este documentário explora os esforços das mulheres iranianas para empoderamento focando na eleição de 2002, que contou com uma candidata à presidência, mas acabou com a vitória do polêmico e conservador radical Mahmoud Ahmadinejad.

O Sal da Terra (Salt of the Earth, 1954)

Sinopse: Lançado em 1954, O Sal da Terra conta a história real da greve de mineradores no estado do Novo México (EUA) de 1951 contra a Empire Zinc Company. A maioria de origem mexicana, os trabalhadores protestaram pela melhora nas condições de trabalho e moradia, mas por serem agredidos e oprimidos constantemente, a greve acaba sendo mantida por suas esposas e filhas, que apesar de sofrerem críticas até dos próprios pais e maridos por intervirem, se mantêm firmes até serem atendidas nas reivindicações.

Anjos Rebeldes (Iron Jawed Angels, 2004)

Sinopse: Nos Estados Unidos do século XIX, duas mulheres arriscam suas vidas pelo direito de votar. Juntas desafiam as forças conservadoras de seu país para a aprovação de uma emenda constitucional que mudará seu futuro e o de muitas outras. O filme é baseado na história das sufragistas estadunidenses Alice Paul e Lucy Burns.

License to Thrive (2008)

Sinopse: License to Thrive (traduzido livremente como Licença para Prosperar) é um documentário que explora a história da legislação chamada Título IX, de 1972, que facilitou o acesso à educação de meninas e mulheres nos EUA. Embora seja mais associada ao esporte, nenhuma outra legislação desde a que garantiu às mulheres americanas ao direito ao voto foi mais crucial para a criação de oportunidades para mulheres em todas as áreas, do esporte, até a política, ciência, finanças, entretenimento, artes, negócios e direito.

Filha da Índia (India’s Daughter, 2015)

Filha da Índia relembra o estupro coletivo da estudante de medicina Jyoti Singh em 2012 na Índia, e retrata o movimento social inspirador que tomou as ruas pelos direitos das mulheres e contra a violência de gênero. De acordo com a diretora Leslee Udwin, foram os protestos em resposta ao estupro que a levaram a fazer o documentário. “Eu fiquei fascinada com as mulheres e homens da Índia que tomaram as ruas em resposta a esse terrível estupro coletivo e exigiram mudanças por direitos das mulheres. E pensei que o mínimo que podia fazer era ampliar suas vozes.”

The Hunting Ground (2015)

A realidade de abusos sexuais em universidades dos EUA – omitida pelas próprias universidades – vem à tona quando as vítimas se recusam a se deixar silenciar. O documentário é focado nas ações de duas estudantes que trabalham juntas para unir as vítimas de violência sexual em universidades de todo o país em uma rede para  denunciar e chamar atenção para o problema.

She’s Beautiful When She’s Angry (2014)

Este documentário apresenta um olhar inspirador sobre as mulheres brilhantes e corajosas que lideraram o movimento feminista na década de 1960 e 1970 nos EUA. O documentário mostra que os movimentos feministas surgiram com grande influência dos movimentos de direitos civis na década de 60, e trouxeram questionamentos e a consciência sobre a necessidade de igualdade entre homens e mulheres.

 

Luto pelo fim da cultura do estupro

Posted in Comportamento, Conscientização with tags , , , , , , , , , , , , , on maio 27, 2016 by Psiquê

Os últimos acontecimentos no país: o episódio de um estupro coletivo em 27 de maio de 2015, no estado do Piauí e o mais recente fato ocorrido em maio de 2016, quando uma menina de 16 anos foi desumanamente violentada por 30 monstros, chamam atenção para a urgência de combatermos a frequente tolerância para com o estupro e a violência contra a mulher em nossa sociedade.

Se você é mulher, certamente já parou para pensar na roupa que ia usar ou no trajeto que precisaria fazer e nas prevenções que precisaria tomar para evitar algum assédio ou investida na rua. Já temeu que algum homem no transporte coletivo encostasse em você, que em uma rua mais deserta, alguém te seguisse, que o comprimento de sua saia, o modelo do seu vestido ou o corte da sua blusa provocasse reações indesejadas no meio da rua. No Brasil, ser assediada na rua é muito frequente. Embora muitas dessas situações, sejam constantes e quase “inevitáveis” nas ruas do país, o medo é uma coisa que nos acompanha cotidianamente.

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É inacreditável que em pleno século XXI, as mulheres ainda precisem temer tanto por sua segurança. É inadmissível que muitas mulheres e homens em nossa sociedade continuem a culpar a vítima pelo ato de violência sofrido: seja pela vestimenta, pelas escolhas, pelas companhias, pelas atitudes. O respeito deve ser IMPERATIVO, ainda que uma mulher queira colocar uma roupa curta, sair para dançar, usar um batom vermelho, o que for, ela é livre e não pode ser atacada por ninguém. Se ela não quiser ter relações sexuais com quem quer que seja, não é lícito forçá-la, seja qual for a sua ideia em relação a ela.

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O estupro é sempre culpa e responsabilidade do estuprador. A violência é sempre culpa e responsabilidade daquele que violenta. Homens e mulheres são iguais em deveres e direitos perante a lei, e nada justifica qualquer ato de violência sobre uma mulher que queira andar com pouca roupa ou quiçá nua. Os discursos legitimadores de atos violentos na boca de mulheres é mais assustador ainda.

Se você tem acompanhado as discussões dos últimos dias, reflita e se una a todas nós no combate a essa cultura do estupro tão comum em nossa sociedade.

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Aproveito para compartilhar a contribuição de Marina Ferreira em sua página no Facebook que reflete e refuta muito bem o discurso de alguns sobre o comportamento ideal das mulheres “não estupráveis”.

“Se ela estivesse estudando isso não aconteceria!”
Menina estuprada em escola de São Paulo reconhece agressores: http://glo.bo/1TZ6Ej0

“Se ela estivesse na igreja isso não aconteceria!”
Jovem é estuprada dentro de secretaria de igreja em Brasília: http://bit.ly/1NQpoVc

“Se ela estivesse em casa isso não aconteceria!”
Morre jovem encontrada com sinais de estupro dentro de casa na Zona Norte: http://bit.ly/1qMl4Lu

“Se ela estivesse trabalhando isso não aconteceria!”
Jovem é atacada e estuprada a caminho do trabalho: http://bit.ly/1P19Wpq

“Se ela tivesse um namorado fixo isso não aconteceria!”
‘Meu namorado me estuprou por um ano enquanto eu dormia’: http://bbc.in/27UhJvG

“Se ela fosse mais família isso não aconteceria!”
Adolescente com deficiência física é estuprada pelo tio em RR: http://glo.bo/1THnB47

“Se ela fosse menos ‘puta’ isso não aconteceria!”
Menina (de 1 ano e meio) morta em igreja foi violentada: http://bit.ly/1Z3LEM4

“Se ela tivesse mais cuidado isso não aconteceria!”
Jovem é estuprada em estação do Metrô de São Paulo: http://bit.ly/1WnjCgw

#nãoéculpadela #nãoéculpadavítima #pelofimdaculturadoestupro #espartilho #feminismosim #queroumdiasemestupro

O machismo também é cruel com os homens

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 11, 2016 by Psiquê

Precisamos falar sobre machismo de uma maneira madura e responsável, porque ele faz muito mal à humanidade [tanto aos homens quanto às mulheres].

O texto que eu encontrei publicado no blog O Pedagogento, mas de autoria de Silvia Amélia de Araújo, reflete muito bem os males que o machismo pode causar aos meninos.

Quanto abuso e violência podemos evitar ao criar nossos filhos e filhas longe do machismo…

Em defesa da leveza, do respeito e da felicidade,  compartilhamos aqui essa belíssima reflexão.

Meninos by filme Meninos de Kichute

Pelos Direitos dos Meninos

“Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!).

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!).

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina.

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina.

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também.

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa.

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas.

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia.

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos.

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria.

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido.

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.”

 

Mais amor, por favor!

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , on abril 30, 2016 by Psiquê

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Em tempos de intolerância, impaciência e falta de empatia, as relações se tornam instáveis e frágeis. Perdemos a consciência de que o presente é a única coisa que realmente controlamos e temos para viver e que nossa vida tem começo, meio e fim…

Nossa sociedade tem se mostrado cada vez mais pautada no egocentrismo e a solidariedade e a empatia, com muita frequência,  só são manifestadas para com os nossos entes queridos, amigos, pessoas mais próximas, ou seja, um grupo seleto. De maneira geral, não nos sensibilizamos com aquele outro que está muito distante do nosso ‘núcleo duro’ pelo simples fato de sermos insensíveis ao seu sofrimento e sua dor.

De modo geral, também não queremos compartilhar com o outro: voz, participação política, bens e condições financeiras. Algo que está enraizado em nossa cultura e que, muitas vezes, sequer percebemos. Isso é muito perceptível quando observamos a falta de preocupação com a coletividade que o brasileiro, de modo geral e mais especificamente, o carioca fazem muito: comportar-se de maneira extremamente agressiva no trânsito, na rua, nos restaurantes, nos transportes coletivos…Observar esses pequenos gestos diários, nos permite visualizar a dimensão do nosso desafio social e cultural. É desafiador e, por vezes, desanimador…

Claro que essa tendência não tem se acentuado apenas aqui na nossa sociedade, a intolerância com o outro, o diferente, o externo tem aflorado e se intensificado no mundo inteiro: seja pela presença do refugiado, do pobre, do estrangeiro, do homossexual, da mulher que reivindica direitos iguais ou qualquer outro agente que rompa ou anseie pela alteração do status quo.

A meu ver você não precisa fazer parte de um desses grupos para lutar por um ambiente mais justo, menos cruel e mais humano.

  • A nossa humanidade já deveria aflorar quando vemos um outro humano em condições desumanas…
  • A nossa sensibilidade deveria aflorar quando vemos um outro ser vivo sendo agredido ou violentado…

O nosso ego deveria ser menos importante e nosso senso de coletividade mais forte para buscarmos o bem de todos nós…é por isso que a empatia, capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, nos é tão cara e importante.

Vamos amar mais! Mais amor, por favor!  Propaguem o amor, sejam bons, sejam sensíveis, pois amando conseguimos mais adeptos.

 

Cultura machista

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 31, 2015 by Psiquê

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Apesar das características essencialmente machistas que a sociedade brasileira carrega em muitas das situações diárias que vivenciamos, nos últimos dias percebemos um certo arrefecimento das discussões acerca de coisas consideradas “normais” e “aceitáveis” até bem pouco tempo: como o assédio constante das mulheres em diversas situações cotidianas, o tratamento da mulher com uma aura de inferioridade, violência, etc.

A presença de trecho da obra “Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir e da persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira como tema de redação do último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), em 2015, no Brasil, ajudou a acalorar a discussão sobre e a repercussão do assunto.

Um recente episódio de assédio com inspiração pedófila a uma menina de 12 anos que participou de um programa de TV no Brasil, incitou uma campanha interessante através da propagação da #primeiroassedio, levando uma série de mulheres a falar sobre o tema.

A triste verdade é que somos assediadas cotidianamente, ao andar na rua, no ambiente de trabalho, pela roupa que usamos ou deixamos de usar. Situações que infelizmente desde pequenas nos “acostumamos” a passar ou a fugir de, que sinceramente nunca tinha parado para pensar tão profundamente no quão absurdas e inadmissíveis são.

Tememos andar na rua, ir a determinados lugares, estar em alguns ambientes sem ter que passar pelo constrangimento de ouvir palavras de baixo calão ou invasivas sobre partes do nosso corpo, sobre nossa sexualidade, sobre sermos mulher. Parar para observar a sociedade brasileira por este prisma, nunca me fez me sentir tão triste. Claro que isso não é “privilégio nosso”, mas reflete o quanto ainda temos que crescer no respeito às mulheres, ao direito de ir e vir, de andarem com a roupa e do jeito que quiserem em segurança.

Espero que essas reflexões nos levem ao amadurecimento de nossa sociedade e pelo respeito mútuo. A luta apenas começou…

Combata a misoginia, o assédio, a violência e o desrespeito.

Namastê.

Um beijo enorme, Psiquê.

Feminismo branco versus Feminismo negro

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 7, 2015 by Psiquê
By Michael Burke

By Michael Burke

(Algumas) Diferenças Entre Feminismo Branco e Feminismo Negro

VIOLÊNCIA

Feministas brancas lutam para terem a segurança de saírem às ruas sem sofrerem assédio e contra a violência doméstica. Feministas negras, especialmente as periféricas, sabem que seu corpo está duplamente objetificado, especialmente por conta da imagem de “mulata exportação” que sempre foi construída atribuindo à mulher negra a imagem de fêmea (no sentido bestial) sempre disposta a relações sexuais e sempre à disposição dos homens. Além disso, negras são vítimas de cerca de 60% dos assassinatos de mulheres no país. Dado que está ligado aos índices de pobreza.

ESTÉTICA

Mulheres brancas lutam pelo direito de saírem sem maquiagem sem serem julgadas. Mulheres negras ainda estão lutando pelo direito de serem vistas pelas marcas. Uma das faces do racismo está no fato de que as marcas de cosméticos simplesmente ignoram a mulher negra. Por exemplo, enquanto a MAC apresenta quase 30 tons de base, uma Avon da vida tem no máximo 5. Isto é exclusão. Parte do princípio de que mulher negra não merece atenção enquanto consumidora. Além da hierarquia de textura capilar e a ideia de que cabelo bom é cabelo liso. As mulheres brancas querem liberdade pra não usarem maquiagem. Mulheres negras querem o direito de decidir sobre sua própria imagem. A indústria cosmética dita o feio e o belo, e usa a imagem da mulher branca como exemplo para o belo.

GRAVIDEZ E MATERNIDADE

Mulheres brancas lutam pelo direito ao aborto seguro e sua descriminalização. Mulheres brancas lutam para poderem cuidar de seus filhos e lutam contra opressão da tripla jornada (filho-casa-trabalho). Mulheres negras morrem em açougues porque não podem pagar as clínicas “menos perigosas”. Mulheres negras lutam para que seus filhos não sejam mortos na mão do Estado por serem negros e pobres. Mulheres negras não tem babás ou qualquer outra pessoa de confiança, ou acesso a creches pra cuidarem de seus filhos enquanto elas vão trabalhar.

AMOR E RELACIONAMENTOS

Mulheres brancas lutam contra a opressão da monogamia. Mulheres negras ainda são preteridas e objetificadas por homens brancos e negros e até um relacionamento monogâmico respeitoso é difícil. Poliamor e Relações Livres ainda passam longe, mas MUITO longe da realidade de mulheres negras.
Mulheres brancas e negras lutam contra relações abusivas, mas mulheres negras além disso ainda precisam lutar contra a opressão de serem vendidas como fantoches sexuais. Mulheres negras ainda vivem muitas relações às escondidas por conta de homens que não as assumem.

ESTUDOS E MERCADO DE TRABALHO

Mulheres brancas lutam contra o machismo na universidade e para terem salários iguais aos de colegas homens que ocupam os mesmos cargos que elas nas empresas. Mulheres negras lutam para conseguir terminar o ensino médio e entrar na faculdade, geralmente cumprindo uma jornada dupla de trabalho + estudo. Mulheres negras lutam para terem mais opções de trabalho além do emprego doméstico onde servirá a mulher branca, e onde não raro sofrem abusos morais e muita violência psicológica. Mulheres negras ainda são minoria nas universidades e empresas.

Por que essa breve explicação?

Porque eu tô até hoje engasgada com um post de uma página feminista que dizia: “Preciso do feminismo pra jogar vídeo game sem ouvir dizerem que jogo feito uma mocinha.”
Prioridades, prioridades.

Este texto foi escrito por Gabriela Moura e originalmente publicado no blog Não me Kahlo

Sobre o mês da mulher…

Posted in Comportamento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 19, 2015 by Psiquê

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No último dia 08 de março, vi uma imagem circulando nas redes sociais que resume o que penso que devemos defender nesta data:  “Dia 8 de março* não dê bombom nem florzinha. Dê respeito.” * e nos outros dias, também. Nesta linha de raciocínio e diante de uma série de reivindicações que data ainda suscita, o texto escrito por Túlio Rossi para a Obvious Magazine, me pareceu bastante providencial. Compartilho com vocês a íntegra da reflexão dele, intitulada: “Sobre o mês da mulher: uma conversa de ‘homem para homem’.

“Tenho observado o que penso, esperançoso, ser uma mudança crescente em termos de visibilidade de pautas feministas, no que emergem diversas matizes de posicionamentos e discursos, variando da crítica refratária ao suporte incondicional às diversas lutas travadas por mulheres nos campos dos direitos, da política, do trabalho, da saúde e da sexualidade.

Nesse sentido, chamaram minha atenção os discursos rechaçando, no Dia da Mulher, atitudes tais como oferecer flores, presentes como lingeries e utensílios domésticos e diversas “homenagens” que reforçam justamente os estereótipos que os movimentos feministas tão arduamente vêm combatendo. Entendo que essas críticas atuam em três eixos fundamentais para qualquer possibilidade de transformação rumo a uma sociedade mais igualitária:

1) Atacam o aspecto mercadológico e consumista no qual um importante conjunto de lutas e reivindicações é descaracterizado e obnubilado.

2) Atacam estereótipos de feminilidade e de “romantismo” uma vez que “coincidentemente”, o símbolo utilizado para homenagear as mulheres em seu dia – rosas vermelhas – é também um dos mais expressivos clichês do jogo de sedução tradicionalmente operado no ocidente e que tem nos homens os agentes principais e nas mulheres, um simples objeto de conquista.

3) Obrigam a repensar uma atitude que, culturalmente lida na chave do elogio e da gentileza, inadvertidamente, contribui para a opressão.

Contudo, temos alguns problemas – eu diria até sociológicos – que me levam a direcionar esse texto aos homens, não como um porta-voz do feminismo, pois não tenho direito e legitimidade para isso. Simplesmente, percebo que, se do lado das mulheres há uma crescente conscientização, do lado masculino, por razões que extrapolam o senso de moralidade, essa mudança ainda é deveras tímida.

Não atribuo essa timidez tanto a um ímpeto calculado de manutenção de privilégios masculinos numa sociedade patriarcal. Um trabalhador braçal de baixa escolaridade e renda, formado num âmbito fortemente religioso e tradicionalista, que se casou cedo, teve filhos cedo e aprendeu que “tem o dever” de sustentar esse modelo de família dificilmente é capaz de enxergar seus privilégios.

Alguém que se endivida em nome da manutenção de certos modelos tradicionais de família e papéis de gênero, alguém que aprende que esta é a “ordem natural” das coisas e que deve tolerar toda sorte de abusos em seu trabalho para manter um sistema amplamente opressor certamente terá dificuldades de se ver como privilegiado.

Tenho certeza que uma série de homens que oferece rosas para as mulheres em seu dia acredita honestamente que está fazendo um bem e é incapaz de associar esse gesto “delicado”, “carinhoso”, “gentil” – fiz questão de enumerar adjetivos naturalizados como características predominantemente “femininas” – a qualquer sinal de machismo.

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E quanto um homem ou mulher não precisa ler, estudar, ouvir e refletir para se conscientizar do machismo que opera, diversas vezes, involuntariamente? E quantos efetivamente farão isso em uma sociedade já bem estruturada sobre várias desigualdades que se interpenetram, nas quais aquelas de gênero me parecem mais perversas por serem presumidas como “biológicas”, dificultando para muitos a compreensão de sua construção social e histórica?

Não quero, com isso, parecer condescendente ao machismo; muito pelo contrário. Desejo chamar a atenção principalmente dos homens para a necessidade não apenas de reconhecer que gozamos de privilégios em uma sociedade desigual, mas também de marcar que as questões relacionadas a gênero não devem ser assumidas de acordo com o que toda uma geração aprendeu no Xou da Xuxa como uma eterna disputa de “menino contra menina”.

Proponho aqui um exercício tipicamente sociológico de autocrítica. Jamais um homem poderá sentir na pele os desconfortos, medos e inseguranças que uma mulher sofre em uma sociedade machista – da preocupação em tomar um taxi a escolher o que vestir, por onde andar e aonde ir no sentido de se precaver ao máximo de sofrer uma violência sexual, por exemplo. Mas isso não o impede necessariamente de conscientizar-se criticamente de seus gestos e mudá-los.

Penso que é possível aos homens cultivarem mais empatia e, nesse sentido, às vezes tentarem se imaginar no lugar das mulheres com quem interagem. Se o sujeito não tem imaginação suficiente para isso, que tal, simplesmente, escutar? Que tal se dar alguns minutos para ler alguns depoimentos de mulheres em diversos movimentos difundidos na internet como o “Chega de Fiu fiu”?

Que tal se perguntar antes de oferecer uma rosa vermelha – que, vinda de um homem para uma mulher, frequentemente implica um convite ao sexo – se é realmente aquilo que aquela mulher deseja ou ainda: como ela vai se sentir com esse “elogio”? Que mensagens de expectativas implícitas de reciprocidade estão presentes nesse gesto tão simples?

É óbvio que uma rosa não precisa ser e nem é necessariamente um convite ao sexo. Mas dada essa associação tão forte que se constituiu historicamente, a que será que tantas mulheres não se sentem “obrigadas” – nesse sentido a língua portuguesa é fascinante com essa expressão tão peculiar de gratidão que, explicitamente, instaura uma condição de obrigação – ou cobradas a partir de determinados gestos masculinos apenas por serem mulheres?

O exercício da autocrítica é difícil; obriga-nos a sair do que acreditamos ser uma zona de conforto. Mas essa zona muitas vezes é mais um hábito e vício do que um lugar de conforto em si. A desigualdade de gêneros também cria demandas e expectativas por vezes opressoras para muitos homens; das formas que aprendem a lidar com suas emoções a diversas cobranças resumidas no imperativo: “seja homem”.

Quantos jovens não arriscam e perdem suas vidas “sendo homens” em competições de bebedeiras, dirigindo perigosamente ou mantendo relações sexuais sem proteção? E quantos na recusa disso são preteridos e até “feminilizados” de forma pejorativa? Aqui se reforça mais ainda uma significação preconceituosa do feminino ao tornar “mulherzinha” uma ofensa e uma forma de desqualificar alguém, contribuindo para o isolamento social de homens que não correspondem a esse estereótipo de masculinidade, por vezes abusivo com as mulheres.

Tenho minhas dúvidas se a manutenção dessa posição é sempre tão confortável… mas a sua naturalização torna, para muitos, assustadora e desconcertante a simples insinuação de sair dela. Sei que pode soar absurdo, mas muitos de nós homens não tem a menor ideia de que seja possível ser de outro jeito.

O ponto aqui é que lidamos com um problema social e, como tal, fazemos parte do problema, estamos dentro do problema e, justamente por isso, temos a imensa dificuldade de “olhar pra dentro”. Ninguém “olha pra dentro” realmente, diretamente. Esse nível de percepção não é possível literalmente falando. Por isso exige tanta reflexão e esforço mental, pois é sempre uma abstração influenciada por interpretações – nem sempre precisas – de sinais internos e externos.

Na melhor das hipóteses, essa percepção é mediada por algum outro instrumento que produz uma “imagem” do que está dentro. Eu não posso olhar para o meu organismo “de dentro”. Em um exame diagnóstico de imagem, não é para dentro de meu corpo que olho, é para um monitor, é para uma fotografia. Todos fora de mim.

É necessário superar a polarização entre gêneros que lê todo o problema na chave de um antagonismo homem-mulher que assume muitas vezes aspectos de brigas de torcida organizada. É necessário combater, criticar e transformar todo um sistema muito mais complexo, cheio de desigualdades que se cruzam e mudam de lugar constantemente. Pior ainda: este sistema só pode ser transformado de dentro. O desafio é semelhante a trocar o pneu de um carro em movimento.

Nesse sentido, é de suma importância que os homens prestem mais atenção às imagens que as mulheres, em seu ponto de vista específico, conseguem mediar não somente de nós mesmos, mas da nossa sociedade pautada por desigualdades – raciais, sociais, econômicas, de gênero, culturais, etc. – e que é, por meio de todos nós, difusamente opressora e oprimida.

E é de suma importância que os homens cultivem sua sensibilidade, não no sentido estereotipado de gênero como sinônimo de “cultivar seu lado mulher”. Tenho ojeriza dessa expressão. Sensibilidade não tem nada a ver com “ser mulher” assim como brutalidade não tem a ver com “ser homem”. Cultivar a sensibilidade é buscar ampliar a percepção, tanto de si quanto do(a) outro(a); daquilo que não se pode ver, mas se pode sentir e, percebendo isso, buscar interpretar o que se sente.

Cultivar a sensibilidade é estimular o tato, perceber as vezes em que há necessidade de uma aproximação mais suave e cuidadosa. Da mesma forma como aprendemos a “manusear” os pedais de um carro no ato de dirigir e como o emprego da força ou da suavidade nesse ato variará conforme uma série de elementos: do modelo do carro às condições da via, do peso que ele carrega ou do seu tempo de uso. Trata-se de algo que não somente é aprendido mas é constantemente ajustado conforme a situação.

E no fim das contas, o que me deixa às vezes perplexo é que tantas questões de relações entre gêneros são tratadas de forma tão complicada, mas muitas vezes são de puro bom senso e ética. E não é preciso se tornar porta-bandeira do feminismo pra agir eticamente e com bom senso. Ensinar os homens a não estuprar, ao invés de querer ensinar as mulheres a se vestirem para não serem estupradas, por exemplo, é puro e evidente bom senso. Particularmente, não gosto de ser visto na chave de um animal imprevisível que pode se tornar feroz e agressivo conforme um centímetro a mais ou a menos de pele que enxerga.

Ser empático com uma mulher não é um ato de concessão ou benevolência; é um ato de respeito a outro ser humano. Você, homem, não tem obrigação de ser gentil com uma mulher por que “é homem”, “mais forte” e etc. Você tem obrigação de ser gentil com uma mulher – e com homens, trans, travestis, etc. – porque vocês são gente. E o que se tem no meio das pernas não muda nada disso.

Parte considerável dos “privilégios” de homens no patriarcado não constitui privilégios em si, não são direitos de forma alguma legitimados, mas caracterizam abusos. Abusos que se tornaram naturalizados e que muitos creem como direitos, de forma bem parecida com o que acontece em muitos aspectos da corrupção em nosso país – tanto no campo da política quanto na vida cotidiana. Muitos se acham com direitos que não têm e nunca tiveram.

Assim, já é tempo de parar de atacar os direitos humanos reivindicados por mulheres, homossexuais e tantos outros grupos e assumir que nunca tivemos qualquer direito de desumanizá-los como fazemos sistematicamente.